quarta-feira, 30 de outubro de 2019

689.- Lado de dentro. O que é que tem no lado de dentro das coisas?


Olhando apenas

                para o lado de fora,

                aquilo que aparece,

                permanecemos

                com a compreensão parcial,

                e estaremos somente

                com um lado da realidade.



Não vemos o todo. 


Queremos conquistar

uma nova ciência,

fácil fácil de aprender, 

de ensinar, testemunhar

e de degustar.


Uma ciência

    que nos possibilite olhar o interior,

    o lado de dentro das coisas,

    o lado misterioso da vida

    que ainda guarda segredos,

    mensagens, para te ajudar

    a ser mais compreensivo(a). 



A visão

    que o mundo do Heipo

    procura aprender,

    vivenciar e testemunhar,

    supõe penetrar na interioridade,

    nas origens,

     nas razões

     e nas finalidades das coisas. 


Há o mundo visível

e há o mundo do invisível.



É, portanto,

de fundamental importância,

conhecer também

o lado de dentro das coisas.



O que vemos e sabemos que existe

e o que não vemos e sabemos que existe.



Essa tão despercebida atitude

parece-nos ser tão importante

a ponto de fornecer elementos

mais completos

para a avaliação

e conceituação

da parte externa,

que aparece.



Nós, humanos,

estamos dotados

com a capacidade conhecida

com o nome de inteligência.



Inteligência é uma palavra

composta de duas raízes latinas: 

in que significa interior

e legere que significa ler.

Assim, inteligência

é a capacidade que temos

de ler o lado de dentro,

o lado invisível,  

e penetrar o interior do objeto,

das pessoas e dos acontecimentos.



Estamos acostumados

a ver e a avaliar

tudo o que cai

sobre o nosso olhar.



Sobre o que não vemos,

nos aventuramos

ou nos arriscamos

quando falamos.



Existem muitas ciências

que estudam o exterior

para entender sobre o interior.



Por exemplo, os médicos,

através de estudos e pesquisas,

sabem muito sobre nossas doenças

quando analisam nossa face,

tomam nossa temperatura,

observam a pupila dos nossos olhos

e a cor da nossa pele.



Os psicólogos

avaliam nosso grau de estresse

pelas rugas da nossa face

ou pela agressividade

das nossas palavras.



Nossa maneira de ser,

nossa postura,

nossos atos,

às vezes falam mais claramente de nós

do que nossas próprias palavras.



O poeta disse:

Pare de falar

e deixe que teus atos

falem de você”.



Há um universo

quase infinito

dentro das coisas

e, muitas vezes,

desconhecido.



O lado de dentro das coisas

é outro mundo

a ser pesquisado e conhecido.



Não há pessoa

que tenha autoridade

para afirmar

que não há nada lá dentro

só porque não se vê.



O único obstáculo

para a aquisição desta ciência

é a rapidez e a superficialidade.



Estes dois elementos modernos

dificultam o cultivo

da ciência

do lado de dentro das coisas.



A cultura

na qual estamos envolvidos

quase só ensina a cultivar a aparência,

isto é, só o que aparece,

o que brilha

e o que atrai. 



Pouca importância se dá

aos poetas, artistas,

filósofos e teólogos,

que procuram teimosamente

penetrar pelo caminho,



da leitura

do interior

das coisas.



Você já ficou maravilhado

diante da grandeza escondida

na pequenez de uma criança?



Quando escutou

o canto dos passarinhos,

percebeu que aquela melodia

vinha de dentro do pássaro?



Quando ouviu o ruído suave

dos pequenos riachos

e quedas de água,

percebeu que o riacho estava vivo,  

expressando-se?



Quando olhastes

para um entardecer colorido,

viste algum pintor escondido?



Quando percebestes

o barulho do vento nas árvores,

movimentando-as,

percebestes ali um elemento real

e invisível?



Quando o vento veio visitar-te,

balançando seus cabelos,

aceitaste sem medo,

as carícias deste fantasma?



Como é fácil ignorar

as belezas que nos envolvem.



Um beliscão na nossa sensibilidade

seria bem-vindo

para nos acordar

e percebermos

que estamos prejudicados.



