domingo, 24 de dezembro de 2017

446.- Paz. Queremos uma vaguinha no trem da paz.




- Ei, para onde você está indo?

 

- Pode me dar carona?

 

- Você nem sabe para onde vou.

 

- Não importa,

qualquer lugar

é melhor do que aqui.

 

E, estar com alguém

é melhor

que ficar sentado,

sozinho.

 

Vou contigo,

para onde fores.

 

Só quero estar com alguém

que me faça companhia.

 

Sentadas

à beira da vida,

milhares de pessoas,

estão esperando carona,

para ir a qualquer lugar,

não importa se perto ou longe.

 

O que desejam, de verdade,

não é paisagens bonitas,

lá fora, que as atraiam:

é a serenidade,

a paz.

 

De que adianta viajar para longe

se é aqui bem dentro de mim

que embarca e desembarca 

a paz?

 

Não é lá no estrangeiro,

mundo desconhecido

e inexplorado

que a paz

está.

 

Onde estou,

aqui,

ali,

lá,

acolá,

a paz está,

comigo.

 

Aonde vou,

a paz vai.

 

É comigo que ela mora.

E com ela que convivo.

 

A paz não está longe,

não está lá fora.

 

Pode estar aí dentro,

sufocada por ansiedades

empilhadas em cima dela.

 

Talvez você ainda não lhe tenha dado

importância devida.

 

Não a ama tanto.

 

E cheia de espanto,

lamenta sua ausência,

desprezando sua benéfica

companhia.

 

Deixa-a esquecida

lá no canto.

 

Ninguém pode te trazer a paz

que já veio em ti,

como acessório

de fábrica,

original.

 

Ou tenha se acostumado

a viver sem paz.

 

Talvez você ainda

não aprendeu

como ativá-la,

qual botão apertar.

 

Preste atenção

onde, como,

em quais momentos,

sente-se bem,

em paz.

 

Existem

pessoas pacíficas

lugares pacíficos,

músicas pacificadoras,

programas de TV que ativam

sentimentos e pensamentos

de paz.

 

Você encontra paz

em sua casa,

se ela for um lar,

um ninho,

aconchego.

 

Você encontra paz no seu cônjuge,

companheiro(a), participante

das suas descobertas,

diálogos de olhares,

intercâmbio de emoções,

campo das carícias,

palavras cheias de ternura,

acolhimento, aceitação,

dedicação, envolvimento pleno.

 

Elogios,

presentes pequenos,

um vasinho de flor,

enfeites, lembranças.  

 

Para manter a paz

morando em sua casa

tens que rejeitar,

desprezar,

afastar, expulsar,

e fazer guerra

contra tudo aquilo

que perturba a paz caseira,

a paz do coração.

 

Vivemos num mundo

cada vez mais rápido,

agitado e barulhento,

que provoca tensões em nós.

 

A pessoa inteligente

e cuidadora da sua paz

vai saber defender-se,

armar-se,

e criará o ambiente de paz

que necessita para viver

a harmonia consigo mesmo

e com seus familiares.

 

Desligará as fontes

dos barulhos externos,

que não ajudam,

não contribuem

para os sagrados momentos

de solidão e convivência.

 

Temos a fonte da paz

dentro de cada um de nós.

 

Necessitamos de silêncio

para repor

a ordem no nosso ser.

 

A paz

é uma construção pessoal.

É um trabalho interno,

pessoal, individual.

 

Se formos calmos,

se conquistarmos a paz,

seremos pacificadores.

 

Desejamos ser

procurados para o convívio,

quando contribuímos

para que a paz se instale,

se mude para nossos aposentos.

 

Com desejos sobrenaturais

desejamos a paz,

apoiamos e geramos paz.

 

Já sabemos

o que é viver em paz.

 

Já fizemos

essa singular experiência.

 

Porém, lutamos,

com todas as forças,

com toda criatividade,

para vivermos em paz?

 

Nossa serenidade,

nossa paz conquistada,

causam impacto no ambiente

e nas pessoas com quem convivemos.

 

Impactamos invisivelmente,

exercemos poder pacificador

nas pessoas e no mundo,

ao nosso redor.

 

Afetamos profundamente

e influenciamos uns aos outros,

apenas por ser quem somos.

 

E os outros

sentem prazer

em estar por perto,

das pessoas que transmitem

energias pacificadoras.

 

Cada um de nós,

deveria ser um distribuidor

de presentes.

 

Imagine-se distribuindo

um pacote de presente

para cada amigo,

para cada pessoa

com quem você se encontrar.

 

Imagine a cena:

 

- “Oi, quero dar-te um presente.

Pensei muito

sobre o que você estaria precisando,

neste momento.

 

Dentro deste embrulho,

dentro deste pacote,

te dou um presente.

 

Abra, pode abrir.

 

Dentro do pacote,

um pequeno papel

com uma pequena palavra:

‘Paz’.

 

Aí, o teu amigo, apenas te olha,

sem entender nada.

 

E você esclarece:

a paz que te dou

é a paz

que carrego dentro de mim.

 

Te dou a paz

no meu modo de ser

e no meu modo de agir”.

 

Voltemos ao início deste texto:

 

- Ei, para onde você está indo?

 

- Pode me dar carona?

 

- Você nem sabe para onde vou.

 

- Não importa,

qualquer lugar

é melhor do que aqui.

 

E, estar com alguém

é melhor

que ficar sentado,

sozinho.

 

Vou contigo,

para onde fores.

 

Só quero estar com alguém

que me faça companhia.

 

Vamos lá, procurar e encontrar

uma vaguinha no trem da paz.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 24/12/2017

eneaspb@gmail.com

Publicado no Blog Heipo World

e no Facebook em 24/12/2017

Atualizado em 30/01/2024

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