A todo momento estamos escolhendo.
Geralmente escolhemos o que nos agrada.
Escolhemos comer, beber,
dormir, andar, correr, caminhar,
falar, silenciar, ler, escrever,
ouvir, conversar.
Escolho escrever.
Você, escolhe ler.
Se escrevo para os vivos,
reagem como mortos.
Se escrevo textos sobre mortos,
criticam, opõem resistências
e se afastam.
Se escrevo textos longos,
leem o título
e desprezam o conteúdo
de conhecimento.
Se leem, conhecem.
Se não leem, permanecem
na orbita da inconsciência.
E escolhem, ‘é melhor não saber’
para não nos comprometermos.
E é assim que a vida escorre
por entre escolhas e decisões
não tomadas.
Vivemos na época da reação.
Só reagimos
ao que se apresenta
à nossa frente.
E a todo momento,
aparecem nas telas
da TV, do Celular, do Computador,
na sua frente, nas suas mãos,
convites, atrações, passatempos.
E sem perceber,
passamos a viver
no mundo virtual.
O mundo real
não existe mais.
O mundo real existe sim.
É aquele que assistimos
sentados no sofá, noticiado,
que vem para dentro da nossa casa
em forma de notícias,
colorido, com fundo musical,
para nos manter no mundo das ilusões.
O mundo real, hoje, incomoda.
O mundo virtual
não incomoda,
mas aliena, afasta,
reduz ou elimina nossa sensibilidade,
amolece nossa personalidade,
e atrofia nossas boas capacidades humanas.
Acabamos virando marionetes.
Já não usamos mais
nossa caixa de ferramentas pessoais,
compostas por virtudes, qualidades,
força de vontade, discernimento,
senso crítico baseado em valores.
O mundo real incomoda.
Não queremos mais nos comprometer.
Sem compromissos,
não há necessidade de escolhas.
Sem escolhas,
não há consequências.
Sem escolhas,
permaneço no meu pequeno universo
dos meus interesses, bem fechadinho.
Sem incômodo.
Percebeu que estamos falando
de mortos vivos?
Se não buscarmos conhecimentos
sobre o que é consciência,
tomada de decisões e liberdade,
já não serviremos para mais nada,
a não ser para expectadores
e consumidores passivos.
Quem escolhe algo,
ruim ou bom,
feio ou belo,
educativo ou alienante,
escolhe também as consequências.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Criado e publicado no BLOG e no FACE
Em 30/10/2024.




