terça-feira, 30 de junho de 2020

750.- Oração. Filhinhos, deixem-me ser Paizinho.




Rezar

é calar-se,

aquietar-se,

colocar-se

na presença

do Pai,

Criador

dos céus

e da Terra.

 

Rezar

é calar,

a mente,

frear

o corpo,

desligar

as agitações,

desapegar-se

das ansiedades,

sem nenhum desejo,

desativar o ego,

desnudar-se

de todas as máscaras,

e ficar só com o nada.

 

Rezar

é estar

de mãos vazias,

sem nenhum desejo,

só com o coração aberto,

para receber,

e encher-se

dos dons

celestes.

 

Rezar

é parar

de se mover,

de se agitar,

e disponibilizar-se,

como criancinha,

para que o Pai

te admire,

te contemple,

te leia e te ame.

 

Rezar

não é pedir.

Rezar

é estar na frente,

sentir-se, colocar-se

diante de uma outra pessoa.

 

Assim como,

para que haja diálogo,

necessita-se

 que alguém esteja na frente,

perto, junto,

intercambiando,

acima de tudo,

a presença,

além das palavras.

 

Rezar,

é sempre uma tentativa,

frágil experiência,

teimosia,

de querer trazer

um pouco

das coisas do céu,

para a Terra.

 

Entre

em teu aposento interior,

ou vá para o teu quarto

e me receba lá,

na intimidade.

 

“Sinta-se minha criatura.

Sintonize-se comigo

e escute:”


“Filho meu,

te acalme,

não fique aflito,

envergonhado,

como se fosse um filho,

abandonado,

confuso ou triste.

 

“Não tenha medo”.

 

“Te conheço

e sei tudo o que você é,

pensa e sente”.

 

“Aquiete-se

ajeite-se

no meu colo”.

 

“Não fale nada.

Você não precisa falar”.


“Apenas tente escutar-me,

e deixe-me ser

o teu Paizinho”.

 

“Deixe

que eu te fale

e te comunique

os dons celestiais

que tenho

para você”.

 

“Não tenha pressa".


"Não estou no tempo.

Saia do teu tempo”.


"Entre, participe

da minha eternidade,

um pouquinho só”.

 

“Sou aquele

que preenche

o vazio eterno

que plantei em ti

para que sentisse

saudades de mim,

e me procurasse”.

 

“Estou sempre aqui,

dentrinho de você,

para que não sinta sede,

não passe fome nem frio”.

 

“Não me peça nada.

Sou teu pai, atencioso,

amoroso, compreensivo

tolerante e paciente.

Tudo o que precisas,

tens contigo

ou com teus irmãos”.

 

“Não vos deixei órfãos.

Não vos abandonei.

Não estou longe.

Eduquei vocês

com o amor

do Jesus”.

 

Filhinhos,

deixem-me ser

Paizinho”.

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 30/06/2020

eneaspb@gmail.com


sexta-feira, 26 de junho de 2020

749.- Tempo. Quem é o melhor educador: o tempo ou a eternidade?

  



A compreensão é melhor

e mais fidedigna

quando se olha de cima,

quando se vê mais longe,

quando o maior

é referência

para explicar

o menor.

 

O todo

explica as partes.

 

As partes,

não explicam o todo.

 

Não é o ser humano

que se explica a si mesmo.

 

Não é o ser humano

que serve de referência

para se entender

o universo.

 

É o que há

de melhor,

e maior,

o que já é perfeito,

no ser humano,

que explica,

o que somos,

ou para o quê

fomos projetados.

 

Somos compostos

de espírito e matéria,

por isso, é a partir do maior

em qualidades e capacidades

que se explica o menor

em termos de durabilidade

e competências.

 

É o que já temos de eterno

que explica o que

é efêmero ou passageiro.

 

É a partir da vida

que se entende a morte.

 

É a partir da vida eterna

que se entende a vida terrena.

 

É a partir da eternidade

que se entende

o que acontece

no tempo.

 

Não é a criatura,

mas o Criador,

o Todo,

que é a referência

e explica tudo o mais.

 

Não são aqueles

que estão subordinados

à lei do tempo

que tem autoridade,

para falar de eternidade.

 

Nem eu.

Mas me atrevo.

 

Acesse o blog e continue lendo,

se desejas ardentemente,

imortalizar-se.

 

https://heiposworld.blogspot.com/2020/06/quem-sera-o-melhor-educador-o-tempo-ou.html

 

Estamos no tempo.

 

Sabemos o que é o tempo.

 

Contamos os segundos, minutos,

horas, dias e anos.

 

Temos a sensação

de que ele está

sob o nosso controle.

 

Mas,

o tempo escapa

por entre nossos dedos.

E não se deixa definir.

 

Não conseguimos segurá-lo

e mantê-lo,

pois é inesgotável.

 

Nem parece

ser tempo.

 

Até parece

que o tempo

já é também,

 eterno, ou é o outro nome,

que damos para este tempo,

indefinível.  

