Nossa cabeça
é
tão pequena
e
vive tão cheia,
a
ponto, de, às vezes,
doer.
A
mochila,
na
qual colocamos as coisas
para
a viagem nesta vida,
está
ficando cada vez mais pesada.
Nossa
natureza
é
de peregrino,
caminhante,
andarilhos
pelos
caminhos da Terra.
Existe
algo muito estranho
na
natureza humana
que
quer ter muito conhecimento,
quer
ter muitas coisas
para
colocar na mochila,
e,
não sabemos administrar
tudo
o que vamos incorporando
em
nossa vida.
Nossa
casa está cheia.
Nosso
quarto, nossos armários,
nossas
gavetas estão repletas,
sem
espaço para mais nada.
E
usamos tão poucas coisas.
Aí
vem o sábio
e
diz para a gente desapegar,
esvaziar
a mochila,
para
sofrer menos
e
para curtir melhor
a
caminhada.
Separar
o que é essencial,
aquilo
que é importante
daquilo
que atrapalha.
Os
conselhos
que
as pessoas mais idosas nos dão
é
para dar um jeito de descarregar
o
que não agrega valor
para
a caminhada.
Convém
ouvi-los
porque
percorreram
muitos
quilômetros,
anos
de experiências
mais
do que nós.
Descarregar
o
que não agrega
e
não colabora
para
que a viagem
seja
aproveitada.
Quando
conversamos
com
aqueles que estão
a
milhares de passos à nossa frente,
ouvimos
deles, a voz da experiência,
“não
se sobrecarreguem de inutilidades”.
Sentimos
pena das pessoas
que
vivem sob a tirania da pressa,
do
estresse e da ansiedade,
das
ilusões para acumular
o
que não lhes preenche.
Perdem
a qualidade de vida,
não
degustam as paisagens
não
percebem
os
encantos e os recantos
da
natureza.
Ao
invés de investirem valores
no
aprimoramento do olhar,
no
aperfeiçoamento do ouvir e do degustar,
empatam
as energias para comprar
o
que não precisam.
E
logo descartam
porque
não lhes preenche
a
profundidade da sua alma
que
anseia por plenitude.
e tornamos pesado nosso andar,
não nos permitindo correr nem dançar.
Para
a caminhada,
para
a escalada,
sabedoria
acima,
necessitamos
só de algumas coisas,
da
companhia de alguns,
do
cajado, do mapa, da água,
e
da mochila,
com
algumas mudas de roupa,
o
saco de dormir
e
uma capa de chuva.
As
pousadas no meio do caminho
nos
darão oportunidades
para
as curtas refeições
e
os longos descansos.
Não
se deve encher a mochila
com
aquilo que não se vai usar.
Para
uma viagem curta,
de
apenas alguns anos,
convém
preencher o espaço interior
com
aquilo que a alma almeja,
não
só com o que o corpo deseja.
Na
caminhada da vida,
quando
se perceber cansado,
pare,
descanse e,
esvazie
um pouco mais sua mochila,
e
andarás mais ligeiro e alegremente.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Criado
e publicado no Blog
e
no FACEBOOK em 23/03/2024
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