Perdemos alguns elementos

da nossa personalidade

que inflacionaram

ou até arruinaram

nossa percepção.



O que é que existe em nós,

que reduz nosso potencial,

tampa nossos ouvidos,

bloqueia nossa sensibilidade,

entorpece nossos sensores

impedindo-nos de curtir

as coisas boas

e belas da vida?



Por que alguns

curtem tudo isso?



Por que outros

não sentem nada?



Para muita gente,

o que há de bom,

de bonito,

harmonioso e suave

nesta natureza toda,

funciona como despertador

e acorda nossas potencialidades

de admiração, raciocínio e curtição,

e até nos leva mais adiante.



O que há na raiz

de todas as coisas? 


O que há por dentro

de cada elemento,

de cada pessoa,

de cada realidade,

seja visível

ou invisível?



Talvez exista ali

uma mensagem a ser decifrada,

talvez um mapa de um tesouro,

talvez uma fórmula de um remédio,

talvez algo

de que estamos precisando

e esteja no nosso nariz

e não 'vemos'.   


Quando fizermos

para nós mesmos,

estas perguntas,

as respostas

começarão a aparecer. 


As respostas

não estão sempre prontas. 


Quando nos colocamos

em posição de alerta

e acionamos

nossas próprias potencialidades internas,

aí, vamos entrando

e penetrando

além das aparências,

para além dos rostos humanos,

e descobrimos a dignidade,

a fonte do valor. 



Aí, mais em frente,

vamos para além

das fronteiras da pele,

e descobrimos o sangue quente

a vivificar as criaturas humanas,

os sentimentos e emoções

a motivar os passos do vivente.



E aí vamos mais fundo

perguntando-nos

pelo espírito que anima

e que dá vida

à nossa massa corporal.



    Que coisa é isso?



    Agora começa ficar difícil

        a fala e as letras. 


Do que é que estamos falando

    e escrevendo agora? 



Estamos tentando

    nos entreter com o espírito. 


Como deixar de se perguntar

    pelas expressões da vida? 


Como não perceber

    um espírito por trás

    dos movimentos?



Como não entendemos ainda

    a física dos ventos? 


Como não entender

a seiva que caminha

pelas raízes,

e circula no interior dos troncos

até a ponta dos galhos,

até as folhas,

frutos e sementes,

trazendo vida e alimento?



Há vida, movimento e energia

dentro das coisas.



Algum tipo de ferramenta foi acoplado

dentro de nós, que nos permite

ver além de qualquer paisagem

além de qualquer fronteira,

além da fisionomia.


Estamos ajustando nossa vista

para além dos horizontes

da compreensão,

 além das fronteiras do racional,

além do normal e aceitável. 


Teremos de exigir o uso do binóculo,

que aproxima virtualmente

os objetos focados?



O que viria a ser este binóculo?



Sim, já somos capazes.

Somos capazes de enxergar

a mensagem

que o mundo carrega.



Cada coisa é um Sacramento,

um sinal

ou um código

a ser decifrado.



No efêmero que passa,

podemos perceber

o eterno que não passa.



Não é o tempo que voa;

voamos nós

e o tempo fica.



No tempo,

conseguimos ler a mensagem

daquilo que é eterno.



Na bondade humana,

nas criaturas todas,

lemos nas entrelinhas

o Criador de todas as coisas.



Tudo o que está ao nosso dispor,

tanto na natureza

como na própria natureza humana,

nossas capacidades

e talentos,

são ferramentas disponibilizadas

pelo nosso Pai dos céus,

nosso Criador.



O mundo todo,

a natureza imensa e profunda,

funciona como um vidro transparente

no qual conseguimos

ler dentro das coisas,

sinais, literatura, romance

e a paixão de um Pai

que ama seus filhos

e lhes entrega um jardim

para ser cultivado.



Lá dentro do dentro
tem algo querendo sair,
libertar, dizer algo,
talvez esteja querendo
te passar uma mensagem,
de amor e de cura.



Eneas Paulo Budel Bogucheski

Criado em 17/08/2015

Atualizado em 30/10/2019  

eneaspb@gmail.com