Longa distância
nos separa.
Você é mulher.
Eu sou homem.
Porém, ambos somos
humanos.
Ambos
incompletos,
sujeitos e objetos
amados e amantes.
Eu sou casado.
E daí,
se você também é
casada,
ou solteira,
não deixa de ser
humana,
incompleta,
sempre carente de
afeto,
ternura e atenção
carinho e
compreensão.
Você aí, e eu aqui.
Às vezes
passamos bem pertinho
um do outro.
Outras vezes,
quase nos tocamos,
perto o suficiente
para sentirmos o
perfume
de cada um.
Porém,
com os outros,
nesse passar perto,
como robôs
automáticos
desperdiçamos
oportunidades,
de fortalecer, a
alegria de compartilhar
o dom da vida.
Nesse roçar o corpo,
um no outro,
insensíveis,
esvaziamos nossa
existência
daquilo que mais
desejamos
que mais necessitamos
como humanos
que somos:
amar.
Se nos comportamos
como
insensíveis e
desumanos
nos transformamos,
despersonalizamos
nossa essência,
nosso viver.
Correndo,
sobrevivendo,
somente existindo,
passamos, um ao lado
do outro
como se estivéssemos
lá do outro lado da
rua,
do outro lado do
mundo,
separados por
preconceitos,
distantes o
suficiente
para apenas um aceno,
um gesto de
percepção.
É pouco.
Muito pouco.
Não fomos feitos
apenas um para o
outro.
O amor é para esparramar
pelo mundo. Faz bem a todos.
O Pai e a mãe
não são pais e mães
apenas dos filhos
legítimos.
Existem outros filhos
e filhas
para perceber que
estão por aí,
pela vida, também para
serem
aceitos, acolhidos e amados.
Não fomos feitos
apenas um para o
outro.
O marido, a esposa
não são propriedades
exclusivas
um do outro, fechados
para os outros.
Existem outros e
outras para amar,
para demonstrar
afeição,
carinho e ternura.
Nosso estoque de
afeto
não pode estar
disponível
apenas para o próximo,
bem próximo.
Quem mais precisa de
nós
é aquele(a) que não
tem ninguém,
que anda por aí, perdido(a),
sem se sentir
amado(a).
No meu bairro
vive uma pessoa
que passa por mim,
acompanhada,
e me olha,
dá um sorriso
e continua sorrindo
para os outros
também.
Ela não passa
para o outro lado da
rua.
Ela não muda de
pensamento.
Ela prepara sua face,
esboça um sorriso,
olha em meus olhos
e sem dizer nada,
me cumprimenta
com um leve movimento
em seu pescoço.
Não perde o passo,
nem o charme
feminino.
Não se torna infiel
nem desperta o ciúme
em seu companheiro de
jornada.
Mas não é só ela,
que assim procede.
Ainda são poucas as
pessoas,
que vivem e convivem
com outras pessoas, vivas,
alegres e
entusiasmadas,
desapegadas, abertas
e afetivas,
expressando a mais
autêntica
natureza de seres
humanos,
acolhedores, amáveis,
amantes
e não
preconceituosas.
Outra pessoa viva,
passa por mim
e diz “oi” ou um “alô”
bastante quente,
aperta minha mão,
dá um tapinha
nas minhas costas,
e pelo olhar, transmite,
mais algumas palavras
impronunciáveis.
Escuto, apaixonado,
traduzidas as
expressões:
“Você faz parte da
vida,
que partilhamos”.
“Eu te conheço.
Já te vi antes,
andando por aqui”.
Pode haver barulho,
movimento, veículos,
buzinas, sirenes,
mas, parece-me,
só nós dois estamos
vivos,
neste mundão de
insensíveis
e preconceituosos.
Existe sim, um mundo
diferente,
de quem sente, e ama
tudo e todos
que se move, que está
vivo,
palpitando, explodindo
o amor de poeta
que em si carrega.
Quando se passa
ao lado de alguém,
com atenção, com
admiração,
o calor e a energia que
transmitimos,
funciona como uma
declaração de amor:
“Você olhou para
mim”.
“Você percebeu que
passei ao seu lado”.
“Pelo mais, você
sabe que eu existo”.
Obrigado
por demonstrar amor,
para minha pessoa,
e para tantas outras
que necessitam
receber,
perceber esse seu olhar,
de atenção, acolhimento
e valorização.
Quando você passar
por alguém,
olhe-o, contemple-o, admire-o
para que ele se sinta
amado(a)
e pense assim:
“Porque você olha
para mim,
sinto-me vivo(a) e
importante”.
“Porque você me ama,
amo tudo, amo viver”.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 31/08/2017
Publicado no Blog Heipo World
e no FACE em 31/08/2017.
Atualizado em 09/02/2024.


