domingo, 28 de janeiro de 2018

456.- Alegria. Vestindo-se de alegria.


Não tem graça nenhuma,

viver, assim, no automático,

sem emoção, sem brilho nos olhos,

nu, sem alegria. 

 

Tem que ter uma orquestra

e um som de valsa,

lá no fundo, 

no mais profundo da gente.

 

Tenho de me vestir de alegria,

de passos alegres,

cantarolando,

circulando,

saltitando,

dançando.

 

Tenho receio

de ficar parado,

esperando por alguém,

que passe ao meu lado,

e não me convide.

 

Espero um convite

para caminhar,

correr ou dançar.

 

Que seja alguém vivo,

que escute a música,

que vem lá do fundo da alma,

e que expresse, alegremente, 

gratidão pela vida.

 

Alguém que tenha alma viva

vibrante, alegre,

 animada de espírito.

 

Que não seja um robô,

ligado no tempo e no espaço,

por pilhas e botões,

de liga e desliga.

 

Venha, conecte-se

ao som da alma, 

do seu universo interior.

 

Movimente-se.

 

Entre no palco

dos vivos.  

 

Vista-se de vida.

 

Ponha-se a viver.

 

Saia desse tipo de vida

que não é vida.

 

Não permita 

que a luzinha que carrega em ti

viva apagada, sem brilho. 


 

Veja o bom humor por aí,

emoções e sensações,

experiências

de que ‘vale a pena’.

 

Ninguém mais

sabe viver, degustando a vida,

como uma criança curte seu sorvete.

 

Todo mundo

ensinou a gente

a estudar sem parar,

a trabalhar até se arrebentar.

 

Ganhar dinheiro

para comprar estabilidade,

segurança e felicidade.

 

E o que temos?

Vida sem brilho,

sem alegria.

 

Não sabemos quem somos,

porque nos ensinaram

a ser ferramenta.

 

Não nos ensinaram a viver,

a curtir a vida que temos,

a vida que somos.

 

A vida passa

e nós passamos por ela,

sem saber quase nada

da vida que temos e somos.

 

Há um divórcio

entre nós e a vida,

entre o que aprendemos

e o que vivemos.

 

Há enorme distância

entre o que sabemos

da vida e a vida,

que deveríamos

estar vivendo.

 

Quantas pessoas

você conhece,

que admira,

e que sabem viver?

 

Quem são elas?

Jovens? Idosos?

Meia idade?

 

Não sei,

pode ser qualquer um,

que tenha lavado a alma,

não se esconde,

expõe-se,

deixa-se ver,

pureza no olhar,

bondade no coração,

olhar de admiração,

palavras carinhosas,

passos lentos, silenciosos.

 

Onde você recarrega

suas baterias,

sua energia,

motivações,

a vontade de viver?

 

Seu corpo é pesado,

difícil de carregar?

 

Preocupa-se

em se tornar mais leve?

 

Sua cabeça dói?

Há tensão lá dentro?

 

O que você daria

para ter paz,

na cabeça,

no coração?

 

Saiba que não é necessário

dinheiro, nem poder.

 

A fonte da sua paz,

está em você.

 

Você não depende

de nada

que seja externo,

de fora

de você mesmo.

 

Você é seu patrimônio.

 

Tens todos os equipamentos.

 

Veio equipado da fábrica,

para escolher seus caminhos

e suas consequências.

 

Você escolhe o que fazer

com a sua vida.

 

“Aquilo de que foges

e aquilo que desejas ardentemente

estão ambos em seu íntimo”.

Anthony de Mello

 

Você tem uma fortuna,

e tem o poder de gastar essa fortuna.

Pode desperdiçar, gastar,

de qualquer jeito

suas energias.

 

Pode canalizar,

orientar,

conduzir

sua vida

para ações e atitudes

pacificadoras.

 

Renove-se.

Ligue, de novo,

o botão,

da sua vida.

 

Descubra

o que ainda há de original

em você.

 

Descarte suas máscaras.

 

Não olhe tanto

para sua aparência.

 

Desvele sua alma.

 

Permita que sua alma respire

no ambiente em que você está,

na sua própria condição,

frágil, humano(a), mas,

sensível, vivo(a) ainda.

 

Olhe-se

por dentro.

 

Sinta as batidas

do seu coração.

 

Experimente sentir

seu corpo.

 

Tenha consciência

que está vivo(a).

 

E vibre com esta realidade.

Grite: VIIIVVVAA.

 

Viva a vida.

 

Há um vento, fornecendo-te ar

para os pulmões.

