Muitas
das nossas atitudes
revelam
mais o adolescente
que
ainda existe em nossa personalidade,
do
que o adulto não amadurecido.
Muitas das nossas atitudes de adultos não
correspondem ao ideal esperado, desejado, querido e até sonhado pela
humanidade.
Ser adulto
é assumir uma vida
cheia de incômodos.
A vida é um pacote
onde tem de tudo lá dentro.
Não dá para escolher
só o que queremos.
Vem junto, exigências, disciplina, treinamento,
persistência, perseverança, argumentos irrefutáveis e, as verdades que vão se
impondo como eternas referências.
Ser adulto
é uma difícil conquista.
Primeiro é necessário entender e empreender a luta consigo
mesmo, rompendo com a vida fácil de criança e de adolescente que resiste em
aceitar as regras do amadurecimento.
Exige, pois, uma guerra entre dois mundos:
o mundo da irresponsabilidade
e o mundo da responsabilidade.
O mundo do faz-de-conta, da fantasia, do colorido,
do bem bom, do gratuito, onde quase tudo se recebe de graça, é o mundo do ‘sem
nenhum esforço’.
Na lei da evolução,
esforço e a senha que abre todos os arquivos
relacionados ao aperfeiçoamento.
A passagem para o mundo do adulto
exige briga, briga feia consigo mesmo.
Há que se matar o bicho preguiça.
Há que cutucar a onça do comodismo, com a vara
curta do dever a cumprir, das obrigações a cumprir, da palavra dada a cumprir,
do horário a cumprir, dos serviços a executar.
A passagem para o mundo dos adultos
exige deixar de viver o mundo
em que se era servido
e a entrar no mundo do servir os outros.
Escolher uma profissão
é escolher a forma de servir aos outros.
Deixa-se o pequeno mundo da fantasia,
dos jogos, dos filmes e das novelas,
das músicas e da dança,
do dormir tarde e levantar tarde,
e entra-se no mundo do real, do andar,
do correr, do competir, do adquirir,
do levantar cedo, do compromisso a cumprir.
Tinha que ter aprendido
que um dia deveria entrar na arena
e torear os bois brabos
das exigências que amadurecem.
Oh! Como é difícil essa etapa.
Como é ruim e desagradável
deixar o mundo das ilusões,
o mundo ideal que a fantasia cria.
Os meios de comunicação
do mundo moderno
não investiu o suficiente
para ensinar as crianças e os jovens
a entrar na vida dos adultos.
No passado,
a vida difícil,
cedo ensinava a todos,
a buscar o pão de cada dia.
Os tempos de guerras,
tempos difíceis,
ensinavam mais facilmente
que os tempos de moleza,
conforto e comodismo.
Por isso, hoje,
há a oportunidade para criar-se
uma nova Universidade:
a universidade personalizante.
É esta Universidade que prepara o humano
para o ingresso no mundo do humano,
pré-estágio do definitivo mundo divino.
Ser adulto
é sair,
através de um difícil parto,
de um mundo quente,
gostoso, aconchegante,
de um útero materno,
para um mundo externo,
frio, exigente, cheio de responsabilidades
das quais não podemos fugir.
Escolher a fuga,
desvios, atalhos,
qualquer que seja,
é escolher não amadurecer,
não preparar-se para o próximo estágio.
Ser ou tornar-se adulto
exige de cada um de nós,
atitudes de adultos,
para entrar no mundo da verdade.
Se continuarmos mentindo,
não conseguiremos entrar
no mundo dos adultos,
pois que não estaremos adaptado
ao mundo real.
O mundo da mentira
é o mundo do irreal,
da fantasia, do esconde-esconde,
da permanência no infantilismo.
Ser ou tornar-se adulto
exige de cada um,
que se procure a independência,
tornando-nos independente dos demais.
A característica das crianças
e dos adolescentes é a dependência.
O adolescente
quer se tornar independente
e não consegue.
Não consegue no começo,
por querer contar
só com as suas próprias forças
e pela pouca experiência
dentro do mundo em que hesita entrar.
