Não é momento só para rezar,
mas
é um momento especial,
para
parar, e pensar,
e
procurar,
onde
está
a
alma.
Ouviu-se
um grito:
“Façam
o trem parar”.
Alguém escutou,
e o trem parou.
e o trem parou.
Em
algum momento,
em
alguma estação,
no
meio da viagem,
esquecemos
da alma.
Perdemos
o contato com o céu,
o
objetivo da nossa viagem.
Se
perdemos a alma
ou
se não soubermos manusear
a
tecnologia da alma,
nosso
futuro
estará
comprometido.
Não
saberemos
como
chegar ao destino.
Alguém
escutou
a
oração de alguém.
E
o trem da vida parou.
E
qual é a mensagem
que
este momento,
que
esta crise
quer
transmitir?
Primeiro.
É preciso parar.
Segundo:
repensar, rever.
Terceiro:
perguntar-se.
Quanta
perguntas
viajam
em nossa mente,
sem
respostas?
Viajamos
pelos
quatro cantos da terra,
como
turistas insaciáveis,
e
nunca chegamos ao destino,
ao
centro de nós mesmos,
à
nossa alma.
E
é por isso
que
temos de parar o trem
e
perceber
que
uma fome e uma sede,
de
uma paternidade-materna,
celestial,
se
faz necessária
para
não vivermos
carentes,
como órfãos,
perdidos,
desorientados,
longe
dos Pais e da pátria.
É esse o momento
oportuno,
de se perguntar
como estabelecer
contato vivencial
com este Pai-Mãe,
celestial.
Nossa alma não aceita
viver
como se o Deus Pai não
existisse.
Se Ele existe,
minha alma tem sede
dele,
da fonte, do criador.
A primeira pergunta,
entre tantas
é a de se perguntar
se sabemos rezar
como convém.
Não sabemos rezar,
se não sabemos como dialogar,
como conversar,
como andar na companhia
e na presença do
nosso Pai.
É um momento especial,
necessário,
para avaliar nossa
vida de oração,
e de relacionamento
com a divindade,
pois, pelo que
parece,
não sabemos rezar,
porque rezar, na
minha opinião,
é estabelecer um
relacionamento
entre pessoas, eu
pessoa, e o tu divino,
também pessoal,
substantivo invisível.
Não falamos de Deus.
Não falamos de Jesus
Cristo.
Falamos do Deu Pai,
substantivo.
Falamos do Jesus
Cristo, substantivo.
Não falamos nunca, de
Espírito Santo.
Falamos sempre, do
Espírito Santo.
Rezar é estabelecer
sintonia, contato,
diálogo com uma
pessoa concreta,
substantiva,
mesmo que esteja
invisível.
Aí sim, a oração
não será repetição de
palavras,
mas uma conversa
entre pessoas,
e a conversa, a
oração
será sempre atualizada,
com palavras
diferentes,
retratando
a situação do
momento.
Se em nossas orações,
só sabemos pedir,
estamos demonstrando
infantilismo,
falta de reconhecimento
da personalidade
que está ali,
invisível na nossa frente,
e, como crianças,
pedimos tudo aquilo
que a nossa própria
responsabilidade
deve providenciar.
Veja como não somos
personalidades em
interação,
em oração, em
relação,
em diálogo.
Avaliemos
a forma tradicional
de rezar:
- Só nós falamos,
como máquinas,
mecanicamente,
como disco,
automaticamente,
sem nenhum timbre
emotivo,
envolvente, diante de
uma presença,
real, porém,
invisível.
Avaliando mais um
pouco:
- Não prestamos
atenção
nas respostas.
E nem temos tempo
para esperar, se vai
ter
uma resposta.
Na sua sabedoria
ou na sua pedagogia,
o Deus Pai, nunca
fala,
ou responde,
diretamente.
A fala, a sua
vontade,
e seus ensinamentos
estão nas Igrejas,
na Bíblia, nas
homilias,
nos testemunhos das
pessoas
que já vivenciam
seus ensinamentos.
- Não temos paciência
para fazer silêncio
e escutar
as vozes silenciosas
da divindade,
interagindo,
em relacionamento
quando rezamos.
Este é um sintoma
de que não sabemos
usar
da nossa própria
alma.
Veja e pense mais um
pouco,
como não sabemos
rezar:
- Visto que nem
sabemos administrar
nossa própria alma,
expressando as vozes
da dimensão
espiritual,
as zonas profundas
da nossa
personalidade.
Continuemos
meditando, avaliando,
como não sabemos
mesmo, rezar.
- Não rezamos,
se não pararmos,
para pensar,
meditar,
avaliar,
rever nossa vida,
sob as luzes do
Evangelho,
das boas notícias,
ensinadas e vividas
pelo homem-Deus,
Jesus Cristo.
