Será que ninguém
quer sair desta casa,
visitar outros
mundos,
outros lugares,
para onde vamos,
daqui uns tempos?
Se estamos na terra,
nossa
responsabilidade
é sermos realistas,
pisar firme,
fazer perguntas,
e buscar respostas.
Até onde nos leva a
vida?
Até o último suspiro,
antes da morte.
E depois,
depois da morte,
se a vida continua,
saberemos para onde
ir?
Que caminho seguir,
se durante a vida
não nos preocupamos,
não demos nenhuma
importância
à sobrevida, a vida
eterna?
Já imaginou morrer,
e o espírito
ter de ficar por
aqui,
enroscado,
sem saber para onde
ir?
Vai ser assim, mesmo.
Por aqui ficará nosso
espírito,
teimoso espírito,
que não quis arriscar
ler e pesquisar,
estudar e partilhar
as possibilidades
que a porta da morte
vai abrir.
Porque desistir,
e até ter medo da morte?
Se não morremos,
não prosseguiremos.
Vamos continuar.
É
melhor arriscar,
do
que ficar por aqui,
parado, nesta casca
que morre.
Aqui, a ‘coisa’ vai acabar.
Lá, no espaço sideral,
inesgotável, inalcançável,
a ‘coisa’ está sempre
a recomeçar.
Nosso
espírito
não
foi criado aqui,
na terra. Não é daqui.
Sentimos
saudades,
do
céu
que
ainda não conhecemos.
Nossa
alma,
nosso
espírito,
algo
tão grande,
tão
poderoso,
tão
sedento,
foi
criado
e
veio de longe,
do
meio do infinito,
pois
se assim não fosse,
estaríamos
apaixonados,
mais
pelo chão da terra
do
que pelo insondável infinito.
O
infinito existe,
para
provocar,
atrair,
chamar.
Espera
um sim.
Exige
resposta,
não indiferença.
Que
tipo de inteligência é essa,
que
carregamos,
que
não nos questiona,
não
enxerga
além
do túmulo
no
fundo da terra?
Não
olha para cima?
Não
sabe contemplar,
ler
e interpretar
o
bem,
a
beleza,
a
grandeza
que
há em nós,
idealizada,
para
ser de lá,
de
cima,
alma
leve,
voando
pelo infinito?
Quem
quer subir,
-
o espírito eleva;
quem
não quer,
está
descendo,
-
o corpo pesa.
O
mundo visível,
já o conhecemos,
mesmo que superficialmente,
pois que somos barro da terra.
O
mundo invisível,
que só o nosso espírito conhece,
esconde códigos e senhas
e estamos começando
a decifrá-lo.
Há
ansiedade insatisfeita.
Há profundidade infinita
na natureza humana
que só o infinito
pode suavizar,
que só o infinito
pode ‘encher’.
Devemos
desistir?
Mas
por que deixar como está?
Na
escuridão?
Ignorando
a fonte da Luz
que
nos faz antever
muitas
moradas
no
outro lado?
Você
não pensa,
não
solta a imaginação,
para
passear
de
vez em quando?
Quero
morar lá,
onde
mora o Infinito,
como
experimento,
no espírito,
livre,
sem
pressões do tempo,
das
barreiras,
preconceitos,
limitações
e
finitudes.
Abrir-se
para o infinito,
é
escolher a opção,
de
ultrapassar
as
últimas fronteiras,
e
entrar,
rasgando
a placenta
dos
mistérios impossíveis.
Pensar
nas
dimensões infinitas,
leva-nos
a vivenciar,
desde
já,
os
valores,
que
abrem
novas
portas.
Estes
valores, vividos,
provam
a existência do céu,
que
tem que ser grande,
repleto
de possibilidades,
como
o infinito.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 24/08/2019

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