sábado, 22 de junho de 2024

900.- Infinito, estou enamorado de ti.



Não sei por que razões

sou apaixonado pelo infinito,

talvez porque seja lá

a casa onde mora

o céu.

 

Quando fui criança

falaram do céu

e acreditei.

 

Fui crescendo

e deixaram de falar dele.

 

E agora,

a criança birrenta

que ainda existe em mim,

bate os pés e grita,

quero o céu

que me prometeram

quando fui criança normal.

 

Se não falam mais do céu,

então quero conhecer o infinito

porque agora tenho certeza

de que é lá que mora o céu.

 

Será que sou normal?

 

Numa hora eu quero ser mais livre,

     quero voar, mas não consigo,

          não tenho asas.

 

             Noutra hora,

                 quero transportar-me

                      para o alto da montanha,

                        sem dar os passos

                            por entre as pedras.

                             

Querendo ser mais

     experimento as barreiras,

           as cadeias,

                as cordas,

                    as correntes,

                         as carências,

                              as impotências,

                                   e a paralisia.

 

Eis que ainda sou

   uma mistura de massas,

         barro da terra

                   habitado por migalhas

                          de infinito.

 

                         Quero devolver-me ao infinito

                                mesmo sendo massa de cimento,

                                      de pedra ou de chumbo.

 

Estou na terra,

  mas não sou terráqueo.

     Se daqui eu fosse,

         seria muito mais sossegado.

 

          Mas tem coisa dentro de mim

                que cutuca o bicho preguiça,

                       que desperta outro bicho,

        escondido,

atrás dessa frágil natureza,

projetada para novos horizontes,                                               novos espaços,

                                novo jeito de ser,

                                  ainda desconhecido.

 

De repente,

     de novo,

          experimento-me,

               curtindo,

                  uma expectativa

                      uma esperança,

                          ou uma ânsia,

                               uma saudade...

                                    que me parece não ser minha,

                                        uma sensação

                                            de que não sou daqui.

 

O finito, a finitude,

não me esgota, nem me contenta,

não me preenche,

nem tem respostas definitivas,

verdadeiras e eternas.

 

         Não me acostumo

             com minhas limitações.

 

Meus limites temporários

   fazem-me esquecer

      que sou humano,

         limitado pelos dois pés.

 

         E me fazem sentir

     o que é ser já,

   do outro mundo,

eterno, sem ser.

 

E aí o tempo passa,

   e não percebo,

       o tempo passar.

 

Será essa a sensação

   de sentir,

     que não sou daqui?

 

     Eis que sou e estou

morando no tempo.

 

No Céu, fora do tempo,

  O meu e nosso Paizinho,

     o Artista que nos criou,

        o Perfeito, está sempre a chamar:

             Vem.

 

Existe uma ânsia,

  uma vontade

      ou um sonho

         que arde

          dentro de cada um de nós,

       pessoas humanas

    e divinas

ao mesmo tempo.

 

O que há de humano em nós,

    contenta-nos ou nos humilha.

 

      O que há de divino em nós

         se manifesta como sede

             que não sacia nunca.

 

                   Sinto que sou

                         uma obra de arte,

                               inacabada,

                                     aguardando

                                     as últimas pinceladas,

                                     e a assinatura eternizante.

 

Ansiamos e desejamos

      continuar vivendo.

 

             Estes pensamentos

          e experiências

       podem ser traduzidos para

   queremos morar no infinito

e viver para sempre’.

 

Não podemos ainda

    avaliar nem experimentar

       esta afirmação

            na sua mais completa

                definição e alcance.

 

                     O que sabemos

              é que estamos acostumados

         com a experiência de desistirmos

diante dos limites.

 

Quando fazemos

      a experiência dos nossos limites,

              experimentamos que somos pequenos

                  e imperfeitos, 

                      e isso nos incomoda

                          e às vezes, nos acomoda

                                e nos convencemos

desta limitação.

 

Estas experiências

   sugerem que aceitemos

        essa situação

              como algo normal

                   na nossa dimensão humana,

                       deste tipo de vida, passageira. 

 

Por outro lado,

      somos um tipo de ser aperfeiçoado,

               pois conseguimos superar

                     nossa animalidade

                             e desenvolver outras capacidades

                                   próprias de humanos.

 

E, dentro deste humanismo

     existem sementes espirituais

           que nos promoveram

                para filhos do Pai Eterno,

                     com indícios de ‘algo mais’,

                          permanente, para sempre.

 

Somos filhos do Criador,

      por isso, estamos carregados

               de talentos e forças criativas.

 

Temos fé e esperança

     nas promessas do nosso Paizinho.  

 

Esta verdade

               carrega consequências,

               a experiência de que somos

               mais do que seres humanos.

 

Nosso modo de ser,

         pensar e agir,

               demonstra

                     que já ultrapassamos

                           nossa própria humanidade.

 

Se formos assim,

    tão poderosos,

          tão grandes,

              essa grandeza

                 convém conhecer

                     e cultivar.

 

Como é bom

soltar as cordas

que nos aprisionam.

 

Como é bom experimentar

                 a liberdade

                 que este viver

                 tem demonstrado existir

                 em nossa natureza divina,

                 escondida

                 como semente

  dentro desta casca humana.

 

Estamos carregados

     de preconceitos e pensamentos

             que limitam nosso pensar

                      e, por consequência,

                                     nosso agir. 

 

Temos dificuldades

    em aceitar pensamentos

         e literatura sobre o infinito

                   porque está fora

                          do ambiente da terra.

 

Não estamos acostumados

     com este estilo de comunicação

          que parece nos afastar

                da imperfeita e incompleta

realidade cultural

                              na qual estamos envolvidos.

