Os racionalistas
não irão ler este texto.
Os românticos,
sim.
Os práticos,
não.
Os idealistas,
sim.
Os esperançosos,
também, sim.
Quando se dá de cara
com o assunto,
sobre o céu,
alguns dizem
que é coisa de criança,
de fanático ou lunático.
O Reino dos céus,
é de fato,
dos que se parecem
com as crianças.
Para elas
é que foi prometido o céu.
Então, ser adulto,
é condição,
para não entrar,
nesta dimensão,
nesta realidade,
própria para crianças.
Que
pena,
que
desperdício,
a
atitude de rejeição
daquilo
que é o futuro,
aquilo
que teremos de construir,
justamente,
aquilo que nos falta,
para
completar nossa natureza última.
Aqui
embaixo,
neste
inferno,
que
não é de todo ruim,
tem
muitas coisas boas,
mas
não é a medida
para
a qual fomos criados.
É o céu
o nosso destino.
Os
poucos momentos
de
lucidez,
experimentados,
com
emoções,
momentos
de extrema alegria
e
felicidade,
foram,
ou são,
amostras
grátis
do
que imaginamos
encontrar
no céu.
A
eternidade dos bons momentos,
por
menores que foram ou que sejam,
duraram
o suficiente,
para
registrar
uma
cicatriz indestrutível,
para
sempre em nossa saudade
ou
na esperança da realização plena.
É isso que queremos perpetuar:
essa experiência de céu.
Há
um caminho,
para
ir,
encontrando,
seguindo,
construindo,
e
já vivendo,
o
céu?
O
caminho é cada um de nós.
Não
pela nossa cabeça,
racionalista,
mas
em nosso coração,
sentimental.
A
tendência
da
nossa capacidade racional é duvidar,
buscar
provas, caminhar através de argumentos,
dissecar,
conceituar tudo,
até
quebrar o mistério,
a
fascinação e o encanto
da
realidade ou da verdade.
A
alegria
da
nossa egocêntrica
é
derrubar os mitos, as lendas
e
a cultura do espírito.
Mistérios,
são
limites
que
a ciência
e
a frágil razão
não
consegue chegar
a
um final explicativo.
Por
mais que explique,
o
infinito e o mundo invisível
a
razão não tem ainda,
autoridade
para dar a última palavra.
Há uma outra porta
de conhecimento
pela qual deixamos entrar o céu,
em nosso pequeno mundo interior.
O espanto, o encanto,
o maravilhar-se
com o olhar para o céu estrelado,
ou para o céu sem nuvens,
e não ver limites nos espaços
celestiais.
Se
a razão
não
deixa o céu entrar,
a
emoção deixa,
porque
consegue chegar
na
profundidade da nossa alma,
e
envolve todo nosso ser nessa aventura.
Prestando
atenção ao nosso corpo,
sede
da mente e dos sentimentos,
abrindo
nossos sentidos,
nossos
ouvidos,
e
intuições,
sintonizamos
um
nível acima
dos
interesses e ambições
das
coisas cá de baixo.
O céu é bem maior
do que tudo o que cabe
dentro das nossas ambições.
É,
mas somos racionalistas,
míopes,
frágeis e teimosos,
de
visão curta,
e
justificamos, ironicamente,
como
adultos:
‘Porque
o Deus,
criador
dos céus
não
se manifesta?
Quem
consegue ouvir a voz
do
Deus que não fala?’
Como
é que o Deus Criador
mantém
conexão
com
os terráqueos,
com
nós, as criaturas preferidas Dele?
Existem
outros recursos,
para
ouvir, para acreditar?
Será
a intuição,
a
inspiração, os sonhos?
Algumas
pessoas
tem
medo de olhar
para
dentro de si mesmas
e
encontrarem abismos,
ou
escuridão.
Não
aprenderam ainda
a
conhecer-se e aceitar
as
próprias limitações,
a
conviver em paz
com
a sua própria natureza limitada,
sujeita
a doenças e depressões e à morte.
Pode ser que no silêncio
encontrem a própria alma,
ou o sacrário onde o Deus da Esperança
ainda mora.
Nesse inferno desconhecido que sou,
aqui dentro do meu coração,
pode estar oculto o céu que espero,
se tornar conhecido.
É com os olhos fechados,
que conseguimos
nos ver por dentro,
por mais escuro que esteja.
E o céu pode estar aí,
bem pertinho,
íntimo, próximo,
junto, dentro de mim.
Nossa alma
é um profundo abismo,
vastíssimo espaço,
onde até o Deus Pai,
Criador do Céu e da Terra,
cabe, vazando.
Existe
apenas uma luz
capaz
de penetrar na
escuridão
da nossa alma:
A
luz salvadora
e
redentora do Jesus Cristo,
sua
palavra, sua mensagem,
sua
própria pessoa, o Espírito, Santo.
Cada um de nós
contém dentro de si um espaço,
o espaço da alma,
onde o silêncio se sente bem
e onde ‘escutamos’,
conversamos, nos colocamos,
passivamente diante do nosso Pai
celestial
e dizemos: eis-me aqui, do jeito que
sou.
E nos deixamos amar.
E simplesmente
nos deixamos amar,
de graça, experimentando o céu
do nada fazer, do nada ser,
nus, por sermos amados,
assim como somos,
sem máscaras,
sem ter nada para apresentar,
no altar dos humanos,
frágeis criaturas mortais.
Há um céu pertinho,
juntinho de nós,
em nossa alma,
ali onde o Deus Pai habita,
na alma da nossa alma.
O céu foi feito também
para os adultos, racionalistas e
ateus.
Vai chegar a vez deles, também.
Alguns vão antes,
as crianças.
Depois, os adultos,
racionalistas e ateus.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 07/01/2018
eneaspb@gmail.com
Publicado no Blog Heipo World
e no FACe em 07/01/2018

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