quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

74.- Dançar. Vem, vem dançar comigo no salão do Cosmos.



 

Vem, vem dançar comigo.

 

 

Nos palcos da vida, nos salões de dança da humanidade, um par a bailar, numa unidade dual, a perfeita prova de que a dança une, distingue e aperfeiçoa as diferenças.

 

 

O masculino e o feminino,

diferentes,

com arte nos passos,

a obedecer os acordes da orquestra,

deslizam passos de perfeição.

 

 

Elementos diferentes,

luz, movimento, som,

homem, mulher,

pessoas humanas,

unindo-se na expressão corporal,

comprovam a existência da beleza

e da unidade

e se projetam para o futuro,

a bailar nos espaços siderais,

a música da eternidade.

 

 

              O exterior
revelando alma no interior.

 

 

A alegria dos passos,

expressando contentamento existencial,

a gratidão pela vida,

reconhecendo a bondade de tudo que existe

e para aquilo que fomos criados.

 

 

Temos sim um destino,

o destino de dançarinos,

no grande palco do infinito espaço

sem fronteiras, no salão do Cosmos.

 

 

Não imagino outra maneira de ser, nosso jeitão de ser lá no futuro, que não seja de dançarinos.

 

 

Que baita salão

à espera dos dançarinos eternos.

 

 

Como é bonita a dança.

 

 

Vem, vem dançar comigo.

 

 

És convidado a dançar.

Aceitas o convite?

Então, dance.

 

Dance 

como alguém 

que atende a um pedido.

 

 

Há dança. 

      Sempre e em toda parte.

             Só algumas pessoas sérias

                         não gostam de dançar.

 

 

Muitos santos não souberam resistir 

            tão grande foi o impulso para dançar.

 

 

O Rei Davi dançou na frente da Arca;

Santa Teresa

com suas castanholas também dançou.

São João da Cruz

com o menino Jesus no colo

dançou tudo que pode.

 

 

 

Francisco de Assis 

na frente do Papa 

exibiu com muita humildade 

a harmonia existente 

entre seu interior 

e os passos cheios de leveza 

e elegância.

 

 

A alegria destes amigos do Deus Pai 

era grande demais.

 

 

O ritmo dos seus corações palpitantes, 

impetuosos demais.

 

 

 

Tinham de dançar

para balançar

e deixar escapar

de dentro de si,

energias de contentamento,

esparramar de dentro para fora

a energia concentrada.

 

 

 

Se não dançassem,
explodiriam.

 

 

Era uma necessidade.

 

 

E nós.

Ah !  Senhor,

se fôssemos perdidos de amor por Ti,

não haveria mais resistências em nós.

 

 

 

Atraídos e fascinados,

arrebatados por teu amor,

seríamos suavemente forçados

a levantar-nos

para colocar nossos passos,

hesitantes e ansiosos,

no ritmo dos teus.

 

 

 

Creio que muitas vezes

ficas como aquelas mulheres

no salão, sentadas,

esperando  ansiosamente,

serem convidadas para dançar.

 

 

 

Os homens sérios...

sérios demais,

nem prestam atenção à música.

 

 

 

Sérios querendo te encontrar

ou te conhecer por estudos,

por exercícios espirituais.

 

 

 

Querem te encontrar

como pessoas sensatas e seguras.

 

 

 

Não foi por isso, Senhor,

que suscitastes esses outros bailarinos que,

cheios de alegria, dançavam contigo sua vida?

 

 

Um bom parceiro

não sabe para onde a dança o leva.

 

 

Mas segue de maneira ágil

e não de pernas duras e rijas.

 

 

Não pergunta como é o passo,

mas cada passo ele faz

em prolongamento do Teu passo.

 

 

Porquê de todo jeito querer avançar?

Quem dança bem, roda até no mesmo lugar.

Vai para a esquerda.

Vai para a direita.

Faz parada,

e desliza às vezes em lugar de dar passos.

 

 

Errada seria se a música

não levasse tudo à harmonia.

 

 

Mas nós esquecemos tantas vezes

a música do Espírito,

que marca a festa do amor.

 

 

Fazemos da nossa vida um exercício.

 

 

Não enxergamos

que em teus braços

a vida se dança,

na confiança

do ritmo ditado por TI.

 

 

A vida é cinzenta e monótona

para aqueles que ficam esperando

o convite para dançar.

 

 

Mas não aparece ninguém
para convidar.

 

 

Somos tímidos e sem jeito.

 

 

Convida-nos de novo, Senhor.

 

 

Manda mais alguns mensageiros convidar-nos.

 

 

Talvez  não estejamos

com vestes apropriadas

ou não tenhamos  a fé

no ritmo da dança

ou não tenhamos percebido

a festa que a vida  é.

 

 

Mas como percebemos

a harmonia e o ritmo?

Como entramos nesta dança?

 

 

Preparai mensageiros músicos

Poetas e artistas para nos convencerem.

 

 

Vem Senhor e nos convida de novo.

 

 

Estamos dispostos a dançar contigo,

no calor e no frio,

a dança do trabalho

e a dança da rotina.

 

 

Não ficamos ranzinzas

quando a música está em bemol;

não desistimos

quando o ritmo é cansativo.

 

 

 

Nem deixamos saber aos outros

quando nos pisam nos calos.

Não acontece isso em todas as danças?

 

 

 

Senhor, ensina-nos o lugar nessa dança

neste namoro sem jeito

e imperfeito entre nós e Tu.

 

 

Faça-nos sentir

as dissonâncias que produzimos.

 

 

Aceita nossos passos errados.

 

 

Afina-nos o ouvido

para não destoarmos

a orquestra da esperança.

 

 

Aceita-nos a fazer parte

da orquestra

para tocarmos

a sinfonia serena

da eternidade que surge.

 

 

Queremos fazer parte

da tua equipe de artistas.

 

 

Ajuda-nos Senhor,

cada novo dia

a vestir nossa humanidade

qual vestido de baile

tal como gostas ver em nós.

 

 

Faz que vivamos a vida

não como um jogo de xadrez,

onde tudo é calculado;

não como um racha extenuante,

nem como um problema intrigante,

ou um quebra-cabeça complicado,

mas como uma festa infindável

onde o encontro contigo

se renova cada vez como uma dança

nos braços das tuas graças

na onda musical do teu amor.

 

 

Senhor, vem

e convida-nos para a dança.

 


Cativa-nos com teu charme,
com teu mistério.

 

 

Envolve-nos com teu olhar amoroso.

 

 

Transporta-nos para as nuvens.

 

 

Leva-nos para o grande salão

da tua morada eterna.

 

 

Nem que não queiramos,

quero contigo dançar

uma música eterna

no som do Hino à Alegria.

 

 

Copiei e adaptei o texto acima, há muito tempo atrás, quando eu ainda dançava sem parar. 

 

Não me lembro o nome do autor nem a fonte onde encontrei esta preciosidade. 

 

Sei que é de um irmão meu que não vai dançar de bravo se o copio e divulgo. 

 

Gostaria que você lesse de novo este texto e depois, viesse dançar comigo, curtindo as letras acima.

 

A música já está tocando ao fundo,
percebes? 

 

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 19/02/2016.
       eneaspb@gmail.com 




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