sábado, 25 de março de 2017

392.- Ser. Quem sou? Tudo o que aprendemos até hoje pouco nos ajudou a ser o que devemos ser. 392


 
 

Só poderemos progredir

se compreendermos

quem somos.

Louis Leakey

 

O poder para transformar

nossa vida e o mundo

é alguma coisa que vive

dentro de nós.

Gregg Braden.

 

Quase tudo o que aprendemos

nos alienou, nos afastou do que somos.

 

Tudo quanto estudamos e aprendemos,

tudo que nos foi ensinado

deveria nos levar

a ir aumentando sempre mais

a convicção de quem somos

e de quem devemos ser.

 

Não viemos aqui

para viver estudando,

indefinidamente, acumulando

traias, bugigangas, enfeites, acessórios,

máscaras, orgulho, status, diplomas, fama ...   

 

Por mais que estudemos,

por mais que nos dediquemos

a aprender, nunca conquistaremos

tamanho grau de conhecimento

que nos transforme em sábios,

humildes e perfeitos.

 

Existe uma sede insaciável

de conhecimento em cada ser humano.

 

Essa sede

pode se tornar tão forte

a ponto de nos fazer esquecer

de que estamos aqui para viver,

para expressar o nosso ser,

para testemunhar, para dizer sem falar,

para ser ... apenas ser.

 

Viemos para viver,

para ser.

 

Muita gente não sabe

conviver em paz consigo mesmo

porque não se sente como um SER especial.

 

O ser, nosso ser,

a marca registrada do nosso ser,

é de natureza íntima, interior,

é da região da profundidade,

onde a coragem reside,

onde as possibilidades criativas germinam,

onde o mistério se esconde

como semente que é capaz de explodir

em inspirações e ações inesperadas,

onde percebemos nossa ligação

com todos os outros seres criados,

e, onde pode estar a carta escrita

contendo nosso destino.

 

Ser, refere-se à essência, à substância,

ao que é mais importante,

aquilo que é vital ao ser humano.

 

Para sentir o ser,

para sentir o ser,

não para pensar o ser.

 

Para essa ação,

é necessário fazer silêncio,

procurar o silêncio,

criar condições de silêncio,

entrar, entrar para dentro,

interiorizar-se e perceber a imensidão,

a amplitude infinita, que há aqui dentro,

um outro mundo, harmonioso,

sereno, pacífico, às vezes inexplorado,

desconhecido.  

 

A experiência mais realizadora,

para o ser humano,  

é perceber, é sentir

o que é SER.

 

A experiência do ser,

na sua profundidade é comunicação

com a totalidade das coisas,

com a totalidade do ser,

por isso o sentimento de irmandade,

de fraternidade, de amor e admiração

diante de todas as coisas boas.

 

É a experiência do ser

que proporciona ao ser humano

a experiência da unidade

entre o ser terráqueo

e o ser divino, celestial.

 

Tudo o mais é acessório, é supérfluo,

e pode ser descartado,

sem que o ser sofra prejuízo.

 

É aqui que se encontra

o sinal de alerta para cada ser humano

parar, avaliar-se, sentir-se,

e perceber se não está gastando, inutilmente,

energias importantes, em investimentos

que não trazem retorno existencial,

na ordem do SER.

 

De tanto que nos envolvemos

no mundo virtual,

acabamos esquecendo de ser.

 

Percebam

como a curiosidade nos afeta.

 

Estamos sempre atentos,

inquietos, e a procura de novidades.

 

Nos envolvemos com ler,

estudar, escutar, assistir,

conversar e viajar na maionese.

 

Até parece que a vida

se vive no mental,

na atividade mental de pensar,

raciocinar, falar, ler, conversar,

lembrar, comparar, avaliar,

julgar e, até criticar.

 

Na ilusão da vida queremos,

desejamos, sonhamos viver como pensamos,

mas acabamos vivendo como podemos.

 

E o viver,

expressar o ser,

para quando?

 

Quando é que despertaremos

desta sonolência, das ilusões

que a cultura do mundo semeia

em nossa horta externa?

 

Desde o momento em que acordamos,

estamos envolvidos

pelos meios de comunicação,

ouvindo, lendo, conversando,

prestando atenção

ou apenas deixando-nos afetar

pelo barulho anestesiante.

 

E não reagimos.

 

Não sabemos reagir.

 

Não somos treinados a rejeitar

o que não nos convém.

 

E acabamos vivendo de forma errada.

 

Vivemos no mundo mental,

por isso, nos decepcionamos

quando as coisas não acontecem

como gostaríamos.

 

Só os trabalhadores braçais,

os prestadores de serviços

estão fazendo, estão sendo,

vivendo, expressando-se.

 

Todos os outros, nós todos,

estamos apenas pensando

que estamos vivendo.

 

Podemos viver realmente

ou viver no mundo da ilusão,

no mundo do faz de conta.

 

A grande verdade

é que desconhecemos quem somos.

 

A questão fundamental

do ser humano é saber quem SOU,

quem SOMOS.

 

Somos muito mais

do que nos ensinaram

e aprendemos.

 

A questão fundamental

é ler o mundo, a natureza,

nossa dimensão humana

dentro daquilo que realmente SOMOS.

 

Perdemos nossa essência,

perdemo-nos quando nos deixamos atrair

pelos milhões de convites e eventos

que nos alienam de nós mesmos.

 

Para ser quem somos,

convém conhecer-se a si mesmo

dentro das duas dimensões:

da base humana,

e da base espiritual.

 

A base espiritual contém o conteúdo

e as potencialidades para a próxima etapa

da nossa vida.


Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 25/03/2017

eneaspb@gmail.com

 

Publicado no Blog Heipo World

e no FACEBOOK em 25/03/2017

Atualizado em 09/03/2024.

 

 

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