quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

70.- Heipo. Alçou voo para além de tudo o que já tinha vivido.







    Numa destas tardes, caminhando pela Avenida Arthur Bernardes, percebi que um senhor andava ao meu lado, quase no mesmo ritmo, lento e tímido.  

 

     Deu um passo um pouco mais rápido, passando na minha frente, parou e voltou-se, e com um sorriso largo olhou para mim e perguntou:

 

     - Posso dar uns passos contigo?

    

     - Claro, claro que pode. Gostaria muito. É muito melhor caminhar e conversar com alguém do que caminhar e ficar conversando consigo mesmo, sofrendo as pressões do Barulho ou mesmo com a boa companhia do Silêncio.  

 

     A primeira pergunta que todo mundo faz quando encontra alguém que não conhece é ‘qual o seu nome’.

 

     Respondi sem pensar:  Heipo. Heipo é o meu nome.

 

      Um ponto de interrogação surgiu em seu olhar. Surpreso ficou mudo por alguns segundos.

 

     Isto aconteceu alguns dias antes de começar a escrever os textos do Heipo’s World.

 

     O conteúdo todo estava em minha cabeça. Não sabia por onde começar, qual o primeiro texto, como escrever e o que escrever.

 

     A resposta foi automática, sem pensar. Pudera... só tinha o Heipo na minha cabeça.

 

     Reforcei a resposta: Heipo é o nome de um personagem que não me sai da cabeça. É um mundo todo que está contido dentro da minha personalidade, não apenas no meu pensar

 

     Aí o senhor, retrucou: Heipo é apelido, nome ou sobrenome ou abreviatura de algum nome comprido?

     -    Heipo é um personagem onde estão concentradas todas as coisas boas da vida. É tudo aquilo que de melhor existe na pessoa humana. E não é só isso. Ele é o herdeiro do Reino dos céus.

 

     Olha, não quero complicar as coisas para o senhor.

 

     Então respondi como eu queria e imaginava que o Heipo fosse: respondi Heipo porque é este o nome do personagem que criei para divulgar o que escrevi, como escritor.

 

     Como escritor me perguntei o que as pessoas precisam ler.

 

     Não o que elas querem ler e nem o que acham que seria bom ler.

 

     Minha preocupação é que os textos do Heipo’s World não seja apenas literatura, mas seja atraente, profundo, vivo e verdadeiro. Que contenham palavras semi-vivas, prontas a nascer, a explodir como sementes que se transformem em árvores frondosas e que, a seu tempo, produzam frutos.

 

Que os textos do Heipo’s World

seja o ponto de partida

para as pessoas

que fazem perguntas

provocantes e motivadoras.

 

Que os textos do Heipo’s World

Abram as portas que revelem

caminhos

para as pessoas

que procuram respostas definitivas.

 

Que o personagem Heipo

de cada pessoa humana

seja despertado,

acordado,

e comece ou recomece a andar.

 

Espero e desejo

que os textos do Heipo’s World  

revele a personalidade ideal e real,

escondida ou dormindo em cada ser humano.

 

 

Percebi espanto em seu olhar

e vi que ele não estava mais ali.

 

 

        Sua pessoa estava presente, mas ele não. 

 

Alçou voo

para além,

para além de tudo aquilo

que já tinha vivido.

 

 

Não insisti mais.

 

 

 

E cada um continuou a sua costumeira caminhada, com aquele que passeava,

não mais com os pés no chão,

mas voava, sobre as nuvens,

vendo tudo lá de cima,

com o olhar renovado,

com o olhar

do Heipo.

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 17/02/2016

eneaspb@gmail.com


Nenhum comentário:

Postar um comentário