Não conseguimos,
pelas nossas próprias forças,
elevar-nos
alguns centímetros da terra,
e permanecer levitando
ou plainando.
Mas sentimos
que temos a potencialidade
de resolver problemas
e avançar além das barreiras,
além do somos e experimentamos.
Somos teimosos,
desconfiando
que não nos contaram tudo
e que vamos tateando,
apalpando
buscando
o que está escondido,
no mundo do desconhecido,
ou invisível aos nossos olhos.
Existem forças desconhecidas
que nos habitam.
A mente racional
não se contenta com o conhecido.
Desde o momento em que conhecemos
alguma coisa, que se tenha tornado decifrável,
a mesma conquista desafia e pergunta
qual o significado e o sentido
de tal descoberta.
Não nos contentamos
com a materialidade da descoberta.
Desejamos saber
qual é a espiritualidade,
a mensagem escondida,
a origem e a finalidade
de qualquer coisa.
Nunca chegamos a um fecho,
um fechamento, uma porta,
uma questão com ponto final.
Enquanto não penetramos dentro da casca,
E não manuseamos as raízes,
E não esfregamos as folhas em nossas mãos,
e não sentimos o perfume,
não nos contentamos.
Vivemos
uns ao lado dos outros.
Cada um
é um mistério fechado
para o outro.
Cada um
carrega um misterioso conteúdo
a ser partilhado.
Nem me conheço,
suficientemente,
a ponto de expor-me
e arriscar tornar conhecida
minha intimidade.
E nem tenho jeito,
sou tímido, e não sei como,
me deixar ser conhecido.
Você percebe
que ninguém é igual.
Não fomos feitos em série.
Não viemos da mesma cidade,
das mesmas famílias.
Não fizemos as mesmas escolhas.
Não percorremos os mesmos caminhos,
nem as mesmas viagens.
A capacidade que temos
de nos avaliar, e olhar,
como observados,
como objetos,
caminhando e agindo
na frente dos nossos próprios olhos,
revela o poder extraordinário,
da consciência
e da inteligência espiritual.
Somos capazes
de dirigir-nos.
Temos a liberdade
de escolhas.
E nos tornamos responsáveis
pela direção que queremos dar
à nossa própria vida.
As nossas escolhas
podem ser boas ou ruins.
De uma ou de outra,
as consequências fazem parte
e nos castigam ou nos premiam.
Nossos relacionamentos,
nossos encontros e nossas
conversas
podem ser muito mais profundas,
interessantes e voltadas
para as experiências solidárias
de pensamentos, questionamentos
e destino de vida.
O que é que faz a gente se aquietar,
não perguntar, se instalar na
casca,
não se interessar
por aquilo que é comum a todos
nós,
a satisfação
no auxílio e na solução
dos problemas uns dos outros.
Alcançaríamos muito mais satisfação
na vida do dia a dia,
se explorássemos objetivos comuns
o gosto pela música, pela dança,
o encanto pelas artes,
as emoções das atitudes de
bondade,
a busca e o gosto pela verdade,
a partilha da criatividade
o respeito sagrado a tudo e a
todos.
Perguntar um ao outro,
porque deixamos de cultivar os valores
que proporcionam emoções e
encantos,
e nos acovardamos, preferindo
tagarelices,
tolices desgastantes,
e despersonalizantes.
Está em nossas mãos
a busca e as oportunidades
do desabrochar da sensibilidade
das ferramentas de transformação,
conteúdos de evolução
e a qualidade da partilha
Não somos pessoas fechadas,
e sim, abertas.
Cabe a nós,
percebermos e escolher
a abertura dos canais
de conexão.
O espírito que nos permeia
é uno e universal.
É fácil sim, o acesso,
basta comungar
dos mesmos nobres ideais.
Já somos,
uma só alma,
um só espírito.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Criado em 16/09/2019
Atualizado em 12/09/2019.

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