Vamos fazer uma reflexão sobre a vida, o
tempo, a liberdade e o espírito, inserindo-nos dentro da Parábola do Filho
Pródigo.
Você é o personagem desta
parábola.
O filho Pródigo é uma parábola
que foi criada e contada pelo próprio Jesus Cristo, nas planícies ou montanhas
dos vilarejos, lá por perto de Belém ou de Jerusalém, Galileia ou Samaria.
Antes de ler o texto abaixo, dê uma de curioso
e leia ou releia a passagem toda.
Pegue a Bíblia e, no Novo Testamento,
procure esta parábola.
Ela está no Evangelho do São Lucas,
capítulo 15,11-32.
O filho mais moço dirige-se ao seu Pai e, pede:
- Pai, dá-me meus bens.
- Dá-me a parte da herança que me cabe.
- Dá-me o que me pertence.
- Dá-me meus haveres...
O filho pede ao seu pai o que julga ser seu.
Com arrogância ou na ignorância pede: dá-me o
que é meu.
Acontece que ele recebe o que é do Pai e não o que
é próprio dele.
Ele como filho não teria nada, nem mesmo a vida,
pois que filho ele é, não pai.
Filho recebe.
Pai gera. Pai dá.
O que é que pertence ao filho, se é que podemos
dizer que o que é do Pai é do filho?
O que o filho recebe do Pai?
A primeira resposta e o
primeiro bem é a vida. O filho recebe do Pai a vida e tudo o que a
sustenta e a envolve no tempo.
A segunda resposta e o segundo bem é o tempo
que tem à sua disposição para exercer a sua liberdade.
A
terceira resposta e o terceiro bem que recebe como herança é a liberdade.
A capacidade de ser ou fazer o que tem condições de
executar. Esta liberdade lhe é favorecida pelo espírito.
A quarta resposta e o quarto bem que o filho recebe
em herança é o espírito
que o distingue e o caracteriza
na condição de filho. Ou aquilo que lhe é próprio
como filho. Seria como um sobrenome.
Vamos meditar, refletir, pensar e repensar todos este bens que o filho pródigo
recebe,
como herança antecipada, do seu e meu Pai.
O que me caracteriza como filho do meu pai humano
é, geneticamente falando,
minha hereditariedade física,
material ou carnal.
A minha outra hereditariedade que possuo
é espiritual, uma vez que sou filho do Deus Pai,
criador do céu e da terra e de tudo o que existe.
Por esta capacidade espiritual
alimento-me e sinto-me amado
de uma forma religiosa, isto é, re-ligado
ao eterno ou ao imortal.
Meu Pai é um Ser Extra-terretre,
isto é, mora no Infinito.
No infinito da minha alma,
do meu espírito.
Ele é Eterno, Ele é Uno, Ele é Sapiente.
Ele é Oniciente. Ele é Misericordioso.
Ele é o “meu Deus e meu Tudo”,
como dizia São Francisco de Assis.
Ele é meu e teu Pai.
Caso eu ou nós não alimentemos
esta espiritualidade, esta dimensão filial,
cada um vai fazer
a experiência do filho pródigo.
Vai fazer a experiência de órfão,
por isso sentimos o vazio,
o distanciamento da fonte da energia, da Vida.
Desorientados, sem sentido, sem norte e sem sul,
sem esperanças, sem futuro,
resta-nos comer
a comida dos porcos.
Ao analisarmos a história do Filho pródigo, como um personagem que pede sua
herança (vida/tempo – liberdade/espírito)
e sai por aí, esbanjando, gastando, aplicando,
investindo em tudo o que não lhe corresponde
à sua finalidade superior, podemos dizer que esteja
se relacionando com a prostituta que, entenda-se, seja tudo aquilo que desvia
da rota normal ou da forma ideal ou natural de ser.
Sair ou afastar-se da condição de filho
traz como consequência a falta de sentido
na vida ou a falta da esperança
numa forma ideal de viver a vida,
em harmonia e de bem com nosso Pai.
Não permita que o teu coração exploda
com a revelação desta verdade.
Mas é de ficar quase em condições
de explodir mesmo.
“Inquieto estará nosso coração enquanto não
repousar em vós”, dizia Santo Agostinho.
Então, o tempo é algo que me diz respeito.
No tempo construímos aquilo que pode permanecer
eternamente.
Eternidade é algo que diz respeito,
por enquanto, ao meu e nosso Pai.
Como Ele é meu Pai e nosso Pai,
ele quer que eu O conheça melhor,
Ele espera que cada filho o reconheça
como Pai.
É por esta razão que Ele deu-me como herança,
a vida, o tempo necessário,
a liberdade e o espírito.
Porque introduzir esta parábola
nos textos do Heipo?
Você verá, lendo os textos do Heipo,
que estes temas estarão sempre presentes.
O Heipo, como profeta, alerta:
a vida tem uma finalidade que ultrapassa
as fronteiras da Terra;
o tempo é a matéria prima onde,
com liberdade, podemos construir
a imortalidade do espírito ...
Ou também, por causa da liberdade,
escolher caminhos diferentes.
Se escolher caminhos diferentes,
há que se arcar com a responsabilidade, justamente
porque a liberdade
é um grande dom,
uma oportunidade
para aceitar o projeto Dele.
O filho prodigo volta
porque viu
que estes bens
recebidos antecipadamente
são as únicas ferramentas
que só tem utilidade
se estiverem unidos
na vivência
da condição e na relação Pai/filho e filho/Pai.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 13/02/2016
eneaspb@gmail.com
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