segunda-feira, 2 de setembro de 2019

659.- Infinito. Quero ser como o infinito.




Será que ninguém
quer sair desta casa,
visitar outros mundos,
outros lugares,
para onde vamos,
daqui uns tempos?

Se estamos na terra,
nossa responsabilidade
é sermos realistas,
pisar firme,
fazer perguntas,
e buscar respostas.

Até onde nos leva a vida?

Até o último suspiro,
antes da morte.

E depois,
depois da morte,
se a vida continua,
saberemos para onde ir?

Que caminho seguir,
se durante a vida
não nos preocupamos,
não demos nenhuma importância
à sobrevida, a vida eterna?

Já imaginou morrer,
e o espírito
ter de ficar por aqui,
enroscado,
sem saber para onde ir?

Vai ser assim, mesmo.

Por aqui ficará nosso espírito,
teimoso espírito,
que não quis arriscar
ler e pesquisar,
estudar e partilhar
as possibilidades
que a porta da morte
vai abrir.

Porque desistir,
e até ter medo da morte?

Se não morremos,
não prosseguiremos.

                  Vamos continuar.

                         É melhor arriscar,
                  do que ficar por aqui,
              parado, nesta casca
         que morre.

    Aqui, a ‘coisa’ vai acabar.

         Lá, no espaço sideral,
             inesgotável, inalcançável,
                  a ‘coisa’ está sempre
                        a recomeçar.

Nosso espírito
não foi criado aqui,
na terra. Não é daqui.

Sentimos saudades,
do céu
que ainda não conhecemos.

Nossa alma,
nosso espírito,
algo tão grande,
tão poderoso,
tão sedento,
foi criado
e veio de longe,
do meio do infinito,
pois se assim não fosse,
estaríamos apaixonados,
mais pelo chão da terra
do que pelo insondável infinito.
 
                       
O infinito existe,
para provocar,
atrair,
chamar.

 Espera um sim. 
 Exige resposta,       
      não indiferença.

Que tipo de inteligência é essa,
que carregamos,
que não nos questiona,
não enxerga
além do túmulo
no fundo da terra? 

Não olha para cima?

Não sabe contemplar,
ler e interpretar
o bem,
a beleza,
a grandeza
que há em nós,
idealizada,
para ser de lá,
de cima,
alma leve,
voando pelo infinito?

Quem quer subir,
- o espírito eleva;
quem não quer,
está descendo,
- o corpo pesa.

O mundo visível,
     já o conhecemos,
         mesmo que superficialmente,
               pois que somos barro da terra.

O mundo invisível,
    que só o nosso espírito conhece,
        esconde códigos e senhas
             e estamos começando
                    a decifrá-lo.

Há ansiedade insatisfeita.
   Há profundidade infinita
     na natureza humana
         que só o infinito
             pode suavizar,
                que só o infinito
                    pode ‘encher’.
                                                 
                  Devemos desistir?  
       
Mas por que deixar como está?

Na escuridão?

Ignorando a fonte da Luz
que nos faz antever
muitas moradas
no outro lado?

Você não pensa,
não solta a imaginação,
para passear
de vez em quando?

Quero morar lá,
onde mora o Infinito,
como experimento,
 no espírito,
livre,
sem pressões do tempo,
das barreiras,
preconceitos,
limitações
e finitudes.

Abrir-se para o infinito,
é escolher a opção,
de ultrapassar
as últimas fronteiras,
e entrar,
rasgando a placenta
dos mistérios impossíveis.

Pensar
nas dimensões infinitas,
leva-nos a vivenciar,
desde já,
os valores,
que abrem
novas portas.

Estes valores, vividos,
provam a existência do céu,
que tem que ser grande,
repleto de possibilidades,
como o infinito.


Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 24/08/2019

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