quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

76.- Adulto. A difícil promoção do adolescente para o nível do adulto.






Muitas das nossas atitudes

revelam mais o adolescente

que ainda existe em nossa personalidade,

do que o adulto não amadurecido.

 

 

Muitas das nossas atitudes de adultos não correspondem ao ideal esperado, desejado, querido e até sonhado pela humanidade. 

 

 

Ser adulto

é assumir uma vida

cheia de incômodos. 

 

 

A vida é um pacote

onde tem de tudo lá dentro.

 

 

Não dá para escolher

só o que queremos.

 

 

Vem junto, exigências, disciplina, treinamento, persistência, perseverança, argumentos irrefutáveis e, as verdades que vão se impondo como eternas referências. 

 

 

Ser adulto

é uma difícil conquista.

 

 

Primeiro é necessário entender e empreender a luta consigo mesmo, rompendo com a vida fácil de criança e de adolescente que resiste em aceitar as regras do amadurecimento.

 

 

Exige, pois, uma guerra entre dois mundos:

o mundo da irresponsabilidade

e o mundo da responsabilidade.

 

 

O mundo do faz-de-conta, da fantasia, do colorido, do bem bom, do gratuito, onde quase tudo se recebe de graça, é o mundo do ‘sem nenhum esforço’.

 

 

Na lei da evolução,

esforço e a senha que abre todos os arquivos relacionados ao aperfeiçoamento.  

 

 

A passagem para o mundo do adulto

exige briga, briga feia consigo mesmo.

 

 

Há que se matar o bicho preguiça.

 

 

Há que cutucar a onça do comodismo, com a vara curta do dever a cumprir, das obrigações a cumprir, da palavra dada a cumprir, do horário a cumprir, dos serviços a executar.

 

 

A passagem para o mundo dos adultos

exige deixar de viver o mundo

em que se era servido

e a entrar no mundo do servir os outros.

 

 

Escolher uma profissão

é escolher a forma de servir aos outros.

 

 

Deixa-se o pequeno mundo da fantasia,

dos jogos, dos filmes e das novelas,

das músicas e da dança,

do dormir tarde e levantar tarde,

e entra-se no mundo do real, do andar,

do correr, do competir, do adquirir,

do levantar cedo, do compromisso a cumprir. 

 

 

Tinha que ter aprendido

que um dia deveria entrar na arena

e torear os bois brabos

das exigências que amadurecem. 

 

 

Oh! Como é difícil essa etapa.

 

 

Como é ruim e desagradável

deixar o mundo das ilusões,

o mundo ideal que a fantasia cria. 

 

 

Os meios de comunicação

do mundo moderno

não investiu o suficiente

para ensinar as crianças e os jovens

a entrar na vida dos adultos.

 

 

No passado,

a vida difícil,

cedo ensinava a todos,

a buscar o pão de cada dia.

 

 

Os tempos de guerras,

tempos difíceis,

ensinavam mais facilmente

que os tempos de moleza,

conforto e comodismo.

 

 

Por isso, hoje,

há a oportunidade para criar-se

uma nova Universidade:

a universidade personalizante.

 

 

É esta Universidade que prepara o humano

para o ingresso no mundo do humano,

pré-estágio do definitivo mundo divino. 

 

 

Ser adulto

é sair,

através de um difícil parto,

de um mundo quente,

gostoso, aconchegante,

de um útero materno,

para um mundo externo,

frio, exigente, cheio de responsabilidades

das quais não podemos fugir.

 

 

Escolher a fuga,

desvios, atalhos,

qualquer que seja,

é escolher não amadurecer,

não preparar-se para o próximo estágio.

 

 

Ser ou tornar-se adulto

exige de cada um de nós,

atitudes de adultos,

para entrar no mundo da verdade.

 

 

Se continuarmos mentindo,

não conseguiremos entrar

no mundo dos adultos,

pois que não estaremos adaptado

ao mundo real.

 

 

O mundo da mentira

é o mundo do irreal,

da fantasia, do esconde-esconde,

da permanência no infantilismo.

 

 

Ser ou tornar-se adulto

exige de cada um,

que se procure a independência,

tornando-nos independente dos demais.

 

 

A característica das crianças

e dos adolescentes é a dependência.

 

 

O adolescente

quer se tornar independente

e não consegue.

 

 

Não consegue no começo,

por querer contar

só com as suas próprias forças

e pela pouca experiência

dentro do mundo em que hesita entrar.

