quarta-feira, 29 de novembro de 2023

883.- Contemplação. Um pouco além dos limites.

Se a música, a arte e a poesia,

as mais altas experiências

das nossas faculdades,

nos extasiam,

o que há para lá,

das maiores experiências?

 

O que há além da razão,

compreensível?

 

Além ainda da experiência sensível

do amor e do prazer

no corpo?

 

Mais além ainda,

da fé?


 Além da incerteza,

eu e você,

esperamos e desejamos

ir muito além dos limites.



Ao fazermos

a experiência corporal,

será que o começo

está ali na data de nascimento,

e o fim, na data da morte?

 

O espírito que nos habita

testemunha a nós mesmos,

que a origem

do nosso próprio existir,

vem de longe,

vem de antes de nascermos nesta Terra,

e de recebermos um nome,

e de vivermos tantos anos

e preencher algumas linhas

no livro das biografias

e das histórias.

 

E vamos além

porque é incompreensível

e até impossível

que quem nos criou

não nos tenha criado, 

para a eternidade.

 

Se um Deus que é eterno

cria alguma coisa,

cria para sempre

porque senão,

não seria Deus,

nem eterno.

 

Qual é o caminho ou a ferramenta

que nos eleva para o pensamento

que ultrapassa nós mesmos?

 

É a contemplação,

a faculdade do espírito

que permite ver, sem ver,

conhecer, sem conhecer,

isto é, são recursos especiais,

superiores, de ver e conhecer.

 

Contemplar,

é usar algo que não é nosso,

mas que está ao nosso dispor,

para escutar o que não é dito,

perceber o que não é visto,

intuir o que ainda não sabemos,

inspirar a busca do que ansiamos.

 

Contemplar é aventurar-se

a entrar por caminhos novos,

ainda não percorridos pelos pés,

nem pela coragem, mas pela confiança,

de uma direção apontada pelo espírito.

 

Não tem escolas,

oficiais.

 

Tem sim,

mestres adiantados,

desconhecidos,

pouco lidos,

despercebidos,

quase invisíveis

no meio de tanta literatura,

desconectada.

 

Esgotaram-se

as experiências humanas.

 

Não nos nosso levaram

senão só até as fronteiras.

 

Não será possível,

já nesta dimensão,

intuir,

contemplar,

um prosseguir?

 

O que está faltando

ao ser humano

é a ambição

para se tornar

sobre-humano.

 

Está por aí,

disponível,

uma abertura,

de saída,

de escape,

de busca.

 

Renuncie

a uma série de programas,

agendas ou aplicativos,

que não te elevam,

não te aperfeiçoam.

 

Decida-se

a subir um degrau acima.

 

Compre livros,

pesquise,

crie um grupo,

partilhe,

e vá atrás

da contemplação.

 

Conviva na intimidade com ela,

saiba quem ela é,

como se revela,

e se disponibiliza,

e ela te conduzirá

até a casa paterna.

 

 

Leia outros textos acessando:

https://heiposworld.blogspot.com


Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 27/07/2019

eneaspb@gmail.com

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

882.- Profundidade x superfície. A semente brota na superfície; mas a fonte da energia brota das profundidades.



Nascemos

no chão plano,

nos vales

ou no alto

das montanhas.

 

Não nascemos

nas profundas cavernas,

ou no fundo dos oceanos.

 

Por isso,

nos adaptamos

ao nível da rua,

e vivemos,

muito da nossa vida,

na superfície.

 

E nos adaptamos

a viver em cima da terra,

e nem percebemos a insaciável sede,

a busca por águas puras e frescas,

nas profundidades.

 

 

Dentro de nós,

existe um nível mais exigente,

com aspirações superiores,

onde reside nossa alma,

que nos impulsiona

para a transcendência,

desejando, com ansiedade,

ultrapassar nossos próprios limites.

 

Avalie a sua vida, num dia de domingo.

O que você faz, que te preenche de sentido?

 

Que programas de TV, te sustenta,

e te faz crescer em sabedoria

e espiritualidade?

 

É tudo enganação,

exploração,

alienação,

desvios,

vazios.

 

É o espírito

que passa fome.

