Existe um caminho, atalho,
por onde mais fácil conhecemos
nossas melhores capacidades,
inclusive de amar,
através de mil maneiras especiais,
que a poesia sugere.
O poeta
sofre quando sente o
desgaste
que as palavras
sofrem.
O poeta
sofre para repor,
recarregar as
palavras esvaziadas,
com novas forças,
novas cores,
até novos
significados.
O poeta sofre quando
vê os alunos
irem e virem das
escolas,
mais como
prisioneiros
do que alegres
aventureiros.
A poesia sempre foi
estudada, valorizada e incentivada pelos filósofos, educadores, cientistas,
pesquisadores, inspirados inventores e descobridores.
Neste texto percebemos
como alguns filósofos, educadores e teólogos se referiram a esta arte de
transmitir a verdade, a beleza e os valores da vida, de uma forma mais gostosa,
receptiva, atraente e até mesmo, mais eficiente de ensinar e aprender.
No dicionário Aurélio
encontramos várias referências à poesia:
Poesia
é a arte de escrever em
verso.
Poesia
é composição poética
de pequena extensão.
Poesia
é entusiasmo criador;
é inspiração.
Poesia
é aquilo que desperta
o sentimento do belo.
Poesia
é aquilo que há de
elevado
e comovente
nas pessoas
e nas coisas.
Poesia é encanto,
graça, ou atrativo.
É interessante
perceber algumas características da poesia:
- A poesia quer
funcionar como estímulo ou despertar a participação emotiva nas pessoas;
- A poesia, em
primeiro lugar, é vista como um caminho para se chegar à verdade absoluta.
- A poesia é também
um modo privilegiado de expressão linguística.
Não se caracteriza
por obediência cega
às normas de
comunicação.
É valorizada
pela liberdade de
expressão,
do poeta, do
comunicador.
Não lhe cabem
críticas
quando o objetivo são
valores,
setas, caminhos
alternativos,
para ligar a
sensibilidade,
despertar a
consciência,
motivar mudança de
vida.
Na poesia está
encarnada todos os movimentos dolorosos ou agradáveis,
inseparáveis de todas
as nossas ações.
Nas linhas ou nas
rimas,
o poeta fala do
sofrimento,
querendo estancá-lo,
silenciá-lo ou
suavizá-lo,
sem sucesso,
pois que ao mesmo
tempo,
nas entrelinhas, o
alimenta,
irrigando-o com as
lágrimas
da sinceridade e do
arrependimento.
Nas linhas ou nas
rimas,
o poeta fala e
escreve
sobre a felicidade,
na esperança
de nos tornar mais
pacíficos e carinhosos,
mais abertos e
construtivos.
A poesia
é a arte
no seu lado
emocional.
Seu conteúdo,
mais do que o
racional
é o sentimento.
Vi você aí, sem fazer
nada e montei este texto. Antes que você leia, te pergunto:
Você
gostaria
de
aprender alguma coisa
sobre
poesia?
- Sim, bem que
gostaria .
Então,
por
que não começa agora?
- Bem que gostaria, mas ...
Pois
bem,
Vou
fazer a minha parte.
O sublime trabalho da
poesia
é dar sentido e
paixão
às coisas simples,
inanimadas,
mas importantes,
como as crianças
fazem,
brincando,
conversando com elas
como se fossem
pessoas vivas”.
Giambatista Vico.
A poesia, existe lá
onde os sentidos estão bem alertas, robustecidos, e a fantasia é vigorosa.
Na poesia e nos
poetas existe idealismo, intenção, sublimidade.
O poeta e a poesia:
- bem que quer
transformar o dia comum num dia espetacular descobrindo os interesses das
pessoas, ou despertando-as para o que interessa e responde plenamente aos desejos
mais profundos, aquela sede insaciável, aquela expectativa ainda não satisfeita
...
- bem que quer fazer
durar muito tempo o que é gostoso.
É da dimensão mais
profunda, mais real e mais verdadeira do ser humano, via sentimento.
- bem que quer
ensinar as pessoas comuns a se tornarem pessoas extraordinárias.
É a
paixão, que brota dos sentimentos que oferece a resposta ao sentido da vida.
- bem que quer que as
pessoas degustem e tenham os mesmos pensamentos e sentimentos que os fazem
degustar cada coisa simples em exposição no palco da vida.
Abrir os
olhos, ver as flores. Olhar para cima, admirar as estrelas. Abrir os ouvidos,
escutar canções dos pássaros, distinguir vozes afetuosas.
Sentir o
frio, o calor, suar as mãos, pisar descalço o chão acolhedor.
- bem que quer dar
vida a todo e qualquer elemento disponibilizado a cada um de nós, mostrando a
bondade e a familiaridade de cada elemento, facilitando e suavizando a vida a
todos nós.
