sexta-feira, 6 de março de 2020

716.- Alma desconhecida.



Deixe a sua alma falar
para que você a possa conhecer melhor.

Dê chances
para a sua alma
manifestar-se,
falar,
e expressar-se.

Esta é a primeira condição
para que o ser humano 
experimente-se inteiro,
equilibrado. 

Deixamos passar sede
a fonte que nos sacia.

Como é que podemos saber
o que é que está se manifestando
quando pensamos, falamos e agimos?

Quando é que podemos perceber
que é a alma
que está se expressando
ou é alguma parte de nós,
que não é a alma?

Para perceber certas sutilezas
da riqueza da nossa personalidade
convém alguma dose de sensibilidade,
meditação, silêncio, paradas, e estudo.

Observar-se.

Sentir-se.

Comecemos com uma certeza:
Conhecemos muito pouco
sobre nós, sobre a nossa alma.

Conhecemos muito mais
sobre o corpo,
que dói,
que sente dores e frios.

Do corpo conhecemos
as dores e os prazeres,
o contorno, as curvas
as fronteiras e limites,
e fecha-se rápido,
dentro dos conceitos.

O corpo
se abre
para o mundo,
e não se satisfaz,
aumentando a ansiedade,

A alma
se abre
para o Criador do mundo,
e também, não se satisfaz,
mas aumenta a compreensão,
a serenidade e a sabedoria no viver.

- Oi alma,
invisível e infinita,
para onde quer nos levar?

O corpo
quer nos manter neste mundo.

A alma
não se contenta com pouco,
quer mais, quer o universo todo, 
deseja o infinito, insaciável.

A alma é tão extensa
e tão profunda,
como o mar.

Da alma,
desejamos conhecer,
mais ainda,
a sua natureza,
que nos encanta,
se esconde, provocante,
atraindo por trás das neblinas,
das cortinas e janelas entreabertas.

Há outras formas de conhecer,
além da experiência física
e da inteligência racional.

Existe a inteligência espiritual,
onde a alma é o objeto de estudo.

As escolas e universidades,
não nos ensinaram
o que a alma guarda
e carrega,
sua preciosidade
e seus tesouros.

Quando é a mente ou a razão
que se manifesta,
a imaginação, as fantasias e ilusões,
as decepções e as surpresas dos sentimentos
bons ou ruins, não sabemos distinguir bem,
se é o nosso eu psicológico, o nosso ego,
que se levanta, ou o quê.

Toda vez que existe algum conflito mental,
sentimentos considerados negativos ou maus,
é o nosso ego, o eu inferior,
indomável, subdesenvolvido,
que se revolta e quer discutir e brigar.

Por trás daquilo que responde
às nossas esperanças
e expectativas mais profundas,
como o desejo de paz e harmonia,
está a nossa alma,
a alma de cada um.

A alma,
quando se manifesta,
é cautelosa,
amável, compreensiva,
bondosa,
meiga e carinhosa
no olhar e no falar,
e suave no agir.

Então, se você se observa,
se questiona,
se corrige
e possui bons pensamentos,
e está em paz consigo mesmo(a)
o amor te habita, você se ama,
e é, por consequência, amável.

Então é a alma que está aí,
expressando as riquezas
da sua profundidade,
da alma viva que lá habita.

Lá nas profundezas,
na parte intocável,
mais nobre do ser humano,
a beleza e a integridade
escolheram criar raízes.

Lá habita a originalidade,
as mãos do artista que nos criou,
a bondade e o amor divino.

A alma
não é deste mundo.

Está aqui para dar luz,
brilho e sentido
ao agir humano,
aperfeiçoado.

A alma
não nos deixa fincar raízes
no chão, do lado de fora,
por isso olha para cima,
para os céus,
desejando voar.

Estes, que assim sentem,
não deixam marcas no chão,
pois sua leveza
sustenta-os nas alturas.

A alma não deixa sentir
o peso da vida e de nada desta vida,
pois é ela que nos liberta do tempo
e ajuda a tornar mais leves
as durezas desta vida.

Para a alma,
não existe o tempo.

Todo tempo é vivido
como eternidade já presente,
fruto do sentimento
que o amor proporciona.

Os desejos do corpo
são passageiros.

Os anseios da alma
não são saciáveis,
são maiores
do que a periferia
do nosso corpo,
e estendem-se para lá,
na eternidade,
onde mora
a imortalidade.

Deixe de perder tempo
com o que o mundo te promete
e não te satisfaz.

Vá atrás dos teus tesouros escondidos
na mais profunda zona
da tua personalidade.

Indico alguns livros
sobre a sua alma,
desconhecida.

A física da Alma. Amit Goswami. Editora Aleph
A Identidade da alma. Panache Desai. Editora Sextante.
A nobreza da alma humana. Mestre Eckhart. Editora Vozes.
Caminho para a alma. Ashok Bedi. Editora Vozes.  
Destino e liberdade. Osho. Editora Academia.
Abrir a Janela da Alma. Anselm Grun. Editora Vozes.
Labirintos da Alma. Jorge Trevisol. Editora Vozes
Psicologia da Alma. Joshua David Stone. Editora Pensamento
A Alma: Seu segredo e sua força. Anselm Grun e Wunibald Muller. Editora Vozes.


Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 06/03/2020




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