 

A potencialidade da alma

ativa-se

quando a consciência

arrisca-se

a explorar

as partes mais profundas

da natureza humana.

 

Na superfície

tudo vira rotina,

repetição, desgaste,

desilusões.

 

Quem nos ensina,

qual canal ensina

o caminho para encontrar

a origem, a fonte profunda?

 

E já estamos fartos

da superfície, que nega as respostas,

que a alma procura,

nas profundidades.

 

 

A cultura da sociedade,

imatura, despreparada,

nega-nos, afasta-nos

das profundidades.

 

Perguntas mais sérias,

curiosidades sobre os mistérios,

mal contados, nem todos, bem explicados.

 

Nossas insatisfações

provocam nossas crises.

 

Benditas e benvindas

crises da superfície

que nos levam

ao interior,

no íntimo,

das entranhas

da terra.

 

As crises e angústias,

provocadas,

pela falta de respostas

da superfície,

leva-nos,

forçosamente,

a entrar pelas trilhas

das escuras cavernas,

da insegurança,

incertezas

e dúvidas.

 

Fora das coisas

da superfície,

poucos sabem as respostas.

 

Poucos escritores,

poetas e cantores

possuem coragem,

de passar imagem

de estranhos,

fora do ninho, sonhadores.

 

Tudo conspira

para que todos sejam iguais,

no pensar e tagarelar

os mesmos assuntos,

envolver-se com as mesmas profissões,

entregar-se às mesmas diversões,

frequentar os mesmos circos.

 

Que vestimenta,

qual ferramenta

será mais apropriada

para essa desacreditada

 aventura?

 

Um espelho serve?

Para começar serve.

 

Você vive

e convive com você mesmo,

o tempo todo.

 

 

Olhe-se bem nesse espelho,

e pergunte-se:

Quem sou eu?

O que sei de mim mesmo(a),

para além da imagem

que vejo no espelho?

 

Você não saberá

nem conseguirá responder

porque o desconhecimento

sobre si mesmo

é bem maior

do que o que conhece

sobre tudo o que está

na aparência e na superfície

do ambiente em que você está

acostumado(a) a viver.

 

Você nasceu na superfície da Terra,

e está adaptado a viver na superfície,

e a pensar superficialmente.

 

Porém a sua origem,

a sua natureza

é da profundidade.

 

E a constante convicção

a nortear nossa consciência

é resistir a toda estratégia

imposta pela cultura

da sociedade de consumo,

que nos força 

a viver a partir

dos valores

da superfície. 

 

Entrar nas profundidades

da dimensão espiritual

é forçar a natureza

a caminhar sem enxergar,

procurando respostas invisíveis.

 

Então,

posso viver,

a partir da noite,

sem encontrar luzes

adaptando os olhos para enxergar,

sem abri-los.

 

Viemos do interior,

do útero feminino,

do aconchego materno.

 

É no íntimo,

no interior,

que está a usina,

a fonte divina do amor,

que nos leva de novo,

para fora, para cima,

onde o Amor

quer transformar

a superfície,

na expressão

da vitalidade

que existe na profundidade.  

  

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 06/07/2018 (original 479).

Atualizado em 02/09/2019

eneaspb@gmail.com

Publicado no Blog Heipo World e no FACE em 06/07/2018. 

Atualizado (479)e publicado no FACE em 02/09/2019.


697.- Esperança. O que acontece quando falta a esperança



Todo texto publicado é imperfeito.

 

Todo texto publicado

pode ser aperfeiçoado.

 

Depois, quando lemos,

percebemos que as intenções

colocadas nas palavras

não conseguiram expressar

toda riqueza que poderia.

 

Por essa razão,

depois, releio,

ou recebo opiniões, correções,

sugestões e complementos de amigos,

e vou atualizando o texto.

 

Todo texto

merece receber

os complementos necessários

para que esteja cada vez mais próximo

das nossas esperanças.

 

Não nascemos

dentro de uma caixa fechada,

de um mundo fechado,

limitado, com paredes

e fronteiras.

 

Tudo à nossa frente é aberto,

com possibilidades incalculáveis.

 

Todas as relações são possíveis.

 

O espaço é infinito.

 

Todas as esperanças

são possíveis.

