terça-feira, 22 de agosto de 2017

10.- Grandeza. Desconhecemos a grandeza para a qual fomos criados.

O homem é um caniço,

mas um caniço pensante.

Blaise Pascal*

 

Blaise Pascal nasceu em 19/06/1623

e morreu em 19/08/1662.

Foi cientista, físico, filósofo,

matemático e teólogo francês.

Nasceu em Clermont-Ferrand, França

e morreu em Paris, França.

Foi um dos pensadores que percebeu

a pequenez do ser humano,

mas não ficou só aí,

percebeu também a nossa grandeza.

 

Corremos o risco

de reduzirmos o conceito

sobre nós mesmos

caso não nos empenhemos

em descobrir nossas capacidades,

nossa origem e o fim

para o qual existimos.

 

Não bastam

conhecimentos filosóficos.

 

Não basta

sermos humanos.

 

Convém reconhecer

nossa filiação divina,

a herança que nos aguarda,

o sentido desta vida neste universo.

 

Percebemos a grandeza

para a qual fomos criados?

 

Desconhecemos sim,

porque nada ou quase nada

temos feito, estudado e planejado,

para escapar dos limites

que se apresentam à condição humana.

 

Não nos iludamos.

Não se vive equilibrado,

sem esperanças.

 

Duas observações são necessárias

para motivar o desenvolvimento deste texto.


Primeira:

somos daqui, da terra.

Aqui nascemos, vivemos,

agitamo-nos e morremos.


Segunda:

desconhecemos a grandeza

para a qual fomos projetados.


Desconhecemos

e não damos a devida importância

a essa realidade.


E muita gente

não se incomoda mesmo.


Estas atitudes confirmam

que usamos muito pouco

do potencial que temos

à disposição.


Não estamos sendo

suficientemente inteligentes.


Revelamos assim,

 mais atitude de fraqueza

do que de coerência.


É incoerente

não dar importância

a algo que é de extrema importância.

 

Destas duas afirmações

a primeira é mais fácil de aceitar,

por ser evidente.


Estamos aqui

e tudo o que acontece por aqui

nos é familiar e fácil de digerir.


Vemos, lemos, tocamos, medimos,

ingerimos, avaliamos,

somamos, registramos

e raramente fica alguma coisa,

sem explicação.


A segunda afirmação

pode ser tão verdadeira,

mas não atrai nossa curiosidade

porque não estamos habituados

a entrar no campo do diferente,

uma dimensão acima

da qual estamos acostumados.

 

Vejamos as semelhanças e as diferenças

entre a águia e a galinha.


A dimensão da galinha

está na via horizontal.

 

Tem asas, mas não voa,

não explora as fronteiras

nem o espaço infinito.  

 

A dimensão da águia

está na dimensão das alturas:

possui asas e arrisca-se

às alturas quase infinitas.  


Essa segunda dimensão

exige esforço.


O esforço é a senha

que abre os arquivos

do aperfeiçoamento.


Nessa segunda dimensão,

há o necessário esforço

para decifrar códigos,

vislumbrar pistas.

Exige, mas compensa.


Uma das leis da vida

é que todo esforço custa,

mas compensa.


Toda atitude de moleza

enfraquece, despersonaliza e aliena.

 

O maior pecado do ser humano

é ignorar suas forças interiores,

seus poderes criadores

e sua herança divina.

Orison Swett Marden

 

 Se confinássemos nossa atenção

somente aos problemas terrestres,

estaríamos limitando

o espírito humano.

Stepen William Hawking

 

Parece que alguma coisa

está errada na humanidade

que não percebe a abertura

para alguma coisa maior,

superior ao natural.


Essa atitude de indiferença

gera a desmotivação

para a pesquisa

daquilo que não é conhecido.

 

O comportamento,

a psicologia e a filosofia

de algumas pessoas demonstram

que muitas potencialidades

naturalmente humanas

permanecem pequenas,

subdesenvolvidas, dentro do estoque

dos nossos projetos, anseios e ideais.


