Só poderemos progredir
se compreendermos
quem somos.
Louis Leakey
O poder para transformar
nossa vida e o mundo
é alguma coisa que vive
dentro de nós.
Gregg Braden.
Quase tudo o que aprendemos
nos alienou, nos afastou do que somos.
Tudo quanto estudamos e aprendemos,
tudo que nos foi ensinado
deveria nos levar
a ir aumentando sempre mais
a convicção de quem somos
e de quem devemos ser.
Não viemos aqui
para viver estudando,
indefinidamente, acumulando
traias, bugigangas, enfeites, acessórios,
máscaras, orgulho, status, diplomas, fama ...
Por mais que estudemos,
por mais que nos dediquemos
a aprender, nunca conquistaremos
tamanho grau de conhecimento
que nos transforme em sábios,
humildes e perfeitos.
Existe uma sede insaciável
de conhecimento em cada ser humano.
Essa sede
pode se tornar tão forte
a ponto de nos fazer esquecer
de que estamos aqui para viver,
para expressar o nosso ser,
para testemunhar, para dizer sem falar,
para ser ... apenas ser.
Viemos para viver,
para ser.
Muita gente não sabe
conviver em paz consigo mesmo
porque não se sente como um SER especial.
O ser, nosso ser,
a marca registrada do nosso ser,
é de natureza íntima, interior,
é da região da profundidade,
onde a coragem reside,
onde as possibilidades criativas germinam,
onde o mistério se esconde
como semente que é capaz de explodir
em inspirações e ações inesperadas,
onde percebemos nossa ligação
com todos os outros seres criados,
e, onde pode estar a carta escrita
contendo nosso destino.
Ser, refere-se à essência, à substância,
ao que é mais importante,
aquilo que é vital ao ser humano.
Para sentir o ser,
para sentir o ser,
não para pensar o ser.
Para essa ação,
é necessário fazer silêncio,
procurar o silêncio,
criar condições de silêncio,
entrar, entrar para dentro,
interiorizar-se e perceber a imensidão,
a amplitude infinita, que há aqui dentro,
um outro mundo, harmonioso,
sereno, pacífico, às vezes inexplorado,
desconhecido.
A experiência mais realizadora,
para o ser humano,
é perceber, é sentir
o que é SER.
A experiência do ser,
na sua profundidade é comunicação
com a totalidade das coisas,
com a totalidade do ser,
por isso o sentimento de irmandade,
de fraternidade, de amor e admiração
diante de todas as coisas boas.
É a experiência do ser
que proporciona ao ser humano
a experiência da unidade
entre o ser terráqueo
e o ser divino, celestial.
Tudo o mais é acessório, é supérfluo,
e pode ser descartado,
sem que o ser sofra prejuízo.
É aqui que se encontra
o sinal de alerta para cada ser humano
parar, avaliar-se, sentir-se,
e perceber se não está gastando, inutilmente,
energias importantes, em investimentos
que não trazem retorno existencial,
na ordem do SER.
De tanto que nos envolvemos
no mundo virtual,
acabamos esquecendo de ser.
Percebam
como a curiosidade nos afeta.
Estamos sempre atentos,
inquietos, e a procura de novidades.
Nos envolvemos com ler,
estudar, escutar, assistir,
conversar e viajar na maionese.
Até parece que a vida
se vive no mental,
na atividade mental de pensar,
raciocinar, falar, ler, conversar,
lembrar, comparar, avaliar,
julgar e, até criticar.
Na ilusão da vida queremos,
desejamos, sonhamos viver como pensamos,
mas acabamos vivendo como podemos.
E o viver,
expressar o ser,
para quando?
Quando é que despertaremos
desta sonolência, das ilusões
que a cultura do mundo semeia
em nossa horta externa?
Desde o momento em que acordamos,
estamos envolvidos
pelos meios de comunicação,
ouvindo, lendo, conversando,
prestando atenção
ou apenas deixando-nos afetar
pelo barulho anestesiante.
E não reagimos.
Não sabemos reagir.
Não somos treinados a rejeitar
o que não nos convém.
E acabamos vivendo de forma errada.
Vivemos no mundo mental,
por isso, nos decepcionamos
quando as coisas não acontecem
como gostaríamos.
Só os trabalhadores braçais,
os prestadores de serviços
estão fazendo, estão sendo,
vivendo, expressando-se.
Todos os outros, nós todos,
estamos apenas pensando
que estamos vivendo.
Podemos viver realmente
ou viver no mundo da ilusão,
no mundo do faz de conta.
A grande verdade
é que desconhecemos
quem somos.
A questão fundamental
do ser humano é saber
quem SOU,
quem SOMOS.
Somos muito mais
do que nos ensinaram
e aprendemos.
A questão fundamental
é ler o mundo, a
natureza,
nossa dimensão humana
dentro daquilo que
realmente SOMOS.
Perdemos nossa
essência,
perdemo-nos quando
nos deixamos atrair
pelos milhões de
convites e eventos
que nos alienam de
nós mesmos.
Para ser quem somos,
convém conhecer-se a
si mesmo
dentro das duas
dimensões:
da base humana,
e da base espiritual.
A base espiritual
contém o conteúdo
e as potencialidades
para a próxima etapa
da nossa vida.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 25/03/2017
Publicado no Blog Heipo World
e no FACEBOOK em 25/03/2017
Atualizado em 09/03/2024.
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