 

Nem tudo foi dito e esclarecido.

 

No mundo visível,

já conhecido,

existem pistas,

do mundo invisível,

desconhecido.

 

O que ainda não sabemos

desafia nossas capacidades,

e convida à exploração

e criatividade.

 

A esperança

inda não foi descartada.

Há lugar para ela.

Que bom que seja assim.

 

Se nascemos de um projeto divino,

e se o projeto divino

trata da fé,

de esperança

e da caridade,

a ser praticada aqui nesta terra,

se algo não está dando certo,

se as expectativas

não estão correspondendo

é necessário fazer uma avaliação,

revisão, questionamento e perguntas.

 

Viver sem esperanças,

não é viver.

 

É como viajar

sem saber para onde.

 

Se assim for,

o que é bom nesta viagem

é que demore, longamente,

e se aproveite cada instante

cada parada, cada paisagem.

 

Se assim for,

não deixa de ser uma viagem,

passageira.

E nós, passageiros,

embarcados,

na nave do tempo.

 

E se chegamos a algum lugar

não é como se fosse a última parada.

 

Não fincamos raízes nesta Terra,

porque as estradas estão traçadas,

os aeroportos abertos

para voos e aterrissagens,

e os horizontes são infinitos,

convidam, atraem, seduzem-nos.

 

A vida continua,

os dias e anos avançando,

e as pessoas em movimento,

indo e vindo.

 

Se não acolhermos

e praticarmos

o conteúdo da esperança,

fatalmente desembocaremos

num padrão de vida,

experimentado e vivido

num contexto vital

de fatalidades.

 

Qual a leitura

que fazemos da cultura

que respiramos nos dias de hoje?

 

Estamos vivendo

uma crise de esperança?

 

Quais são os pensamentos

trocados em nossos diálogos

com nossos companheiros

de caminhada?

 

Quais as angústias

que sofremos

em nosso espírito?

 

Qual é a fotografia

da sociedade atual?

 

O que assistimos

nos programas de TV?

 

Tenha coragem e avalie.

 

Não há nada de positivo

nos programas feitos pela mídia.

 

Só violência, corrupções,

tragédias, traições,

separações, desuniões,

angústias, conflitos.

 

Tudo isso entra em nós

e nos torna pessimistas,

lamurientos,

descontentes com tudo.

 

Como despertar

a esperança

sem mostrar

os sinais

da desesperança?

 

Em quantas ilusões estamos afundados,

buscando desesperadamente

conforto corporal,

riqueza material,

se o verdadeiro bem

é a paz de espírito,

que habita, ansioso,

a profundidade

da alma?

 

Que bem maior podemos ter

do que a vivência da fraternidade,

a justiça, a partilha do que somos e temos?

 

Quem caminha

no fio da esperança

não se desequilibra,

nem lhe faltam apoios.

 

Se não há esperança,

onde encontraremos conteúdo

para colocar no alforje da vida?

 

Sem esperança,

a bateria enfraquece logo,

a sensibilidade desaparece,

o entusiasmo perde força

as luzes perdem seu calor

e as cores, empalidecem.

 

Neste período

que antecede

as festas natalinas,

nossa sensibilidade

fica mais afinada,

antenada,

com os valores

da proximidade,

da simpatia e empatia,

paixão e compaixão;

as razões perdem seus argumentos,

e o coração é afetado pela bondade.

 

Ao longo do ano

a rotina e a pressa,

de chegar não sei onde,

nos levam para a superfície,

e passamos ao largo,

desviando dos pontos de parada

e perdemos os frutos e as graças

dos encontros,

com as pessoas silenciosas,

pacíficas,

esperançosas.

 

Esperança não gera ansiedade.

Ansiedade não é filha da esperança.

 

Quando se alcança certa idade,

as experiências da correria

já não são mais valorizadas.

 

Agora, onde se encontram sinais,

mensagens e ventos de esperanças

soltamos as amarras do nosso barco,

e velejamos

para onde

as experiências vividas

indicaram

onde está

o porto seguro.

 

Nossas esperanças

não são alimentos

só para o viver,

mas são também,

as asas,

para depois

de morrer.

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 18/12/2019

eneaspb@gmail.com