Entre o claro e o escuro,
escolhemos as partes claras
onde aparecem vultos,
setas indicativas,
mapas e horizontes possíveis.
Nascemos num corpo.
Nos conhecemos com este corpo.
Vivemos e morremos com ele.
Alguns corpos são do gênero masculino;
outros, do gênero feminino.
É com ele que expressamos quem somos.
Andamos, corremos, descemos,
subimos, dançamos.
É com o corpo
que damos passos evolutivos.
O corpo
é a espetacular maneira
de expressar a grandeza
e o conhecimento que adquirimos.
O nosso corpo
contém um destino maior,
um segredo a desvendar.
O corpo
é algo que se apresenta visível,
é um ser vivo, como ser de relação autônomo, independente
quando pleno de saúde
e potencialidades.
Por dentro o corpo é uma usina complexa,
é um conjunto de sistemas interligados,
sendo e vivendo uma extraordinária prova
de unidade dentro da diversidade.
Se feminino,
é capaz de gerar outras vidas,
da mesma espécie, especial.
Há energia,
sangue quente, mãos e pele aquecidas.
Corpos iguais, podem ser diferentes.
Alguns ajoelham-se humildemente,
em atitude de gratidão.
Outros corpos, diferentes,
querem ser desiguais, altivos, orgulhosos.
Opss ... Aí o corpo
parece não estar mais sozinho.
Cada corpo
pode revelar o caráter, o temperamento,
a personalidade ainda em processo de evolução ou já em um estágio bem
elevado de perfeição.
E pode esconder mistérios ou grandezas.
Nosso corpo
pode ser pesado, se se identifica só com a terra.
Aí, com a matéria pesada
pode se associar com a preguiça,
com a acomodação
e fincar raízes no chão
e demorar mais para decolar,
se criar asas.
Se usarmos nosso corpo
apenas para o atendimento
das necessidades básicas
e para manutenção da sobrevivência
ficaremos escravos da lei da entropia,
fincando raízes no mundo
da extinção da espécie.
Conhecer as potencialidades do nosso corpo
é condição para continuar evoluindo.
Com o nosso corpo
somos capazes de produzir energia
e usá-las para finalidades curativas
e construtivas.
Nosso corpo
pode ser leve,
se se identificar com a natureza divina
que habita cada um de nós.
Nosso corpo
foi criado à imagem do nosso Criador.
Somos imagem e semelhança
com nosso Deus e Pai,
Criador de todas as coisas,
visíveis e invisíveis.
O nosso corpo é sagrado ou consagrado.
É um modelo completo.
É apto a desenvolver as potencialidades
com as quais estamos equipados.
Dentro do corpo
existem projetos inacabados.
Existem plantas de engenharia, perfeitas.
A lei da terra
rege-se pela lei da entropia.
A lei Divina, do nosso Criador,
aquele que nos criou
à sua Imagem e Semelhança,
auxilia-nos com a Sabedoria,
luzes eternas
que jamais se deixaram aprisionar
pelas trevas e escuridões das eras passadas.
Se desprezarmos a Luz Divina,
estaremos desorientados,
não enxergaremos direito
os passos que devemos dar
para iluminar nossa própria vida,
nossos próximos passos.
Para complementar
transcrevo abaixo um texto
da teóloga Maria Clara Bingemer
sobre a unidade espírito e corpo:
|
“O
corpo humano
está no centro da
revelação cristã,
no momento em que se trata de algo
que foi assumido pelo próprio Deus,
na Encarnação
de seu Filho Jesus Cristo.
A Encarnação do Verbo, que toma corpo humano
e habita entre nós,
eleva e engrandece
a corporeidade humana,
resgatando-a
de uma vez para sempre,
pois a divindade
a abraça por dentro.
Com a vinda
do Espírito Santo,
a corporeidade humana
redescobre novas dimensões de si própria,
que vêm completar a revelação
que o Jesus Cristo dela faz.
Percebendo-se semelhantes
ao Jesus de Nazaré encarnado,
vivo e morto, os discípulos
das primeiras comunidades cristãs
percebem-se igualmente destinados
a uma ressurreição semelhante à sua,
onde o corpo humano,
semeado corruptível,
ressuscitará incorruptível.
O Espírito na Bíblia,
está sempre
estreitamente vinculado ao corpo.
Não se trata de uma força etérea
que leve o ser humano
a ultrapassar a barreira do tempo,
do espaço e, sobretudo, da corporeidade
e da espessura do real.
O Espírito tende para o corpo:
esta é a realidade revelada
através dos textos
do Primeiro Testamento,
quando o Espírito do Deus Eterno
cria mundos a partir do nada,
transforma desertos em jardim,
ossos secos em militante exército
e engravida ventres estéreis.
Nessa vinda do Deus Eterno
ao nosso encontro,
o Espírito entra na violência do mundo, das parcialidades, das
relações conflitivas
e entrecortadas, das intempéries,
das catástrofes,
das carências de sentido.
Habitando na corporeidade humana,
o Espírito faz do ser humano
seu templo, sua morada.
O Cristianismo traz,
entre as grandes novidades
que introduz na história da humanidade,
o fato de o eixo do Sagrado
ser deslocado do Templo,
lugar de culto e de oração tradicional,
para o ser humano,
para a corporeidade humana,
para a carne.
Portanto,
não é necessário multiplicar ritos
e sacrifícios para agradar ao Senhor.
Basta o nosso corpo,
onde Ele habita,
oferecido e disponível
para o projeto do Seu Reino”.
Maria Clara Bingemer
Maria
Clara Luchetti Bingemer. É teóloga, escritora e
professora do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC/Rio. Suas linhas
de pesquisa concentram-se sobre a experiência do Deus e a mística
contemporânea. Autora do livro “A Argila e o Espírito – ensaio sobre
ética, mística e poética”.
O corpo humano já foi consagrado.
|
|
O corpo
humano é sagrado.
“O corpo da pessoa humana, com consciência cristã, é o lugar em que a
divindade habita ou desce para tomar a sua forma”.
Carlos
Alberto Libânio.
|
|
|
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 20/05/2016.
Nenhum comentário:
Postar um comentário