terça-feira, 10 de setembro de 2019

665.- Tempo. Ser como uma folha, fora do tempo.




 Como pode, alguém sendo mortal,
fazer já, experiências
largas, infinitas?


Se prestarmos bem atenção,
e colocarmos a cabeça para pensar,
saindo da casca, transportando-nos
lá para fora da bolinha da Terra,
ali perto da lua já chega,
faríamos uma primeira experiência
de que o tempo só conta para quem
está dentro da Terra.


O fato da Terra
girar em torno do sol,
e em torno de si mesma,
produz os dias e as noites,
as estações da Primavera,
do Verão, do Outono e do Inverno.


Lá fora,
fora da Terra,
é tão grande,
que o movimento dos planetas,
dos astros,
estrelas e galáxias
não são percebidos a olho nu,
pela mente humana,
a não ser através
de ferramentas apropriadas
e parâmetro científicos.


Então,
‘forçando um pouco a expressão’,
o tempo só existe para nós,
aqui dentro da Terra.


Lá fora é tão grande
que o tempo perde autoridade
e quase desaparece.


A idade do nosso universo,
segundo os cientistas,
é de 14 bilhões de anos.

E nós, dentro da Terra,
nem temos noção da grandeza
e da duração destes números.


Voltemos aqui

para a Terrinha.

Como pode, alguém sendo mortal,
colecionador de datas de aniversários,
fazer já, experiências,
largas e infinitas?


A resposta está tão próxima,
tão na frente do nariz,
tão grande,
que passa despercebida.


Em quais momentos vividos,
sentimos que o tempo não passa?


São aqueles momentos
em que estamos tão absorvidos,
compenetrados e envolvidos,
no que estamos fazendo
ou sentindo,
que esquecemos quem somos,
ou não ligamos para o tempo,
nem onde estamos. 


Somos eternos, no agora.
Agora é sempre presente.


Fazemos a experiência
de que já somos eternos
quando desligamos as razões,
a mente, do passado e do futuro. 


E deixamos que da árvore,
uma folha se desprenda,
para com o vento brincar. 


Desligamos,
quando viramos folha ...
levada pelo vento.


Sem resistências,
relaxando,
permitindo que o vento
dobre nossa cintura,
encurve-nos
para a entrega
ao momento.


E dispa-nos
dos medos,
sem freios,
sem importar
para onde seremos levados.


Não importa para onde vamos
se ao vento confiamos
e entregamos o leme.


Se da razão abrimos mão,
ao vento nos soltemos,
sem apegos
ou saudades. 


Sentir-se envolvido
com o universo,
sem pensamentos,
sem mente,
sem razão,
sentindo-se apenas,
um a mais,
integrado,
em tudo
e no Todo.


E daqui,
observando-me,
eu me olho,
como uma folha,
desapegada da árvore da vida,
voando,
e brincando
com o vento. 



Ah! Como é bom,
deixar-se levar.


Ser só folha,
pobre, sem nada,
viajando pelo mundo
nas palmas do vento.


Algo nos limita e impede,
que sejamos livres,
leves como as folhas.


Como é difícil, 
desligar o motor,
deixar de existir,
morrer para o tempo. 


Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 10/09/2019
eneaspb@gmail.com

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