domingo, 6 de agosto de 2017

416.- Deus. O Deus desconhecido dá-se a conhecer através das suas criaturas.


Deve haver um jeito diferente

de conhecer o Deus, Criador do Céu,

da Terra e de todas as criaturas viventes.

 

Se não o podemos ver diretamente,

talvez, indiretamente, por suas criaturas.

 

Através das coisas criadas,

podemos conhecer o Criador delas.

 

Tantos e tantas

tentaram conhecer

e não conseguiram,

e desistiram, e perderam

o mapa e o GPS.

 

Somos do tempo.

 

Ele é da eternidade.

Não adianta teimar,

nem começar.

 

Não há como Vê-lo, diretamente,

pois que no Livro dos Livros,

na Bíblia, está escrito:

“Ninguém pode Vê-Lo

e continuar a viver”.

 

Todos queremos viver.

Ninguém quer morrer.

 

E todos temos um desejo secreto

de conhecer o Deus da Vida.

 

Como conhecer alguém

se não conviver com Ele,

se não há intimidade,

intercâmbio de afetos?

 

Como conviver com Ele

se Ele é diferente,

é perfeito, e nós,

imperfeitos.

 

Como achegar-se a Ele

senão através das suas obras

e das suas criaturas?

 

Se Ele é perfeito,

as suas obras, as perfeitas

e até mesmo as imperfeitas,

devem revelá-lo.

 

O título deste texto dá as dicas:

ouvindo o silêncio, tateando no escuro,

comendo pelas beiradas.

 

Se não conseguimos

vê-Lo diretamente,

tentemos indiretamente,

como Francisco de Assis,

no seu Cântico ao Irmão Sol.

 

São Francisco de Assis

em abril de 1224,

compõe o Cântico ao Irmão Sol,

canto de amor, ao Pai de toda a criação.

 

O Cântico do Irmão Sol

revela o desejo

alimentado por São Francisco,

e por cada um de nós,

de ver o mundo inteiro

num estado de exaltação

de intimidade e louvor

ao Deus Pai, Criador do Céu

e da Terra.

 

“Altíssimo,

onipotente,

bom Senhor,
Teus são o louvor,

a glória, a honra
e toda a bênção.

 

Só a ti, Altíssimo, são devidos;
e homem algum é digno
de te mencionar.

 

Louvado sejas, meu Senhor,
com todas as tuas criaturas,
especialmente o senhor irmão Sol,
que clareia o dia
e com sua luz nos alumia.

e ele é belo e radiante
com grande esplendor:
de ti, Altíssimo,

é a imagem.

 

Louvado sejas, meu Senhor,
pela irmã Lua e as Estrelas,
que no céu formaste claras
e preciosas e belas.

 

Louvado sejas, meu Senhor,
pelo irmão Vento,
pelo ar, ou nublado
ou sereno, e todo o tempo,
pelo qual às tuas criaturas

dás sustento.

 

Louvado sejas, meu Senhor
pela irmã Água,
que é muito útil e humilde
e preciosa e casta.

 

Louvado sejas, meu Senhor,
pelo irmão Fogo
pelo qual iluminas a noite.
Ele é belo e jovial
e vigoroso e forte.

 

Louvado sejas, meu Senhor,
por nossa irmã a mãe Terra,
que nos sustenta e governa,
e produz frutos diversos
e coloridas flores e ervas.

 

Louvado sejas, meu Senhor,
pelos que perdoam por teu amor,
e suportam enfermidades

e tribulações.

 

Bem-aventurados

os que as sustentam em paz,
que por ti, Altíssimo,

serão coroados.

 

Louvai e bendizei o meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o

com grande humildade”.

São Francisco de Assis

1182-1226

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 06/08/2017

eneaspb@gmail.com

Publicado no blog Heipo World

e no FACEBOOK em 06/08/2017.

Atualizado em 17/02/2024. 

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