Por falta de experiência, sente-se inseguro.
A sua insegurança
demonstra sua incompetência,
e isso gera a agressividade.
O comportamento agressivo
do adolescente
revela também a falta de unidade.
A experiência
da divisão em si mesmo,
que quer e não quer,
que quer e não pode,
que quer e não sabe como,
revela o predomínio da fantasia,
do mundo ideal, da inexperiência,
e por isso resiste,
e não aceita facilmente
a realidade exigente.
A sua insatisfação
e falta de unidade interna
explode em comportamentos
ainda infantis,
de falta de controle
sob seu caráter ainda indomável,
e sua personalidade
ainda não plenamente desenvolvida.
Ser adulto é uma conquista.
E a primeira grande conquista
é a vitória sobre si mesmo,
sobre a preguiça,
sobre o conforto e comodismo,
adquiridos ao longo dos dez,
quinze ou vinte anos anteriores.
Agora, o mundo dos adultos exige.
Exige muito,
e só aqueles que lutarem
contra suas próprias molezas,
com esforço dioturno,
conseguirão vencer-se
e entrar no mundo dos compromissos
e das responsabilidades.
Adulto vencedor
é aquele que está sempre lutando
em continuar no campo
do mundo dos adultos.
Não é aquele que quer continuar
no mundo das crianças
e dos adolescentes.
Não há como retroceder.
Retroceder
ou querer permanecer no antigo
é não se adaptar nas exigências
do mundo atual.
O conflito entre a idade
do antes dos 18 acontece
quando estou já com mais de 20
me comportando como alguém
que tem menos de 18 anos.
Na arena,
no palco da vida,
percebemos que não estamos sozinhos.
Meu mundo egoístico
me aprisionava
numa visão parcial da vida.
Convivendo com os outros,
aprendemos as regras da convivência.
As regras da convivência
nos ensinam
que a sabedoria da vida
está na arte da convivialidade.
Quando nos irmanamos,
as vitórias são conseguidas mais rapidamente, com
menos sofrimentos.
Não estamos sós no mundo.
Isto é motivo de alegria,
pois que, juntos, como irmãos,
nos ajudaremos
nos empreendimentos difíceis.
Por outro lado,
o egoísmo, continuando a existir,
nos revela o mundo
como um palco de competidores,
cada uma a seu modo,
querendo vencer,
sem respeitar os demais.
É aí que entra de novo,
o permanecer no mundo da criança
e do adolescente.
Querer continuar sendo servido
e não perceber que o mundo dos adultos
é o mundo do ser-viço,
isto é, do ser-motivador,
ser alegria, ser hum-mano,
ser um irmão,
ser um igual
dentro deste Universo.
Estamos todos numa mesma condição:
ou nos uniremos ou nos destruiremos.
Será a vitória do egoísmo
ou a do altruísmo.
O egoísmo nos mantém solitários,
aprisionados no nosso pequeno mundo.
O egoísmo nos fecha,
nos isola e nos empobrece
e por isso, também nos entristece.
Isso é que é viver no inferno...
no mundo egoístico de si mesmo.
O mundo ideal,
o céu, por assim dizer,
é viver em paz e harmonia com os outros.
O altruísmo
nos liberta para o mundo dos outros,
nos alegra, porque nos colocamos a servir.
Qualquer profissão
é um ato social de serviço,
de ser útil aos outros.
Ser motorista
é ser motorista para os outros;
ser professor, não é para mim,
é para meus alunos que sou;
ser garçom é ser para os outros,
servidor.
Qualquer profissão
é exercida em favor dos clientes,
dos necessitados,
de quem está necessitando
ser atendido.
Servir é atender às necessidades dos outros.
Este é o mérito do trabalho: sentir-se útil.
Só os inúteis não acham sentido na vida.
O que há de desonra em servir?
Ser útil e sentir-se útil
é a chave que abre a porta
da maturidade
e da realização humana.
Não há outro caminho.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 20/02/2016.
eneaspb@gmail.com
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