sábado, 30 de dezembro de 2017

447.- Transcendência. A Transcendência invisível dignifica a imanência visível.


A transcendência,

é a dimensão divina,

grande, infinita,

inserida, enxertada

na dimensão terrena.

 

Imanência,

é tudo o que faz parte

da experiência pequena,

do ser humano.

 

A transcendência

abre chances,

amplia parcerias,

associando-se com o Criador,

levando-nos a aceitar a filiação divina,

permitindo e reconhecendo

que o Deus Criador

seja nosso Pai.

 

É com o Bem,

princípio supremo

o Bom, o Belo,

o Permanente,

é com o Ser

que possui todos estes atributos

que devemos associar-nos,

envolver-nos.

 

Sem a nossa ligação

com a transcendência,

seremos apenas imanentes,

terráqueos, impotentes.

 

Festas incompletas,

tristezas nas mesas,

alegrias mascaradas,

barrigas cheias de produtos imanentes.

Consequências: azia, insatisfações,

mal-estar e ressacas.

 

“A transcendência

não é algo que está além

do nosso mundo terreno,

mas é a dimensão misteriosa

de tudo o que existe,

o fundamento de todo ser:

o divino que penetra

todo o terreno”.

Anselm Grun

 

“Toda pessoa

é limitada (imanente),

mas quando encontra nela

o mistério divino,

experimenta a relação

com algo ilimitado,

infindo, inesgotável

(transcendência)”.

Anselm Grun

 

Como somos resistentes

à novidade

que está escondida

e re-velada

nos acontecimentos

que a vida proporciona,

transmitindo mensagens

além deste mundo.

 

A Luz veio ao mundo.

e aqueles que ainda vivem nas trevas,

não aceitaram,

não quiseram ver com clareza.

 

Por que tocamos neste assunto,

transcendência?

 

Porque tudo o que está fora do normal,

invisível, ainda misterioso, escondido,

é transcendente.

 

Transcendente

é o que está acima e além de nós.

 

Transcendente

é o mundo da dimensão invisível.

 

Transcendente

é o mistério

no qual estamos envolvidos.

 

Imanente é como um veículo

que foi feito para rodar também

nas noites, porém, sem faróis.

 

Admitir e aceitar a transcendência

é como acoplar faróis

para enxergar na escuridão

das noites.

 

Imanentes nos sentimos

quando estamos num profundo buraco,

sem saída, sem recursos.

 

Transcendentes nos sentimos,

quando, na escuridão,

nos profundos buracos da vida,

uma corda, uma escada

é disponibilizada.

 

Fazemos experiências

do que é imanente

quando desanimamos

e desesperamos,

nos afobando,

não enxergando saídas.

 

Fazemos experiências

do que é transcendência

quando acreditamos sem ver,

quando brota a esperança.

 

Fazemos experiências

da transcendência

quando experimentamos

que algo é bom, muito bom,

acima das expectativas,

e não decepciona, porque é divino,

permanente, para sempre. 

 

Fazer a experiência da transcendência,

é pensar de modo divino,

é pensar o conceito de totalidade,

totalidade unificante.

 

Nos abrimos para o Transcendente,

quando aceitamos mistérios.

 

Mistérios

que não conseguem ser explicados

com conceitos humanos e científicos.

 

Abrimo-nos para o Transcendente

quando, com humildade,

aceitamos que nem tudo conhecemos,

nem tudo conseguimos compreender.

 

Deixamos Deus ser Deus

sem que tentemos defini-Lo,

dissecá-Lo, entende-Lo.

 

Admiramos Ele,

além de todas as nossas imagens

e concepções.

 

Nossa meta

para o próximo passos

poderá ser, 

através do ego imanente,

levantar o voo

da consciência transcendente.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 30/12/2017

eneaspb@gmail.com

Publicado no Blog Heipo World

e no FACE em 30/12/2017.

Atualizado em 31/01/2024.

domingo, 24 de dezembro de 2017

446.- Paz. Queremos uma vaguinha no trem da paz.




- Ei, para onde você está indo?

 

- Pode me dar carona?

 

- Você nem sabe para onde vou.

 

- Não importa,

qualquer lugar

é melhor do que aqui.

 

E, estar com alguém

é melhor

que ficar sentado,

sozinho.

 

Vou contigo,

para onde fores.

 

Só quero estar com alguém

que me faça companhia.

 

Sentadas

à beira da vida,

milhares de pessoas,

estão esperando carona,

para ir a qualquer lugar,

não importa se perto ou longe.

 

O que desejam, de verdade,

não é paisagens bonitas,

lá fora, que as atraiam:

é a serenidade,

a paz.

 

De que adianta viajar para longe

se é aqui bem dentro de mim

que embarca e desembarca 

a paz?

 

Não é lá no estrangeiro,

mundo desconhecido

e inexplorado

que a paz

está.

 

Onde estou,

aqui,

ali,

lá,

acolá,

a paz está,

comigo.

 

Aonde vou,

a paz vai.

 

É comigo que ela mora.

E com ela que convivo.

 

A paz não está longe,

não está lá fora.

