Vem, vem dançar comigo.
Nos palcos da
vida, nos salões de dança da humanidade, um par a bailar, numa unidade dual, a
perfeita prova de que a dança une, distingue e aperfeiçoa as diferenças.
O masculino e o feminino,
diferentes,
com arte nos passos,
a obedecer os acordes da orquestra,
deslizam passos de perfeição.
Elementos diferentes,
luz, movimento, som,
homem, mulher,
pessoas humanas,
unindo-se na expressão corporal,
comprovam a existência da beleza
e da unidade
e se projetam para o futuro,
a bailar nos espaços siderais,
a música da eternidade.
O
exterior
revelando alma no interior.
A alegria dos passos,
expressando contentamento existencial,
a gratidão pela vida,
reconhecendo a bondade de tudo que existe
e para aquilo que fomos criados.
Temos sim um destino,
o destino de dançarinos,
no grande palco do infinito espaço
sem fronteiras, no salão do Cosmos.
Não imagino outra maneira de ser, nosso jeitão de ser lá no futuro, que
não seja de dançarinos.
Que baita salão
à espera dos dançarinos eternos.
Como é bonita a dança.
Vem, vem dançar comigo.
És convidado a dançar.
Aceitas o convite?
Então, dance.
Dance
como alguém
que atende a um pedido.
Há dança.
Sempre e em toda parte.
Só
algumas pessoas sérias
não gostam de
dançar.
Muitos santos não souberam resistir
tão
grande foi o impulso para dançar.
O Rei Davi dançou na frente da Arca;
Santa Teresa
com suas castanholas também dançou.
São João da Cruz
com o menino Jesus no colo
dançou tudo que pode.
Francisco de Assis
na frente do Papa
exibiu com muita humildade
a harmonia existente
entre seu interior
e os passos cheios de leveza
e elegância.
A alegria destes amigos do Deus Pai
era grande demais.
O ritmo dos seus corações palpitantes,
impetuosos demais.
Tinham de dançar
para balançar
e deixar escapar
de dentro de si,
energias de contentamento,
esparramar de dentro para fora
a energia concentrada.
Se não dançassem,
explodiriam.
explodiriam.
Era uma necessidade.
E nós.
Ah ! Senhor,
se fôssemos perdidos de amor por Ti,
não haveria mais resistências em nós.
Atraídos e fascinados,
arrebatados por teu amor,
seríamos suavemente forçados
a levantar-nos
para colocar nossos passos,
hesitantes e ansiosos,
no ritmo dos teus.
Creio que muitas vezes
ficas como aquelas mulheres
no salão, sentadas,
esperando ansiosamente,
serem convidadas para dançar.
Os homens sérios...
sérios demais,
nem prestam atenção à música.
Sérios querendo te encontrar
ou te conhecer por estudos,
por exercícios espirituais.
Querem te encontrar
como pessoas sensatas e seguras.
Não foi por isso, Senhor,
que suscitastes esses outros bailarinos que,
cheios de alegria, dançavam contigo sua vida?
Um bom parceiro
não sabe para onde a dança o leva.
Mas segue de maneira ágil
e não de pernas duras e rijas.
Não pergunta como é o passo,
mas cada passo ele faz
em prolongamento do Teu passo.
Porquê de todo jeito querer avançar?
Quem dança bem, roda até no mesmo lugar.
Vai para a esquerda.
Vai para a direita.
Faz parada ,
e desliza às vezes em lugar de dar passos.
Errada seria se a música
não levasse tudo à harmonia.
Mas nós esquecemos tantas vezes
a música do Espírito,
que marca a festa do amor.
Fazemos da nossa vida um exercício.
Não enxergamos
que em teus braços
a vida se dança,
na confiança
do ritmo ditado por TI.
A vida é cinzenta e monótona
para aqueles que ficam esperando
o convite para dançar.
Mas não aparece ninguém
para convidar.
para convidar.
Somos tímidos e sem jeito.
Convida-nos de novo, Senhor.
Manda mais alguns mensageiros convidar-nos.
Talvez não estejamos
com vestes apropriadas
ou não tenhamos a fé
no ritmo da dança
ou não tenhamos percebido
a festa que a vida é.
Mas como percebemos
a harmonia e o ritmo?
Como entramos nesta dança?
Preparai mensageiros músicos
Poetas e artistas para nos convencerem.
Vem Senhor e nos convida de novo.
Estamos dispostos a dançar contigo,
no calor e no frio,
a dança do trabalho
e a dança da rotina.
Não ficamos ranzinzas
quando a música está em bemol;
não desistimos
quando o ritmo é cansativo.
Nem deixamos saber aos outros
quando nos pisam nos calos.
Não acontece isso em todas as danças?
Senhor, ensina-nos o lugar nessa dança
neste namoro sem jeito
e imperfeito entre nós e Tu.
Faça-nos sentir
as dissonâncias que produzimos.
Aceita nossos passos errados.
Afina-nos o ouvido
para não destoarmos
a orquestra da esperança.
Aceita-nos a fazer parte
da orquestra
para tocarmos
a sinfonia serena
da eternidade que surge.
Queremos fazer parte
da tua equipe de artistas.
Ajuda-nos Senhor,
cada novo dia
a vestir nossa humanidade
qual vestido de baile
tal como gostas ver em nós.
Faz que vivamos a vida
não como um jogo de xadrez,
onde tudo é calculado;
não como um racha extenuante,
nem como um problema intrigante,
ou um quebra-cabeça complicado,
mas como uma festa infindável
onde o encontro contigo
se renova cada vez como uma dança
nos braços das tuas graças
na onda musical do teu amor.
Senhor, vem
e convida-nos para a dança.
Cativa-nos com teu charme,
com teu mistério.
com teu mistério.
Envolve-nos com teu olhar amoroso.
Transporta-nos para as nuvens.
Leva-nos para o grande salão
da tua morada eterna.
Nem que não queiramos,
quero contigo dançar
uma música eterna
no som do Hino à Alegria.
Copiei e adaptei o texto acima, há muito tempo
atrás, quando eu ainda dançava sem parar.
Não me lembro o nome do autor nem a fonte onde encontrei
esta preciosidade.
Sei que é de um irmão meu que não vai dançar de
bravo se o copio e divulgo.
Gostaria que você lesse de novo este texto e
depois, viesse dançar comigo, curtindo as letras acima.
A música já está tocando ao fundo,
percebes?
percebes?
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 19/02/2016.
eneaspb@gmail.com
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