 

Há uma música suave,

infinita, tocando para você

sentir-se bem, nos seus dias e noites.

 

Há os possíveis sonhos

para ocupar o lugar

dos desesperos,

a serem descartados.

 

Existem as pessoas,

aguardando sua luz,

suas palavras doces e suaves.

 

Seja inspiração

para quem você encontra

em seu dia a dia,

sua família,

seus amigos.

 

Permita que quem vive com você

deseje seguir teus passos

na dança da vida.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 28/01/2018

eneaspb@gmail.com  

Publicado no Blog Heipo World

e no FACe em 28/01/2018.

455.- Gianneas



Uma inspiração

para o Dia dos Namorados

dedicado à minha esposa

enamorada Gianna Menegale Bogucheski.

 

Gianna + Eneas = Gianneas.

 

Eis que estou perto de ti

e te convido:

 vem comigo caminhar.

 

Se atenderes ao meu pedido,

 tuas tristezas ficarão para trás

e a alegria estará a passear,

eu contigo,

e a alegria conosco.

 

Mais rápido do que as tristezas,

a alegria delas se distancia.

 

 Meus passos são lentos:

conseguirás me acompanhar.

basta tuas mãos a me segurar,

juntos iremos,

mais um desafio,

enfrentar.

 

O que fica para trás

não conseguirá jamais nos alcançar.

Conosco caminha o Espírito Santo

que engravida de esperanças

nosso pisar no presente

e nossos passos,

 lá na frente.

 

Onde iremos

ou onde conseguiremos chegar?

 

Não importa.

O que importa

é contigo caminhar.

 

Desde quando

juntos iniciamos

este exercício de juntos andar

nada tem sido difícil 

ou impossível de superar.

 

Vitórias, conquistas, muitas alegrias

nos trouxeram

nesta lida desta vida.

 

As dificuldades 

e pedras do caminho

jamais nos derrotaram.

 

Nos educaram.

Nos fortaleceram.

E mais nos uniram num só passo,

em harmonia e poesia.

 

Deixamos lá para trás

boas marcas e sons.

 

Tenha acontecido como aconteceu,

tivesse diferente história acontecido,

temos certeza de que nosso amor,

jamais enfraqueceu.

 

O Espírito Santo

está sempre caminhando.

 

Se nos pomos a andar

o Espírito anda conosco

e nós com Ele.

 

 















Se nos sentamos...

o espírito continua andando

e nós perdemos 

os seus dons e sua carona.

 

Vamos juntos e caminhemos.

 

Andar é condição

de sustento e crescimento.

Nosso amor, no andar, nos eterniza.

 

Dia dos Namorados, 12 Junho 2008.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 28/01/2018

eneaspb@gmail.com

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

454.- Poeta. Resposta do poeta à poetisa. Amor amável.




Toda mulher

que corresponde a um amor,

torna-se poetisa, 

e inspiração para o amado. 


Coloque um CD do Leonard Cohen,

cantando, e nós dois, vamos dançando

ao som da orquestra e da sua voz rouca,

envelhecidamente romântica.


O poeta ama o amor amável.

Ama o amor ausente, sofrido.

Um tipo de amor com gosto de saudade

que não esquece, mas sempre aquece

pelas lembranças amadas.  

 

Sei que o espírito 

não envelhece.

 

As lembranças dos meus anos vividos

transportam-me imediatamente para lá,

na sua casa, com sua companhia.

 

A vida,

as circunstâncias,

levaram-nos,

cada um

para seu destino.

 

Hoje, dois eu,

disputam,

brigam, discutem,

sugerem-me ações

que devo ou não fazer.

 

A prudência exige calar-me,

deixar como está,

como veio até aqui,

amor sofrido, amor calado,

amor distante, amor vivido.

 

Não me agrada

esconder um amor

que nasceu, existiu,

mas não cresceu

até onde devia,

até onde podia.

 

Tenho certeza

que a chama do fogo,

que o amor, uma vez iniciado,

jamais apaga, por ser eterno.

 

Sentimos isso, a dois,

sem muitas frases,

não eram necessárias,

pois o sentimento sente,

sem ter que traduzir

em palavras.

 

Hoje, ainda hoje,

também o sentimento,

nobre sentimento,

permanece.

 

Respeito, admiração,

algo grande, profundo,

verdadeiro, imutável,

pede passagem,

para no tempo, perpetuar-se.

 

Não há distância.

Há presença, calada,

sofrida, suportável,

porque, amável.

