Tirando uma fotografia
da
cultura do mundo atual
me
preocupa
o
fato social
de
que cada vez
menos
pessoas
participam
de missas,
procissões,
novenas,
enfim, de eventos religiosos,
nas Igrejas, Templos e nas residências.
Quando
conversamos
com
as pessoas sobre religião,
sobre
Deus,
percebemos que existe fé,
mas
não há motivações
para
a participação
nas liturgias, nas missas,
nos
eventos religiosos,
nas
Igrejas, nos Templos.
Entre
tantas desculpas
ou
justificativas
são
as repetições,
as
homilias sem emoção,
palavras que não provocam
motivações para o envolvimento
e
o engajamento social.
Na mais crua realidade,
a
verdadeira religião
tem a ver com a realidade
das pessoas que vivem aqui na Terra.
É
neste contexto
que
a religião
deveria
ser apresentada
como resposta às carências,
à fome de alimentos, à fome e sede de justiça.
Para o bem da
verdade,
o Cristianismo não é uma religião,
é sim viver, seguindo o exemplo
do Jesus Cristo, uma pessoa.
Espiritualidade
é vida de relacionamento
com a pessoa do Jesus
Cristo.
Espiritualidade tem a
ver,
o conformar a minha vida
com a vida exemplar
do Jesus Cristo.
Religião tem muito a ver
com obediência a
dogmas,
ritos, cerimonias, livros,
palavras, repetições.
Diferente é o procedimento
da vida espiritual de cada cristão.
Espiritualidade,
ou espiritual,
é o comportamento
concreto,
de quem se encontra,
sempre de novo com uma pessoa.
Há liberdade, espontaneidade
inspiração de
momento,
jovialidade, alegria,
diálogo sobre a vida
do momento.
“Como está?”,
é a pergunta que
fazemos
sempre que nos
encontramos
de novo, com algum
amigo,
com alguma pessoa.
Pesquiso muito
o tema da espiritualidade.
Nas pesquisas,
encontrei alguns pensamentos,
do Padre Renato dos Santos –
SDB.
“Todo crescimento
numa espiritualidade consistente,
liberta.
Espiritualidade autêntica
é somente aquela
que brota do encontro pessoal
com o Jesus Cristo.
Essa espiritualidade sim,
liberta o coração humano
de muitas convenções.
Espiritualidade autêntica
não faz divisão
entre fé e vida.
Todos os mandamentos divinos
nos pedem maior sensibilidade
e solidariedade
na convivência social.
Essas são as verdadeiras etiquetas
que dão sentido
ao nosso existir humano”.
Padre
Renato dos Santos – SDB.
“A
vida
está
nas feridas”.
Anselm
Grun
Na religião tradicional,
muitos cristãos
mantém-se longe das feridas
das pessoas e da sociedade,
mas mantém-se fiéis
às normas, às leis,
aos dogmas da religião.
É hora de ler alguns livros
sobre esse problema inquietante
que envolve todos nós.
Quanta gente boa
decepcionada
com a “Igreja”.
Como ficar indiferente,
se nos atinge a todos,
como irmãos?
Não será talvez
o apego e valorização
dos elementos formais,
aquilo que é pura exterioridade?
Richardo
Rohr, em seu livro,
A
Libertação do Ego, escreveu:
“A religião do Ocidente
evoluiu
para uma religião da lei
à
custa da mística”.
E o
teólogo Karl Rahner,
em
1960, escreveu:
“A
Igreja do futuro
será
uma Igreja Mística,
ou
então deixará de existir”.
“Sem
uma mudança
rumo
aos elementos místicos,
a
Igreja
não
representa
nenhum
auxílio
para a
civilização ocidental.
Investir
apenas
em
organização e controle
levará
os cristãos
apenas
a serem meros participantes
de um
grupo religioso”.
Richard
Rohr
O que está em questão
na verdadeira religião,
é o elemento místico,
é o irmão na Terra,
o filho do Deus dos céus.
É tratar os outros
como irmãos,
já que somos filhos
do Deus que é nosso Pai.
Mística tem a ver
com mistura,
misturar com unidade,
unificar o homem-filho
com o Deus-Pai.
A mútua pertença,
o mútuo envolvimento
do homem com o Deus Pai
é o mistério
que nos entrelaça
na vida fraterna,
e cria a espiritualidade,
o modo de vida do Jesus Cristo,
imitado por nós, os cristãos.
É na Igreja,
a fraternidade
dos seguidos do Jesus Cristo,
que nos reunimos
para ajudar-nos uns aos outros,
a caminhar seguindo os passos
do Jesus Cristo.
E nessas fraternidades,
os padres
não exercem funções administrativas,
mas são os pais afetivos,
efetivos, os pastores,
acompanhando a caminhada,
a peregrinação dos filhinhos,
rumo à nossa casa celestial,
do Pai eterno.
Ah! Como seria bom
se assim fosse.
Como ainda não é,
continuamos vivendo
a amarga experiência
da orfandade.
Nota do autor.
Meu ego exige que
justifique este meu posicionamento, esta minha visão. Sou alguém que vive
dentro da Igreja. Participo do Movimento das Equipes de Nossa Senhora e, de um Grupo
de Oração e Reflexão. Sou cristão desde pequeno. Cresci dentro da Igreja. Fui
seminarista franciscano-capuchinho. Assimilei tudo o que há de bom dentro da
Igreja e é isso que me mantém perseverante neste caminho. Porém, leio a
realidade, conheço a cultura ocidental dentro da qual estamos respirando, e ela
afeta nossa família, nossos filhos e netos. Preocupa-me o futuro deles e de
todos nós. A crítica não é feita para destruir, mas para corrigir, para apontar
novos caminhos. É necessário acompanhar a evolução. Não podemos ficar de olhos
fechados e nem sentados, deixando tudo como está. É responsabilidade nossa
fazer alguma coisa, porque vivemos em sociedade.
Indico alguns livros
sobre o assunto espiritualidade
e temas relacionados
ao que aqui foi colocado.
A Espiritualidade de Jesus.
Coautoria de João Luiz Correia Junior
e Sebastião Armando Gameleira Soares.
Espiritualidade a partir de si mesmo,
Coautoria de Anselmo Grun
e Meinrad Dufner.
Editora Vozes.
O Divino em nós.
Anselm Grun
e Leonardo Boff,
Editora Vozes.
A libertação do Ego.
Richard Rohr
Editora Vozes.
Eneas
Paulo Budel Boguheski
Atualizado
em 03/12/2017
Publicado
no Blog Heipo World
e no FACE
em 03/12/2017.

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