Toda mulher
que corresponde a um amor,
torna-se poetisa,
e inspiração para o amado.
Coloque um CD do Leonard Cohen,
cantando, e nós dois, vamos dançando
ao som da orquestra e da sua voz rouca,
envelhecidamente romântica.
O poeta ama o amor amável.
Ama o amor ausente, sofrido.
Um tipo de amor com gosto de saudade
que não esquece, mas sempre aquece
pelas lembranças amadas.
Sei que o espírito
não envelhece.
As lembranças dos
meus anos vividos
transportam-me
imediatamente para lá,
na sua casa, com sua
companhia.
A vida,
as circunstâncias,
levaram-nos,
cada um
para seu destino.
Hoje, dois eu,
disputam,
brigam, discutem,
sugerem-me ações
que devo ou não
fazer.
A prudência exige calar-me,
deixar como está,
como veio até aqui,
amor sofrido, amor
calado,
amor distante, amor
vivido.
Não me agrada
esconder um amor
que nasceu, existiu,
mas não cresceu
até onde devia,
até onde podia.
Tenho certeza
que a chama do fogo,
que o amor, uma vez
iniciado,
jamais apaga, por ser
eterno.
Sentimos isso, a
dois,
sem muitas frases,
não eram necessárias,
pois o sentimento
sente,
sem ter que traduzir
em palavras.
Hoje, ainda hoje,
também o sentimento,
nobre sentimento,
permanece.
Respeito, admiração,
algo grande,
profundo,
verdadeiro, imutável,
pede passagem,
para no tempo, perpetuar-se.
Não há distância.
Há presença, calada,
sofrida, suportável,
porque, amável.
No coração do poeta cresce,
um tipo de amor,
diferente, abrangente,
obediente à lei do
amor,
a tudo, a todos,
do ontem, no hoje,
para amanhã e, para
sempre.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 26/01/2018
Publicado no Blog Heipo World
e no FACE em 26/01/2018
Atualizado em 26/01/2024.

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