 

No coração do poeta cresce,

um tipo de amor,

diferente, abrangente,

obediente à lei do amor,

a tudo, a todos,

do ontem, no hoje,

para amanhã e, para sempre.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 26/01/2018

eneaspb@gmail.com

Publicado no Blog Heipo World

e no FACE em 26/01/2018

Atualizado em 26/01/2024.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

453.- Farisaísmo cristão. Olá fariseu, que dia envolvente!



“Se somos cristãos,

andamos com a vela apagada”.

Brennan Manning

 

Vou transcrever neste texto,

uma série de citações e pensamentos

de diversos autores,

com a finalidade

de servir de reflexão e parâmetros

para um exame de consciência,

para nós, que nos identificamos

como cristãos. 

 

“Só uma pessoa

que consegue viver

segundo os ensinamentos do Jesus Cristo

tem direito de se chamar de cristão”.

George Ivanovitch Gurdjieff,

em seu livro: Em Busca do Ser.

 

Nossa maneira de pensar de cristãos,

é mais ou menos assim:

achamos que somos cristãos

pela prática das virtudes,

pela prática dos mandamentos,

pela observância das orientações da Igreja

e pela nossa participação presencial 

numa comunidade.  

 

O que me abre

para o Deus Pai

não é, em primeiro lugar,

a minha virtude,

mas, sim,

as minhas fraquezas,

a minha incapacidade,

ou mesmo, o meu pecado”.

Anselmo Grun, em seu livro:

Espiritualidade a partir de si mesmo,

página 8, Editora Vozes.

 

“A verdadeira oração

surge do mais profundo

da nossa miséria,

e não das nossas virtudes”.

Anselmo Grun, em seu livro:

Espiritualidade a partir de si mesmo,

página 9, Editora Vozes.

 

É bem isso aí:

de vez em quando,

ou de vez em sempre,

somos fariseus, hipócritas,

fingidos e mascarados.

 

Se você se acha cristão,

reavalie-se.

 

Entre dentro desse espelho

avaliativo e comparativo.

 

Não é uma crítica

cega e revoltada

contra a Igreja

ou contra os religiosos,

sacerdotes, bispos, teólogos

ou escritores cristãos.

 

Que fique bem clara essa minha intenção,

e fique atento à tendência de julgar,

antes de julgar-se.

 

É uma atitude de purificação,

de afinação do senso crítico,

em separar o que ajuda

a nos tornar melhores,

mais tolerantes,

mais misericordiosos

e menos julgadores,

menos ritualistas,

menos cumpridores de regras,

mais humanos, mais cristãos, mais divinos.

 

Os fariseus

colocavam sua confiança,

no que estava escrito,

e fechavam-se,

para o Homem concreto,

e sua mensagem da graça”.

Brennan Manning,

O Evangelho Maltrapilho.

 

O que nós humanos mais queremos,

mais desejamos

é encontrarmos o Deus da Graça,

o Deus Misericordioso,

compreensivo, tolerante,

perdoador e acolhedor.

 

Queremos, desejamos,

o encontro pessoal,

com uma Pessoa,

não com homilias,

palavras,

palestras,

aula ou catequese.

 

Mais do que apenas viver

um dia atrás do outro,

o que desejamos

é viver mais profundamente,

cada vez mais conscientes,

da realidade última,

e das razões pelas quais vivemos.

 

Por QUEM vivemos.

 

Se até agora estamos insatisfeitos,

inseguros e confusos,

talvez ainda não saibamos

as razões pelas quais vivemos,

e não damos ouvido

ao Homem Verdade.

 

Há uma secreta

e misteriosa resistência

da maioria dos seres humanos

quanto às verdades reveladas pelas Religiões.

 

“A Verdade vos libertará”,

disse e escreveu o Apóstolo Paulo.

 

O Jesus Cristo se apresentou

dizendo: Eu Sou a Verdade.

 

Os princípios da religião

são exigentes,

pois solicitam coerência

entre o que sabemos ser verdade,

e o que realmente

é confirmado com as nossas ações.

 

Na teoria, nos números, nas estatísticas,

nós cristãos, somos uma grande família.

 

Na realidade,

o que vemos,

o que constatamos,

é que quase

não se dá muita importância

aos princípios da religião cristã,

e muito menos ao Filho do Homem.  

 

Na medida

que o respeito

pela Igreja organizada declinou,

a reverência por Jesus cresceu”.

Jeroslav Pelikan.

 

Nós fazemos parte de um povo batizado,

que se diz Igreja, Igreja do Jesus Cristo.

 

Fazemos parte de uma organização.

 

Somos uma Igreja organizada.

 

Muita bem organizada.

