domingo, 26 de abril de 2026

1092.- Deus. Dificuldades ou facilidades para crer no Deus Criador.


 Para mim não existem ateus.

 

Existem pessoas que usam parcialmente,

ou imperfeitamente sua capacidade mental,

seus pensamentos, ou o seu método

de conhecimento.

 

O ateu quando diz

que não acredita no Deus Criador

está dizendo que está usando pouco

a sua inteligência reflexiva,

comparativa, dedutiva ou indutiva.

 

O ateu ainda não percebeu como pensa,

como se processa o seu conhecimento,

como nascem seus pensamentos,

como a consciência fala com ele.

 

O ateu ainda não conhece

como funciona os seus olhos.

 

Como que ele traz para dentro de si

as imagens ou as realidades

que vê lá fora de si e,

com os olhos fechados

recorda os detalhes do que viu

com os olhos abertos.  

 

O ateu não conhece

quase nada de anatomia.

 

Não compreende

como pode haver tanta unidade

dentro deste corpo físico,

que funciona tão bem,

automaticamente,

sem necessidade de dar um comando

para que comecemos a dormir

ou para que acordemos pela manhã.

 

O ateu ainda não olhou

para o céu noturno,

curioso,

com perguntas para si mesmo,

sobre a ordem de funcionamento do universo

e sobre os espaços infinitos fora do alcance

da nossa visão e da nossa compreensão.

 

Quem pinta as cores do pôr do sol?

Quem inventou a chuva?

Quem inventou a água?

Quem planejou

as estações do ano?

 

Quem foi que criou o ateu?

 

Não é tudo isso prova

de que esse Alguém,

que criou o ateu,

também o ama?

 

Ama dando-lhe vida.

Dando-lhe liberdade.

Dando-lhe o cérebro.

 

Dando-lhe a Criação toda,

o mar, as montanhas,

os animais, os passarinhos,

o vento, o ar para respirar.

 

Aquele que criou o ateu

chamou-o para a vida.

 

Não o deixou na arquibancada da vida,

só para assistir e aplaudir os outros.  

 

Escalou-o para jogar no time principal.

Ele espera ver os teus gols,

os teus shows.

 

O Técnico, Engenheiro, Artista Eterno,

O Criador, deu a todos nós, viventes,

a Criação toda, o mar, as montanhas,

os animais, os passarinhos.

 

Para o ateu o Deus Criador

também deu a capacidade

para fazer perguntas,  

de pesquisar, de inventar,

de criar.

 

Ele nos criou capacitados.

Deu-nos pés para andar,

cérebro para criar

e mãos para usar ferramentas.

 

Deu também a força de vontade

para ir atras das respostas, para mudar,

transformar, construir coisas melhores.

 

Nos deu amigos, parentes e família.

 

Nos encheu de irmãos

em iguais situações e condições.

 

Quem inventou algo,

deixa um pouco de si

na sua invenção.

 

Quem se conhece,

percebe que tem a capacidade

de conhecer o seu Criador.

 

Como? - Pelas semelhanças

que existem entre o Criador

e suas criaturas.

 

O ateu é um deusinho

desconhecido de si mesmo.

 

    O Criador da Terra e do Universo,

    Depois de criar todas as coisas

    criou também o ateu,

    e olhou para ele e disse:

    “Também tu, estás bem-feito”.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com

 

Criado e publicado no BLOG

e no FACE em 26/04/2026.  

 

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terça-feira, 21 de abril de 2026

1091.- Ateísmo ou Ceticismo.



 Vivemos respirando e transpirando

dentro de um contexto cultural

onde muitos valores deixaram de ser referência

e, por isso, vivemos envolvidos

por uma pastosidade mental

que não facilita a aquisição

de uma clareza mental.

 

Para que haja clareza mental,

discernimento, escolhas prudentes e sábias

em nosso pensar e falar,

alguns ingredientes são necessários.

 

O pensamento correto,

chamado pensamento científico,

pede que o ser humano, queira conhecer,

queira adquirir conhecimento,

queira conhecer as causas e a finalidade,

queira saber de onde veio, para onde vai

e o que está fazendo aqui.