Tudo que
há no universo é irmão ou irmã, fraterna, faz bem, é benéfica, ajuda,
equilibra, unifica e fortalece-nos.
- bem que quer, a
cada um, transmitir e transferir a linguagem emotiva, estimulando o despertar
das emoções e mudanças de atitudes.
É o apaixonado, a
apaixonada que curte a vida, contagia os outros, a ser mais.
- bem que quer
despertar o raciocínio para a decodificação do simbólico escondido ou revelado
em cada palavra, cada frase, cada texto, cada pessoa.
Cada
elemento, cada pessoa é uma senha que quer ser decodificada para te fazer
feliz.
- bem que quer
despertar a função emotiva, escondida, velada ou revelada, escrita ou
subentendida em cada texto, dormindo ou acordada em cada ser humano.
Emoções
sadias necessitam vir à pele, expressar-se, comunicar suas riquezas.
Se o rosto arde,
queima, a poesia, a arte ou o amor anda por aí.
Permita
que as emoções te digam que está vivo
ou viva.
- bem que quer lembrar
e sustentar valores já conhecidos ou explorar novos valores.
A experiência vai
ensinando os estão os valores, que respondem, que perduram e que deixam
saudades quando ausentes.
- bem que quer
mostrar que o sensível é a qualificação central da poesia.
Que a beleza percebida
demonstra a perfeição da potência sensível da pessoa humana. A beleza, a arte
percebível é atestado da perfeição dos órgãos da percepção do ser humano.
- bem que quer ensinar
a acolher tanto o prazer como a dor, tanto o bem como o mal, como um casal que
se ajusta, superando-os, alcançando a harmonia na sábia convivência.
A vida
é um pacote que veio com tudo. Não dá para dispensar o que não gostamos pois o
que nos incomoda, desacomoda-nos e empurra-nos para a maturidade e para a
evolução.
- bem que quer insistir
e mostrar a extensão do infinito, que originam forças, para vencer as angústias
do mundo finito.
É o
mistério transcendental que abre o ser humano, que o tira do mundo do absurdo.
- bem que quer
esforçar-se para revelar um ideal de perfeição, mesmo que esteja lá longe,
distante dos nossos pés, mas próximo o suficiente dos nossos ideais.
Onde estamos é o ponto
de partida, o aeroporto da decolagem.
- bem que quer
mostrar que aquilo que a gente pensa que é, de repente descobre que é.
E se
alegra. E se conhece capaz.
E quer continuar
neste caminho que traz compensações, abrindo as portas que estavam fechadas, sem
chaves, sem saídas.
- bem que quer fazer
perceber a essência de todas as coisas, perceber-se que é o objeto, o ser vivo
dentro da poesia.
É de mim, da minha
pessoa, do que sou, que trata a poesia.
Sou eu o objeto
próprio da poesia.
- bem que quer se
expressar com liberdade, sem obediências a leis rígidas, quadradas, fechadas,
determinantes, por isso desperta a própria liberdade de interpretação do
leitor.
- bem que quer
condensar e abreviar as palavras, encurtar teu tempo e teus caminhos, dar-te o
que necessitas tão logo estejas precisando, mas há o esforço a ser feito que
não pode ser dispensado para que o conteúdo seja percebido, trabalhado,
apreendido, aproveitado.
Nutrientes são disponibilizados.
- bem que quer dar a
cada palavra a energia e a força de explosão, em tua mente e em seu coração
sensível.
- bem que quer dar
maior força e maior significado às palavras desgastadas, purifica-las,
mantê-las eficientes, renová-las e aperfeiçoá-las.
Se a palavra é usada
em qualquer lugar sem qualquer respeito, na poesia a palavra tem valor de
consagrada.
- bem que quer manter
fidelidade à função emotiva, fidelidade à significação, fidelidade à verdade, fidelidade
ao dever, fidelidade aos valores permanentes, fidelidade à liberdade.
- bem que quer mostrar
o peso e a importância do valor e do significado moral, como mestre ou
professora atenta ao ensino, despertando faculdades de raciocínio reflexivo, amadurecendo
responsabilidades próprias, o respeito e o encantamento diante dos outros.
- bem que quer
revelar, cultuar, valorizar e curtir a beleza em todas as formas, cores, gestos
e elementos da natureza, seja ela natural ou humana.
Se a beleza já
existe, a poesia procura dar ritmo, aperfeiçoar a beleza com os bons afetos,
bons sentimentos, boas intenções, boas ações.
- bem que quer levar
a sentir, com o sentimento, o que a beleza produz nos pensamentos, na pele, no
sangue e na alma da gente.
Me faz
sentir vivo, vibrante.
- bem que quer mostrar
que a arte, a poesia produz, desperta, cria as emoções. A emoção absorve-nos
por inteiro.
