domingo, 3 de dezembro de 2017

444.- Espiritualidade Nova x Velha Religiosidade.


Tirando uma fotografia

da cultura do mundo atual

me preocupa

o fato social

de que cada vez

menos pessoas

participam de missas,

procissões, novenas,

enfim, de eventos religiosos,

nas Igrejas, Templos e nas residências.

 

Quando conversamos

com as pessoas sobre religião,

sobre Deus,

percebemos que existe fé,

mas não há motivações

para a participação

nas liturgias, nas missas,

nos eventos religiosos,

nas Igrejas, nos Templos.

 

Entre tantas desculpas

ou justificativas

são as repetições,

as homilias sem emoção,

palavras que não provocam

motivações para o envolvimento

e o engajamento social.

 

Na mais crua realidade,

a verdadeira religião

tem a ver com a realidade

das pessoas que vivem aqui na Terra. 

 

É neste contexto

que a religião

deveria ser apresentada

como resposta às carências,

à fome de alimentos, à fome e sede de justiça.  

 

Para o bem da verdade,

o Cristianismo não é uma religião,

é sim viver, seguindo o exemplo

do Jesus Cristo, uma pessoa.

 

Espiritualidade

 é vida de relacionamento

com a pessoa do Jesus Cristo.

 

Espiritualidade tem a ver,

o conformar a minha vida

com a vida exemplar

do Jesus Cristo.  

 

Religião tem muito a ver

com obediência a dogmas,

ritos, cerimonias, livros, 

palavras, repetições.

 

Diferente é o procedimento

da vida espiritual de cada cristão.

 

Espiritualidade,

ou espiritual,

é o comportamento concreto,

de quem se encontra,

sempre de novo com uma pessoa.

 

Há liberdade, espontaneidade

inspiração de momento,

jovialidade, alegria,

diálogo sobre a vida do momento.

 

“Como está?”,

é a pergunta que fazemos

sempre que nos encontramos

de novo, com algum amigo,

com alguma pessoa.

 

Pesquiso muito

o tema da espiritualidade.

Nas pesquisas,

encontrei alguns pensamentos,

do Padre Renato dos Santos – SDB.

 

Todo crescimento

numa espiritualidade consistente,

liberta.

Espiritualidade autêntica

é somente aquela

que brota do encontro pessoal

com o Jesus Cristo.

Essa espiritualidade sim,

liberta o coração humano

de muitas convenções. 

Espiritualidade autêntica

não faz divisão

entre fé e vida.

Todos os mandamentos divinos

nos pedem maior sensibilidade

e solidariedade

na convivência social.

Essas são as verdadeiras etiquetas

que dão sentido

ao nosso existir humano”.

Padre Renato dos Santos – SDB.

 

A vida

está nas feridas”.

Anselm Grun


Na religião tradicional,

muitos cristãos

mantém-se longe das feridas

das pessoas e da sociedade,

mas mantém-se fiéis

às normas, às leis,

aos dogmas da religião.

 

É hora de ler alguns livros

sobre esse problema inquietante

que envolve todos nós.

 

Quanta gente boa

decepcionada

com a “Igreja”.

 

Como ficar indiferente,

se nos atinge a todos,

como irmãos?

 

Não será talvez

o apego e valorização

dos elementos formais,

aquilo que é pura exterioridade?

 

Richardo Rohr, em seu livro,

A Libertação do Ego, escreveu:

A religião do Ocidente

evoluiu para uma religião da lei

à custa da mística”.

 

E o teólogo Karl Rahner,

em 1960, escreveu:

“A Igreja do futuro

será uma Igreja Mística,

ou então deixará de existir”.

 

“Sem uma mudança

rumo aos elementos místicos,

a Igreja

não representa

nenhum auxílio

para a civilização ocidental.

Investir apenas

em organização e controle

levará os cristãos

apenas a serem meros participantes

de um grupo religioso”.

Richard Rohr

 

O que está em questão

na verdadeira religião,

é o elemento místico,

é o irmão na Terra,

o filho do Deus dos céus.

 

É tratar os outros

como irmãos,

já que somos filhos

do Deus que é nosso Pai.

 

Mística tem a ver

com mistura,

misturar com unidade,

unificar o homem-filho

com o Deus-Pai.

 

A mútua pertença,

o mútuo envolvimento

do homem com o Deus Pai

é o mistério

que nos entrelaça

na vida fraterna,

e cria a espiritualidade,

o modo de vida do Jesus Cristo,

imitado por nós, os cristãos.

 

É na Igreja,

a fraternidade

dos seguidos do Jesus Cristo,

que nos reunimos

para ajudar-nos uns aos outros,

a caminhar seguindo os passos

do Jesus Cristo.

 

E nessas fraternidades,

os padres

não exercem funções administrativas,

mas são os pais afetivos,

efetivos, os pastores,

acompanhando a caminhada,

a peregrinação dos filhinhos,

rumo à nossa casa celestial,

do Pai eterno.

 

Ah! Como seria bom

se assim fosse.  

 

Como ainda não é,

continuamos vivendo

a amarga experiência

da orfandade.

 

Nota do autor.

Meu ego exige que justifique este meu posicionamento, esta minha visão. Sou alguém que vive dentro da Igreja. Participo do Movimento das Equipes de Nossa Senhora e, de um Grupo de Oração e Reflexão. Sou cristão desde pequeno. Cresci dentro da Igreja. Fui seminarista franciscano-capuchinho. Assimilei tudo o que há de bom dentro da Igreja e é isso que me mantém perseverante neste caminho. Porém, leio a realidade, conheço a cultura ocidental dentro da qual estamos respirando, e ela afeta nossa família, nossos filhos e netos. Preocupa-me o futuro deles e de todos nós. A crítica não é feita para destruir, mas para corrigir, para apontar novos caminhos. É necessário acompanhar a evolução. Não podemos ficar de olhos fechados e nem sentados, deixando tudo como está. É responsabilidade nossa fazer alguma coisa, porque vivemos em sociedade.

 

Indico alguns livros

sobre o assunto espiritualidade

e temas relacionados

ao que aqui foi colocado.

 

A Espiritualidade de Jesus.

Coautoria de João Luiz Correia Junior

e Sebastião Armando Gameleira Soares.

 

Espiritualidade a partir de si mesmo,

Coautoria de Anselmo Grun

e Meinrad Dufner.

Editora Vozes.

 

O Divino em nós.

Anselm Grun

e Leonardo Boff,

Editora Vozes.

 

A libertação do Ego.

Richard Rohr

Editora Vozes.

 

Eneas Paulo Budel Boguheski

Atualizado em 03/12/2017

eneaspb@gmail.com  

Publicado no Blog Heipo World

e no FACE em 03/12/2017.

Atualizado em 30/01/2024. 

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