 

Todo e qualquer tipo de conhecimento

só se acalma quando busca

o objetivo da verdade.

 

Enquanto não estamos satisfeitos

com o nosso mundo cultural

significa que estamos

no caminho da busca.

 

O conhecimento mais simples

é o conhecimento da fé,

onde há muitas dúvidas

e insegurança.

 

O segundo meio mais amadurecido,

e mais difícil, e mais exigente,

é o conhecimento filosófico.

 

É um método que nasce

ao se fazer perguntas.

 

As perguntas (curiosas a princípio)

se tornam hábitos, mais tarde,

e servem de motor de arranque

para procurar as respostas.

 

Respostas

que correspondam à verdade

que reside em nosso espírito,

sempre sedento.

 

O correto pensar supõe

organizar o pensamento.

 

Isso pede a ação

de peneirar, separar,

escolher, decidir o que falar,

o que pesquisar.

 

O terceiro nível do conhecimento,

já é o nível científico, próprio das ciências,

que, partindo da dúvida (fé)

eleva-se para as perguntas (filosofia)

para adquirir precisão no ato de pensar (ciência).

 

Este terceiro nível

é onde acontece o conhecimento lógico,

exato, usando as ferramentas da matemática,

geometria e física.

 

Com estes métodos de conhecimento,

o conhecimento se torna prático

e se comprovam, com as invenções

ou descobertas.  

 

Só neste estágio, se encontra a certeza,

a resposta final, absolutamente verdadeira.

 

A ciência se torna a fé batizada,

crismada e santificada.

 

A ciência traduz as leis

com que o Criador fez o universo.

 

Entre as ciências,

está a Teologia,

o estudo sobre Deus.

 

Veja o caminho:

A dúvida (da fé),

aprofundada (pela filosofia)

é comprovada (pela ciência).

 

As teorias formuladas pela Filosofia,

se verdadeiras, se traduzem em leis científicas,

inquestionáveis, comprovadas.

 

Os físicos

traduzem em fórmulas matemáticas

as provas, as certezas.

 

Se o nosso pensar não for objetivo,

direcionado para a busca da verdade,

vira tudo papo furado, viagem na maionese.

 

E por isso que quase nunca saímos satisfeitos

após conversas com nossos amigos,

porque ficamos só na periferia,

no bate papo sobre os assuntos

que a “Torre de Babel”

está comentando no momento.

 

Pensar corretamente

supõe ler e pesquisar conteúdos

que satisfaçam às nossas perguntas,

aos nossos anseios mais profundos.

 

Supõe escutar

os sussurros da alma.

Supõe antenar-se

na sintonia fina do espírito.  

 

O primeiro passo

na busca da verdade

está no ceticismo.

 

O que é uma pessoa cética?

 

Não é ser como o ateu,

que de cara diz:

“Não acredito em nada

que não possa ver ou tocar”.

Não acredito em Deus

e a nada que se refira a Ele”.

 

Esse já desistiu.

Nem chegou a perceber

que tem a capacidade de pensar.

 

Sem perceber que o seu pensar

faz dele um ser especial,

capaz de desenvolver

e organizar o seu pensamento.

 

O Cético, por outro lado,

tem dúvidas.

E, a partir das dúvidas,

coloca sua capacidade de pensar em ação.

 

E adquire o hábito de perguntar-se.

 

E, inteligentemente,

busca as respostas.

 

E, quem procura acha,

vai encontrando migalhas de verdades

por onde caminha e,

assim, vai aumentando cada vez mais

a sua sede pela verdade absoluta.

 

O Cético

olha para cima,

para o Céu

e faz perguntas ao Céu.

 

O Ateu,

com os olhos baixos,

olhando para a Terra,

nem pergunta,

de onde ela veio.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com   41 98854 5166

 

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domingo, 19 de abril de 2026

1090.- Amor sob o enfoque da Ciência Quântica.


Atualizando-nos

na linha da evolução,

mais do que nunca,

convém a todos nós, cristãos,

estudar e entender um pouco, ou bastantão,

como as leis da física quântica elevam,

promovem e dignificam a energia do amor.

