sábado, 30 de novembro de 2024

943.- Qual é a última realidade, a Terra ou o Céu?



Quando olhamos para uma paisagem,

as cores, luzes e sombras,

o perto e o distante,

emoções e sentimentos

invadem e preenchem nosso íntimo.

 

É um contexto, uma mistura mística

das coisas da Terra e muita arte no céu.

 

Entre as linhas, abrem-se espaços,

e nas entrelinhas deciframos mensagens

sentidas em nosso íntimo.

 

Nas entrelinhas existe um escritor

e em nossa alma, um tradutor.

 

Onde está o último horizonte,

o último porto, a última realidade?

 

Existe uma outra realidade,

além desta, na qual vivemos?

 

Se tem, essa vida que vivemos,

não é a definitiva.

 

Se nossas perguntas

não tiverem respostas

aqui na Terra, será a divindade

a respondê-las?

 

Não encontramos realização total,

nem felicidade completa aqui na Terra,

por mais ricos que sejamos.

 

Nessa viagem experimentamos

momentos de alegria, festas,

danças, vitórias, sucessos,

mas sabemos, que mais na frente,

experimentaremos também a ansiedade,

insegurança, angústias, doenças, velhice,

falência múltipla dos órgãos, e a morte.

 

Diante de tudo isso, brota a pergunta:

o que encontraremos lá na frente?

 

Qual é, definitivamente,

a última realidade?

 

É humana, terrena? Existência?

 

É divina, celestial? Essência?

 

Se for humana, o objeto de estudos é a existência.

Então, que tipo de estudos

devemos buscar?

- Antropologia, Filosofia, Economia,

Administração, Física, Química?

 

Se for divina, celestial,

o objeto de estudos será a essência.

Qual é então, o tipo de estudos,

quais ensinamentos

devemos procurar?      

- Teologia, Filosofia?

 

A alma é uma semente divina

que quer brotar, crescer, desenvolver-se,

tornar-se árvore que cresça, e suba até o céu.

 

Se existe uma última realidade,

que não é esta na qual vivemos,

então, a sabedoria está em montar

toda uma estratégia de vida,

tendo por referência a última realidade.

 

Necessitamos de conhecimento

sobre a essência do ser humano.

 

Somos um ser com essência,

numa existência.

 

A essência é aquela parte

que está dentro de nós,

de forma invisível,

que dá vida à nossa vida externa.

 

A existência

acontece no mundo visível,

onde estamos, material, concreto,

com constante necessidades

de aperfeiçoamento,

permanente processo de evolução,

auxiliada pelas ciências.

 

Como essência,

somos originalmente puros,

perfeitos, no espírito que nos habita.

 

A essência

está encarnada, na natureza humana,

porém, carregamos junto, uma existência,

a maneira incompleta, misturada,

mesclada com luzes e sombras,

alegrias e tristezas.

 

A essência,

escondida, invisível, infinita,

tem saudades do céu, pois teve lá, sua origem.

 

A existência materializada,

nos segura na Terra.

 

A essência, espiritual,

invisível, tem elo, ligação,

sente falta, tem sede do Pai afetivo.

 

É a essência

que deveria ter a primazia,

o comando da nossa vida, por ser perfeita,

imaterial, unificada, por ser, já, eterna.

 

A essência

já é familiar

com o mundo invisível,

cultiva esperanças,

acredita na eternidade,

já conhece o Deus Eterno, provedor.

 

A existência

tem apegos,

às coisas visíveis,

inclinações, que, como imã,

atraem para a terra.

 

Na existência,

frágil, sentimos preguiça,

cansaço, temores,

tendências à acomodação,

resistências, dúvidas,

fraquezas e desequilíbrios.

 

Felizmente, o que nos mantém

firmes, acreditando na vida,

ajudando-nos na superação

das dúvidas e dos problemas,

é a nossa essência eterna.

 

Um Espírito Santo nos habita

na zona mais profunda

da nossa personalidade.

 

Esse é o nome da nossa Essência.

 

A realidade final, definitiva,

possui características

de permanência,

de eternidade.

 

Aquele que desejo ser,

no mundo existencial,

já sou, na minha essência.

 

E a essência,

é a alma, que é e se revela

em nossa existência.