Muitas capacidades

que existem em nós,

já deveriam estar

em estágio bem adiantado,

mas permanecem na infância

ou na adolescência

da maturação.

 

Como adolescentes,

opomos resistências

a certos princípios educativos

que facilitam o desabrochar

e o amadurecimento

da personalidade infinita

que existe latente

dentro do ser humano.

 

Desconhecer a verdade

sobre a natureza,

sobre o universo,

sobre o sentido da vida,

provocam desequilíbrios na pessoa.


Desconhecer a grandeza

da pessoa humana

bem como a grandeza do universo

pode influenciar negativamente

o humor e o sentido da vida

de muita gente.


Por ser imagem

e semelhança com o Criador,

o ser humano não cresce

se não procurar identificar-se

e assimilar as qualidades do seu Pai,

na sua vida.

 

As doenças, os hospitais,

as depressões

testemunham e confirmam

a influência da ignorância,

do desconhecimento

das leis fundamentais da vida,

como a lei do amor e do serviço.

 

Ser útil para os outros

é a fórmula e a resposta

do sentido da vida e do equilíbrio

no relacionamento humano

entre as profissões e profissionais.

 

Quase todos os nossos projetos

estão elaborados

para o horizonte terráqueo,

dentro dos limites geográficos

e dentro do alcance das nossas visões pessoais.

 

Acordemos

os engenheiros e arquitetos

que reconstruirão a nova Torre de Babel,

agora construída sobre os fundamentos

da justiça e da fraternidade.  


Queremos subir, ver de cima,

toda a criação, todos os ideais.

 

É a educação, o respeito,

a ajuda mútua, serviços gratuitos,

são as motivação para as futuras construções

para cima, para o céu.

 

Queremos uma casa permanente,

lá em cima, onde teremos uma vista

para todos os cantos do universo infinito.

 

Algumas coisas na vida

funcionam como os carros

que precisam ser reabastecidos

nos postos de gasolina.

 

Quando o carro está pifando,

e a luzinha avisando

que a gasolina está acabando,

procuramos um posto e reabastecemos.

 

Acontece na vida,

muitas e muitas vezes,

sinais de desanimo.  

 

Quando menos percebemos,

encostamos o carro da nossa vida

na garagem do abatimento,

das frustrações e decepções,

e ficamos lamentando

a falta de motivação,

ideias, entusiasmo e inspiração.

 

Quando algo nos falta,

e começamos a nos preocupar,

a lógica nos impulsiona

para a busca das soluções.

 

Reabastecemos o veículo

com combustível.

 

Reabastecemos nossos ideais

com pesquisa, conhecimento e motivações.

 

Enchamos o tanque de motivações

sobre a verdadeira grandeza

que somos nós.

 

A grandeza

é uma condição espiritual.

Mathew Arnold.

 

O valor maior

que existe no ser humano

é a sua capacidade espiritual.

 

Cultivar

o que há de melhor e maior

em cada um de nós,

é sinal de bom senso e sabedoria.

 

Ignorar essa capacidade ou não lhe dar

a devida atenção é o maior de todos os defeitos

que a pessoa humana cultiva, ignorantemente.

 

Dizer que o homem

é uma mistura de força e fraqueza,

de luz e treva, de pequenez e grandeza,

não é julgá-lo, é defini-lo.

Denis Diderot

 

Somos seres especiais,

portadores de potencialidades

que nos projetam para além do que somos.

 

Essas potencialidades

agitam-se em nossas entranhas,

esperando, como as sementes,

explodir, serem descobertas,

treinadas e aperfeiçoadas.

 

Seremos pessimistas,

tristes e derrotados

se ficarmos, como as galinhas

que possuem asas e não voam.

 

Nessas condições, focados na terra,

os olhos direcionam-se só para baixo,

ciscando o chão da vida,

envolvidos com o pessimismo

e tudo o que condiciona

e se relaciona

a este fator de fracasso. 