 

O amor é visto pela ciência

como o elo que unifica tudo o que foi criado.

 

A Física Quântica,

com suas descobertas,

fortalecem os princípios do Fraternismo Cósmico,

inaugurado por São Francisco de Assis

ali pelos anos de 1225.

 

São Francisco de Assis,

em um momento

de elevado estado espiritual e afetivo,

assim rezava:

Louvados sejas, meu senhor,

pela irmã água, pelo irmão fogo,

pela irmã lua, pelo irmão sol,

pelo irmão lobo, pela irmã morte.

 

Ele via todas as criaturas

como irmãos ou irmãs porque,

originadas de uma mesma fonte,

o Pai bondoso, o Criador do Universo,

o Cientista por excelência,

que tudo criou por amor

e para serem amados ou amadas. 

 

A física quântica, sintetiza,

preconiza, que tudo está interligado.

 

Nós, ou cada de nós com os outros (vivos ou mortos);

nós com a natureza, com os rios, florestas e mares;

nós e o universo, finito e infinito;

nós com as estrelas e galáxias.

 

Essa ligação, essa energia,

essa força invisível, é o amor.

 

Só pode ser o amor,

o código, a senha, o ingrediente,

com a qual o Deus Criador tudo criou.

 

Pela energia do amor

podemos estar mais intimamente ligados

ou interligados com aquilo

ou com aquelas pessoas

que amamos.

 

Se o amor é a energia primária, universal,

o amor torna tudo presente,

as coisas e pessoas do passado, do futuro,

trazendo tudo para o momento atual.

 

Aquilo que amamos

está presente em nossa memória,

em nosso coração, se o amor está ativo.

 

A dimensão eterna sempre está presente.

 

A eternidade

é o momento presente

ligado à fonte primordial,

a causa primeira do existir.

 

Nós, cristãos,

estamos diante de uma imensa possibilidade

de encher mais ainda nosso tanque de amor

e aumentarmos nossa produtividade cristã,

estudando o amor sob a perspectiva científica,

a partir das ramificações da Física Quântica.

 

O amor deseja,

em sua sede mais profunda

estar unido ao objeto amado.

 

O amor, em sua natureza,

é uma força unitiva.

 

Veja por exemplo,

como o contrário, o ódio,

é uma força separativa.

 

Quanto mais o ser humano ama

ou pratica o verbo amar

em todas as suas manifestações,

do pensamento ou das ações,

mais uno se torna.

 

E, mais uno, mais eficiente,

mais forte, mais coerente,

mais verdadeiro, mas divino,

e por isso, mais perfeito.

 

O amor é a força aglutinadora,

unificante, na Terra.

 

O amor produz a colaboração ativa,

o intercâmbio da positividade

entre todos os elementos da Terra.   

 

“Não resta aos homens uma alternativa,

a não ser amarem-se mutuamente

como membros inseparáveis

de um mesmo sistema pensante,

transformado em energia amorosa,

que vai, lentamente, tomando conta,

de todos os projetos e ações humanas”.

Pierre Teilhard de Chardin

 

A energia amorosa

é uma energia divina da evolução.

 

O Amor, visto hoje pela ciência,

é a nova energia construtora do mundo.

 

“A Terra adquire a consciência

de que o Amor é a única garantia

de preservação e segurança

da humanidade”.

Pierre Teilhard de Chardin.

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com   41 98854 5166


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terça-feira, 14 de abril de 2026

1089.- O homem é um caniço, mas um caniço pensante. Blaise Pascal

 

O homem é um caniço,
mas um caniço pensante. Blaise Pascal*
 

Blaise Pascal* nasceu em 19/06/1623 
e morreu em 19/08/1662.
Foi cientista, físico, filósofo, 
matemático e teólogo francês.
Nasceu em Clermont-Ferrand, França 
e morreu em Paris, França.
Foi um dos pensadores que mais profundamente percebeu
a pequenez do ser humano, mas não ficou só aí,
percebeu também a nossa grandeza.