 

Essa é a realidade definitiva.

 

O que permanece e resiste,

durante ou depois dos temporais,

se não for a alma, o que será?

 

O que permanece quando o tempo acaba,

quando tudo vai embora,

e só fica o infinito,

a morada da alma?

 

É por estas razões

que nos colocamos a procura da alma,

para conhecê-la, encontrá-la, sondar a sua origem

e esperar dela as respostas definitivas.

 

Se é o céu o nosso destino,

a alma é a companhia certa.

 

Convém a nós, conviver com ela,

apaixonar-nos por ela, e permitir

que ela nos reconduza à nossa essência.  

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com

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quarta-feira, 27 de novembro de 2024

942.- Atalhos.


 O mundo das ciências, 

da filosofia, das religiões,

do comportamento humano,

das culturas, enfim,

de tudo que há para conhecer,

é muito grande.

 

E nos perguntamos se não existe

um atalho, rápido,

que nos habilite

a aquisição de uma visão de mundo

que contemple nossas expectativas,

nossa sede de conhecimento.

 

São tantas as expectativas,

mas, me parece,

não são tantas as necessidades.

 

Acredito que nos contentaremos

com algumas sínteses, alguns atalhos,

alguns filtros, peneiras simples,

para apaziguar as poucas necessidades reais

que nos movem.  

 

Estamos constantemente a procura

de uma pedagogia de aprendizagem e ensino.

 

Me parece que,

ao acendermos as luzes,

as virtudes aparecem,

e desaparecem os defeitos,

os desequilíbrios.

 

Me parece, e me convenço cada vez mais,

que esse tipo de visão deve lentamente

transformar-se numa regra de vida,

para insistir, investir e ensinar

a focar a atenção no aprendizado,

mais das virtudes, das luzes,

que cada um tem dentro de si.  

 

Se focarmos a educação

nos defeitos e desequilíbrios,

a caminhada será mais longa,

mais cansativa, e com isso,

tiraremos o foco de luzes

da atenção pedagógica

das virtudes.

 

Se acendermos as luzes das pessoas,

seus corpos emanarão

as luzes do discernimento.

 

A virtude, conhecida, anima;

os defeitos, conhecidos, desanimam.

 

O substantivo que permanece

é o Corpo de Luz, do conhecimento,

iluminado pelas virtudes,

que produzirão os efeitos clarividentes.

 

                 Atalhos.

 

Queremos chegar depressa,

antes que escureça.

 

De dia, com luzes,

enxergamos as flores

pelos caminhos alegres.

 

Sem as luzes

perdemos os encantos

da visão e da vida.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com

criado e pub no Blog

e no FACE em 26/11/2024

 

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segunda-feira, 18 de novembro de 2024

941.- Alma, alma minha, me ensine, a cantar, a dançar e a voar.


 

Cante,

cante alma minha

porque meu corpo

precisa aprender

a cantar.

 

Dance,

dance alma minha

porque meu corpo

precisa aprender

a dançar.

 

E a alma respondeu:

- No tempo certo,

aprenderás.

 

Cantando e dançando

me sussurrou, baixinho,

que o corpo para obedecer

tem que primeiro aprender

as lições do envelhecimento.

Com sabedoria, no tempo certo,

cantará e dançará serenamente.

 

Meu corpo andou, cantou e dançou.

 

E ousei mais um pedido,

que meu corpo

aprendesse a voar.

 

E ela respondeu,

- No tempo certo

as asas crescerão.

 

Mas, quando?

Já não passou um bom tempo?

 

Agora, o meu corpo,

mal consegue andar,

nem consegue mais dançar.

 

Quando voarei com meu corpo?

 

E ela respondeu:

- Quando estiveres cansado

e já não puderes mais andar,

nem dançar, então criarás asas

e voarás comigo para o céu infinito. 

 

- Tudo o que te ensinei,

você aprendeu.

 

- Agora, venha comigo,

vou te ensinar a voar.

 

- Voar, minha alma,

não é para este espaço,

limitado e finito.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Criado e pub no BLOG e no FACE

Em 18/11/2024.

domingo, 17 de novembro de 2024

940.- Escutando música, curtindo a melodia.


