sexta-feira, 30 de setembro de 2016

352.- Poesia. A poesia é mais um método de ensino e mais uma oportunidade de aprendizado.





Existe um caminho, atalho,

por onde mais fácil conhecemos

nossas melhores capacidades,

inclusive de amar,

através de mil maneiras especiais,

que a poesia sugere.



O poeta

sofre quando sente o desgaste

que as palavras sofrem.





O poeta

sofre para repor,

recarregar as palavras esvaziadas,

com novas forças, novas cores,

até novos significados.





O poeta sofre quando vê os alunos

irem e virem das escolas,

mais como prisioneiros

do que alegres

aventureiros.




A poesia sempre foi estudada, valorizada e incentivada pelos filósofos, educadores, cientistas, pesquisadores, inspirados inventores e descobridores.





Neste texto percebemos como alguns filósofos, educadores e teólogos se referiram a esta arte de transmitir a verdade, a beleza e os valores da vida, de uma forma mais gostosa, receptiva, atraente e até mesmo, mais eficiente de ensinar e aprender.





No dicionário Aurélio encontramos várias referências à poesia:





Poesia

é a arte de escrever em verso.





Poesia

é composição poética

de pequena extensão.





Poesia

é entusiasmo criador;

é inspiração.





Poesia

é aquilo que desperta

o sentimento do belo.





Poesia

é aquilo que há de elevado

e comovente

nas pessoas

e nas coisas.





Poesia é encanto,

graça, ou atrativo.





É interessante perceber algumas características da poesia:





- A poesia quer funcionar como estímulo ou despertar a participação emotiva nas pessoas;





- A poesia, em primeiro lugar, é vista como um caminho para se chegar à verdade absoluta.





- A poesia é também um modo privilegiado de expressão linguística.





Não se caracteriza

por obediência cega

às normas de comunicação.





É valorizada

pela liberdade de expressão,

do poeta, do comunicador.





Não lhe cabem críticas

quando o objetivo são valores,

setas, caminhos alternativos,

para ligar a sensibilidade,

despertar a consciência,

motivar mudança de vida.





Na poesia está encarnada todos os movimentos dolorosos ou agradáveis,

inseparáveis de todas as nossas ações.





Nas linhas ou nas rimas,

o poeta fala do sofrimento,

querendo estancá-lo,

silenciá-lo ou suavizá-lo,

sem sucesso,

pois que ao mesmo tempo,

nas entrelinhas, o alimenta,

irrigando-o com as lágrimas

da sinceridade e do arrependimento.





Nas linhas ou nas rimas,

o poeta fala e escreve

sobre a felicidade,

na esperança

de nos tornar mais

pacíficos e carinhosos,

mais abertos e construtivos.





A poesia

é a arte

no seu lado emocional.





Seu conteúdo,

mais do que o racional

 é o sentimento.





Vi você aí, sem fazer nada e montei este texto. Antes que você leia, te pergunto:





Você gostaria

de aprender alguma coisa

sobre poesia?



- Sim, bem que gostaria .



Então,

por que não começa agora?





                    - Bem que gostaria, mas ...





Pois bem,

Vou fazer a minha parte.







O sublime trabalho da poesia

é dar sentido e paixão

às coisas simples,

inanimadas,

mas importantes,

como as crianças fazem,

brincando,

conversando com elas

como se fossem

pessoas vivas”.

Giambatista Vico.





A poesia, existe lá onde os sentidos estão bem alertas, robustecidos, e a fantasia é vigorosa.





Na poesia e nos poetas existe idealismo, intenção, sublimidade.





O poeta e a poesia:





- bem que quer transformar o dia comum num dia espetacular descobrindo os interesses das pessoas, ou despertando-as para o que interessa e responde plenamente aos desejos mais profundos, aquela sede insaciável, aquela expectativa ainda não satisfeita ...





- bem que quer fazer durar muito tempo o que é gostoso.





É da dimensão mais profunda, mais real e mais verdadeira do ser humano, via sentimento.





- bem que quer ensinar as pessoas comuns a se tornarem pessoas extraordinárias.



É a paixão, que brota dos sentimentos que oferece a resposta ao sentido da vida.





- bem que quer que as pessoas degustem e tenham os mesmos pensamentos e sentimentos que os fazem degustar cada coisa simples em exposição no palco da vida.





Abrir os olhos, ver as flores. Olhar para cima, admirar as estrelas. Abrir os ouvidos, escutar canções dos pássaros, distinguir vozes afetuosas.