Rezar, pedir socorro,
não é transferir
para o Deus dos céus
os problemas que nós
criamos,
aqui na Terra.
Rezar
não é procurar alguém
poderoso
que nos ajude
a fazer
aquilo
que está ao alcance
das nossas mãos
e das nossas capacidades,
Rezar
é tomar consciência
das responsabilidades
não assumidas.
Rezar
é consequência,
vem depois,
de uma atitude de omissão,
diante dos outros.
E daí sim,
ir até o Pai
e pedir perdão
por não ter feito
o que tínhamos
condições de fazer,
e não fizemos.
Rezar
é abaixar a cabeça,
ajoelhar-se,
reconhecendo-se
frágil,
fraco, omisso.
Rezar
é um ato consciente,
que nasce,
não só das nossas
falhas
diante do nosso Pai,
mas principalmente,
das nossas falhas e
omissões,
diante dos nossos
irmãos.
Se você está indo
para a igreja,
prestar culto ao Deus
invisível,
levar a tua oferta,
(que oferta?),
e se te avisarem
ou tua consciência
latejar,
que existe alguém
com algum tipo de
problema,
deixa para depois
o teu compromisso com
teu Deus
e vá primeiro
atender às
necessidades
e carências
dos outros teus
irmãos.
Rezar
não é transferir
para os poderes do
Céu
para os anjos e
santos,
a responsabilidade
que cabe a nós.
Rezar
é obedecer,
ser fiel,
ser coerente
com as
responsabilidades
que nos cabem,
aqui na terra,
como humanos,
irmãos, fraternos,
e seguidores do Jesus
Cristo.
Rezar
está muito mais
na dimensão
comportamental
do que na virtual, mental
ou nas palavras.
Que tipo de Deus é
esse,
que você tem que
pedir
para receber?
Se Deus é pai,
Ele cria as pessoas,
equipadas,
com ferramentas, com condições
de crescer.
Ele deu todos os dons
para nós,
que somos suas
criaturas,
filhos terrenos.
Pai bondoso,
misericordioso,
não deixa faltar nada
aos seus filhos.
A forma mais correta
de oração,
é a de agradecimento
ao Pai dos céus,
e aos bons homens e
mulheres da terra,
pessoas de boa
vontade,
boa formação,
boa educação,
bons profissionais,
bons médicos,
professores,
padres, pastores,
engenheiros,
padeiros,
jornalistas,
políticos.
A forma mais linda de
rezar
é a de louvar,
bendizendo,
agradecendo,
por todas as ferramentas,
instrumentos,
e tecnologias
que usufruímos.
Rezamos,
nas ruas, nas casas,
nos ambientes
sociais,
quando visualizamos
atitudes comportamentais,
de heroísmo,
sacrifícios,
dedicação,
doação de si,
e nos comovemos,
choramos ou nos
alegramos.
Isso é oração que
brota da vida,
que tem origem no
testemunho
de pessoas evoluídas
na arte
do bem, da bondade,
do amor.
Neste momento também
rezamos,
valorizando,
reconhecendo
as invenções dos
cientistas,
os testemunhos dos
santos,
preocupados e
ocupados
com as necessidades
e carências dos
outros.
Uma só oração é
necessária,
aquela que se
expressa,
de boca calada,
dando algo,
dando tempo
e atenção
para escutar,
caminhar com alguém
até mais ali na
frente.
É momento para
pensar,
ver, tomar
consciência,
que qualquer lugar é
lugar,
para perceber,
de que temos tudo no
mundo,
tudo que precisamos
para viver e agir,
como filhos do Deus
Pai.
Ainda está faltando
muita gente viver
como filhos,
conscientes,
da Paternidade
Divina,
e da fraternidade
terrena.
Se Deus é pai,
ele já deu tudo o que
é necessário
todos os dons para
nós.
Só está faltando
colocar em ação,
praticar seus ensinamentos,
de partilha, de amor,
doação,
serviço, sendo útil
aos outros.
Se Deus é pai,
ele não nos deu tudo
pronto,
mas nos deu a
capacidade de criar,
pois somos imagem e
semelhança com Ele.
Se Deus é Pai,
não mata,
e se castiga,
é com a finalidade de
ensinar.
Pode dar avisos.
Pode chamar atenção.
Pode colocar na
frente da gente,
um obstáculo,
para nos perguntarmos
o que é que anda
errado,
ou se tomamos
caminhos
ou estradas
diferentes.
Não é hora só de
rezar
mas de parar para
perceber
que não estamos sendo
coerentes
com nossa tradicional
forma de oração.
É hora de parar,
olhar para dentro de
si mesmo,
procurar pela alma
atrofiada, enferrujada.
É de parar e olhar
para dentro de si mesmo.
Olhar para si mesmo
e se perguntar,
onde em mim,
existe semelhança
com o Pai dos céus?
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Criado
em 27/03/2020
