quinta-feira, 5 de setembro de 2019

662.- Vida. A vida como ela é


Para onde vais,

que não me convida?


O que tens pensado,
que não me conta?



- Estou indo, vivendo,

procurando entender

a vida.



Mas está tudo tão claro!

Vives. Está vivendo.

Basta viver.



- Não, não é suficiente.



Nasceu, cresceu,

estudou, se formou.

Tens um trabalho.

Manténs a tua vida.

Tens uma família.

Vives bem.

Tens amigos.



- Mas é tudo tão repetitivo.



A vida se repete,

por isso, é vida.



A vida

está sempre presente,

palpitando, respirando,

agindo, sendo.



O dia e a noite se repetem.

Os minutos, as horas, se sucedem.

O vento sopra e movimenta as árvores.

Os animais se movem, os pássaros voam.

As pessoas convivem, circulando, correndo.



Sobrevivemos.



Vivemos hoje,

do ontem

que começamos

e do hoje

que recomeçamos.  



-  Mas, dentro da vida

tem também,

aquilo que me deixa triste,

o tédio aparece,

me desanima,

e se esquece,

de ir embora.



- Quero tempo bom,

alegria, entusiasmo.

e o as preocupações vem,

o sofrimento também,

sem pedir, sem querer.



- De algumas coisas gosto.

De outras não gosto.



- Gosto de risadas,

do bom humor.



- O mau humor se impõe,

traz tristezas.



- Do que gosto,

tenho que ir atrás,

e custa-me.



- Do que não gosto,

vem atrás, e, também,

tem preço,

também custa.



- Tenho de entender

essa vida.



- Custa-me aceitar

as condições para estar

e manter-me vivo.



Pois assim é,

vida é o que mais tem.



- E a morte vem,

dizendo chega.

Dizendo não.



Mas, mesmo assim,

é a vida que permanece.



A morte vem e vai.



Ela passeia aqui e ali

e leva apenas um amigo

ou parente,

de vez em quando.



Quantos ficaram?

Ficaram todos os vivos.



Todo dia,
a vida,
de novo,
te acorda.



Todo dia, a vida, de novo vem,

e me acorda, me chama e diz:

“vai, tem mais um presente

na porta da sua casa,

vai viver mais um dia”.



- Carregando me vou,

repetindo o velho ontem.



- Disso não gosto:
repetir, refazer.



Se o dia me traz,
um novo dia,
dele vou viver.



Ele do novo,

o dia,

um novo dia,

tenho em minhas mãos.



Estou com as cartas na manga.

Estou ganhando.



- Um céu eu espero,

e veja o que temos.



Veja o cenário,

linda Terra,

rios e mares,

boas pessoas.



Não um inferno,

nem céu,

apenas

um canteiro,

a semear,

encher de flores.



- Podes me ajudar
a ver melhor?



Sim, você não está morto(a).

Está viva(o),

conversando

com outro ser vivo.




Mudanças nos hábitos
produtores de azia,
melhor escolher,
aqueles que trazem alegria.



Bordando, costurando

a teia da vida,

posso escolher,

não sofrer,

recusando fios

e cores escuras.



O tempo

não pressiona,

se vives somente

no momento,

este agora,

o presente,

para você curtir.  



Coisas da vida

que não enxergamos,

preenchem os vazios

de esperanças.



Não fui bom aluno

se pergunto

pelas coisas que acabam,

se são mais,

as que principiam.



Não sou só eu

que tenho a vida.



A mesma vida que vivo

é também a sua

que eu e você

vivemos.



A vida,

os lugares,  

os lares

e os ares,

compartilhamos.



Vivemos todos,

da mesma vida.



No mesmo campo.



Nas mesmas condições



Com as mesmas ferramentas.



E ela é bondosa.
Sobra para todos.



Se esta vida

não nos contenta,

outra vida há de ter.



Esta, a gente aguenta,
e reinventa.

A vida acontece
quando prestamos atenção
onde há cor, bondade,
amor e arte. 



Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 05/09/2019



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