sexta-feira, 4 de outubro de 2019

676.- Alma. A leveza da alma suaviza o peso do corpo



Como o peso atrapalha!
Como o peso pesa!

Mais do que carregar peso nos braços,
sentimos muito bem
o peso do corpo.

E mais sentimos
quanto mais pressa tenhamos
quanto mais desejamos
ser leves, rápidos,
chegar logo.

E chegamos ao limite da impaciência,
quando desejaríamos voar,
e não conseguimos
porque somos pesados.

E sem perceber
tornamos pesados também
os passos que damos na vida,
sobrecarregando nosso corpo
com pesos mentais, apegos,
atitudes egoístas,
egocentrismo,
preocupações 
e sofrimentos inúteis.

O rosto alegre,
é leve;
os passos parecem 
não pisar no chão.

O semblante carrancudo,
triste ou tristonho,
torna pesado
o andar.

E quando o peso é demais,
sozinho não há como
suportar.

O peso se torna leve
se alguém aparece
para dar suporte,
suportar.

Preocupações mentais,
endurecem o pescoço,
dói a nuca,
incomoda bastante,
acinzentando o céu
de nuvens escuras.

Facilmente podemos colocar
uma barra de gelo
ou um tronco de raízes pontiagudas
sobrecarregando
nossos ombros.

Mas temos o poder em mãos,
podemos, podemos sim,
colocar em nossas costas,
um agasalho, leve,
despercebido,
que aquece e ameniza
as friagens do dia.

Quando é que as coisas
ou a vida se torna pesada?

- Quando não estamos bem
conosco mesmos.

- Quando sofremos
com o que nos falta.

Quando é que as coisas
ou a vida se torna leve?

- Quando nos contentamos
com o que temos e somos.

Sem ambições ilusórias,
sem apegos,
a vida se torna leve,
gostosa de viver.

Nosso defeito maior
nosso pecado,
é não saber desfrutar
as coisas simples da vida.

A ganância
pelas coisas que não temos
nos afasta dos valores que temos,
tão perto, tão dentro de nós,
tão eu, desconhecido.

É tão fácil ser leve
quando não nos sobrecarregamos
com as coisas inúteis,
desnecessárias,
e quando tratamos bem nosso corpo,
nossa mente, tornando leve e solto
nosso pensar, e consequentemente,
nosso andar.

Existe uma arte
a ser cultivada,
com elegância,
sendo leve
para si e para os outros,
exagerando
na atenção,
no cuidado,
disponibilizando
delicadeza
e ternura.


Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 04/10/2019

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