quinta-feira, 3 de abril de 2025

979.- Quaresma. A via crucis continua.


 

O Amor não é amado.

 

O Amor que ama,

continua carregando a cruz,

com olhar amoroso, misericordioso.

 

Minha via é dolorosa, diz o Jesus,

o povo me honra com os lábios,

mas seu coração

está longe

do meu coração.

 

Essa cruz,

da distância,

entre Eu e vocês,

me é pesada.

 

Me causa pesar.

 

Essa cruz, da indiferença,

da empatia, da rejeição,

me é mais dolorida ainda.

 

Ainda estão preferindo Barrabás,

a Mim, que amo divinamente,

e perdoo todo tipo de escolhas

inconsequentes, malfeitas.

 

Via Sacra significa

caminho do sofrimento sagrado,

consagrado e santificado

do Jesus Cristo.

 

Caminhamos juntos com o Jesus Cristo.

Ele ali, com a cruz às costas, sofrendo.

E, nós aqui, bem pertinho, 

acompanhando pelo lado de fora 

da via crucis.

 

Perguntamos por quais motivos,

o Jesus Cristo foi condenado

a esse tipo de martírio?

 

Foi condenado porque

naquele tempo, e nesse tempo de hoje,

combateu e combate o farisaísmo,

combateu e combate os mestres da lei,

os sabidos, os entendidos,

os apegados às tradições.

 

E nós,

apegados ao conforto,

ao comodismo,

a um estilo de vida

sem esforços

e sem sacrifícios,

não quereremos nos envolver

com nenhum tipo de cruz.

 

Ele foi condenado

porque combateu a aparência.

Combateu aqueles que se achavam perfeitos.

 

     É com muita dor na minha alma,

     suando sangue, que digo:

     “Este povo honra-me com os lábios,

      mas seu coração está longe

      do meu coração.”

       Conforme Mateus 15,8-9

 

Foi condenado

porque apontou nossos defeitos.

E nós não temos suficiente humildade,

para reconhecê-los e aceitá-los.

 

A via, a caminhada do sofrimento continuam.   

 

Foi condenado

porque combateu o legalismo,

as normas, as leis.

 

Foi condenado

porque tentou revelar

que o coração de quem acompanhava,

e acompanha, estava endurecido.  

 

Perdida a sensibilidade do coração

a razão, insensível, não percebe mais nada.

 

Perdida a sensibilidade do coração

a consciência não consegue mais

entrar em seu sagrado altar interior.  

 

O Jesus foi condenado

porque afrontou os fundamentos

da sociedade e da religião.

 

Na biografia do São Francisco de Assis, está escrito que ele tanto amava o Jesus Cristo que recebeu ainda em vida, as feridas do Jesus Crucificado. 

No período em que estava organizando sua Ordem, os seus confrades insistiam com ele dizendo: a nossa Ordem, para ser forte, tem que ter os mesmos Estatutos, os mesmos Princípios que as Ordens dos Monges. Temos que estudar bastante. Enviar irmãos para se formarem em Roma. Temos de ser respeitados e venerados como pessoas letradas, com muito conhecimento.

Essa foi uma cruz que o São Francisco teve de vivenciar durante a sua vida: a pressão por conhecimento. (Tentação moderna do saber, ter conhecimento; exercer o domínio através do saber). Mas, ele, com humildade respondia. A nossa Organização, nossa Ordem só deverá ter uma ambição, um estudo, um conhecimento, um mestre, O JESUS CRISTO CRUFICADO.  Só a Ele devemos conhecer. Dele é que vamos aprender como salvar e redimir o mundo. E o melhor caminho é o caminho do coração, rasgado, ferido, do Salvador. 


E nós, hoje vivemos e sofremos essa tentação de ter muito conhecimento, cursos, encontros de formação, leituras.

 

Neste tempo da Quaresma, convém a nós refletirmos, interiorizar-nos e avaliar se essa frase não está sendo dirigida a cada um de nós: “Este povo honra-me com os lábios, mas seu coração está longe de mim.”

 

Quando rezardes não useis de muitas palavras. Mateus 6,7-15; “Nas vossas orações, não useis de vãs repetições, como tantos e tantos fazem ... porque entendem que é pelo palavreado que serão ouvidos ou que me agradam”.

 

O coração não precisa usar palavras para se comunicar.

 

O amor ou a forma de amar mais perfeita é a de simplesmente estar frente a frente, um contemplando, admirando, absorvendo-se um ao outro.

 

Estar junto com o amado ou amada, basta.

 

Esta é a fórmula da oração silenciosa.

 

A oração que a nós convém aprender e praticar é rezar a oração contemplativa, silenciosa, sem palavras, só com o coração aquietado, prestando atenção na Pessoa do Jesus Cristo, presente, na dimensão invisível.

 

Faça um momento de silêncio. Procure fazer uma oração silenciosa, vendo o Jesus aceitando e carregando a cruz, olhando com carinho e amor infinito, para cada um de nós.

 

Aquela cruz tinha a marca e o peso do amor.

 

Aceitou a Cruz porque ela fazia parte

do Plano Redentor do seu Pai, e nosso Pai.

 

E o seu amor pelo seu Pai é infinito.

E o seu amor por nós, por isso, também é infinito,

alcançando todos os tempos, passado e futuro.

 

Todos nós sempre estivemos envolvidos

no projeto amoroso do Deus Criador.

 

O nosso caminhar, pensar e agir nesta Terra acontece de acordo com a cultura predominante. E nossa cultura predominante não é religiosa, por isso, encontramos dificuldades em envolver-nos na dinâmica da Via Sacra do Jesus Cristo. 


Mas, essa via sacra não é literatura, não acontece só dentro dos muros da Igreja. Ela te envolve. Você está envolvido nela. Não deixe sua cruz vazia. Não fuja dela.

 

Se você não costuma ir à Igreja e não acompanha toda a liturgia da quaresma, se tem uma Bíblia em casa, abra e leia os últimos capítulos do Evangelho segundo São Mateus, capítulos 26-28 ou Evangelho segundo São Marcos, capítulos 14 e 15, ou Evangelho segundo São Lucas, capítulos 22 e 23, ou Evangelho segundo São João, capítulos 18 e 19. Leia, sentindo-se um dos personagens ali presente.


     E, se se sentir inquieto e perceber que precisa de mais algumas sugestões, entre em contato comigo. 


Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com

Criado e pub no blog e no FACE em 03/04/2025.

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