domingo, 27 de agosto de 2017

423.- Poeta. Vai poeta, vai na frente, abrindo caminhos.



"Poetas não nascem para ter,

nascem para sentir falta".

Dalton Menezes

 

Os poetas voam, sem ter asas,

são livres, como os pássaros.

Experimentam liberdade,

mas morrem de desgosto,

porque poucos os acompanham

em seus passeios pelas nuvens,

ou pelas estradinhas

dos arredores da vida.

 

Assim é o poeta, sofredor,

acolhedor das mensagens,

sofridas e incompletas

 

Assim também é o poeta,

 um degustador, através dos sentidos,

das riquezas ofertadas e disponibilizadas

pela vida.

 

É sofredor porque deseja

que todos participem

do banquete para os olhos,

para os ouvidos, para o paladar,

para o andar e o dançar.

 

Alerta, para andar devagar,

perceber mais detalhes,

gozar mais da vida.

 

Parece-me

que é a uma nobre profissão,

ferido, mantendo os pés no chão,

sentindo as exigências da realidade.

 

Mas, o poeta é quase completo,

como abelha, procura o mel,

aquilo que acaricia e delicia.

 

Com poesia,

vemos o ideal,

como deveria ser,

como sonhamos que seja.

 

Sem poesia

permanecemos no país do ilusório,

no mundo do faz de conta,

que não sacia, só esvazia.

 

Alguns dos meus amigos dormiram,

conformaram-se com o que é,

como aparece, e desvanece.

 

Se viver a vida humana real,

é angustiante e sofrível,

descobrir o que há de divino,

pode ser confortante,

atraente e ideal.

 

Se a filosofia divaga,  

fica só no campo humano,

a teologia e a poesia, vê o ideal a cultivar.

 

A poesia

quer ver a realidade,

quer ver beleza,

a verdade, a bondade,

a unidade, a fraternidade

e a paz como elas devem ser.

 

O poeta não quer ver conflitos,

violência, sofrimento, separações e dores,

mas não se afasta dos espinhos.

 

Se não existem mais profetas,

poetas estão a substitui-los,

a fotografar, sensibilizar,

incentivar e trabalhar

 mudanças necessárias.

 

Quantas vezes quis o profeta

sensível às carências,

alertar, acordar,

ressuscitar os mortos.

 

Se a razão enxerga, mas não muda,

sentimentos convencem,

não se omitem,

não fogem

da dor.

 

Quando os profetas faziam profecias

e diziam o que o Deus Pai não queria,

matavam eles, porque incomodavam.

 

Hoje, quando os poetas fazem poesia,

fotografando a realidade exigente,

muita gente não gosta, 

não degusta

              os sabores dos remédios.  

 

Além das fronteiras,

muito além dos limites geográficos e culturais,

para lá das diferenças complementares,

está a espiritualidade dos poetas,

a sensibilidade para a beleza,

para a bondade e para

a fraternidade universal.

 

Se há algo mais,

além do mundo visível,

no invisível real e aceitável,

vamos entrar e almoçar com os poetas.

 

Profetas e poetas,

do reino humano saturados,

abrem as portas, às promessas,

às esperanças no mundo do além.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 27/08/2017

eneaspb@gmail.com

Publicado no blog Heipo World

e no FACE em 27/08/2017.

Atualizado em 10/02/2024.

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