Em que mundo vivemos?
No mundo virtual ou no mundo real?
Um aliena, o outro, ensina viver.
Nos dias de hoje,
saturado de meios visuais,
de comunicação e entretenimentos,
exige-se de cada um de nós,
discernir, para distinguir
a vida a partir do mundo virtual
e as experiências da vida
diante das exigências
e reclamos da realidade.
Eis aqui uma reflexão
sobre a vida e o viver
para que ativemos nossa consciência
e percebamos em que mundo
estamos vivendo.
Tenho a vida em
mim.
- Viver é
degustar esta vida,
e tudo aquilo
que ela é e carrega.
Estou vivo.
- Está ativo meu
desejo de viver.
Então curto,
degusto, admiro,
sinto, inebrio-me,
comunico-me
alegre e
livremente
com meus iguais.
Estou vivo.
- Recomeço a viver
todos os dias.
Nasce, de novo,
minhas chances,
meus sabores, meus
significados,
nossos ideais de
fraternidade.
De que adianta ter a vida
e não estar sentindo a realidade,
a dinâmica do viver?
O coração bate,
as pernas se movimentam,
as mãos gesticulam;
o corpo físico respira
e está quente.
Pensamentos
tagarelam
no meu cérebro.
Perguntas fervilham
em minha cabeça.
Olho para todos os
lados.
Escuto todos os
sons.
Pessoas mexem com
os lábios.
Tudo está se
agitando
dentro do
liquidificador.
Uns vão, outros
vem.
Todos estão indo,
para onde?
Professores e
alunos interagem.
Patrões e
funcionários
procuram se
entender:
Uns exploram.
Outros são
explorados.
Uns saciados,
outros, famintos.
Fugimos todos. Vivemos fugindo.
Vamos aos jogos,
todos os jogos,
futebol e samba,
diversões e
desgastes inúteis,
escapes... se
forem fugas
das
responsabilidades.
“Preciso
divertir-me”
é sintoma
de que estou vivo,
apenas.
“Preciso
divertir-me”
pode ser um aviso
de que não estou
vivendo
dentro da realidade real.
A vida pode até ser passiva,
mas viver é algo
ativo.
Políticos e povo
não conciliam seus
interesses.
Ganancia e egoísmo
cegam os poderosos
e atrasam tudo.
Injustiças,
corrupções e mentiras
tomaram as rédeas
da justiça e da
verdade.
Transformaram a
vida
numa carga pesada.
A vida pode estar
dentro dos muros, fechada.
Viver supõe fazer
a vida
vibrar em tudo e
em todos.
Muitos não sabem
viver.
Apenas possuem a
vida.
Alguns
assassinaram nossos ideais
e nossas nobres
razões de viver.
Alguns de nós
aceitamos
passivamente
as algemas de
pelúcias,
as correntes do conforto
e do consumismo.
Consumimos nosso
nobre tempo
com atividades
despersonalizantes.
A vida é passiva, mas,
viver é algo
ativo.
E todos perdem,
não apenas os
pobres.
Os ricos perdem a
simplicidade
e a alegria de
viver soltos.
Se estão apegados aos seus bens,
vivem presos.
Com a vida estão presos
aos interesses
pequenos,
individuais ou de
grupos.
Os pobres possuem a riqueza
da vida,
mas apenas sobrevivem?
Não. Os pobres degustam viver
mesmo que a vida se apresente a eles,
difícil, árdua, salgada demais.
Já não nos
ocupamos com o amor,
com a bondade, com
a beleza.
Não estamos no
prejuízo,
afastados das
razões do viver?
De novo, pergunto,
não está a vida
separada do viver?
Há ainda o desejo
ardente,
de viver?
Se já não há mais
esperanças
dentro da vida,
que valores
sobraram
para viver?
Quais personagens
estão demonstrando
nobreza no agir,
na sociedade
e nas estruturas
das igrejas,
na literatura, na economia,
na saúde ou no
esporte?
Quem está
testemunhando
vivência de
valores permanentes?
Será que a vida
vive,
sem palpitar?
A vida é passiva.
Mas não só passiva.
Porque viver é verbo, ativo.
Interpretar papéis,
emprestados ou
impostos,
não é nada
original.
Se ganhamos a vida
de presente,
o que estamos
fazendo com ela?
A vida é apenas um
talento.
Não o enterre. Faça-o
frutificar.
Viver é muito mais
do que apenas ter
vida.
Estar vivo é muito
pouco
dentro da Ecologia
e da Cosmologia
Universal.
A vida é algo
fechado,
mas também está sempre aberta.
Viver é abrir as portas
da vida
e expressar-se, aventurar-se,
revoltar-se com as
barreiras,
contra os limites,
contra as
fronteiras.
A vida é algo fechado.
Mas, viver também é
abrir-se para a novidade.
Viver é extrair a
energia
de dentro da vida.
Viver é fazer a energia
da vida
produzir projetos
e emoções.
A vida é algo pronto,
bruto, acabado. Mas também
está sempre em construção.
Viver
é fazer arte, e,
aperfeiçoá-la
continuamente.
A vida é algo pessoal,
isolado, coisa de
cada um,
junto, com outros uns.
Viver é interligar-se,
relacionar-se com
tudo e com todos.
Enquanto não
estiver vivendo com alegria,
não estás vivendo
a riqueza
que é a sua vida;
não estás gastando
o enorme potencial
da sua própria
vida.
Com a vida,
podes multiplar, triplicar
as razões para o teu
viver
frutuoso e
saboroso.
Você é uma pessoa
alegre?
Avalie-se se estás
vivo(a).
Avalie-se se estás
vivendo.
"Ensinam-nos a viver
quando a vida já passou".
Michael Eyquem de Montaigne 28/02/1533-13/09/1592.
Foi filósofo, escritor, ensaista e fabulista francês.
Nasceu e morreu em Saint-Michel-de-Montaigne, França.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 03/06/2016.
Atualizado em 26/04/2026
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