 

Não é esse nosso ideal.

 

Leia o livro do escritor Leonardo Boff*,

A Galinha e a Águia:

uma metáfora da condição humana.


O escritor

compara as duas dimensões

na qual o ser humano está envolvido:

a dimensão da terra e a dimensão do infinito

que está dentro de nós.


“Seremos possuidores

de um comportamento

otimista e alegre se,

como as águias,

possuidoras de asas,

experimentarmos

a liberdade dos espaços,

e voarmos alto,

procurando as oportunidades,

que o universo disponibiliza”.

Leonardo Boff

 

As galinhas desde sempre,

possuem asas.


          Elas voavam.


Lá pelas tantas

os homens se tornaram caçadores.

Tinham dificuldades para caçar galinhas.

Tiveram a ideia de criá-las fechadas.

 

As galinhas criadas

em ambiente fechado,

com o tempo,

deixaram de voar,

mesmo soltas.

 

Das galinhas criadas soltas,

cortavam as asas.

 

E elas já não podiam voar.

 

Hoje, as galinhas,

mesmo as soltas,

já não voam mais.

 

Continuam tendo asas.

Mas por que não voam mais?

 

Acostumaram-se.

Atrofiaram

uma das suas potencialidades.

 

Adaptaram-se ao conforto,

à acomodação.

 

Não exploram mais lugares novos,

situações novas.


          Não temos asas

          e não voamos,
               mas intimamente

possuímos algumas capacidades

que nos identificam com as águias.


        Não temos asas, não,

mas temos que voar.


       Pode ser que tenhamos muito

da galinha,

mas temos muito mais

das águias.


        Temos asas invisíveis.

 

Convém avaliar

se não estamos sacrificando a águia

que está dentro de cada um de nós.


         Já estamos capacitados

e projetados

para alcançar

a nova dimensão divina.


                       Desde que nascemos,

nascemos equipados com asas invisíveis.

 

A nossa águia precisa acordar

e recuperar a sua originalidade.

 

Essa originalidade

está perdida em algum lugar

dentro da nossa própria personalidade.

 

Está escondida ou dormindo.


                          O reino humano

está classificado

apenas a uma dimensão inferior

que a dimensão divina.


         Estamos apenas abaixo dos anjos,

lemos em algum lugar da Bíblia.


        Mas já estamos capacitados

com alguns atributos

que nos projetam

para fora do reino humano.


Porém, até o dia de hoje

nossas capacidades atuais

não estão suficientemente treinadas.

 

Um pouco mais na frente,

serão aperfeiçoadas

e atingirão o nível ideal.

 

Pouco sabemos

sobre a dimensão divina.


Mas é algo que precisamos saber.


Não podemos fugir

ou ignorar tal realidade.


A indiferença ou apatia,

neste campo,

atrapalha ou interrompe

a evolução.

 

O que sabemos é que,

ou aceitamos essa dimensão superior

da qual já temos algo, ou negamos

a existência do nosso Pai,

Criador do universo,

e aí tudo ficará

sem explicação mesmo.


E nós acabaremos morrendo

na praia, ou no galinheiro.


Tão perto

e tão longe.


Tão íntimas,

e tão desconhecidas,

qualidades divinas,

escondidas no humano.

 

Nessa linha de reflexão

 que estamos conduzindo,

percebemos que possuímos

algumas características

que não nos são próprias.


Ou melhor,

são próprias

dos seres humanos evoluídos,

que ultrapassaram a definição

e condição animal,

domesticaram e canalizaram

as forças dos instintos

pelo comando da razão.


E a razão

ajudada pela Lei Moral e Espiritual,

 

aperfeiçoa essa nossa pobre natureza, elevando-a para o nível da espiritualidade

ou dignidade de filho do Deus Criador,

ou Imagem e Semelhança Dele.


Estas afirmações são verdadeiras.

Tão verdadeiras

que quase não acreditamos.