 
      Percebemos a grandeza
      para a qual fomos criados? 
 
      Desconhecemos, ignoramos sim,
porque nada ou quase nada tem feito
para escapar dos limites
que se apresentam à condição humana.
 
Duas observações são necessárias
para motivar o desenvolvimento deste texto.
 
Primeira: somos daqui, da terra.
Aqui nascemos, vivemos,
agitamo-nos e morremos.
Segunda:
desconhecemos a grandeza
para a qual fomos projetados. 
 
Desconhecemos e não damos
a devida importância a esta realidade. 
 
E não nos importamos. 
 
Estas atitudes confirmam
que usamos muito pouco do potencial
que temos à disposição. 
 
Não estamos sendo
suficientemente inteligentes. 
 
Considero mais uma atitude de fraqueza
do que de coerência. 
 
É incoerente não dar importância
a algo que é de extrema importância.
 
Destas duas afirmações
a primeira
é mais fácil de aceitar,
por ser evidente. 
 
Estamos aqui
e tudo o que acontece por aqui
nos é familiar e fácil de digerir. 
 
Vemos, lemos, tocamos, medimos,
ingerimos, avaliamos, somamos,
registramos e raramente fica alguma coisa
sem explicação. 
 
A segunda afirmação pode ser tão verdadeira,
mas não atrai nossa curiosidade
porque não estamos habituados
a entrar no campo do diferente,
uma dimensão acima
da qual estamos acostumados. 
 
A dimensão da galinha
está na via horizontal.
 
A da águia
está na dimensão
de altura e horizontalidade.  
 
Esta segunda dimensão exige o esforço. 
 
O esforço é a senha
que abre os arquivos do aperfeiçoamento. 
 
Nesta segunda dimensão,
há o necessário esforço para decifrar códigos,
vislumbrar sinais, acenos, pistas, acenos.
 
Exige um pouquinho de esforço,
mas compensa. 
 
Uma das leis da vida
é que todo esforço compensa. 
 
Toda atitude de moleza enfraquece,
despersonaliza e aliena. 

Queremos fortalecer as afirmações acima 
com a frase do jornalista americano Orison Swett Marden*
“O maior pecado do ser humano 
é ignorar suas forças interiores, 
seus poderes criadores e sua herança divina”. 
*Orison Swett Marden 26/07/1850-10/03/1924. 
Foi jornalista, editor e escritor americano. 
Nasceu em Thornton Gore, New Hampshire/EUA. 
Fundador da revista Sucesso. Autor do Livro: 
Empurrando para frente. 
Seus temas relacionam-se à força de vontade 
e pensamento positivo.

E, para que reconheçamos a importância do assunto queremos tratar neste capítulo, transcrevemos a frase de um dos cientistas da atualidade dentro do campo da física teórica e quântica, Stephen William Hawkin*: “Se confinássemos nossa atenção somente aos problemas terrestres, estaríamos limitando o espírito humano”. Stepen William Hawking 08/01/1942-14/03/2018. Foi físico teórico e cosmólogo ingles. Especialista no campo da relatividade e gravidade quântica. Doutor em cosmología. É portador da doença ‘distrofia neuromuscular’, semelhante à esclerose, deixando-o quase paralisado. Nasceu em Oxford, Reino Unido, e morreu em Canbridge, Reino Unido. 

      Parece que alguma coisa está errada na humanidade que não percebe a abertura para alguma coisa maior, superior ao natural. 

Essa atitude de indiferença gera a desmotivação para a pesquisa daquilo que não é conhecido.

O comportamento, a psicologia e a filosofia de algumas pessoas demonstram que muitas potencialidades naturalmente humanas permanecem pequenas dentro do estoque dos nossos projetos, anseios e ideais. 

Muitas capacidades que existem em nós já deveriam estar em estágio adiantado, mas permanecem na infância ou na adolescência da maturação.

Como adolescentes, opomos resistências a certos princípios educativos que facilitam o desabrochar e o amadurecimento da personalidade infinita que existe latente dentro do ser humano.