 

Não se vê a música, mas

“Se você souber olhar para as pessoas

vai ouvir a melodia delas.”

(Frase do filme O Violino do Meu Pai).

 

Cada um escuta

e escuta-se,

ouve e ouve-se,

lendo, se lê.

 

Cada pessoa que vive ao seu lado

quer ouvir a sua música, suas palavras,

entoadas com a suavidade

das cordas de um violino,

que despertam forças espirituais.

 

Cada pessoa é uma melodia.

 

Todo ser humano

gosta de música,

porque gosta de si,

e, porque se ama,

e ama a música

porque a música é um valor

e te ama, porque também tu,

és um valor.

 

Gostamos de uma música

pelos bons efeitos

que produz dentro de nós.  

 

Cada uma das pessoas

que vive neste mundo

olham, desejam e esperam

que sejamos como uma música,

afinada, alegre, como uma valsa,

um passinho para lá, outro para cá,

harmoniosamente, sem pressa, sem afobação,

ouvindo, traduzindo a música com os pés.

 

O mundo é uma grande orquestra,

afinada ou desafinada,

dependendo de onde estamos

e como estamos tocando

nosso caráter, personalidade

e educação no relacionamento

com as outras pessoas, musicais.  

 

Gostamos das músicas

que transmitem sonoridade

e atraem pelos sons gostosos

captados pelos nossos ouvidos.

 

A música entra, suavemente

em nosso universo interior,

que comunga com os sons

do universo infinito.  

 

A música faz bem.

 

É curtida pela alma,

pelo espírito carente de perfeições,

de equilíbrio, harmonia, unidade e paz.

 

A boa música,

como as boas pessoas,

transmitem boas energias,

motivam, alegram,

harmonizam nosso ser,

carente de unidade.

 

Cada pessoa que vive ao nosso lado

está sempre esperando

que você acerte seus passos,

na melodia que vem

lá do fundo da nossa boa alma.  

 

Se você acerta o seu passo,

ela também acerta.

 

Quem nos procura,

procura como se fôssemos uma música,

desejando ouvir o que lhe faz bem,

lhe acalma, suavizando,

proporcionando bem-estar,

harmonia e completude.

 

Quando chega

o final de semana,

quero poucas coisas,

uma boa música

que coloque ordem no caos

que me consumiu durante a semana.  

 

A música é uma linguagem universal.

 

A música é uma voz,

ou várias vozes, instrumentos,

distintos sons, que se unem,

para falar-nos sobre aquilo

que não conseguimos exprimir.

 

Sentimos com o corpo,

e com a alma, que é algo bom,

que faz bem e motiva-nos

a viver com vibrações que alegram.

 

A alma, do universo, se existe,

está disfarçada ou escondida

na música.

 

Há um fundo musical,

quase inaudível,

que vem lá do fundo do universo.

 

Comparando,

diante da quantidade de coisas

que existem no mundo,

são bem poucas as notas musicais

e tão poucos os instrumentos

que compõem a cultura da música,

mas, bem-organizadas por bons maestros,

produzem harmonia e irmanam povos e nações.  

 

Quando olho para o céu,

aquele espaço infinito

povoado de astros,

estrelas, galáxias,

todos em harmonia,

vejo-os dançando.

 

Que paz, que silêncio

naquele salão sem fim.

 

Pare, entre em seu aposento,

escolha uma música que gosta,

e perceba tudo, as emoções, sentimentos,

as reações íntimas que se sucedem

no seu corpo todo e na sua alma.  

 

Não te dá vontade de dançar,

a toda hora, em qualquer lugar?

 

Eu queria escrever mais,

um volumoso livro,

mas você acha os meus textos longos

e a sua impaciência faz a música

ficar mais curta.

 

E os momentos

com a sua amada, ou amado,

perdem em intensidade

e complementaridade.

 

A música toca

se você a houve.

 

A melodia te toca,

te convidando a dançar.

 

Curtiu ...

se ficou até o fim do baile.

(O ponto final deste texto)

 

Curtiu ...

se leu as linhas

e o que está nas entrelinhas,

que brotaram em seu coração.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com

Criado e publicado no BLOG

e no FACE em 17/11/2024.

 

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