Não tem graça nenhuma,
viver, assim, no automático,
sem emoção, sem brilho nos olhos,
nu, sem alegria.
Tem que ter uma orquestra
e um som de valsa,
lá no fundo,
no mais profundo da gente.
Tenho de me vestir de alegria,
de passos alegres,
cantarolando,
circulando,
saltitando,
dançando.
Tenho receio
de ficar parado,
esperando por alguém,
que passe ao meu lado,
e não me convide.
Espero um convite
para caminhar,
correr ou dançar.
Que seja alguém vivo,
que escute a música,
que vem lá do fundo da alma,
e que expresse, alegremente,
gratidão pela vida.
Alguém que tenha alma viva
vibrante, alegre,
animada de
espírito.
Que não seja um robô,
ligado no tempo e no espaço,
por pilhas e botões,
de liga e desliga.
Venha, conecte-se
ao som da alma,
do seu universo interior.
Movimente-se.
Entre no palco
dos vivos.
Vista-se de vida.
Ponha-se a viver.
Saia desse tipo de vida
que não é vida.
Não permita
que a luzinha que carrega em ti
viva apagada, sem brilho.
Veja o bom humor por aí,
emoções e sensações,
experiências
de que ‘vale a pena’.
Ninguém mais
sabe viver, degustando a vida,
como uma criança curte seu sorvete.
Todo mundo
ensinou a gente
a estudar sem parar,
a trabalhar até se arrebentar.
Ganhar dinheiro
para comprar estabilidade,
segurança e felicidade.
E o que temos?
Vida sem brilho,
sem alegria.
Não sabemos quem somos,
porque nos ensinaram
a ser ferramenta.
Não nos ensinaram a viver,
a curtir a vida que temos,
a vida que somos.
A vida passa
e nós passamos por ela,
sem saber quase nada
da vida que temos e somos.
Há um divórcio
entre nós e a vida,
entre o que aprendemos
e o que vivemos.
Há enorme distância
entre o que sabemos
da vida e a vida,
que deveríamos
estar vivendo.
Quantas pessoas
você conhece,
que admira,
e que sabem viver?
Quem são elas?
Jovens? Idosos?
Meia idade?
Não sei,
pode ser qualquer um,
que tenha lavado a alma,
não se esconde,
expõe-se,
deixa-se ver,
pureza no olhar,
bondade no coração,
olhar de admiração,
palavras carinhosas,
passos lentos, silenciosos.
Onde você recarrega
suas baterias,
sua energia,
motivações,
a vontade de viver?
Seu corpo é pesado,
difícil de carregar?
Preocupa-se
em se tornar mais leve?
Sua cabeça dói?
Há tensão lá dentro?
O que você daria
para ter paz,
na cabeça,
no coração?
Saiba que não é necessário
dinheiro, nem poder.
A fonte da sua paz,
está em você.
Você não depende
de nada
que seja externo,
de fora
de você mesmo.
Você é seu patrimônio.
Tens todos os equipamentos.
Veio equipado da fábrica,
para escolher seus caminhos
e suas consequências.
Você escolhe o que fazer
com a sua vida.
“Aquilo de que foges
e aquilo que desejas ardentemente
estão ambos em seu íntimo”.
Anthony de Mello
Você tem uma fortuna,
e tem o poder de gastar essa fortuna.
Pode desperdiçar, gastar,
de qualquer jeito
suas energias.
Pode canalizar,
orientar,
conduzir
sua vida
para ações e atitudes
pacificadoras.
Renove-se.
Ligue, de novo,
o botão,
da sua vida.
Descubra
o que ainda há de original
em você.
Descarte suas máscaras.
Não olhe tanto
para sua aparência.
Desvele sua alma.
Permita que sua alma respire
no ambiente em que você está,
na sua própria condição,
frágil, humano(a), mas,
sensível, vivo(a) ainda.
Olhe-se
por dentro.
Sinta as batidas
do seu coração.
Experimente sentir
seu corpo.
Tenha consciência
que está vivo(a).
E vibre com esta realidade.
Grite: VIIIVVVAA.
Viva a vida.
Há um vento, fornecendo-te ar
para os pulmões.
Há uma música suave,
infinita, tocando para você
sentir-se bem, nos seus dias e noites.
Há os possíveis sonhos
para ocupar o lugar
dos desesperos,
a serem descartados.
Existem as pessoas,
aguardando sua luz,
suas palavras doces e suaves.
Seja inspiração
para quem você encontra
em seu dia a dia,
sua família,
seus amigos.
Permita que quem vive com você
deseje seguir teus passos
na dança da vida.
Eneas Paulo Budel
Bogucheski
Atualizado em
28/01/2018
Publicado no Blog Heipo World
e no FACe em 28/01/2018.

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