terça-feira, 9 de dezembro de 2014

169.- Eternidade. Tenho sede, sede insaciável, de eternidade.



A verdade fundamental da existência

é a sede, não de água, mas de eternidade.

 

No banco das escolas,

não tivemos bons professores.

 

Bom professor é aquele que ensina

seus alunos a conhecer

a geografia íntima,

o universo infinito

que nos habita.  

 

Nem mesmo nossos pais

tiveram oportunidades

de conhecer a verdade

que pulsa dentro de cada um de nós,

como uma sede insaciável.

 

Cada professor ensina o que aprendeu.

 

Ninguém de nós teve a sorte

de ser educado por um mestre

da vida espiritual.

 

É aquilo que sou

e aquilo em que me devo tornar

que deveria ser o objeto da educação.

 

Não tivemos oportunidades

para conhecer a verdade da vida,

a finalidade da vida,

o que estamos fazendo aqui

e para onde vamos

quando chegarmos

à última porta desta vida.

 

As verdades absolutas

são de cunho teológico,

relacionadas à nossa vida espiritual.

 

Quase tudo o que aprendemos

se referem às coisas

deste mundo finito,

relativo.

 

Se não temos fé,

e se não temos esperanças,

se não fomos educados

para olhar para fora deste mundo,

fomos iludidos, enganados ou desviados

da nossa finalidade última.

 

Não fomos bem formados.

Fomos sim, deformados.  

 

Nós não fomos feitos

só para este mundo.

 

Basta olhar para o céu.

Basta sentir

nossas inquietações

e insatisfações.

Basta sentir

o que se passa

em nosso íntimo.

 

Nossa ânsia mais profunda

é imaterial, é de cunho espiritual.

 

Nossas necessidades mais importantes

são imateriais, invisíveis, espirituais.

 

Não fomos ensinados a ler,

estudar e compreender

as últimas e sutis aspirações

da nossa alma.

 

Não aprendemos a ler

as inquietações do nosso espírito.

 

Nem conseguimos distinguir

nem definir a sede íntima

que aspira ser saciada.

 

Nosso sonho, o anseio,

o desejo inconsciente, 

é o desejo de vida plena,

de vida eterna. 

 

Existe uma busca sempre procurada,

mesmo estando no caminho do encontro,

a expectativa é sempre uma sede igual à febre.

 

A sede persiste,

a febre continua.

 

O gosto da água saciando

é ao mesmo tempo,

cultivo da sede.

 

Se já não fomos eternos,

somos em nossa essência, eternos.

 

Cada um de nós sente,

muito sutilmente,

finissimamente,

 que temos

qualquer coisa de eterno

que nos faz gostar das coisas

que se referem ao Deus Criador.

 

Das ciências que estudamos,

dos conhecimentos que adquirimos,

um deles nos faz sentir grandes e fortes:

ter encontrado de verdade, a origem

e o fim para o qual fomos criados.

 

Com sede busquei,

minha fonte,

minha origem,

meu fim.

 

Cada vez mais sedento,

cada vez menos saciado,

da sede e da fome alimentado.

 

Essa sede se manifesta como um imã,

que sugere olhar também para fora

das fronteiras dos sentidos,

para algo que seria ou será o alvo,

o nosso destino,

a razão

da sede existir.

 

Mais do que a água,

procuramos a Fonte,

Invisível, Desconhecida.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com

Publicado no Blog Heipos World 09.02.2014.

Atualizada em 06/06/2024.

Publicado no FACE em 06/06/2024

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