quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

180.- Natal. Ponha um Natal em sua vida.



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Evangelho segundo S. João 1,1-18,

lido, escutado, meditado

 e reconhecido no dia do Natal:



“No princípio era o Verbo

e o Verbo estava com Deus

e o Verbo era Deus.


No princípio,

Ele estava com Deus.


Tudo se fez por meio d'Ele

e sem Ele nada foi feito.


N'Ele estava a vida

e a vida era a luz dos homens.


A luz brilha nas trevas

e as trevas não a receberam.


O Verbo

era a luz verdadeira,

que, vindo ao mundo,

ilumina todo o homem.


Estava no mundo

e o mundo,

que foi feito por Ele,

não O conheceu.


Veio para o que era seu

e os seus não O receberam.


Mas àqueles que O receberam

e acreditaram no seu nome,

deu-lhes o poder

de se tornarem

filhos do Deus Eterno.



E o Verbo fez-Se carne

e habitou entre nós.



Nós vimos a sua glória,

glória que Lhe vem do Pai

como Filho Unigénito,

cheio de graça e de verdade”.





Desde que você nasceu, quantos natais já se passaram?



Desde seu nascimento, que só tem sentido pelo Natal, até hoje, talvez não destes muita importância para este acontecimento.



      Acontece que, se não tivesse acontecido este fato histórico, o nascimento do filho do Deus Eterno entre os homens, na Terra, a humanidade toda não teria sentido.



Neste vinte e cinco de dezembro, tire um tempinho para avaliar a sua vida dentro deste contexto de Natal.



O Natal comercial nada tem a ver com o Natal que pode acontecer dentro do seu coração, da sua mente, da sua frágil natureza, uma simples manjedoura, sem nenhuma condição para receber ou deixar nascer o filho do Deus do Universo.



Mesmo assim, Ele nasce num lugar sem nenhuma condição humanamente falando, em comparação com uma Maternidade Hospitalar cheia de recursos.



Não é com os 99 e nove justos que ele encontrou alegria, diz o Evangelho. Foi com aquela ovelhinha que estava afastada, que Ele encontrou alegria para convocar seus vizinhos e amigos, e comemorar.



Que Natal diferente!!!






Ponha um Natal na sua vida.



Um é suficiente?



Não, nada é suficiente

para quem sente

e vibra com a dimensão infinita,

a matéria prima

da qual fomos criados.



Se o nosso corpo

é faminto de terra,

e nada consegue contentar,

quanto mais nosso espírito,

nossa alma imortal.



Não existem palavras

que preencham

tantos espaços.



Nada nos preenche plenamente.





Só o Infinito

pode saciar outros infinitos.



Quem tem sede, venha a mim e beba.



Eu sou o Pão Vivo que desceu dos céus.



Eu sou o Natal que você quer para sempre.



Eu, o Jesus Cristo.



Eu, o Caminho.



Eu, a Verdade.



Eu, a Vida plena,



Teu Natal necessário.





Deixe-me nascer em sua manjedoura.


Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 25/12/2016


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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

179.- Vento. Venha vento, renova-me por dentro.



Venha vento,
avise, 
que você esta por aqui.

Devagar, lenta,
ou ferozmente,
me inspire 
a ser como ti.

  Venha me visitar,
      brincar, 
         acariciar minha alma,
               que aspira 
                   e respira por ti. 

Venha vento,
         direto, sem demora,
             sem cerimônias e rituais.
 
Aplainai os caminhos,
endireitai os atalhos,
suavizai as subidas
encerai as descidas.
 
Encurtai as distancias.
 
Destruí as resistências.

Aumentai a proximidade.
 
Te espero, aqui dentro,
na intimidade.

...

        Não à literatura.

        Sim, ao tato, ao perfume.



Venha vento,

entre aqui dentro,
repõe ar puro,
expire o ar parado,
contaminado, estacionado.

Abro as narinas,
abro as portas e janelas.

Aguço os ouvidos,
afino o paladar

Necessito de ar puro
que amplie minha sensibilidade
e que ative a percepção do perfume invisível

O perfume
sobe para os céus
procurando contato
com a divindade.

Perfume,
leve-me junto contigo,
não me deixe aqui,
sem cheiro nenhum.

Quisera ser,
neste ad-vento,
como o perfume
renovado,
capaz de preencher
as entranhas,
exalando na pele,
boas vindas,
hospitalidade.

No ar puro,

no perfume,
O ambiente contagia
festa e alegria.

O nariz,
revela sua importância
abre-se, acolhe,
deixando entrar.

O que entra pelo nariz
é invisível, transparente,
mas, tão logo seja sentido,
o perfume materializa-se
em sensações místicas,
em sintonia fina,
com o mistério,
indizível.

O perfume
tem algo a ver
com a excelência
da hospitalidade.

O perfume
tem algo a ver
com o que está vivo,
com a alegria.  

Neste ad-vento,
Perfume-se.
Perfume sua casa
e surpreenda.

 
Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com  -  41 98854 5166

Atualizado em  08/12/2016

Atualizado em 08/04/2026


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domingo, 21 de dezembro de 2014

178.- Corpo. O corpo humano já foi consagrado. 178



 
Entre o claro e o escuro,
escolhemos as partes claras
onde aparecem vultos,
setas indicativas,
mapas e horizontes possíveis.
 
Nascemos num corpo.
Nos conhecemos com este corpo.
Vivemos e morremos com ele.
 
Alguns corpos são do gênero masculino;
outros, do gênero feminino.
 
É com ele que expressamos quem somos.
 
Andamos, corremos, descemos,
subimos, dançamos.
 
É com o corpo
que damos passos evolutivos.
 
O corpo
é a espetacular maneira
de expressar a grandeza
e o conhecimento que adquirimos.
 