 

                       Sentimos dificuldades

                    em acreditar no céu infinito

                e em tudo aquilo

            que nos parece impossíveis

        porque vivemos no mundo ocidental,

    marcadamente pragmático,

prático, racionalista e materializado.

 

Mas, já que chegamos até aqui,

                      não vamos desistir

                   e vamos em frente,

                bebendo conteúdos

             que arrebentem nossos preconceitos

          e ampliem nossas ambições

       ao infinito.

 

Às vezes ficamos com dúvidas

sobre nossa pátria final,

mas nos acalmamos

quando encontramos

na Carta do São Paulo Apóstolo

aos Hebreus,

a afirmação de que

não temos aqui embaixo,

cidade permanente,

mas buscamos

a que a de vir’.

Epístola aos Hebreus, 13,14.

 

Infinito,

tu me atrais

e me seduz.

 

Deixo-me seduzir

porque me agradas

e me convence.

 

E te aceito

porque me promoves.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com

leia outros textos

sobre o infinito em meu blog

https://heiposworld.blogspot.com/


quinta-feira, 20 de junho de 2024

899.- Jardim infinito.



Gosto de me colocar na sua frente

como alguém que quer estar

em boa companhia,

conversando ou dialogando

sobre assuntos diferentes

daqueles que falamos

rotineiramente.

 

O tema sobre o infinito

não é comum nas nossas conversas

porque,

em primeiro lugar

é algo desconhecido, e

em segundo lugar

porque não desperta

nenhum interesse imediato,

em terceiro lugar

porque não é um tema focado pela mídia,

em quarto lugar

porque não temos nenhum conhecimento

dessa dimensão que nos escapa,

mas atrai e seduz.  

 

Ora, ora, que desperdício espiritual.

 

Já possuímos essa capacidade espiritual,

então, usemos ela para viajar

e conhecer parte do infinito.

 

Permita-me

que me atreva a ser atrevido.

 

Permita-me

que saia da órbita terrestre,

e tente te levar junto, passearmos

pelos jardins infinitos do universo.

 

           Do que é que mais gostamos 

           quando visitamos a casa 

           de algum amigo? 


Ou qual é o lugar ou cômodo

que nos faz lembrar, da nossa casa

onde passamos a infância? 


Quem morou em casa sabe:

as lembranças do jardim

é que ficaram gravadas

em nossa memória.

 

E aqui estamos nós, nesta Terra,

recordando dos jardins da nossa infância.

 

Mas, e se existir um outro jardim,

maior, em outro mundo,

fora daqui, das fronteiras da Terra,

que é infinito, e ainda, desconhecido?

 

Por que ninguém se atreve

a pesquisá-lo?

A interessar-se por ele?

 

Bilhões de estrelas existem.

Milhões ou bilhões de galáxias também.

 

Quantos passeios e outros programas

poderemos realizar no jardim infinito

do nosso paizão do céu.  

 

O espírito viaja muito mais rápido

que a velocidade da luz. 

 

Conheçamos então, essa potência,

nossa faculdade espiritual,

e aprendamos a voar,

viajar pelo infinito.

 

Juntos passearemos pelo infinito

a partir do momento em que o tempo

não exercer mais nenhuma influência

sobre nossa nova maneira de ser.

 

Vamos explorar o que Deus nos deu

e perceber o enorme potencial que somos,

principalmente este enorme potencial

que é a capacidade espiritual. 

 

Pucha vida! Que coisa maravilhosa!

 

Chegou o momento de começar

a olhar para fora

do nosso pequeno jardim,

e libertarmos o nosso espírito,

e dar-lhe a liberdade

para a qual ele existe

e que deseja expressar.

 

Nosso espírito,

mal ensinado, mal-educado,

sofre como prisioneiro

em um mundo cultural fechado

pelas fronteiras das ambições terrenas.


Vamos nos concentrar

nas possibilidades. 

 

Reconheçamos que já somos

uma possibilidade infinita.

 

Somos uma potência espiritual,

desconhecida.

 

Vivamos de acordo

com o que há de mais excelente em nós,

e o mundo será um espelho dos nossos ideais.

 

Imortalizemo-nos tanto quanto for possível. 

 

Se somos herdeiros dos céus

ocupemo-nos com a herança.

 

Acreditemos nas promessas eternas

e invistamos nosso potencial nessa obra.

 

Vejam como as estrelas

que moram tão distantes

parecem tão próximas.

 

Observem como elas piscam para nós.

 

Nossos olhos já enxergam o infinito.

 

Por isso, repetimos mais uma vez,

convém sonhar e tudo fazer

para alcançar a estrela

que nos parece inatingível.

 

De novo, vamos reler

e tentar penetrar

no interior destas poucas linhas abaixo.

 

Experimente degustar

cada palavra, cada frase.

 

Deixe aflorar

em teus pensamentos e emoções

algumas sementes.

 

Preste atenção nas intuições

que irão surgir.

 

Leia mais como profeta

do que como poeta

o texto do escritor espanhol

Miguel de Cervantes,

O Homem de La Mancha: 


Esta é a minha ambição:

       Seguir a estrela.

      Não importam os fracassos.

      Não importa a longa distância.

      Lutar pelo que é justo, 

   sem hesitar nem duvidar.

 

Estar disposto a descer ao inferno 

  por uma causa divina.

 

    Sonhar o sonho impossível.

 

        Lutar contra o inimigo invencível.

 

             Suportar a tristeza insuportável.

 

                    Chegar aonde os heróis não chegam.

 

                        Corrigir os erros irreparáveis.

 

                            Amar além do amor puro e casto.

 

                               Lutar com os braços esgotados.

 

                                   Alcançar a estrela inatingível.

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com


Criado e publicado no FACE e no Blog em 20/06/2024.