 

 

 Por falta de experiência, sente-se inseguro.

 

 

A sua insegurança

demonstra sua incompetência,

e isso gera a agressividade.

 

 

O comportamento agressivo

do adolescente

revela também a falta de unidade.

 

 

A experiência

da divisão em si mesmo,

que quer e não quer,

que quer e não pode,

que quer e não sabe como,

revela o predomínio da fantasia,

do mundo ideal, da inexperiência,

e por isso resiste,

e não aceita facilmente

a realidade exigente.

 

 

A sua insatisfação

e falta de unidade interna

explode em comportamentos

ainda infantis,

de falta de controle

sob seu caráter ainda indomável,

e sua personalidade

ainda não plenamente desenvolvida.

 

 

Ser adulto é uma conquista.

 

 

E a primeira grande conquista

é a vitória sobre si mesmo,

sobre a preguiça,

sobre o conforto e comodismo,

adquiridos ao longo dos dez,

quinze ou vinte anos anteriores.

 

 

Agora, o mundo dos adultos exige.

 

 

Exige muito,

e só aqueles que lutarem

contra suas próprias molezas,

com esforço dioturno,

conseguirão vencer-se

e entrar no mundo dos compromissos

e das responsabilidades.

 

 

Adulto vencedor

é aquele que está sempre lutando

em continuar no campo

do mundo dos adultos.

 

 

Não é aquele que quer continuar

no mundo das crianças

e dos adolescentes.

 

 

Não há como retroceder.

Retroceder

ou querer permanecer no antigo

é não se adaptar nas exigências

do mundo atual.

 

 

O conflito entre a idade

do antes dos 18 acontece

quando estou já com mais de 20

me comportando como alguém

que tem menos de 18 anos.

 

 

Na arena,

no palco da vida,

percebemos que não estamos sozinhos.

 

 

Meu mundo egoístico

me aprisionava

numa visão parcial da vida.

 

 

Convivendo com os outros,

aprendemos as regras da convivência.

 

 

As regras da convivência

nos ensinam

que a sabedoria da vida

está na arte da convivialidade.

 

 

Quando nos irmanamos,

as vitórias são conseguidas mais rapidamente, com menos sofrimentos.

 

 

Não estamos sós no mundo.

 

 

Isto é motivo de alegria,

pois que, juntos, como irmãos,

nos ajudaremos

nos empreendimentos difíceis.

 

 

Por outro lado,

o egoísmo, continuando a existir,

nos revela o mundo

como um palco de competidores,

cada uma a seu modo,

querendo vencer,

sem respeitar os demais.

 

 

É aí que entra de novo,

o permanecer no mundo da criança

e do adolescente.

 

Querer continuar sendo servido

e não perceber que o mundo dos adultos

é o mundo do ser-viço,

isto é, do ser-motivador,

ser alegria, ser hum-mano,

ser um irmão,

ser um igual

dentro deste Universo.

 

 

Estamos todos numa mesma condição:

ou nos uniremos ou nos destruiremos.

 

 

Será a vitória do egoísmo

ou a do altruísmo.

 

 

O egoísmo nos mantém solitários,

aprisionados no nosso pequeno mundo.

 

 

O egoísmo nos fecha,

nos isola e nos empobrece

e por isso, também nos entristece.

 

 

Isso é que é viver no inferno...

no mundo egoístico de si mesmo.

 

 

O mundo ideal,

o céu, por assim dizer,

é viver em paz e harmonia com os outros.

 

 

O altruísmo

nos liberta para o mundo dos outros,

nos alegra, porque nos colocamos a servir.

 

 

Qualquer profissão

é um ato social de serviço,

de ser útil aos outros.

 

 

Ser motorista

é ser motorista para os outros;

ser professor, não é para mim,

é para meus alunos que sou;

ser garçom é ser para os outros,

servidor.

 

 

Qualquer profissão

é exercida em favor dos clientes,

dos necessitados,

de quem está necessitando

ser atendido. 

 

 

Servir é atender às necessidades dos outros.

 

 

 

Este é o mérito do trabalho: sentir-se útil. 

 

 

Só os inúteis não acham sentido na vida.

 

 

O que há de desonra em servir?

 

 

Ser útil e sentir-se útil

é a chave que abre a porta

da maturidade

e da realização humana.

 

 

Não há outro caminho.

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 20/02/2016.

eneaspb@gmail.com