 

Estudando e pesquisando

as capacidades de aprendizagem

e domínio de nós mesmos,

fomos percebendo uma força extra,

enxertada ou acoplada

em nossa estrutura pessoal,

isto é, a capacidade espiritual

que nos promove

para além da animalidade

e da marca registrada de humanos.


Essa capacidade espiritual,

rompe, ultrapassa a horizontalidade,

e projeta-nos para a dimensão vertical,

da altura e profundidade,

num campo ilimitado.

 

Em qual das dimensões

estão os nossos sonhos e projetos?


Na dimensão horizontal,

da galinha, ou na vertical, da águia?


Na dimensão horizontal

existem limites e barreiras,

mantendo-nos por aqui mesmo.


Na vertical há o infinito

que atrai e nos projeta

para além de nós mesmos.

 

Lendo os livros da história,

percebemos que ela é evolutiva.


        Se lá no distante passado

andávamos de quatro,

olhando quase só para o chão,

evoluindo, passamos a andar

só com os dois pés.


Ficamos em pé,

ficamos maiores.


Levantamos nossos olhos

e começamos a olhar para mais longe

e para cima.


Já não olhamos tanto

para o chão.

 

E foi a partir

dessa situação e condição

de pessoas eretas que vislumbramos

um universo infinito.

 

Nosso criador,

que é nosso Pai,

mora nos céus.


Por isso,

por um instinto de saudades

ou de esperanças,

não nos cansamos de olhar para lá.


Somos filhos

e herdeiros dos céus,

mas ainda estamos na terra.


Mas há uma semente viva,

escondida, nalguma parte de nós.

 

Não estamos contentes,

porque ainda,

não estamos completos.


Ainda há muito a evoluir.


Dessa situação

e condição de incompletude,

brotam perguntas que viajam

para além das fronteiras

do conhecido pela razão.

 

A dimensão divina

ainda não é para nós,

a desejada dimensão limpa,

transparente e perfeita. 

 

Existem resistências

em nossa natureza humana,

revoltadas pelo sentimento

de incompletude.


Temos apenas alguns elementos,

ou atributos,

dentro da constituição humana

que nos despertam e cutucam,

provocam e ficam sem respostas definitivas.


Mas já temos experiências,

e por fracas que sejam,

nos convencem.


O principal meio

disponibilizado para nós,

nessa aventura, é a fé.


Por mais fracos que sejamos,

aceitamos as dúvidas

e nos pomos a caminho,

com a livre convicção,

que é preferível e mais vantajoso,

 caminharmos de olhos vendados,

nesta escalada, do que, de olhos abertos

não encontrarmos as respostas definitivas

para o sentido da vida e da morte.


Aceitar a deficiência parcial

das nossas faculdades,

não é de todo ingênuo,

e impeditivo, mas desafio e provocação,

para a busca das respostas definitivas.

 

Na dimensão divina está o Ser

e a existência do nosso Pai Criador,

o Deus Trindade.


Nessa dimensão

reside o mistério.


Mistério definido não como algo

que não pode ser conhecido,

mas como algo que é inesgotável

o conteúdo de conhecimento.


Mas o Mistério foi revelado

como Pai.


O Filho veio,

esteve aqui e revelou o Pai Nosso.

 

E a grande notícia

é que somos filhos

à Sua Imagem e Semelhança.

 

Não só filhos,

mas herdeiros.

 

Acreditar nessa verdade

exigirá toda a reviravolta existencial:

passar a cultivar a dimensão do mistério

e do invisível.


É o novo desafio,

a nova ciência,

a última e definitiva ciência.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Criado em 12/03/2014.

Atualizado em 29/01/2016 e 22/08/2017

eneaspb@gmail.com

Publicado no Blog Heipo World

e no FACE em 12/03/2014,

atualizado em 29/01/2016

e reatualizado em 22/08/2017.

Atualizado em 15/02/2024.

Publicado de novo sob n. 836, com outro título. 

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