Sentir o frio, o calor, suar as mãos, pisar descalço o chão acolhedor.





- bem que quer dar vida a todo e qualquer elemento disponibilizado a cada um de nós, mostrando a bondade e a familiaridade de cada elemento, facilitando e suavizando a vida a todos nós.





Tudo que há no universo é irmão ou irmã, fraterna, faz bem, é benéfica, ajuda, equilibra, unifica e fortalece-nos.





- bem que quer, a cada um, transmitir e transferir a linguagem emotiva, estimulando o despertar das emoções e mudanças de atitudes.





É o apaixonado, a apaixonada que curte a vida, contagia os outros, a ser mais.  





- bem que quer despertar o raciocínio para a decodificação do simbólico escondido ou revelado em cada palavra, cada frase, cada texto, cada pessoa.





Cada elemento, cada pessoa é uma senha que quer ser decodificada para te fazer feliz.





- bem que quer despertar a função emotiva, escondida, velada ou revelada, escrita ou subentendida em cada texto, dormindo ou acordada em cada ser humano.





Emoções sadias necessitam vir à pele, expressar-se, comunicar suas riquezas.





Se o rosto arde, queima, a poesia, a arte ou o amor anda por aí.





Permita que as emoções te   digam que está vivo ou viva.





- bem que quer lembrar e sustentar valores já conhecidos ou explorar novos valores.





A experiência vai ensinando os estão os valores, que respondem, que perduram e que deixam saudades quando ausentes.





- bem que quer mostrar que o sensível é a qualificação central da poesia.



Que a beleza percebida demonstra a perfeição da potência sensível da pessoa humana. A beleza, a arte percebível é atestado da perfeição dos órgãos da percepção do ser humano.





- bem que quer ensinar a acolher tanto o prazer como a dor, tanto o bem como o mal, como um casal que se ajusta, superando-os, alcançando a harmonia na sábia convivência.





A vida é um pacote que veio com tudo. Não dá para dispensar o que não gostamos pois o que nos incomoda, desacomoda-nos e empurra-nos para a maturidade e para a evolução.





- bem que quer insistir e mostrar a extensão do infinito, que originam forças, para vencer as angústias do mundo finito.





É o mistério transcendental que abre o ser humano, que o tira do mundo do absurdo.





- bem que quer esforçar-se para revelar um ideal de perfeição, mesmo que esteja lá longe, distante dos nossos pés, mas próximo o suficiente dos nossos ideais.





Onde estamos é o ponto de partida, o aeroporto da decolagem.





- bem que quer mostrar que aquilo que a gente pensa que é, de repente descobre que é.





E se alegra. E se conhece capaz.





E quer continuar neste caminho que traz compensações, abrindo as portas que estavam fechadas, sem chaves, sem saídas.



- bem que quer fazer perceber a essência de todas as coisas, perceber-se que é o objeto, o ser vivo dentro da poesia.





É de mim, da minha pessoa, do que sou, que trata a poesia.





Sou eu o objeto próprio da poesia.





- bem que quer se expressar com liberdade, sem obediências a leis rígidas, quadradas, fechadas, determinantes, por isso desperta a própria liberdade de interpretação do leitor.





- bem que quer condensar e abreviar as palavras, encurtar teu tempo e teus caminhos, dar-te o que necessitas tão logo estejas precisando, mas há o esforço a ser feito que não pode ser dispensado para que o conteúdo seja percebido, trabalhado, apreendido, aproveitado.  





     Nutrientes são disponibilizados.





- bem que quer dar a cada palavra a energia e a força de explosão, em tua mente e em seu coração sensível.





- bem que quer dar maior força e maior significado às palavras desgastadas, purifica-las, mantê-las eficientes, renová-las e aperfeiçoá-las.





Se a palavra é usada em qualquer lugar sem qualquer respeito, na poesia a palavra tem valor de consagrada.





- bem que quer manter fidelidade à função emotiva, fidelidade à significação, fidelidade à verdade, fidelidade ao dever, fidelidade aos valores permanentes, fidelidade à liberdade.





- bem que quer mostrar o peso e a importância do valor e do significado moral, como mestre ou professora atenta ao ensino, despertando faculdades de raciocínio reflexivo, amadurecendo responsabilidades próprias, o respeito e o encantamento diante dos outros.





- bem que quer revelar, cultuar, valorizar e curtir a beleza em todas as formas, cores, gestos e elementos da natureza, seja ela natural ou humana.