O motivo está fora, o
processamento é interno, de novo sai de dentro, a alegria explode, a
contemplação admira, o mundo todo se acende, monta arco íris e as pinturas nas
nuvens, no céu, fazem o resto, o espetáculo.
- bem que quer manter
a arte na sua forma artesanal, fora das séries repetitivas.
Tanta variedade,
tanta criatividade, poder oculto da divina artista, a natureza, e do divino
Artista, o Deus Criador, de tantas pessoas, diferentes, uma das outras.
- bem que quer revelar
que admiramos porque temos alma; sentimos porque temos corpo; vivemos por
existimos com tantas capacidades que enriquecem-nos, se despertadas, ativadas
pela poesia e pelas artes.
- bem que quer derreter
resistências, quebrar almas duras, ressuscitar almas mortas, limpar a neblina
dos espelhos, tirar a rotina do caminho, fazer descer do trem automático.
- bem que quer sugerir
andar descalço na grama, na lama, nos riachos rasos e em cima das folhas secas.
- bem que quer despir-se
do supérfluo, vestir-se da transparência pura, inocente, original.
- bem que faz
distinguir as obras perenes, sólidas, das criações perecíveis que o tempo gasta
e o vento esvoaça.
A pessoa humana tem
tudo isto dentro de si: a perenidade, o senso do eterno, pois que eterna já é e
por isso percebe a eternidade em si, que julga o provisório, o passageiro e a
ele não se submete.
- bem que nos faz
experimentar a mais alta sensação do extase.
Talvez a mais alta
experiência de plenitude que a pessoa humana consegue experimentar, sem
explodir, tal qual a experiência da intimidade com o Espírito Santo.
- bem que o poeta faz
e a poesia proporciona quando simpatiza com tudo e com todos para
compreendê-los e descrevê-los.
O poeta lê o mundo em
que vive, escuta o clamor do povo, sofre as angústias de cada um, celebra a
vitória sofrida e distribui, nas folhas, gratuitamente ao vento que leve o que
de bom e educativo extrai de cada elemento, evento ou pessoa.
- bem que não quer
ter fim utilitário nem quer se submeter a qualquer disciplina, por isso seus
efeitos são revolucionários, como os jovens rebeldes sempre em busca de
autonomia e independência.
Na poesia participam
o mistério, o encantamento, a admiração, a intuição. O próprio leitor entra
dentro da cena e vivo vai fazendo parte dos personagens, ansiando, a cada
passo, novas surpresas, novos rumos, alternativas sonhadas, realizadas ou quase
alcançadas.
Na poesia, não cabe
dissecar, discursar, fechar assunto e ponto final.
É
o ponto de exclamação
que
tem vez.
É
o ponto de interrogação
que
faz deslanchar um final
que
seja lá longe,
longe
da vista
e
da imaginação.
Aberto, abre a mente
e o mundo do leitor, que lê de novo, do começo, não imaginando o final que
ainda não aconteceu. O próximo capítulo continua agora, na cabeça, na mente, no
mundo do leitor.
-
bem que nos remete de novo ao começo sem querer ver a peça da vida finalizar.
Não queremos que o
fim chegue, que os panos se fechem anunciando o término do espetáculo.
Há muito a aprender
com os poetas e com as poesias, com os poemas escritos e os poemas ambulantes,
circulantes, viventes.
Se alguma palavra não
é entendida, na poesia a própria linguagem é toda carregada de significado no
máximo grau possível.
É possível, na
literatura da poesia, entender várias línguas, muitas mensagens, assim como a
música, também universal.
Quanta curtição na
união das palavras, das estrofes, das letras encarnadas, associadas às notas
musicais. Que belo exemplo de unidade substancial, completa, perfeita.
Esta pesquisa é o
resumo do que está escrito sobre Poesia, no Dicionário de Filosofia Nicola
Abbagnano, Editora Martins Fontes, SP. 2007, páginas 894 a 899. Cito a relação
dos filósofos que foram pesquisados nesta pesquisa, inspiradores do que foi
escrito logo após a expressão “bem que
quer”. São eles: Giambattista Vico, Ivor Armstrong Richards, Charles
Kay Ogden, William Morris, Friedrich Hegel, Benedetto Croce, Friedrich
Schiller, Freidrich Schelling, Martin Heidegger, Gustave Flaubert, Théophile
Gautier, Charles Baudelaire, Walter Pater, Oscar Wilde, Edgard Allan Poe, Thomas
Stearns Eliot,
Paul Valéry, Pierre Dupont, Stéphane Mallarmé, Ezra
Pound, Hans Georg Gadamer, Gianni Vittimo.
Convido-te a pesquisar este campo. Talvez
você descubra um talento escondido, pronto a deslanchar. Experimente ser poeta.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 30/09/2016
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