Desconhecer a verdade sobre a natureza, sobre o universo, sobre o sentido da vida, provoca desequilíbrios na pessoa. 

Desconhecer a grandeza da pessoa humana bem como a grandeza do universo pode influenciar negativamente o humor e o sentido da vida de muita gente. 

Por ser imagem e semelhança com o Criador, o ser humano não cresce se não procurar identificar-se e assimilar as qualidades do seu Pai, na sua vida.

 As doenças, os hospitais, as depressões testemunham e confirmam a influência da ignorância, do desconhecimento das leis fundamentais da vida, como a lei do amor e do serviço.

 Ser útil para os outros é a fórmula e a resposta do sentido da vida e do equilíbrio no relacionamento humano entre as profissões e profissionais. 

 Quase todos os nossos projetos estão elaborados para o horizonte terráqueo, dentro dos limites geográficos e dentro do alcance das nossas visões pessoais.

 Acordemos os engenheiros e arquitetos que reconstruirão a nova Torre de Babel, agora construída sobre novos fundamentos: o fundamento do Heipo. 

 Como o Heipo queremos subir, ver no céu, nosso definitivo aposento. A motivação que levou à construção da Torre de Babel estava correta, construções para cima, para o céu. 

Queremos uma casa permanente, lá em cima, onde teremos uma vista para todos os cantos do universo infinito.

 Algumas coisas na vida funcionam como os carros que precisam ser reabastecidos nos postos de gasolina. Quando o carro está pifando, e a luzinha avisando que a gasolina já está na reserva, procuramos um posto e reabastecemos.

 Acontece na vida, muitas e muitas vezes, sinais de desanimo.  Quando menos percebemos, encostamos o carro da nossa vida na garagem do abatimento, das frustrações e decepções, e ficamos lamentando a falta de motivação, ideias, entusiasmo e inspiração.

 Ora, quando algo nos falta, ou quando algo começa a nos preocupar, a lógica nos impulsiona para a busca das soluções. Reabastecemos o veículo com combustível. Reabastecemos nossos ideais com pesquisa, conhecimento e motivações.

 A busca da solução é comparável ao ato de procurar um posto de gasolina para encher o tanque quando percebemos que está quase faltando combustível. 

 Vou apresentar para vocês um posto de gasolina, com combustível apropriado para esta parte do texto. Encha o teu tanque de motivações sobre a verdadeira grandeza que somos nós. E saibamos também quais as promessas que nos foram feitas pelo Criador, nosso Pai dos céus.

 Vamos então encher o tanque com as convicções sobre a nossa grandeza, esse potencial tão desconhecido, lendo e assimilando o que os escritores abaixo deixaram registrado.

 

"A grandeza é uma condição espiritual." Mathew Arnold*.Matthew Arnold 24/12/1822-15/04/1888. Foi poeta e crítico literário inglês. Nasceu em Laleham e morreu em Liverpool, Reino Unido.

 Este poeta percebeu que o valor maior que existe no ser humano é a sua capacidade espiritual. Cultivar o que há de melhor e maior em cada um de nós, é bom senso e sabedoria. Ignorar esta capacidade ou não lhe dar a devida atenção é o maior de todos os defeitos que a pessoa humana pode cultivar.

 "Dizer que o homem é uma mistura de força e fraqueza, de luz e treva, de pequenez e grandeza, não é julgá-lo, é defini-lo." Denis Diderot*. Denis Diderot 05/10/1713-31/07/1784. Foi escritor, filósofo e ensaísta francês. Nasceu em Langres, França e morreu em Paris, França.

 Esta frase justifica e dá forças para o título deste texto. 

 Somos, portanto, seres especiais, portadores de potencialidades que nos projetam para além do que somos e aparentamos. Estas potencialidades agitam-se em nossas entranhas, esperando, como as sementes, explodir, serem descobertas, treinadas e aperfeiçoadas.

 Seremos pessimistas, tristes e derrotados se ficarmos, como as galinhas que possuem asas e não voam. Nestas condições, focados na terra, os olhos direcionam-se só para baixo, ciscando o chão da vida, envolvidos com o pessimismo e tudo o que condiciona e se relaciona a este fator de fracasso.  Não é este nosso ideal. O personagem Heipo vem com outra proposta.

