nascem para sentir
falta".
Dalton Menezes
Os
poetas voam, sem ter asas,
são
livres, como os pássaros.
Experimentam
liberdade,
mas
morrem de desgosto,
porque
poucos os acompanham
em
seus passeios pelas nuvens,
ou
pelas estradinhas
dos
arredores da vida.
Assim é o poeta,
sofredor,
acolhedor das
mensagens,
sofridas e
incompletas
Assim também é o
poeta,
um degustador, através dos sentidos,
das riquezas ofertadas
e disponibilizadas
pela vida.
É sofredor porque
deseja
que todos participem
do banquete para os
olhos,
para os ouvidos, para
o paladar,
para o andar e o
dançar.
Alerta, para andar
devagar,
perceber mais
detalhes,
gozar mais da vida.
Parece-me
que é a uma nobre
profissão,
ferido, mantendo os
pés no chão,
sentindo as
exigências da realidade.
Mas, o poeta é quase
completo,
como abelha, procura
o mel,
aquilo que acaricia e
delicia.
Com poesia,
vemos o ideal,
como deveria ser,
como sonhamos que
seja.
Sem poesia
permanecemos no país
do ilusório,
no mundo do faz de
conta,
que não sacia, só
esvazia.
Alguns dos meus
amigos dormiram,
conformaram-se com o
que é,
como aparece, e
desvanece.
Se viver a vida
humana real,
é angustiante e
sofrível,
descobrir o que há de
divino,
pode ser confortante,
atraente e ideal.
Se a filosofia
divaga,
fica só no campo
humano,
a teologia e a
poesia, vê o ideal a cultivar.
A poesia
quer ver a realidade,
quer ver beleza,
a verdade, a bondade,
a unidade, a fraternidade
e a paz como elas
devem ser.
O poeta não quer ver conflitos,
violência, sofrimento,
separações e dores,
mas não se afasta dos
espinhos.
Se não existem mais
profetas,
poetas estão a
substitui-los,
a fotografar, sensibilizar,
incentivar e trabalhar
mudanças necessárias.
Quantas vezes quis o
profeta
sensível às
carências,
alertar, acordar,
ressuscitar os
mortos.
Se a razão enxerga, mas
não muda,
sentimentos
convencem,
não se omitem,
não fogem
da dor.
Quando os profetas faziam
profecias
e diziam o que o Deus
Pai não queria,
matavam eles, porque
incomodavam.
Hoje, quando os
poetas fazem poesia,
fotografando a
realidade exigente,
muita gente não gosta,
não degusta
os sabores dos
remédios.
Além das fronteiras,
muito além dos
limites geográficos e culturais,
para lá das
diferenças complementares,
está a
espiritualidade dos poetas,
a sensibilidade para
a beleza,
para a bondade e para
a fraternidade
universal.
Se há algo mais,
além do mundo
visível,
no invisível real e aceitável,
vamos entrar e
almoçar com os poetas.
Profetas e poetas,
do reino humano
saturados,
abrem as portas, às
promessas,
às esperanças no mundo
do além.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 27/08/2017
Publicado no blog Heipo World
e no FACE em 27/08/2017.
Atualizado em 10/02/2024.

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