sábado, 23 de março de 2024

895.- Com a mochila quase vazia.

 

Nossa cabeça

é tão pequena

e vive tão cheia,

a ponto, de, às vezes,

doer.

 

A mochila,

na qual colocamos as coisas

para a viagem nesta vida,

está ficando cada vez mais pesada.

 

Nossa natureza

é de peregrino,

caminhante,

andarilhos

pelos caminhos da Terra.

 

Existe algo muito estranho

na natureza humana

que quer ter muito conhecimento,

quer ter muitas coisas

para colocar na mochila,

e, não sabemos administrar

tudo o que vamos incorporando

em nossa vida.

 

Nossa casa está cheia.

Nosso quarto, nossos armários,

nossas gavetas estão repletas,

sem espaço para mais nada.

 

E usamos tão poucas coisas.

 

Aí vem o sábio

e diz para a gente desapegar,

esvaziar a mochila,

para sofrer menos

e para curtir melhor

a caminhada.

 

Separar o que é essencial,

aquilo que é importante

daquilo que atrapalha.

 

Os conselhos

que as pessoas mais idosas nos dão

é para dar um jeito de descarregar

o que não agrega valor

para a caminhada.

 

Convém ouvi-los

porque percorreram

muitos quilômetros,

anos de experiências

mais do que nós.

 

Descarregar

o que não agrega

e não colabora

para que a viagem

seja aproveitada.

 

Quando conversamos

com aqueles que estão

a milhares de passos à nossa frente,

ouvimos deles, a voz da experiência,

“não se sobrecarreguem de inutilidades”.

 

Sentimos pena das pessoas

que vivem sob a tirania da pressa,

do estresse e da ansiedade,

das ilusões para acumular

o que não lhes preenche.

 

Perdem a qualidade de vida,

não degustam as paisagens

não percebem

os encantos e os recantos

da natureza.

 

Ao invés de investirem valores

no aprimoramento do olhar,

no aperfeiçoamento do ouvir e do degustar,

empatam as energias para comprar

o que não precisam.

 

E logo descartam

porque não lhes preenche

a profundidade da sua alma

que anseia por plenitude.

 

Nós, os humanos,

fomos criados para caminhar

e estacionamos para acumular

e tornamos pesado nosso andar,

não nos permitindo correr nem dançar.

 

Para a caminhada,

para a escalada,

sabedoria acima,

necessitamos só de algumas coisas,

da companhia de alguns,

do cajado, do mapa, da água,

e da mochila,

com algumas mudas de roupa,

o saco de dormir

e uma capa de chuva.

 

As pousadas no meio do caminho

nos darão oportunidades

para as curtas refeições

e os longos descansos.

 

Não se deve encher a mochila

com aquilo que não se vai usar.

 

Para uma viagem curta,

de apenas alguns anos,

convém preencher o espaço interior

com aquilo que a alma almeja,

não só com o que o corpo deseja.

 

Na caminhada da vida,

quando se perceber cansado,

pare, descanse e,

esvazie um pouco mais sua mochila,

e andarás mais ligeiro e alegremente.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Criado e publicado no Blog

e no FACEBOOK em 23/03/2024

eneaspb@gmail.com

 

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https://heiposworld.blogspot.com/

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