 Voltamos ao conteúdo do livro do escritor Leonardo Boff*, “A Galinha e a Águia: uma metáfora da condição humana”, para fazer algumas reflexões a partir do rico conteúdo que se encontra no livro. 

 O escritor compara as duas dimensões na qual o ser humano está envolvido: a dimensão da terra e a dimensão do infinito que está dentro de nós. 


Seremos possuidores 

de um comportamento otimista e alegre se, 

como as águias, possuidoras de asas, 

experimentarmos a liberdade dos espaços, 

e voarmos alto, procurando as oportunidades 

que o universo disponibiliza”. 

Leonardo Boff 14/12/1938.

É teólogo, filósofo, escritor e professor universitário brasileiro.

Nasceu em Concórdia/SC.

Expoente da Teologia da Libertação no Brasil. 

A Águia e a Galinha: uma metáfora da condição humana.

Editora Vozes, Petrópolis–RJ. 

 

Este livro proporciona um aprofundamento 

necessário à compreensão 

do que aqui foi abordado rapidamente.

 

As galinhas desde sempre, 

possuem asas. 

 

Elas voavam. 

 

Lá pelas tantas da caminhada, os homens se tornaram caçadores. Tinham dificuldades para caçar galinhas. Tiveram a ideia de criá-las fechadas ou cercadas. As galinhas criadas em ambiente fechado, com o tempo deixaram de voar, mesmo soltas. Das galinhas criadas soltas, cortavam as asas. E elas já não podiam voar. Hoje, as galinhas, mesmo as soltas, já não voam mais. Continuam tendo asas. Mas por que não voam mais? Acostumaram-se. Atrofiaram uma das suas potencialidades. Adaptaram-se ao conforto, à acomodação. Não exploram mais lugares novos, situações novas.

 Trazendo o exemplo para a nossa vida, temos que fazer uma reflexão. 

          Não temos asas e não voamos. 

         Mas intimamente possuímos algumas capacidades que nos identificam com as águias. 

        Temos asas sim, e temos que voar. 

       Pode ser que tenhamos muito da galinha, mas temos muito mais das águias. 

        Temos asas invisíveis. Cada um de nós precisa avaliar se não está sacrificando a águia que está dentro de si. 

         Já estamos capacitados e projetados para alcançar a nova dimensão divina. 

         Desde que nascemos, nascemos equipados com asas invisíveis ... Por isso o Heipo insiste em levar o leitor a procurar recuperar a sua originalidade.

Esta originalidade está perdida em algum lugar dentro da nossa própria personalidade.

 Está escondida ou dormindo dentro de nós. 

 Pelo que vimos até agora, percebemos a riqueza e o potencial da pessoa humana. 

O reino humano está classificado apenas a uma dimensão inferior que a dimensão divina. 

 Estamos apenas abaixo dos anjos, lemos em algum lugar da Bíblia. 

Mas já estamos capacitados com alguns atributos que nos projetam para fora do reino humano. 

Porém, até o dia de hoje nossas incapacidades atuais não estão suficientemente treinadas.

Um pouco mais na frente, serão aperfeiçoadas e atingirão o nível ideal.


Pouco sabemos sobre a dimensão divina. 

 Mas é algo que precisamos saber. 
 
Não podemos fugir 
ou ignorar tal realidade. 
 
A indiferença ou apatia, neste campo, 
atrapalha ou interrompe a evolução.

 O que sabemos é que, ou aceitamos esta dimensão superior da qual já temos algo, ou negamos a existência do nosso Pai, Criador do universo, e aí tudo ficará sem explicação mesmo. 

E nós acabaremos morrendo na praia. 

Tão perto e tão longe. 

Tão íntimas e tão desconhecidas,  qualidades divinas escondidas, no ser  humano.

Na linha que o Heipo vem apresentando, percebemos que possuímos algumas características que não são próprias de nós, humanos. 

