sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

454.- Poeta. Resposta do poeta à poetisa. Amor amável.




Toda mulher

que corresponde a um amor,

torna-se poetisa, 

e inspiração para o amado. 


Coloque um CD do Leonard Cohen,

cantando, e nós dois, vamos dançando

ao som da orquestra e da sua voz rouca,

envelhecidamente romântica.


O poeta ama o amor amável.

Ama o amor ausente, sofrido.

Um tipo de amor com gosto de saudade

que não esquece, mas sempre aquece

pelas lembranças amadas.  

 

Sei que o espírito 

não envelhece.

 

As lembranças dos meus anos vividos

transportam-me imediatamente para lá,

na sua casa, com sua companhia.

 

A vida,

as circunstâncias,

levaram-nos,

cada um

para seu destino.

 

Hoje, dois eu,

disputam,

brigam, discutem,

sugerem-me ações

que devo ou não fazer.

 

A prudência exige calar-me,

deixar como está,

como veio até aqui,

amor sofrido, amor calado,

amor distante, amor vivido.

 

Não me agrada

esconder um amor

que nasceu, existiu,

mas não cresceu

até onde devia,

até onde podia.

 

Tenho certeza

que a chama do fogo,

que o amor, uma vez iniciado,

jamais apaga, por ser eterno.

 

Sentimos isso, a dois,

sem muitas frases,

não eram necessárias,

pois o sentimento sente,

sem ter que traduzir

em palavras.

 

Hoje, ainda hoje,

também o sentimento,

nobre sentimento,

permanece.

 

Respeito, admiração,

algo grande, profundo,

verdadeiro, imutável,

pede passagem,

para no tempo, perpetuar-se.

 

Não há distância.

Há presença, calada,

sofrida, suportável,

porque, amável.

 

No coração do poeta cresce,

um tipo de amor,

diferente, abrangente,

obediente à lei do amor,

a tudo, a todos,

do ontem, no hoje,

para amanhã e, para sempre.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 26/01/2018

eneaspb@gmail.com

Publicado no Blog Heipo World

e no FACE em 26/01/2018

Atualizado em 26/01/2024.

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