segunda-feira, 27 de novembro de 2023

697.- Esperança. O que acontece quando falta a esperança



Todo texto publicado é imperfeito.

 

Todo texto publicado

pode ser aperfeiçoado.

 

Depois, quando lemos,

percebemos que as intenções

colocadas nas palavras

não conseguiram expressar

toda riqueza que poderia.

 

Por essa razão,

depois, releio,

ou recebo opiniões, correções,

sugestões e complementos de amigos,

e vou atualizando o texto.

 

Todo texto

merece receber

os complementos necessários

para que esteja cada vez mais próximo

das nossas esperanças.

 

Não nascemos

dentro de uma caixa fechada,

de um mundo fechado,

limitado, com paredes

e fronteiras.

 

Tudo à nossa frente é aberto,

com possibilidades incalculáveis.

 

Todas as relações são possíveis.

 

O espaço é infinito.

 

Todas as esperanças

são possíveis.

 

Nem tudo foi dito e esclarecido.

 

No mundo visível,

já conhecido,

existem pistas,

do mundo invisível,

desconhecido.

 

O que ainda não sabemos

desafia nossas capacidades,

e convida à exploração

e criatividade.

 

A esperança

inda não foi descartada.

Há lugar para ela.

Que bom que seja assim.

 

Se nascemos de um projeto divino,

e se o projeto divino

trata da fé,

de esperança

e da caridade,

a ser praticada aqui nesta terra,

se algo não está dando certo,

se as expectativas

não estão correspondendo

é necessário fazer uma avaliação,

revisão, questionamento e perguntas.

 

Viver sem esperanças,

não é viver.

 

É como viajar

sem saber para onde.

 

Se assim for,

o que é bom nesta viagem

é que demore, longamente,

e se aproveite cada instante

cada parada, cada paisagem.

 

Se assim for,

não deixa de ser uma viagem,

passageira.

E nós, passageiros,

embarcados,

na nave do tempo.

 

E se chegamos a algum lugar

não é como se fosse a última parada.

 

Não fincamos raízes nesta Terra,

porque as estradas estão traçadas,

os aeroportos abertos

para voos e aterrissagens,

e os horizontes são infinitos,

convidam, atraem, seduzem-nos.

 

A vida continua,

os dias e anos avançando,

e as pessoas em movimento,

indo e vindo.

 

Se não acolhermos

e praticarmos

o conteúdo da esperança,

fatalmente desembocaremos

num padrão de vida,

experimentado e vivido

num contexto vital

de fatalidades.

 

Qual a leitura

que fazemos da cultura

que respiramos nos dias de hoje?

 

Estamos vivendo

uma crise de esperança?

 

Quais são os pensamentos

trocados em nossos diálogos

com nossos companheiros

de caminhada?

 

Quais as angústias

que sofremos

em nosso espírito?

 

Qual é a fotografia

da sociedade atual?

 

O que assistimos

nos programas de TV?

 

Tenha coragem e avalie.

 

Não há nada de positivo

nos programas feitos pela mídia.

 

Só violência, corrupções,

tragédias, traições,

separações, desuniões,

angústias, conflitos.

 

Tudo isso entra em nós

e nos torna pessimistas,

lamurientos,

descontentes com tudo.

 

Como despertar

a esperança

sem mostrar

os sinais

da desesperança?

 

Em quantas ilusões estamos afundados,

buscando desesperadamente

conforto corporal,

riqueza material,

se o verdadeiro bem

é a paz de espírito,

que habita, ansioso,

a profundidade

da alma?

 

Que bem maior podemos ter

do que a vivência da fraternidade,

a justiça, a partilha do que somos e temos?

 

Quem caminha

no fio da esperança

não se desequilibra,

nem lhe faltam apoios.

 

Se não há esperança,

onde encontraremos conteúdo

para colocar no alforje da vida?

 

Sem esperança,

a bateria enfraquece logo,

a sensibilidade desaparece,

o entusiasmo perde força

as luzes perdem seu calor

e as cores, empalidecem.

 

Neste período

que antecede

as festas natalinas,

nossa sensibilidade

fica mais afinada,

antenada,

com os valores

da proximidade,

da simpatia e empatia,

paixão e compaixão;

as razões perdem seus argumentos,

e o coração é afetado pela bondade.

 

Ao longo do ano

a rotina e a pressa,

de chegar não sei onde,

nos levam para a superfície,

e passamos ao largo,

desviando dos pontos de parada

e perdemos os frutos e as graças

dos encontros,

com as pessoas silenciosas,

pacíficas,

esperançosas.

 

Esperança não gera ansiedade.

Ansiedade não é filha da esperança.

 

Quando se alcança certa idade,

as experiências da correria

já não são mais valorizadas.

 

Agora, onde se encontram sinais,

mensagens e ventos de esperanças

soltamos as amarras do nosso barco,

e velejamos

para onde

as experiências vividas

indicaram

onde está

o porto seguro.

 

Nossas esperanças

não são alimentos

só para o viver,

mas são também,

as asas,

para depois

de morrer.

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 18/12/2019

eneaspb@gmail.com

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