 

Pode estar aí dentro,

sufocada por ansiedades

empilhadas em cima dela.

 

Talvez você ainda não lhe tenha dado

importância devida.

 

Não a ama tanto.

 

E cheia de espanto,

lamenta sua ausência,

desprezando sua benéfica

companhia.

 

Deixa-a esquecida

lá no canto.

 

Ninguém pode te trazer a paz

que já veio em ti,

como acessório

de fábrica,

original.

 

Ou tenha se acostumado

a viver sem paz.

 

Talvez você ainda

não aprendeu

como ativá-la,

qual botão apertar.

 

Preste atenção

onde, como,

em quais momentos,

sente-se bem,

em paz.

 

Existem

pessoas pacíficas

lugares pacíficos,

músicas pacificadoras,

programas de TV que ativam

sentimentos e pensamentos

de paz.

 

Você encontra paz

em sua casa,

se ela for um lar,

um ninho,

aconchego.

 

Você encontra paz no seu cônjuge,

companheiro(a), participante

das suas descobertas,

diálogos de olhares,

intercâmbio de emoções,

campo das carícias,

palavras cheias de ternura,

acolhimento, aceitação,

dedicação, envolvimento pleno.

 

Elogios,

presentes pequenos,

um vasinho de flor,

enfeites, lembranças.  

 

Para manter a paz

morando em sua casa

tens que rejeitar,

desprezar,

afastar, expulsar,

e fazer guerra

contra tudo aquilo

que perturba a paz caseira,

a paz do coração.

 

Vivemos num mundo

cada vez mais rápido,

agitado e barulhento,

que provoca tensões em nós.

 

A pessoa inteligente

e cuidadora da sua paz

vai saber defender-se,

armar-se,

e criará o ambiente de paz

que necessita para viver

a harmonia consigo mesmo

e com seus familiares.

 

Desligará as fontes

dos barulhos externos,

que não ajudam,

não contribuem

para os sagrados momentos

de solidão e convivência.

 

Temos a fonte da paz

dentro de cada um de nós.

 

Necessitamos de silêncio

para repor

a ordem no nosso ser.

 

A paz

é uma construção pessoal.

É um trabalho interno,

pessoal, individual.

 

Se formos calmos,

se conquistarmos a paz,

seremos pacificadores.

 

Desejamos ser

procurados para o convívio,

quando contribuímos

para que a paz se instale,

se mude para nossos aposentos.

 

Com desejos sobrenaturais

desejamos a paz,

apoiamos e geramos paz.

 

Já sabemos

o que é viver em paz.

 

Já fizemos

essa singular experiência.

 

Porém, lutamos,

com todas as forças,

com toda criatividade,

para vivermos em paz?

 

Nossa serenidade,

nossa paz conquistada,

causam impacto no ambiente

e nas pessoas com quem convivemos.

 

Impactamos invisivelmente,

exercemos poder pacificador

nas pessoas e no mundo,

ao nosso redor.

 

Afetamos profundamente

e influenciamos uns aos outros,

apenas por ser quem somos.

 

E os outros

sentem prazer

em estar por perto,

das pessoas que transmitem

energias pacificadoras.

 

Cada um de nós,

deveria ser um distribuidor

de presentes.

 

Imagine-se distribuindo

um pacote de presente

para cada amigo,

para cada pessoa

com quem você se encontrar.

 

Imagine a cena:

 

- “Oi, quero dar-te um presente.

Pensei muito

sobre o que você estaria precisando,

neste momento.

 

Dentro deste embrulho,

dentro deste pacote,

te dou um presente.

 

Abra, pode abrir.

 

Dentro do pacote,

um pequeno papel

com uma pequena palavra:

‘Paz’.

 

Aí, o teu amigo, apenas te olha,

sem entender nada.

 

E você esclarece:

a paz que te dou

é a paz

que carrego dentro de mim.

 

Te dou a paz

no meu modo de ser

e no meu modo de agir”.

 

Voltemos ao início deste texto:

 

- Ei, para onde você está indo?

 

- Pode me dar carona?

 

- Você nem sabe para onde vou.

 

- Não importa,

qualquer lugar

é melhor do que aqui.

 

E, estar com alguém

é melhor

que ficar sentado,

sozinho.

 

Vou contigo,

para onde fores.

 

Só quero estar com alguém

que me faça companhia.

 

Vamos lá, procurar e encontrar

uma vaguinha no trem da paz.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 24/12/2017

eneaspb@gmail.com

Publicado no Blog Heipo World

e no Facebook em 24/12/2017

Atualizado em 30/01/2024

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

445.- Força espiritual. Despertando nossa força espiritual desconhecida ...



A nossa força espiritual 

desconhecida 

é despertada

quando aceitamos 

nossa fraqueza conhecida.


“Há uma urgente necessidade

de reflexão e desenvolvimento

de novas riquezas, de ordem emocional,

psicológica e espiritual”.

Maurizio Mancioli.

 

- O que é que mais buscamos?

A unidade, a serenidade,

a paz pessoal e entre nós.

 

- Do que é que queremos distância?