 

E isto nos dá,

inconscientemente,

 um certo status,

pois fazemos parte

desta ‘grandiosa’ organização,

obedecendo,

aos Mandamentos,

da Lei do Deus Pai

e da Igreja.

 

Cumprimos as leis,

rigorosamente.

E isto nos dá uma sensação

de segurança,

“estamos salvos”.

 

Qualquer Igreja

que não aceite

que é formada

por homens

e mulheres pecaminosos,

e que existe para eles,

rejeita explicitamente

o Espírito do Evangelho

do Jesus Cristo”.

Brennan Manning,

em seu livro:

O Evangelho Maltrapilho.

 

 

“Se a Igreja é o Corpo do Cristo,

por sua própria natureza redentora,

tem que incorporar

não só os pecados

da humanidade,

mas os próprios homens

e mulheres pecadores”.

Brennan Manning,

em seu livro:

O Evangelho Maltrapilho.

 

“A Igreja

não é um museu

para santos,

mas um hospital

para pecadores”.

Morton Kelsey

 

Se refletíssemos um pouco mais,

se nos olhássemos no espelho da vida,

não daríamos tanta importância

se durante o dia, alguma coisa,

provocasse alguma sujeira

em nossa tão querida

personalidade

egocêntrica.

 

Sentir-se puro,

limpo,

o tempo todo,

é pensamento de fariseu,

é coisa de mascarado,

é ilusão que o ego cria.

 

Se nós, cristãos,

bispos, sacerdotes e religiosos

nos preocupássemos

um pouquinho menos

com nosso status

e um pouquinho mais

com a fotografia

do Reino do Deus Pai

que está aqui na Terra,

veríamos,

uma grande parte do rebanho,

afastada,

das nossas fraternidades.

 

E não temos coragem

de nos perguntar ‘por quê?

 

Porque os pastores

deixaram de ser pastores.

 

Preocuparam-se

em adquirir mestrado,

doutorado, pós-doutorado,

estudos especiais

em teologia,

e esqueceram,

que estamos no mundo,

dos necessitamos,

não de palavras,

não de conhecimentos,

mas de pessoas próximas,

de pastores que vivem junto

com as ovelhas, no mesmo pasto.

 

Assis nos sentimos,

como ovelhas sem pastor. 

 

Porque

somos do falar

e não do fazer,

da razão e não,

do coração.

 

Porque

os pastores de hoje

vivem vida de rico.

 

Quando se prega uma teologia,

catequese ou homilia,

a partir de cima,

a partir da estrutura

e da organização da Igreja,

a partir do poder do Deus dos céus,

para os leigos, os analfabetos,

das coisas do Deus dos Céus,

corre-se o risco

de se perder a sensibilidade,

olhando para as ovelhas,

como objetos a serem educados,

e não como ovelhinhas

a serem amadas,

compreendidas,

 nas suas fragilidades.

 

Quem caminha pelas estradas da vida,

necessita ser compreendida

em sua dimensão de fragilidade.

Necessita de ajuda material,

necessita ser amada,

amparada,

carregada no colo.

 

A alma do ser humano

carrega também um lado sombrio.

 

Não se lê receitas culinárias

para quem está passando fome”,

disse Leonardo Boff.

 

Quem estuda muito

acaba vivendo no mundo do abstrato.

 

A classe cristã está nesta situação.

 

Quem não estuda

vive dentro do mundo real,

desconfortável, exigente.

 

Se olharmos para os lados,

qualquer lado,

há apenas

lições a serem aprendidas,

e trabalhos a serem realizados,

respostas a serem respondidas,

na Terra, no chão, na carne nua e crua.

 

Na nossa realidade cristã,

nosso modo de viver em fraternidades,

quantos movimentos

de espiritualidade

estão organizados

dentro da grande estrutura da Igreja,

cujos ideais obedecem ao princípio

da busca de formação permanente.

 

Sempre em formação, quase nunca

em posição de trabalho.

 

E nós?

 

Cada um de nós,

contentes

porque fomos à missa dominical,

e fazemos nossas orações diárias

em nosso altar do superego.

 

Fizemos um acordo

com nosso deus pessoal,

criado por nós mesmos:

Não nos incomode’.

 

Não foi ensinado para nós,

cristãos do século XXI,

encontrar-se

com o Deus vivo

do Jesus Cristo,

Pessoa viva,

desconhecida,

andando por aí,

ao nosso lado

e nas periferias.

 

Iríamos longe,

assistindo os jornais

e avaliando

nossa caminhada de cristãos,

 ou de fariseus.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 23/01/2018

eneaspb@gmail.com

Publicado no Blog Heipo World

e no FACE em 23/01/2018