Diga-me
francamente,
onde
ou com quem você busca,
o
que te falta?
Você
sabe quais são os nutrientes
que
o teu corpo necessita?
E
o teu espírito,
como
você o alimenta?
Você
acha que o teu espírito
não
precisa de alimento?
Se
você deixa de comer por um dia,
o
teu corpo reclama, você fica fraco,
tonteia,
desmaia, fica sem vontade
para
nada.
Se
o teu espírito não recebe nada,
o
vazio fica mais vazio,
e
a falta de sentido
avisa:
Estou passando fome.
Certo dia, os amigos,
companheiros e
discípulos do Jesus,
perguntaram a ele, se
não sentia fome.
Ele respondeu
que tinha
um outro tipo de
alimento,
e que não só de pão
a gente pode se
alimentar.
É certo que o Jesus
era uma pessoa
especial
e vivenciava a todo momento,
as duas naturezas,
a humana e a divina.
É sinal
de sabedoria e
maturidade
que nós humanos,
escolhamos uma
filosofia de vida
baseada na expressão,
“vivendo e aprendendo”.
Não existem outros
ídolos,
gurus ou professores,
terapeutas ou
doutores,
dos quais tenhamos de
aprender,
a não ser de um,
que ensinou,
vivendo.
Ele tinha uma alma
eterna,
veio do eterno, e
cultivava essa alma,
acima de tudo, em
todos os momentos.
Por isso ele tinha
autoridade,
força, serenidade, capacidade
para sair-se bem
em qualquer situação.
Se nós experimentamos
limites,
incapacidades
espirituais,
falta de lucidez,
falta de serenidade
diante das situações
vitais,
possivelmente sejam consequências
da nossa ignorância
dos poderes e fazeres
da alma.
É certo também
que o mundo no qual
vivemos,
a cultura ocidental,
nos condiciona,
e a mentalidade que
respiramos
nos leva a viver
como todo mundo pensa.
Como a maioria
desconhece
a cultura espiritual,
das forças da alma,
acabamos
acabrunhados,
tristes,
melancólicos,
sem entusiasmo
e esperanças.
Se não alimentamos
nosso espírito,
a alma enfraquece e
adoece.
É da alma
que nasce o desejo de
melhorar,
aperfeiçoar, evoluir,
crescer além de si
mesmo,
para despertar o desejo
pela imortalidade,
para as aberturas
para novos modos
de conhecer e ver,
além da inteligência
e da razão.
A alma
é uma força
importante,
interna, profunda,
vital, necessária,
como a força
que existe
dentro de uma semente
que força a explosão
da casca,
para poder sair,
crescer,
para além do casulo.
A alma
é o ar,
o vento,
o oxigênio,
que dá vida,
possibilita a vida
e o movimento.
Dar chances para a
alma,
respirar, animar,
soprar.
A alma
é de natureza íntima,
de dentro,
do interior,
onde habita,
no silêncio
das profundidades;
Ah! Como eu gostaria
que o vento da alma,
fosse visível e colorido,
atraísse,
contagiasse,
curasse e animasse,
todos os vivos.
Se a alma não
desperta
das profundezas,
ficamos ali,
na periferia,
alimentando-se só de
pão,
de doces, guloseimas,
sem nutrientes.
Ativar ou não ativar a
alma
é condição de
fracasso ou sucesso,
no empreendimento
maior
do ser humano,
na reconquista
original
do seu próprio ser.
É a alma consciente,
livre e esclarecida,
que vai dar condições
para entrar em
contato
com o verdadeiro eu,
perdido, alienado,
estraçalhado,
dividido pela cultura
do mundo ocidental.
Se não é a alma
que te anima,
o teu corpo fica pesado,
e teus passos lentos,
e a sua mente,
inquieta, ansiosa,
anêmica.
É a alma que abre as
portas,
para os interesses,
fora deste mundo.
As asas da alma
é que nos tornam
leves,
voando por cima das propagandas
do imediatismo.
Não podemos
desgrudar nossos pés
do chão da realidade,
mas é a alma
que nos leva
a conviver
com os paradoxos da
vida,
com discernimento e sabedoria.
A alma
não mora tanto na
mente,
na razão.
O pensar da alma
nasce do coração.
É um olhar meigo,
fino, sutil,
delicado,
abençoado, empenhado,
carregado de
sentimentos,
de nobreza,
acolhimento,
admiração.
As atitudes da alma,
são atitudes divinas.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 26/02/2020.