Das preocupações,

da ansiedade, do estresse,

de qualquer tipo de violência.

 

Cedo ou tarde

teremos de enfrentar

um período de depressão,

que é o resultado

das falhas na educação que recebemos

e que nos levou a sermos o que somos hoje:    

insatisfeitos, instáveis,

incompletos e desequilibrados,

ainda despreparados

para enfrentar a vida

e convivermos bem

com nossa natureza

humana e divina.  

 

“Em tempos escuros,

o olho começa a ver.

Quando o mundo externo

se escure para nós,

voltamos os nossos olhares

para dentro.

E ali, por vezes,

avistamos o segredo

da existência”.

Theodore Roethke.

 

“Em tempos de crise,

escuridão,

insatisfação interior,

temos a chance

de perceber a vida

com muito mais clareza,

e sentir o que realmente importa”.

Anselm Grun

 

Eu sou

uma pessoa deprimida.

 

Aceito essa realidade

e convivo com minha depressão.

 

Assustador?

 

Não, não é assustador.

 

Todos nós somos deprimidos,

descontentes, incompletos,

ansiosos, medrosos, insatisfeitos

com nossa frágil natureza.

 

Alguns mais outros menos.

 

Nestes últimos meses 

tenho focado meus interesses 

em estudar, compreender, 

e vivenciar a questão 

e o problema da depressão.

 

Tudo começa

com o conhecimento

ou desconhecimento 

sobre si mesmo.

 

Quem somos nós?

 

Nós temos duas origens:

uma humana e a outra divina.

 

A sabedoria

está em conhecer profundamente

e conviver com essas duas naturezas.

Conciliar essas duas forças.

 

Como humanos, somos limitados,

fechados, impotentes,

cheios de falhas e limitações,

desânimo, sujeitos às doenças,

e à morte.

 

Como humanos,

fazemos a experiência do esgotamento,

do abatimento, das tristezas, das doenças,

da depressão, do quase desespero.

 

Como divinos,

somos imagem

e semelhança com nosso Criador,

nosso Deus e nosso Pai, e,

por causa dessa semelhança,

somos ávidos por sempre mais.

 

Essa natureza divina em nós

é que nos mantém abertos,

insatisfeitos e revoltados com limitações.

 

Desejamos a perfeição,

sonhamos com o infinito

e desejamos vida eterna.

 

Como divinos,

fazemos a experiência

do entusiasmo, da alegria,

da esperança viva. 

 

Temos um valor.

Não gostamos de ser desprezados,

diminuídos ou descartados.

 

Existe dignidade infinita

em nossa personalidade.

 

Somos templos da divindade.

 

Dentro de cada um de nós

existe uma fonte de amor.

Deus é amor.

 

E o amor

é nosso alimento principal.

 

Quando deixamos de amar

ou quando não nos sentimos amados,

entramos em estado depressivo

porque deixamos de dar importância

a nós mesmos e aos outros.

 

A depressão

começou a entrar

na nossa história

quando os filósofos começaram

a dar mais valor à mente

do que ao coração.

 

E o vazio

começou a encher-se

de pensamentos.

 

E só as palavras

não preenchem

nosso vazio de amor.

 

A família,

é sustentada,

se alimenta e sobrevive

com atitudes amorosas.

 

A religião da palavra

não se sustentará

sem as atitudes de serviço,

de testemunho,

de doações de tempo

e do ser amoroso-profético.

 

A vida humana é um pacote

cheio de elementos vitais

para a manutenção

e para o crescimento das pessoas.

E dentro deste pacote

estão as dificuldades,

sofrimentos e fracassos,

as vitórias, os sucessos e os prêmios.

 

Se sabemos

e gostamos de conviver

com as alegrias,

será necessário e coerente

sabermos conviver com

os elementos que nos fortalecem.

 

Seremos incoerentes e burros

se não aceitarmos

a serena convivência

com as fraquezas,

com as doenças,

com as depressões,

pois fazem parte integral a vida

e não há como fugir delas.

 

Entenda-se consigo mesmo(a).

 

Pare de brigar

com suas limitações humanas.

Carregue-as com humildade,

como irmãs gêmeas.

 

As limitações

que causam a depressão

são lições de vida:

elas querem dizer-nos

ou ensinar-nos alguma coisa.

A primeira coisa a pensar

é que ela, a depressão,

ou o estado depressivo,

te procurou

para que você a aceitasse

como uma realidade

que está aí presente,

para cada vivente.

 

E se você não aceitar

a existência dela,

você não será humilde,

sempre se achará alguém superior,

que não merece sofrer.

 

Preserve a sua sacralidade.

Dentro de ti há um espaço protegido

da escuridão e da depressão.

 

Deus mora

em seu íntimo mais íntimo.

 

Cure-se

cultivando a sua espiritualidade.

 

Despertamos

nossa força espiritual desconhecida,

reconhecendo nossa fraqueza conhecida.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 19/12/2017

eneaspb@gmail.com

Publicado no blog Heipo World

e no FACE em 19/12/2017.

Atualizado em 30/01/2024.