Existe um
grande abismo
entre a religiosidade
racional
e a espiritualidade do afeto,
que
envolve sentimentos.
A
religiosidade racional,
não é uma
prática. É virtual.
Fica só no
mundo da cabeça pensante.
É um
pensar racional
que se
identifica facilmente
com o
farisaísmo: dizer sem fazer.
A
religiosidade
é tudo
aquilo que aprendemos racionalmente
nas aulas
de catequese e ao frequentar as Igrejas.
Este
aprendizado da religiosidade racional
quase se
equipara ao conhecimento adquirido
ao
estudarmos geografia, história, matemática etc.
A
religiosidade acaba sendo
apenas uma
responsabilidade
ou uma
preocupação em cumprir as orientações,
os
mandamentos do Deus Pai e da Igreja.
A
religiosidade é uma resposta,
responsável
ou irresponsável,
consciente
ou inconsciente,
à
frequência aos cultos
e às
orações que aprendemos
desde a
infância e repetimos
quase que
automaticamente
ao longo
dos anos.
Muitos
cristãos
possuem um
vastíssimo conhecimento
dos
documentos da Igreja,
dos
Evangelhos, da Liturgia,
e são
frequentadores das igrejas
e fieis
cumpridores
dos
ensinamentos e mandamentos
da Igreja.
A
religiosidade racional
conceitua
a pessoa.
Olha-a
como objeto, externo,
lá fora, separada
da minha vida.
A
religiosidade racional
não cria
empatia com as pessoas.
Não se
envolve com as pessoas.
Não faz
parte de um grupo de ação.
Não se
emociona nem se preocupa
diante do
sofrimento das outras pessoas.
Diga-te o
que fazes
no
território paroquial onde moras,
e a sua própria consciência responderá.
Se não
fazes nada, se não participa,
você está
confessando que é praticante
de uma
religiosidade racional.
Você pensa
que é cristão.
Mas, ser
cristão é agir, fazer.
Por isso,
há um profundo abismo
entre o
que pensamos e o que somos,
entre o
que sabemos e entre o que fazemos
entre o
pensar virtual e ser cristão ativo.
A
espiritualidade afetiva
afeta os sentimentos
e as emoções,
é
envolvente, não ausente,
é próximo,
não distante.
Na
espiritualidade afetiva
a pessoa age
e reage.
Afeto são
aquelas qualidades
que existem
no relacionamento
entre pais
e filhos, entre parentes e amigos,
e, de modo
completo,
entre o
ser humano espirituoso
com todas
as criaturas do universo.
Afeto é
uma palavra
que designa
um conjunto de atos ou atitudes
como
bondade, benevolência, dedicação,
proteção,
gratidão, ternura ...
situações
que demonstram
que uma
pessoa se ocupa,
se
preocupa ou cuida,
com olhar
amoroso
e mãos que
servem e acariciam
com
suavidade.
A
espiritualidade afetiva
afeta aquela
pessoa que recebe afeto,
carinho e
ternura, ajuda física e material.
A espiritualidade
afetiva
transforma
o desesperado em esperançoso,
o
desanimado em revitalizado,
o ignorado em valorizado.
A
espiritualidade afetiva
revela o
que somos,
revela a
carga afetiva
da qual estamos
carregados
e
expressamos pelo agir,
pelas
mãos, pelo corpo,
pelo
bolso, inclusive.
A
espiritualidade afetiva
leva a envolver-se
com o outro.
Espiritualidade
afetiva
é a
filosofia de vida
que se demonstra
agindo,
conjugando
o verbo amar
em todos
os modos,
tempos e circunstâncias.
Espiritualidade
afetiva
é aquela
em que nos sentimos chamados
a ser
resposta às solicitações de carência
material e
afetiva das pessoas.
Pratica-se
espiritualidade afetiva,
envolvendo-se,
vivendo junto com os outros.
Espiritualidade
afetiva
é sorrir
com os que se alegram
e chorar
com aqueles que sofrem e choram.
Espiritualidade
é
uma maneira especial
de
participação na vida divina.
A
vida divina caracteriza-se pelo amor.
Tudo
foi feito por amor.
O
próprio Deus é amor.
‘Quem
permanece no amor
permanece
em Deus e Deus nele’,
nos
ensina o evangelista São João.
A espiritualidade
do afeto
é a
prática do amar como o Jesus amou.
É ajudar
como o Jesus ajudou.
É ser como
o Jesus foi e viveu.
Não dá
para ser cristão
sem ser
como o Cristo Jesus.
O Jesus
que viveu pelos outros
e em
função dos outros.
“O mundo é muito
religioso, mas pouco espiritual ... A religião é aquele código de conduta, de
ritos que nós escolhemos para nossa vida. A religião católica me oferece uma
riqueza insondável de ritos, catecismos de teologias. Mas a espiritualidade é
um pouco mais que ter religião. A gente pode ter passado uma grande parte da
nossa vida sendo religiosos sem ter tocado ou chegado à riqueza da
espiritualidade. A espiritualidade é quando eu consigo construir dentro de mim um
significado que me mantenha como um ser humano capaz de respeitar tudo aquilo
que diz sobre o ser humano, de ser pessoa de diálogo, de conviver com as
diferenças, de estar com eles, capaz de ser bom, amável. Tudo em nós precisa
ser educado. Quem faz o processo da educação do caráter é a espiritualidade. A
religião é uma primeira base.
Palavras do Padre Fábio de Melo em entrevista com Ana Maria Braga, no seu
programa, em 08/05/25, um dia antes da escolha do novo Papa Leão XIV.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
eneaspb@gmail.com
Criado
e pub no Blog
e
no FACE em 13/05/2025
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