A verdade
fundamental da existência
é a sede,
não de água, mas de eternidade.
No banco
das escolas,
não
tivemos bons professores.
Bom
professor é aquele que ensina
seus alunos
a conhecer
a geografia
íntima,
o universo
infinito
que nos
habita.
Nem mesmo
nossos pais
tiveram
oportunidades
de
conhecer a verdade
que pulsa
dentro de cada um de nós,
como uma
sede insaciável.
Cada professor
ensina o que aprendeu.
Ninguém de
nós teve a sorte
de ser
educado por um mestre
da vida
espiritual.
É aquilo
que sou
e aquilo
em que me devo tornar
que deveria
ser o objeto da educação.
Não
tivemos oportunidades
para
conhecer a verdade da vida,
a
finalidade da vida,
o que
estamos fazendo aqui
e para
onde vamos
quando
chegarmos
à última
porta desta vida.
As
verdades absolutas
são de
cunho teológico,
relacionadas
à nossa vida espiritual.
Quase tudo
o que aprendemos
se referem
às coisas
deste mundo
finito,
relativo.
Se não
temos fé,
e se não
temos esperanças,
se não
fomos educados
para olhar
para fora deste mundo,
fomos
iludidos, enganados ou desviados
da nossa
finalidade última.
Não fomos
bem formados.
Fomos sim,
deformados.
Nós não
fomos feitos
só para
este mundo.
Basta
olhar para o céu.
Basta
sentir
nossas inquietações
e insatisfações.
Basta
sentir
o que se
passa
em nosso
íntimo.
Nossa
ânsia mais profunda
é
imaterial, é de cunho espiritual.
Nossas
necessidades mais importantes
são imateriais,
invisíveis, espirituais.
Não fomos
ensinados a ler,
estudar e
compreender
as últimas
e sutis aspirações
da nossa
alma.
Não
aprendemos a ler
as
inquietações do nosso espírito.
Nem
conseguimos distinguir
nem definir
a sede íntima
que aspira
ser saciada.
Nosso
sonho, o anseio,
o desejo
inconsciente,
é o desejo
de vida plena,
de vida
eterna.
Existe
uma busca sempre procurada,
mesmo
estando no caminho do encontro,
a
expectativa é sempre uma sede igual
à febre.
A
sede persiste,
a
febre continua.
O
gosto da água saciando
é
ao mesmo tempo,
cultivo
da sede.
Se
já não fomos eternos,
somos
em nossa essência, eternos.
Cada
um de nós sente,
muito
sutilmente,
finissimamente,
que temos
qualquer
coisa de eterno
que
nos faz gostar das coisas
que
se referem ao Deus Criador.
Das
ciências que estudamos,
dos
conhecimentos que adquirimos,
um
deles nos faz sentir grandes e fortes:
ter
encontrado de verdade, a origem
e
o fim para o qual fomos criados.
Com
sede busquei,
minha
fonte,
minha
origem,
meu
fim.
Cada
vez mais sedento,
cada
vez menos saciado,
da
sede e da fome alimentado.
Essa
sede se manifesta como um imã,
que
sugere olhar também para fora
das
fronteiras dos sentidos,
para
algo que seria ou será o alvo,
o nosso destino,
a
razão
da
sede existir.
Mais
do que a água,
procuramos
a Fonte,
Invisível,
Desconhecida.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Publicado no Blog Heipos World 09.02.2014.
Atualizada em 06/06/2024.
Publicado no FACE em 06/06/2024

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