Convivemos com um mistério preso dentro
de nós.
E convém soltá-lo, libertá-lo, dar
liberdade a ele,
para que se expresse com graça, com
facilidade,
com alegria, e se faça entender.
Não está preso
porque fez algo errado.
Está preso
porque não lhe abrem as portas.
Este
mistério é a Alma que nos habita.
Vivemos
numa cultura
onde
não há mais lugar
para
o encantamento,
para
a admiração
e
para o mistério.
Nossa
cultura atual é pobre de valores.
Essa
cultura que se respira hoje,
em
quase todos os ambientes,
reduziu
o potencial da nossa humanidade.
Não
se inclui o assombro, mas o medo.
Não
se inclui o encanto, mas o desencanto.
Não
se inclui a admiração, mas a indiferença.
Não
se inclui o mistério, mas o ateísmo ou a apatia.
E,
se não quisermos levar
a humanidade para a falência,
convém
recuperar os valores que tínhamos
quando
ainda éramos originais e completos.
Éramos
muito mais simples,
mas
sabíamos e escolhíamos
o
que nos era necessário,
e
sustentava-nos suficientemente.
Aos
poucos fomos perdendo a alegria,
a convivência simples, os valores
do
encantamento, do entusiasmo e da admiração.
E
finalmente, deixamos de lado
tudo o que se refere ao misterioso, ao
sagrado.
Hoje, se aprendo algo,
se penso que sei,
se conceituo,
se conheço algo,
disseco, extraio dele
a sua Alma
e destruo o seu
mistério.
Não se leva mais a
sério o que é sagrado.
Quase tudo se tornou
banal, manipulável, descartável.
Conhecer a Alma é um desejo profundo.
É, porém, um desafio, uma aventura,
Uma
exigência vital.
Quando se estuda e se dá importância à
Alma,
trata-se da vitalidade, da energia do
nosso ser.
Trata-se da verdade e da sacralidade do
nosso ser.
O
homem é um ser misterioso
porque sua Alma é misteriosa.
A
Alma se manifesta.
Ela não é totalmente desconhecida.
A
alma se ajeita, e se sujeita humildemente
diante das nossas dificuldades mentais
para
compreendê-la.
A
Alma não quer ser dissecada,
esvaziada do seu mistério.
Ela só quer ser aceita e integrada à
sua vida.
Humilde e silenciosamente
ela aceita não ser compreendida
e se ajeita ao nosso jeito.
Nós,
humanos racionais,
tentamos
encerrar a Alma em nossos conceitos.
Ela
é um mistério que quer ser conhecido,
não, porém decifrado ou totalmente
esgotado.
E
ela, de natureza divina,
na sua inteireza não se deixa esgotar.
A Alma
apresenta,
e se faz
presente,
de forma bem
diferente
daquela que
estamos acostumados a dominar.
Ela se
revela e ao mesmo tempo se esconde
em sua forma
misteriosa de ser.
E a nós,
humanos mortais,
só resta
aceitarmos humildemente
que ela se
vista de mistérios.
Os
mistérios se deixam pesquisar,
mas não na superfície e sim,
nas
profundidades.
Por favor,
não queiram explicar tudo,
até os mistérios.
Permitam que existam mistérios aqui na Terra.
Não existirão mistérios, lá em cima, no Céu?
O
espaço celestial é imenso.
Podem caber os impossíveis
que aqui não cabem.
Alguma
coisa,
alguma
novidade,
pode
ficar para depois.
Deixem-me cultivar, carregar,
algumas esperanças que não sejam ilusões.
Que minha Alma seja alimentada
pelos mistérios que a atraem.
A
Alma é leve, tem asas e voa.
Se assim é permitam-me
que eu mesmo descubra,
onde o vento quer e pode me levar.
Se fico só por aqui, como folha, ou como pena,
passearei por bom tempo, circulando a Terra,
onde a atmosfera circunda, anima, dá vida,
alegra e refresca nosso mundo.
Se o vento quiser, ou outro meio tiver,
pode me levar, mais para cima.
Já posso deixar que o vento me leve
para onde os mistérios atraem.
Minha alma quer flutuar,
não tem peso, nem tamanho,
nenhuma idade.
Quero ir com minha Alma,
voando, permanecer plainando,
por mais tempo, todo tempo,
e aterrissar no mistério
infinito
da eternidade.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
e republicado no BLOG e no FACE em 30/08/2025
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