 
O nosso corpo
contém um destino maior,
um segredo a desvendar.
 
O corpo
é algo que se apresenta visível,
é um ser vivo, como ser de relação autônomo, independente
quando pleno de saúde
e potencialidades.
 
Por dentro o corpo é uma usina complexa,
é um conjunto de sistemas interligados,
sendo e vivendo uma extraordinária prova
de unidade dentro da diversidade.
 
Se feminino,
é capaz de gerar outras vidas,
da mesma espécie, especial.
 
Há energia,
sangue quente, mãos e pele aquecidas.
 
Corpos iguais, podem ser diferentes.
Alguns ajoelham-se humildemente,
em atitude de gratidão.
 
Outros corpos, diferentes,
querem ser desiguais, altivos, orgulhosos.
 
Opss ... Aí o corpo
parece não estar mais sozinho.
Cada corpo
pode revelar o caráter, o temperamento,
a personalidade ainda em processo de evolução ou já em um estágio bem elevado de perfeição.
 
E pode esconder mistérios ou grandezas.
 
Nosso corpo
pode ser pesado, se se identifica só com a terra.
 
Aí, com a matéria pesada
pode se associar com a preguiça,
com a acomodação
e fincar raízes no chão
e demorar mais para decolar,
se criar asas.
 
Se usarmos nosso corpo
apenas para o atendimento
das necessidades básicas
e para manutenção da sobrevivência
ficaremos escravos da lei da entropia,
fincando raízes no mundo
da extinção da espécie.
 
Conhecer as potencialidades do nosso corpo
é condição para continuar evoluindo.
 
Com o nosso corpo
somos capazes de produzir energia
e usá-las para finalidades curativas
e construtivas.
 
Nosso corpo
pode ser leve,
se se identificar com a natureza divina
que habita cada um de nós.
 
Nosso corpo
foi criado à imagem do nosso Criador.
 
Somos imagem e semelhança
com nosso Deus e Pai,
Criador de todas as coisas,
visíveis e invisíveis.
 
O nosso corpo é sagrado ou consagrado.
 
É um modelo completo.
 
É apto a desenvolver as potencialidades
com as quais estamos equipados.
 
Dentro do corpo
existem projetos inacabados.
 
Existem plantas de engenharia, perfeitas.
 
A lei da terra
rege-se pela lei da entropia.
 
A lei Divina, do nosso Criador,
aquele que nos criou
à sua Imagem e Semelhança,
auxilia-nos com a Sabedoria,
luzes eternas
que jamais se deixaram aprisionar
pelas trevas e escuridões das eras passadas.
 
Se desprezarmos a Luz Divina,
estaremos desorientados,
não enxergaremos direito
os passos que devemos dar
para iluminar nossa própria vida,
nossos próximos passos.
 
Para complementar
 transcrevo abaixo um texto
da teóloga Maria Clara Bingemer
sobre a unidade espírito e corpo:
 
                       O corpo humano
está no centro da           
revelação cristã,
no momento em que se trata de algo
que foi assumido pelo próprio Deus,
na Encarnação
de seu Filho Jesus Cristo. 
 
                                     A Encarnação do Verbo, que toma corpo humano
e habita entre nós,
eleva e engrandece
a corporeidade humana,
resgatando-a
de uma vez para sempre, 
pois a divindade
a abraça por dentro.
 
Com a vinda
do Espírito Santo,
a corporeidade humana
redescobre novas dimensões de si própria,
que vêm completar a revelação
que o Jesus Cristo dela faz.
 
Percebendo-se semelhantes
ao Jesus de Nazaré encarnado,
vivo e morto, os discípulos
das primeiras comunidades cristãs
percebem-se igualmente destinados 
a uma ressurreição semelhante à sua,
onde o corpo humano,
semeado corruptível,
ressuscitará incorruptível.
 
O Espírito na Bíblia,
está sempre
estreitamente vinculado ao corpo.
 
Não se trata de uma força etérea
que leve o ser humano
a ultrapassar a barreira do tempo,
do espaço e, sobretudo, da corporeidade
e da espessura do real.
 
O Espírito tende para o corpo:
esta é a realidade revelada
através dos textos
do Primeiro Testamento,
quando o Espírito do Deus Eterno
cria mundos a partir do nada,
transforma desertos em jardim,
ossos secos em militante exército
e engravida ventres estéreis.
 
Nessa vinda do Deus Eterno
ao nosso encontro,
o Espírito entra na violência do mundo, das parcialidades, das relações conflitivas
e entrecortadas, das intempéries,
das catástrofes,
das carências de sentido.
 
Habitando na corporeidade humana,
o Espírito faz do ser humano
seu templo, sua morada.
 
O Cristianismo traz,
entre as grandes novidades
que introduz na história da humanidade,
o fato de o eixo do Sagrado
ser deslocado do Templo,
lugar de culto e de oração tradicional,
para o ser humano,
para a corporeidade humana,
para a carne.
 
Portanto, 
não é necessário multiplicar ritos
e sacrifícios para agradar ao Senhor. 
 
Basta o nosso corpo,
onde Ele habita,
oferecido e disponível
para o projeto do Seu Reino”
Maria Clara Bingemer
 
 
Maria Clara Luchetti Bingemer. É teóloga, escritora e professora do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC/Rio. Suas linhas de pesquisa concentram-se sobre a experiência do Deus e a mística contemporânea.  Autora do livro “A Argila e o Espírito – ensaio sobre ética, mística e poética”.
 
 
O corpo humano já foi consagrado.
O corpo humano é sagrado.
 
“O corpo da pessoa humana, com consciência cristã, é o lugar em que a divindade habita ou desce para tomar a sua forma”.
Carlos Alberto Libânio.
 
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 20/05/2016.