domingo, 3 de janeiro de 2021

780.- Novo. Reflexões sobre o ano novo.



O que ou quem gostaríamos

de ler ou escutar

nestes primeiros dias

do ano novo?

 

Os jornalistas,

os poetas ou os profetas?

 

Qual seria a fala,

ou a escrita,

de cada um deles?

 

Nestes primeiros dias

deste novo ano,

vamos ler, escutar

e falar muitas vezes:

Feliz Ano Novo.

 

O que vai escondido

dentro desta pequena palavra?

 

Para nós, para cada pessoa,

no dia 31 de dezembro,

passamos para o dia primeiro de janeiro,

como um continuar,

uma passagem natural,

como foi passar

de uma noite para outro dia,

da semana passada.

 

Saímos de um ano velho,

que passou,

e entramos num ano novo,

que começa.

 

O ano que passou,

se transformou em algo familiar,

conhecido, registrado na memória

e nos livros de história.

 

O ano novo, está aberto,

desconhecido, imprevisível,

porém, novo, e receptivo.

 

É para lá que estamos indo.

 

Como?

 

Uma primeira experiência;

você não é novo, não é nova.

 

O novo está lá fora.

 

Se você continuar vivendo

como sempre viveu,

o novo não terá chance

de visitar-te.

 

Você está habituado e acostumado

com o que é repetitivo, confortável,

rotineiro, familiar,

portanto,

está acostumado a conviver

com o que é velho.

 

De repente,

um novo dia,

um novo ano

surge na sua frente.

 

E você recebe mais uma oportunidade

para viver, diante de novas possibilidades,

novas oportunidades de mudanças.

 

O seu padrão de vida passada,

conquistada,

pode sofrer alterações,

se aceitar as condições,

que as novas oportunidades

de transformação

se apresentam diante de ti.

 

Diante do velho padrão de vida,

sentimos segurança.

 

Agora perceba:

diante do novo,

os sentimentos que aparecem

é de medo e de insegurança.

 

Perceba como reagimos,

como é a nossa natureza,

diante de tudo o que é novo:

desconfiados, inseguros e medrosos.

 

A nossa experiência

e as nossas convicções

sobre o passado, que nos é familiar,

conhecido e vivido, é de tranquilidade.

 

Diversa é a experiência, ainda não vivida,

diante do futuro, do novo, que vem vindo,

do estranho, que desconhecemos.

 

Não temos domínio

sobre o futuro.

 

Não temos informações suficientes

sobre o futuro.

 

E o futuro,

é o novo

que nos aguarda

ou o novo que construiremos.

 

O velho passado,

conhecido e explorado,

familiar e domesticado,

nos deu tudo o que esperávamos?

Nos deu tudo o que estivemos buscando?

Ou apenas nos acomodou aonde chegamos?

 

O velho mundo

cumpriu todas as promessas

que nos fez?

 

O Ano Novo,

se apresenta a nós,

criando expectativas,

criando sentimentos desconfortáveis,

como que, provocando, desinstalando,

convidando para novas aventuras.

 

Não convém agir, ou reagir,

hesitante, angustiado,

rejeitando

o que é novo.

 

A todo momento

estamos diante de um novo dia,

uma nova hora, dormindo,

levantando-se de novo,

 voltando, indo trabalhar,

de novo, passear,

cumprir obrigações,

sempre de novo.

 

É a esta visão,

do novo sempre acontecendo,

que deveria latejar,

respirar constantemente

em nosso pensar e bater do coração.

 

Sem percebermos,

estamos mais diante do novo

que a todo momento nos visita,

do que diante do velho passado,

que se distancia.

 

A pessoa humana

é um ser constantemente aberto

e predisposto ao novo.

 

E não percebemos,

porque nos apegamos,

inconscientemente, ao que é velho,

conhecido e repetitivo.

 

Esquecemos que estamos capacitados

para sermos mais exploradores

do que dominados, escravizados.

 

Incoerentemente, erradamente,

estamos mais abertos, apegados,

pela memória, àquilo que passou.

 

Incoerentemente, erradamente,

estamos mais fechados

resistentes,

ao futuro, ao novo

que está sempre vivo,

apresentando-se

como oportunidade.

 

Como seres humanos,

sempre fomos competentes

em explorar o desconhecido,

criando caminhos,

fabricando ferramentas,

superando barreiras e obstáculos,

ultrapassando fronteiras,

viajando para fora do nosso planeta,

procurando nosso Criador no universo.

 

Queremos respostas

que o velho passado

não nos contemplou.

 

Por isso,

estamos abertos ao Novo.

 

Do passado,

não há mais nada a esperar,

que seja novo.

 

É do futuro,

que o Novo virá.

 

O novo, começou a chegar,

neste dia primeiro.

 

O novo,

continuará a chegar,

em todos os momentos

dos novos dias que virão.

 

Como perceber o novo,

que chega, sem cessar?

- Sendo aberto, receptivo,

prestando atenção a tudo aquilo

que as Boas Notícias,

nos presentearam.

 

Não ser covarde,

mas corajoso.

 

O covarde, com medo,

se fecha nas conquistas do passado,

e se torna insensível,

incapaz de esperar algo novo.

 

O corajoso, é um inconformado,

teimoso, aventureiro, se movendo,

para o ainda não conhecido,

ciente das suas capacidades criativas.

 

A nossa mente racional

imporá argumentos desfavoráveis

à abertura diante do Novo.

 

A fé e a esperança,

por outro lado,

serão as rochas

sobre as quais

o novo será aceito,

acolhido

e construído.

 

Sem a fé e a esperança

a mente é impotente,

incapaz de abrir-se

para o Novo.

 

“O passado é um cadáver.

O conhecido está morto.

O desconhecido é a vida.

O novo, o futuro,

é a vida, em aberto.

Tudo o que você conhece,

pertence ao passado, já se foi.

É parte de um cemitério.

Você quer estar em um túmulo

ou quer estar vivo?

Seu presente

é sempre uma transformação,

um renascimento,

uma ressurreição”.

Osho

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 03/01/2021

eneaspb@gmail.com