O Amor não é amado.
O Amor que ama,
continua carregando a cruz,
com olhar amoroso, misericordioso.
Minha via é dolorosa, diz o Jesus,
o povo me honra com os lábios,
mas seu coração
está longe
do meu coração.
Essa cruz,
da distância,
entre Eu e vocês,
me é pesada.
Me causa pesar.
Essa cruz, da indiferença,
da empatia, da rejeição,
me é mais dolorida ainda.
Ainda estão preferindo Barrabás,
a Mim, que amo divinamente,
e perdoo todo tipo de escolhas
inconsequentes, malfeitas.
Via Sacra
significa
caminho do
sofrimento sagrado,
consagrado
e santificado
do Jesus
Cristo.
Caminhamos
juntos com o Jesus Cristo.
Ele ali, com
a cruz às costas, sofrendo.
E, nós aqui,
bem pertinho,
acompanhando pelo lado de
fora
da via crucis.
Perguntamos
por quais motivos,
o Jesus
Cristo foi condenado
a esse tipo
de martírio?
Foi condenado
porque
naquele tempo,
e nesse tempo de hoje,
combateu e
combate o farisaísmo,
combateu e combate
os mestres da lei,
os sabidos,
os entendidos,
os apegados
às tradições.
E nós,
apegados ao
conforto,
ao
comodismo,
a um estilo
de vida
sem esforços
e sem
sacrifícios,
não quereremos
nos envolver
com nenhum
tipo de cruz.
Ele foi
condenado
porque combateu
a aparência.
Combateu
aqueles que se achavam perfeitos.
É com muita dor na minha alma,
suando sangue, que digo:
“Este povo honra-me com os lábios,
mas seu coração está longe
do meu coração.”
Conforme Mateus 15,8-9
Foi
condenado
porque
apontou nossos defeitos.
E nós não temos
suficiente humildade,
para reconhecê-los
e aceitá-los.
A via, a
caminhada do sofrimento continuam.
Foi
condenado
porque
combateu o legalismo,
as normas,
as leis.
Foi
condenado
porque tentou
revelar
que o coração
de quem acompanhava,
e acompanha,
estava endurecido.
Perdida a sensibilidade
do coração
a razão,
insensível, não percebe mais nada.
Perdida a
sensibilidade do coração
a consciência
não consegue mais
entrar em
seu sagrado altar interior.
O Jesus foi
condenado
porque afrontou
os fundamentos
da sociedade
e da religião.
Na
biografia do São Francisco de Assis, está escrito que ele tanto amava o Jesus
Cristo que recebeu ainda em vida, as feridas do Jesus Crucificado.
No período em que estava organizando sua
Ordem, os seus confrades insistiam com ele dizendo: a nossa Ordem, para ser
forte, tem que ter os mesmos Estatutos, os mesmos Princípios que as Ordens dos
Monges. Temos que estudar bastante. Enviar irmãos para se formarem em Roma.
Temos de ser respeitados e venerados como pessoas letradas, com muito
conhecimento.
Essa foi uma cruz que o São Francisco
teve de vivenciar durante a sua vida: a pressão por conhecimento.
(Tentação moderna do saber, ter conhecimento; exercer o domínio através do
saber). Mas, ele, com humildade respondia. A nossa Organização, nossa Ordem só
deverá ter uma ambição, um estudo, um conhecimento, um mestre, O JESUS CRISTO CRUFICADO. Só a Ele devemos conhecer. Dele é que vamos
aprender como salvar e redimir o mundo. E o melhor caminho é o caminho do
coração, rasgado, ferido, do Salvador.
E nós, hoje vivemos e sofremos essa
tentação de ter muito conhecimento, cursos, encontros de formação, leituras.
Neste tempo da Quaresma, convém a nós refletirmos,
interiorizar-nos e avaliar se essa frase não está sendo dirigida a cada um de
nós: “Este povo honra-me com os lábios, mas seu coração está longe de mim.”
Quando rezardes não useis de muitas
palavras. Mateus 6,7-15; “Nas vossas orações, não useis de vãs repetições, como
tantos e tantos fazem ... porque entendem que é pelo palavreado que serão
ouvidos ou que me agradam”.
O coração não precisa usar palavras para
se comunicar.
O amor ou a forma de amar mais perfeita
é a de simplesmente estar frente a frente, um contemplando, admirando,
absorvendo-se um ao outro.
Estar junto com o amado ou amada, basta.
Esta é a fórmula da oração silenciosa.
A oração que a nós convém
aprender e praticar é rezar a oração contemplativa, silenciosa, sem palavras, só
com o coração aquietado, prestando atenção na Pessoa do Jesus Cristo, presente,
na dimensão invisível.
Faça um momento de silêncio. Procure
fazer uma oração silenciosa, vendo o Jesus aceitando e carregando a cruz,
olhando com carinho e amor infinito, para cada um de nós.
Aquela cruz tinha a marca e o peso do
amor.
Aceitou a Cruz porque ela fazia parte
do Plano Redentor do seu Pai, e nosso
Pai.
E o seu amor pelo seu Pai é infinito.
E o seu amor por nós, por isso, também é
infinito,
alcançando todos os tempos, passado e
futuro.
Todos nós sempre estivemos envolvidos
no projeto amoroso do Deus Criador.
O nosso caminhar, pensar e agir nesta Terra
acontece de acordo com a cultura predominante. E nossa cultura predominante não
é religiosa, por isso, encontramos dificuldades em envolver-nos na dinâmica da
Via Sacra do Jesus Cristo.
Mas, essa via sacra não é literatura, não acontece
só dentro dos muros da Igreja. Ela te envolve. Você está envolvido nela. Não deixe sua cruz vazia. Não fuja dela.
Se você não costuma ir à Igreja e não acompanha
toda a liturgia da quaresma, se tem uma Bíblia em casa, abra e leia os últimos
capítulos do Evangelho segundo São Mateus, capítulos 26-28 ou Evangelho segundo
São Marcos, capítulos 14 e 15, ou Evangelho segundo São Lucas, capítulos 22 e
23, ou Evangelho segundo São João, capítulos 18 e 19. Leia, sentindo-se um dos
personagens ali presente.
E, se se sentir inquieto e perceber que precisa de mais algumas sugestões, entre em contato comigo.
Eneas Paulo
Budel Bogucheski
eneaspb@gmail.com
Criado e pub
no blog e no FACE em 03/04/2025.