Se a beleza já existe, a poesia procura dar ritmo, aperfeiçoar a beleza com os bons afetos, bons sentimentos, boas intenções, boas ações.





- bem que quer levar a sentir, com o sentimento, o que a beleza produz nos pensamentos, na pele, no sangue e na alma da gente.



Me faz sentir vivo, vibrante.  





- bem que quer mostrar que a arte, a poesia produz, desperta, cria as emoções. A emoção absorve-nos por inteiro.





O motivo está fora, o processamento é interno, de novo sai de dentro, a alegria explode, a contemplação admira, o mundo todo se acende, monta arco íris e as pinturas nas nuvens, no céu, fazem o resto, o espetáculo.





- bem que quer manter a arte na sua forma artesanal, fora das séries repetitivas.





Tanta variedade, tanta criatividade, poder oculto da divina artista, a natureza, e do divino Artista, o Deus Criador, de tantas pessoas, diferentes, uma das outras.





- bem que quer revelar que admiramos porque temos alma; sentimos porque temos corpo; vivemos por existimos com tantas capacidades que enriquecem-nos, se despertadas, ativadas pela poesia e pelas artes.





- bem que quer derreter resistências, quebrar almas duras, ressuscitar almas mortas, limpar a neblina dos espelhos, tirar a rotina do caminho, fazer descer do trem automático.





- bem que quer sugerir andar descalço na grama, na lama, nos riachos rasos e em cima das folhas secas.





- bem que quer despir-se do supérfluo, vestir-se da transparência pura, inocente, original.





- bem que faz distinguir as obras perenes, sólidas, das criações perecíveis que o tempo gasta e o vento esvoaça.





A pessoa humana tem tudo isto dentro de si: a perenidade, o senso do eterno, pois que eterna já é e por isso percebe a eternidade em si, que julga o provisório, o passageiro e a ele não se submete.





- bem que nos faz experimentar a mais alta sensação do extase.





Talvez a mais alta experiência de plenitude que a pessoa humana consegue experimentar, sem explodir, tal qual a experiência da intimidade com o Espírito Santo.





- bem que o poeta faz e a poesia proporciona quando simpatiza com tudo e com todos para compreendê-los e descrevê-los.





O poeta lê o mundo em que vive, escuta o clamor do povo, sofre as angústias de cada um, celebra a vitória sofrida e distribui, nas folhas, gratuitamente ao vento que leve o que de bom e educativo extrai de cada elemento, evento ou pessoa.





- bem que não quer ter fim utilitário nem quer se submeter a qualquer disciplina, por isso seus efeitos são revolucionários, como os jovens rebeldes sempre em busca de autonomia e independência.  





Na poesia participam o mistério, o encantamento, a admiração, a intuição. O próprio leitor entra dentro da cena e vivo vai fazendo parte dos personagens, ansiando, a cada passo, novas surpresas, novos rumos, alternativas sonhadas, realizadas ou quase alcançadas.   





Na poesia, não cabe dissecar, discursar, fechar assunto e ponto final.





É o ponto de exclamação

que tem vez.





É o ponto de interrogação

que faz deslanchar um final

que seja lá longe,

longe da vista

e da imaginação.





Aberto, abre a mente e o mundo do leitor, que lê de novo, do começo, não imaginando o final que ainda não aconteceu. O próximo capítulo continua agora, na cabeça, na mente, no mundo do leitor.  





       - bem que nos remete de novo ao começo sem querer ver a peça da vida finalizar.





Não queremos que o fim chegue, que os panos se fechem anunciando o término do espetáculo. 





Há muito a aprender com os poetas e com as poesias, com os poemas escritos e os poemas ambulantes, circulantes, viventes.





Se alguma palavra não é entendida, na poesia a própria linguagem é toda carregada de significado no máximo grau possível.





É possível, na literatura da poesia, entender várias línguas, muitas mensagens, assim como a música, também universal.





Quanta curtição na união das palavras, das estrofes, das letras encarnadas, associadas às notas musicais. Que belo exemplo de unidade substancial, completa, perfeita.