 

Sabemos o que é o tempo,

mas não sabemos defini-lo,

nem como controlá-lo.

 

Você sabe o que é o tempo,

mas consegue dar

uma definição

para ele?

 

Você tem todo o tempo possível,

e vive dizendo que não tem tempo.

 

Tentemos então olhar

para o tempo

sob o ponto de vista

da eternidade.

 

Talvez melhore nossa visão.

 

É a eternidade 

que responde às perguntas

e às verdades que procuramos.

 

É a eternidade que já

já está aqui,

escondida, camuflada,

 naquilo que chamamos tempo.

 

Vislumbramos a eternidade 

já presente,

pela continuidade do passado,

se fazendo presente,

convergindo, integrando,

unificando tudo.

 

No tempo,

ambiciono

e sonho

estar na eternidade.

 

Na eternidade,

volto meus olhos para o tempo,

com gratidão,

por ter-me dado

a oportunidade

de sonhar

em ser eterno.

 

Há uma potência,

uma seiva

que percorre nossas veias espirituais,

que vem lá da eternidade,

que nasce lá das profundezas,

da zona silenciosa,

imperturbável,

da alma.

 

Nascemos de um projeto sério.

Vivemos para um projeto importante:

construir a eternidade no tempo.

 

Ganhamos a vida e o tempo

para colocar em prática

um projeto

que dure

para sempre.

 

Alguns se acomodam

nas teias da superficialidade,

no tempo que voa,

nos dias que passam.

 

Outros,

vão longe,

explorando,

decifrando mistérios,

interpretando códigos,

descobrindo senhas,

escalando montanhas

ou mergulhando fundo

nos rios e mares da vida.

 

A tendência

do ser humano

é manter-se nas malhas

da superficialidade,

acostumar-se,

na maciota da rotina,

a resistir, não avançar,

para as águas mais profundas.

 

Se formos apenas humanos,

viveremos a partir do passado.

 

Na condição de humanos,

já meio divinos,

desejamos viver no futuro.

 

Na condição de humanos

e divinos,

queremos antecipar,

viver já da maneira ideal,

os segundos, os minutos, as horas,

os dias, as semanas, meses e anos,

vivendo o momento presente,

como eternidade,

sem apegos ao passado

e sem expectativas

com o futuro.

 

Só se vive

no momento presente.

 

Sempre é agora.

 

Esta é a sensação

 de se viver na eternidade.

 

Quem sou eu

na minha infância inocente?

 

Sou um ser humano,

com potencial espiritual,

que olha para cima,

aberto ao ilimitado.

 

Sou imagem e semelhança

do meu Pai, o Cientista,

o Criador da Terra e do Céu,

que tudo cria, por amor,

para ser eterno.

 

Prefiro ser um iludido

e viver nesta esperança

a sofrer numa triste vida

sem saída para a imortalidade.

 

Vivenciamos

a dimensão humana

e terráquea,

naturalmente.

 

Despercebidamente,

dentro da dimensão terráquea,

existe uma semente,

germinando um ser,

 projetado para ser eterno.

 

A insatisfação existencial,

a experiência que fazemos

da não-completude,

provam esta tese.

 

Desde a infância

até a idade avançada,

não aparecem rugas na alma

daquele que cultiva

sementes de eternidade.

 

Embarcar nessa aventura,

sem fim,

buscar o que nos falta,

eis o que espicha

e projeta a natureza humana

para fora de si.  

 

Não ficar por aqui,

e morrer na praia.

 

Ir lá,

onde estão os nutrientes

de eternidade.

 

Se morremos neste mundo,

não será talvez

porque ainda não estamos

no mundo certo?

 

Neste mundo,

vemos efeitos,

não a causa.

 

A causa é a vida.

A vida é referência.

Então, a vida deve mesmo,

ser eterna.

 

O efeito

é a morte.

 

Então, se esta vida é frágil,

a morte acontecerá,

somente

na natureza humana,

que se acomodar, desistir.  

 

E se os verdadeiros fundamentos

são invisíveis?

 

E se há uma dimensão invisível,

e nossos olhos não conseguem ver?

 

O que vemos é passageiro

e passa rápido demais,

e desgasta, e morre.

 

Se a dimensão real

é invisível, 

eterna e imutável,

estamos sim, ainda,

num lugar impróprio.

 

O universo infinito

é preenchido

por uma substância invisível

chamada espírito.

 

Então, com estes argumentos,

estamos chegando lá,

na vida espiritual,

na vida eterna.

 

Existem momentos

de profundo silêncio,

pleno de espiritualidade,

em que sentimos dentro de nós

uma fresta que deixa escapar,

o que é para nós,

indefinível.

 

Minha alma

é insaciável,

por ser infinita.

 

É esta sensibilidade

que convém cultivar: 

eternizar-se o quanto antes,

cultivando o que de eterno

já sentimos existir em nós,

nesse existir no tempo.

 

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Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 26/06/2020

eneaspb@gmail.com