domingo, 7 de janeiro de 2018

450.- Céu. O céu dos adultos pode demorar. O céu das crianças já está por aqui.


Os racionalistas

não irão ler este texto.

 

Os românticos,

sim.

 

Os práticos,

não.

 

Os idealistas,

sim.

 

Os esperançosos,

também, sim.

 

Quando se dá de cara

com o assunto,

sobre o céu,

alguns dizem

que é coisa de criança,

de fanático ou lunático.

 

O Reino dos céus,

é de fato,

dos que se parecem

com as crianças.

 

Para elas

é que foi prometido o céu.

 

Então, ser adulto,

é condição,

para não entrar,

nesta dimensão,

nesta realidade,

própria para crianças.

 

Que pena,

que desperdício,

a atitude de rejeição

daquilo que é o futuro,

aquilo que teremos de construir,

justamente, aquilo que nos falta,

para completar nossa natureza última.

 

Aqui embaixo,

neste inferno,

que não é de todo ruim,

tem muitas coisas boas,

mas não é a medida

para a qual fomos criados.  

 

É o céu

o nosso destino.

 

Os poucos momentos

de lucidez,

experimentados,

com emoções,

momentos de extrema alegria

e felicidade,

foram, ou são,

amostras grátis

do que imaginamos

encontrar no céu.

 

A eternidade dos bons momentos,

por menores que foram ou que sejam,

duraram o suficiente,

para registrar

uma cicatriz indestrutível,

para sempre em nossa saudade

ou na esperança da realização plena.

 

É isso que queremos perpetuar:

essa experiência de céu.

 

Há um caminho,

para ir,

encontrando,

seguindo,

construindo,

e já vivendo,

o céu?

 

O caminho é cada um de nós.

 

Não pela nossa cabeça,

racionalista,

mas em nosso coração,

sentimental.

 

A tendência

da nossa capacidade racional é duvidar,

buscar provas, caminhar através de argumentos,

dissecar, conceituar tudo,

até quebrar o mistério,

a fascinação e o encanto

da realidade ou da verdade.

 

A alegria

da nossa egocêntrica

é derrubar os mitos, as lendas

e a cultura do espírito.

 

Mistérios,

são limites

que a ciência

e a frágil razão

não consegue chegar

a um final explicativo.

 

Por mais que explique,

o infinito e o mundo invisível

a razão não tem ainda,

autoridade para dar a última palavra.

 

Há uma outra porta

de conhecimento

pela qual deixamos entrar o céu,

em nosso pequeno mundo interior.

 

O espanto, o encanto,

o maravilhar-se

com o olhar para o céu estrelado,

ou para o céu sem nuvens,

e não ver limites nos espaços celestiais.

 

Se a razão

não deixa o céu entrar,

a emoção deixa,

porque consegue chegar

na profundidade da nossa alma,

e envolve todo nosso ser nessa aventura.

 

Prestando atenção ao nosso corpo,

sede da mente e dos sentimentos,

abrindo nossos sentidos,

nossos ouvidos,

e intuições,

sintonizamos

um nível acima

dos interesses e ambições

das coisas cá de baixo.

 

O céu é bem maior

do que tudo o que cabe

dentro das nossas ambições.

 

É, mas somos racionalistas,

míopes, frágeis e teimosos,

de visão curta,

e justificamos, ironicamente,

como adultos:

‘Porque o Deus,

criador dos céus

não se manifesta?

Quem consegue ouvir a voz

do Deus que não fala?’

 

Como é que o Deus Criador

mantém conexão

com os terráqueos,

com nós, as criaturas preferidas Dele?

 

Existem outros recursos,

para ouvir, para acreditar?

 

Será a intuição,

a inspiração, os sonhos?

 

Algumas pessoas

tem medo de olhar

para dentro de si mesmas

e encontrarem abismos,

ou escuridão.

 

 

 

Não aprenderam ainda

a conhecer-se e aceitar

as próprias limitações,

a conviver em paz

com a sua própria natureza limitada,

sujeita a doenças e depressões e à morte.

 

Pode ser que no silêncio

encontrem a própria alma,

ou o sacrário onde o Deus da Esperança

ainda mora.

 

Nesse inferno desconhecido que sou,

aqui dentro do meu coração,

pode estar oculto o céu que espero,

se tornar conhecido.

 

É com os olhos fechados,

que conseguimos

nos ver por dentro,

por mais escuro que esteja.

 

E o céu pode estar aí,

bem pertinho,

íntimo, próximo,

junto, dentro de mim.

 

Nossa alma

é um profundo abismo,

vastíssimo espaço,

onde até o Deus Pai,

Criador do Céu e da Terra,

cabe, vazando.

 

Existe apenas uma luz

capaz de penetrar na

escuridão da nossa alma:

A luz salvadora

e redentora do Jesus Cristo,

sua palavra, sua mensagem,

sua própria pessoa, o Espírito, Santo.

 

Cada um de nós

contém dentro de si um espaço,

o espaço da alma,

onde o silêncio se sente bem

e onde ‘escutamos’,

conversamos,  nos colocamos,

passivamente diante do nosso Pai celestial

e dizemos: eis-me aqui, do jeito que sou.

 

E nos deixamos amar.

 

E simplesmente

nos deixamos amar,

de graça, experimentando o céu

do nada fazer, do nada ser,

nus, por sermos amados,

assim como somos,

sem máscaras,

sem ter nada para apresentar,

no altar dos humanos,

frágeis criaturas mortais.

 

Há um céu pertinho,

juntinho de nós,

em nossa alma,

ali onde o Deus Pai habita,

na alma da nossa alma.


O céu foi feito também

para os adultos, racionalistas e ateus.

 

Vai chegar a vez deles, também.

 

Alguns vão antes,

as crianças.

 

Depois, os adultos,

racionalistas e ateus. 


Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 07/01/2018

eneaspb@gmail.com   

Publicado no Blog Heipo World

e no FACe em 07/01/2018

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