Esta pesquisa é o resumo do que está escrito sobre Poesia, no Dicionário de Filosofia Nicola Abbagnano, Editora Martins Fontes, SP. 2007, páginas 894 a 899. Cito a relação dos filósofos que foram pesquisados nesta pesquisa, inspiradores do que foi escrito logo após a expressão “bem que quer”. São eles: Giambattista Vico, Ivor Armstrong Richards, Charles Kay Ogden, William Morris, Friedrich Hegel, Benedetto Croce, Friedrich Schiller, Freidrich Schelling, Martin Heidegger, Gustave Flaubert, Théophile Gautier, Charles Baudelaire, Walter Pater, Oscar Wilde, Edgard Allan Poe, Thomas Stearns Eliot,

Paul Valéry, Pierre Dupont, Stéphane Mallarmé, Ezra Pound, Hans Georg Gadamer, Gianni Vittimo.





       Convido-te a pesquisar este campo. Talvez você descubra um talento escondido, pronto a deslanchar. Experimente ser poeta.





Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 30/09/2016




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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

351.- Emoções. Juntando emoções e sentimentos às razões da vida.





Naquilo que fazemos,

se pouco ou nada sentimos,

algo falta.




Falta satisfação

na vida.




Falta sentimento.




Veja como é gostoso,

sentimental, esquentante,

inebriante, escrever, ler,

viajar ouvindo músicas,

músicas escolhidas,

selecionadas

que falam,

gritam,

despertam

as células e fibras,

que por ventura,

ainda estejam dormindo.




Perceba,

atentamente

o que sentes

e veja como é importante

incorporar elementos

à capacidade racional.




Parece que a razão,

a mente, se ocupa mais

com as coisas externas.




Veja como a mente,

a razão não sente nada.

Parece que não tem sensibilidade.

É fria,  apática, julga, critica.




Parece que o sentimento

é mais nosso, é coisa interna.

É o sentimento que mexe comigo.

Tem mais nobreza nos sentimentos.
É envolvente, contagiante.





Só pensar é atitude seca,

 sem atrativos.




É o sentir, o sentimento, as emoções

que tornam a vida colorida,

gostosa de viver,

exuberante,

vibrante,

viva,

palpitante.






Só ler, é pouco,

se não acionar

a imaginação,

que acende desejos,

que despertam ideias,

e colocam os ideais

bem claros,

próximo das realizações.  





Eficiência,

aprendizado,

sucesso

só vem,

se

além do pensamento,

sentimentos e emoções

sejam incorporados.




O que de bom

e compensador se faz,

é fruto de prazer.




Prazer

é o corpo todo que sente.




O que de bem produzimos,

vem de duas

ou três potências diferentes,

juntas, unificadas.




Assim como a gravidez

só vem depois da união íntima

entre um homem e uma mulher,

assim também acontece a inspiração

de uma poesia, de um discurso,

de uma obra de arte.




O ambiente ajuda,

o silêncio é necessário,

a vontade ligada,

a decisão tomada,

um fundo musical agradável,

harmonioso,

são elementos estratégicos

para a criatividade,

a explosão de algo novo,

enriquecedor,

gasolina aditivada

no veículo

da vida entusiasmada.




Depois destas revelações

olhamos para nós mesmos

e percebemos o quanto opaca,

nebulosa,

apática

é a nossa vida,

acostumada com a falta de arte,

de poesia, de emoções.




Por isso nosso agir é assim

sem brilho,

sem luzes,

desligado

da tomada vital

dos sentimentos.





Pucha vida!!!





Que graça tem,

viver assim,

sem sangue na cabeça,

sem energias no corpo,

sem brilho no olhar,

sem gostosos sorrisos

e gargalhadas?




Pouca coisa

é como nada!




Abra a boca, grite:

Viva a vida.




Fique longe do lixo,

saia à cata de perfumes.




Seu nariz

pode despertar sentimentos.






Teus olhos estão sãos?

Não há nada bonito por aí?

Não vês nada que esteja brilhando?




Seu olhar,

pode despertar sentimentos







Tuas antenas estão esticadas?




Tua sensibilidade é o botão

que faz os sentimentos acordarem.





Se não despertas os sentimentos,

se não acorda emoções,

é o pouco com que vives

e te mantém pobre.




Não aprendestes ainda

a curtir a vida,

meu caro, minha cara.




Ficastes na definição:

“O homem é um animal racional”.




Faltaste nas aulas de artes

onde foi ensinado

a importância dos sentimentos

e das emoções

para viver a vida

com vibração.




Estamos no mundo dos vivos.




Viva!




Tudo está dentro de você

como energia, alegria.





Cada um de nós é uma usina.



Conheça-te

e aprenda a pressionar

o botão certo,

que liga

o que está desligado.





Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 28/09/2016




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