Ou melhor, são próprias dos seres humanos evoluídos, que ultrapassaram a definição e condição animal, domesticaram e canalizaram as forças dos instintos pelo comando da razão. 

E a razão ajudada pela Lei Moral e Espiritual, aperfeiçoa esta nossa pobre natureza, elevando-a para o nível da espiritualidade ou dignidade de filho do Deus Criador, ou Imagem e Semelhança Dele. 

Estas afirmações são verdadeiras. Tão verdadeiras que quase não acreditamos.

Estudando e pesquisando as capacidades de aprendizagem e domínio de nós mesmos, fomos percebendo uma força extra, enxertada ou acoplada em nossa estrutura pessoal, isto é, a capacidade espiritual que nos promove para além da animalidade e da marca registrada de humanos. 

Esta capacidade espiritual, rompe, ultrapassa a horizontalidade e projeta-nos para a dimensão vertical, da altura e profundidade, num campo ilimitado.

Neste momento podemos fazer uma avaliação da nossa caminhada até o dia de hoje: em qual das dimensões estão os nossos sonhos e projetos? 

Na dimensão horizontal ou na vertical? 

 

    Na dimensão horizontal 
    existem limites e barreiras, 
    mantendo-nos por aqui. 
 
    Na vertical há o infinito que atrai 
    e nos projeta para além de nós mesmos.
 
Lendo os livros da história, 
percebemos que ela é evolutiva. 

Se lá no distante passado andávamos de quatro, olhando quase só para o chão, evoluindo, passamos a andar só com os dois pés. 

Ficamos em pé, ficamos maiores.  

Levantamos nossos olhos e começamos a olhar para mais longe e para cima. 

Já não olhamos tanto para o chão.

E foi a partir desta situação e condição de pessoas eretas que vislumbramos um universo infinito.

Nosso criador, que é nosso Pai, mora nos céus. 

Por isso, por um instinto de saudades ou de esperanças, não nos cansamos de olhar para lá. 

 Somos filhos e herdeiros dos céus, mas ainda estamos na terra. 

Mas há uma semente viva, escondida nalguma parte de nós.

Não estamos contentes porque ainda não estamos completos. 

Ainda há muito a evoluir. 

Desta situação e condição de incompletude, brotam perguntas que viajam para além das fronteiras do conhecido pela razão.

A dimensão divina ainda não é para nós a desejada dimensão limpa, transparente e perfeita. Existem resistências em nossa natureza humana, revoltadas pelo sentimento de incompletude.

Temos apenas alguns elementos ou atributos dentro da constituição humana que nos despertam e cutucam, provocam e ficam sem respostas definitivas. 

Mas já temos experiências, e por mais fracas que sejam nos convencem. 

O principal meio disponibilizado para nós nesta aventura é a fé. 

Por mais fracos que sejamos, aceitamos as dúvidas e nos pomos a caminho, com a livre convicção que é preferível e mais vantajoso caminharmos de olhos vendados nesta escalada do que, de olhos abertos não encontrarmos as respostas definitivas para o sentido da vida e da morte. 

Aceitar a deficiência parcial das nossas faculdades neste campo não é de todo ingênuo e impeditivo, mas desafio e provocação para a busca das respostas definitivas.

Na dimensão divina está o Ser e a existência do nosso Pai Criador, o Deus Trindade. 

Nesta dimensão reside o mistério. 

Mistério não como algo que não pode ser conhecido, mas mistério como algo que é inesgotável o conteúdo de conhecimento. 

Mas o Mistério foi revelado como Pai. 

O Filho veio, esteve aqui e revelou o Pai Nosso. E a grande notícia é que somos filhos à Sua Imagem e Semelhança. Não só filhos, mas herdeiros.

Acreditar nesta verdade exigirá toda a reviravolta existencial: passar a cultivar a dimensão do invisível. 

       É o novo desafio, a nova ciência, a última e definitiva ciência.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski                                     

Criado em 12/03/2014.

Atualizado e publicado na primeira vez em 29/01/2016, com o n. 10.

Atualizado em 14/04/2026, e republicado neste BLOG com o n. 1089.

 

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