Desta
vez,
escolhemos
pescar no rio Cavernoso,
em
Laranjeiras do Sul, distante de Curitiba,
mais ou menos 440 quilômetros.
É, ... além de meio-escritor,
sou
metido a meio-pescador,
e meio aprendiz de contemplador.
A
vida
no
ambiente agitado das cidades,
barulhento,
poluído
de sons e imagens,
prejudica-nos.
Necessito
restaurar
minhas
fontes
de
energia
e
inspiração.
O
contato com a natureza
devolve
o equilíbrio perdido.
Pescarias
são
eventos
que
proporcionam
o
ambiente ideal
para
restaurar
o
equilíbrio biológico,
psicológico
e espiritual.
Pescar
é uma atividade de busca:
busca
da fonte de rejuvenescimento;
busca
de envolvimento
e
diálogo com a natureza;
busca
por lugares
e
situações de silêncio.
Pescar
de noite,
envolvido
pela escuridão lateral
e
pelo tapete de estrelas no céu,
dá
a impressão que estamos lá em cima,
fazendo
parte do infinito espaço celestial.
Pescamos
de noite.
De
dia, dormimos,
apenas
o suficiente,
para
descansar o corpo.
Nas
pescarias,
o
espírito não cansa,
descansa,
rejuvenesce.
O
clima quente
convida
a sair
e
a andar pela mata.
Avistei
uma montanha.
Desafiei-me
e
criei coragem
para
subir até o topo.
Então
a visão ampla,
aumentava
a satisfação,
brotando
pensamentos de admiração,
e
sentimentos de gratidão.
Quantas
vezes
ouvi
ou li em algum lugar
que
o Deus da Criação
habita
o alto das montanhas.
O
sol queimando,
a
vista ampliando,
as
cores da água,
os
contornos do lago,
os
campos e matas,
as
andorinhas,
quero-quero,
o
vento,
tanta
companhia.
Estava
faltando alguém
para
escutar
meus
pensamentos.
Em
silêncio,
naquela
paisagem,
a
gente aprende
o
quanto é bom ficar sozinho,
aquietar
a mente,
apenas
contemplar.
A
natureza,
as
montanhas,
os
vales, os rios,
as
árvores, os passarinhos,
tiram
o foco da atenção
de
dentro da gente.
Observar
demoradamente
cada
paisagem,
cada
árvore,
animal,
passarinho,
relaxando,
permite
que a sensibilidade
desperte
a inspiração
para
enxergar
as
qualidades do objeto
que
está sendo focado.
A
decisão pela admiração
vai
desembocar na contemplação,
que
parte da visão externa
e
conduz à visão interna,
original,
daquilo
que se observa.
Quando
nos voltamos
para
dentro de nós,
a
mente
está
fabricando pensamentos
sem
parar.
Vivemos
muito tempo
dentro
de nós mesmos,
e
essa dinâmica interna
pode
reduzir nossa sensibilidade
com
o mundo da realidade.
Vejam
como é importante observar,
olhar,
contemplar o mundo externo.
A
realidade externa
provoca
ou
ativa
a
consciência interna.
A
consciência interna
ativada,
eleva
as sensações de vitalidade,
aperfeiçoa
o ato reflexivo,
disponibiliza
clareza mental,
revelando
que estamos interligados
com
todos os elementos do universo.
O
sentimento maior
que
vai resultar
de
toda esta dinâmica
é
o sentimento
de
que somos irmãos
de
tudo e de todos.
Somos
todos
criaturas
do
mesmo Deus Criador.
No
alto de uma montanha,
desperta
a gostosa sensação
de
que somos filhos privilegiados,
do
Pai Criador,
e
que tudo o que foi feito por Ele
é
para nossa curtição.
Já
que estou aqui,
onde
falam que Você está,
vou
me comportar
como
alguém que veio
à
sua procura.
Tentei
entabular um diálogo com Ele.
E
perguntei?
Você pode me confirmar, me falar,
aparecer
para mim,
e
dizer que meus pensamentos
não são monólogos,
mas é oração mesmo?
Nós
rezemos
ou
fazemos monólogo?
Eu
rezo de verdade
ou
apenas converso
comigo
mesmo?
Conversamos
com alguém
que
está na nossa frente,
perguntamos
e recebemos respostas
de
quem estamos vendo,
observando
os lábios
e
os gestos.
E
fui falando, falando.
E
só eu falava, em voz alta.
Passado
um tempinho,
percebi
que estava agindo
de
forma errada.
Eu
não estava dando tempo
para
Ele responder.
Não
dei chances
para
o Silêncio.
Como
deixar o silêncio falar
ou
expressar-se se minha pressa
não
tem paciência
ou
minha impaciência
não
permite outras formas
de
entendimento?
E
decidi ficar quieto,
procurando
perceber
alguma
manifestação,
alguma
resposta,
numa
forma diferente
de
comunicar,
já
que Ele não ia aparecer
nem
falar nada.
Meus
olhos
estavam
vendo paisagens
extraordinárias.
Minha
pele
sentia
o vento
me
tocando como caricias.
Meus
braços descobertos
esquentavam
com
o calor do sol.
Meus
ouvidos
ouviam
o canto
dos
pássaros.
Todo
meu corpo
recebia
mensagens
e
só minha mente
não
traduzia,
não
decifrava
as
mensagens
que
Ele estava dando,
há
muito tempo.
Aprendi,
nesta
pescaria,
que
o Silêncio,
usa
de muitos outros meios
para
se fazer entender.
Na
outra pescaria,
irei
mais preparado.
Talvez
seja eu,
o
peixe fisgado.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 29/09/2019.

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