quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

64.- Filho pródigo. Você é o personagem da Parábola do Filho Pródigo.


Vamos fazer uma reflexão sobre a vida, o tempo, a liberdade e o espírito, inserindo-nos dentro da Parábola do Filho Pródigo. 

 

 

    Você é o personagem desta parábola.   

 

 

    O filho Pródigo é uma parábola que foi criada e contada pelo próprio Jesus Cristo, nas planícies ou montanhas dos vilarejos, lá por perto de Belém ou de Jerusalém, Galileia ou Samaria.

 

Antes de ler o texto abaixo, dê uma de curioso

e leia ou releia a passagem toda.

 

Pegue a Bíblia e, no Novo Testamento,

procure esta parábola.

Ela está no Evangelho do São Lucas,

capítulo 15,11-32.

 

 

          O filho mais moço dirige-se ao seu Pai e, pede:

           - Pai, dá-me meus bens.

- Dá-me a parte da herança que me cabe.

- Dá-me o que me pertence.

- Dá-me meus haveres...

 

 

          O filho pede ao seu pai o que julga ser seu.

 

 

Com arrogância ou na ignorância pede: dá-me o que  é meu. 

 

Acontece que ele recebe o que é do Pai e não o que é próprio dele. 

 

Ele como filho não teria nada, nem mesmo a vida, pois que filho ele é, não pai.

 

Filho recebe.

 

Pai gera. Pai dá.

 

O que é que pertence ao filho, se é que podemos dizer que o que é do Pai é do filho?

 

O que o filho recebe do Pai?

 

     A primeira resposta e o primeiro bem é a vida. O filho recebe do Pai a vida e tudo o que a sustenta e a envolve no tempo.

 

A segunda resposta e o segundo bem é o tempo que tem à sua disposição para exercer a sua liberdade.

 

         A terceira resposta e o terceiro bem que recebe como herança é a liberdade.

 

A capacidade de ser ou fazer o que tem condições de executar. Esta liberdade lhe é favorecida pelo espírito.

 

A quarta resposta e o quarto bem que o filho recebe em herança é o espírito

que o distingue e o caracteriza

na condição de filho. Ou aquilo que lhe é próprio como filho. Seria como um sobrenome.

 

           Vamos meditar, refletir, pensar e repensar todos este bens que o filho pródigo recebe,

como herança antecipada, do seu e meu Pai.

 

O que me caracteriza como filho do meu pai humano é, geneticamente falando,

minha hereditariedade física,

material ou carnal. 

 

A minha outra hereditariedade que possuo

é espiritual, uma vez que sou filho do Deus Pai, criador do céu e da terra e de tudo o que existe.

 

Por esta capacidade espiritual

alimento-me e sinto-me amado

de uma forma religiosa, isto é, re-ligado

ao eterno ou ao imortal.

 

Meu Pai é um Ser Extra-terretre,

isto é, mora no Infinito. 

No infinito da minha alma,

do meu espírito.

 

Ele é Eterno, Ele é Uno, Ele é Sapiente.

Ele é Oniciente. Ele é Misericordioso. 

 

Ele é o “meu Deus e meu Tudo”,

como dizia São Francisco de Assis.

 

Ele é meu e teu Pai. 

 

Caso eu ou nós não alimentemos

esta espiritualidade, esta dimensão filial,

cada um vai fazer

a experiência do filho pródigo.

 

Vai fazer a experiência de órfão,

por isso sentimos o vazio,

o distanciamento da fonte da energia, da Vida. 

 

Desorientados, sem sentido, sem norte e sem sul, sem esperanças, sem futuro,

resta-nos comer

a comida dos porcos.

 

           Ao analisarmos a história do Filho pródigo, como um personagem que pede sua herança (vida/tempo – liberdade/espírito)

e sai por aí, esbanjando, gastando, aplicando, investindo em tudo o que não lhe corresponde

à sua finalidade superior, podemos dizer que esteja se relacionando com a prostituta que, entenda-se, seja tudo aquilo que desvia da rota normal ou da forma ideal ou natural de ser.

 

Sair ou afastar-se da condição de filho

traz como consequência a falta de sentido

na vida ou a falta da esperança

numa forma ideal de viver a vida,

em harmonia e de bem com nosso Pai.

 

Não permita que o teu coração exploda

com a revelação desta verdade.

Mas é de ficar quase em condições

de explodir mesmo.

 

“Inquieto estará nosso coração enquanto não repousar em vós”, dizia Santo Agostinho.

 

Então, o tempo é algo que me diz respeito.

No tempo construímos aquilo que pode permanecer eternamente.

 

Eternidade é algo que diz respeito,

por enquanto, ao meu e nosso Pai.

 

Como Ele é meu Pai e nosso Pai,

ele quer que eu O conheça melhor,

Ele espera que cada filho o reconheça como Pai.

É por esta razão que Ele deu-me como herança,

a vida, o tempo necessário,

a liberdade e o espírito.

 

Porque introduzir esta parábola

nos textos do Heipo?

 

Você verá, lendo os textos do Heipo,

que estes temas estarão sempre presentes.

 

O Heipo, como profeta, alerta:

a vida tem uma finalidade que ultrapassa

as fronteiras da Terra;

o tempo é a matéria prima onde,

com liberdade, podemos construir

a imortalidade do espírito ...

 

Ou também, por causa da liberdade,

escolher caminhos diferentes.

 

Se escolher caminhos diferentes,

há que se arcar com a responsabilidade, justamente porque a liberdade

é um grande dom,

uma oportunidade

para aceitar o projeto Dele.

 

O filho prodigo volta

 porque viu que estes bens

recebidos antecipadamente

são as únicas ferramentas

que só tem utilidade

se estiverem unidos

na vivência

da condição e na relação Pai/filho e filho/Pai.

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 13/02/2016

eneaspb@gmail.com 






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