sábado, 30 de junho de 2018

478.- Vento. Meu amigo invisível, o vento.




Eu queria. Eu quero 

            largar-me, feito folha,

nas palmas do vento.

 

Mas, a cabeça

        não deixa.

 

Cheia de preocupações,

amarrada nos apegos,

enroscada nos preconceitos,

paralisada pelos medos,

fechada nas inseguranças,

prejudicada pelas desconfianças

desequilibradas pelo excesso,

vazias dos valores simples da vida.

 

Parece

que só sabemos viver

a partir da nossa cabeça,

da mente e dos pensamentos.

 

A nossa cabeça pesa mais

do que a força do vento.

 

Parece

que colocamos tudo,

só na cabeça.

 

Opomos resistências,

duvidamos,

defendemos,

retardamos,

racionalizamos,

e acabamos desistindo,

porque deixamos de ser crianças,

e nos autopromovemos para adultos,

antes de amadurecer. 

 

Colocando toda a responsabilidade

da nossa vida sobre nossa cabeça,

esquecemos que somos frágeis,

como as crianças.

 

E as crianças

continuam dando show.

 

E nós, adultos,

proporcionando vexames,

sofrendo,

de dores de cabeça.  

 

Vivemos, teimosamente,

confusa e pesadamente,

a partir da cabeça,

da mente,

e da razão,

irracional.

 

Mas como,

tornar mais leve,

nossa cabeça,

nossas cargas,

nossa vida?

 

Tem algo

que ainda não aprendemos?

 

Alguma coisa

que não nos ensinaram?

 

Será que faltamos

algumas aulas importantes,

na universalidade da vida?

 

Ah, como seria bom

deixar-se levar pelo vento.

 

O que acontece

com uma folha seca,

levada pelo vento?

 

Que inveja desta folha!

Tão pobre, sem nada,

e tão rica,

sendo embalada,

levada,

viajando pelo mundo

nas palmas do vento.

 

A folha, sábia folha,

criancinha,

se abandona,

plaina,

voa,

dança,

sem saber,

sem mesmo querer saber,

para onde o ritmo

e os balanços a levam.

 

É levada

para onde o vento,

livre,

e alegre vai.

 

Como é sentir-se

 como uma folha seca

sendo levada pelo ar,

por aí, por paisagens

e países distantes,

livres,

sem freios,

sem medos,

como o vento.

 

Mas não podemos

nos largar por aí,

assim,

irresponsavelmente.

 

O que vão pensar de nós?

 

Se o vento é suave,

e se aproxima,

por que resistir?

 

Deixe-se

acariciar.

 

Deixe-se levar,

dançando,

balançando,

plainando,

teimando

em aterrissar.

 

Se o vento

te convida,

a sair,

do lugar

em que está enraizado(a),

não será,

talvez,

o vento,

teu amigo,

convidando-te

a passear?

 

Você entende

a linguagem do vento?

Consegue com ele, conversar?

Ou apenas escutar?

Interpretar?

 

Será o vento,

invisível,

um anjo?

 

Se o pássaro canta,

tentando avisar-me,

nada percebo,

não escuto,

nem interpreto.

 

Onde estou

com os ouvidos,

que não o ouço?

 

Ou onde coloquei a atenção

que não sabe mais ler

e ouvir,

a voz da criação?

 

Se estou fechado

para o mundo exterior,

não conseguirei despertar,

a sensibilidade,

que dorme dentro de mim.

 

Soltar-se,

deixar-se levar,

pelo vento,

como uma folha seca,

já é demais.

 

Imagine,

quão longe irei,

se, mais leve,

como uma pena de passarinho,

soltar-me por aí?

 

E se,

ainda mais leve,

onde irei,

onde conseguirei chegar,

com minha alma,

 finíssima arte,

transparente e infinita,

viajando pelo céu infinito.

 

Soltar-se,

abandonar-se,

acreditar no impossível,

mistérios que não desejamos

que sejam abertos nem conhecidos.

 

 

Por favor,

não queiram explicar

os mistérios.

 

Deixem-me

algumas esperanças,

nem que sejam apenas ilusões.

 

Permitam-me

que eu mesmo descubra,

onde o vento

quer e pode me levar.

 

Se fico só por aqui,

como folha,

ou como pena,

passearei por bom tempo,

circulando

por sobre a Terra,

onde a atmosfera circunda

anima,

dá vida,

alegra

e refresca nosso mundo.

 

Se o vento quiser,

ou outro meio tiver,

mais para o alto,

mais para cima,

minha alma vai flutuar,

para sempre,

pois o universo

é infinito,

e minha alma,

não tem peso,

tamanho,

nem idade.

 

Não existirão mistérios,

lá em cima, no céu?

 

O espaço celestial é imenso.

Podem caber alguns milagres.

 

Tomara.

Mais e mais

vou treinar meus passos

para que se tornem

cada vez mais leves,

soltar-me das amarras,

deixar que o vento me leve

para onde os mistérios atraem.

 

Quero ir,

aprender a voar,

permanecer plainando,

por mais tempo,

até aterrissar,

no Eterno. 

 


Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 30/06/2018
Publicado no Blog Heipo World 
e no FACE em 30/06/2018  

quarta-feira, 27 de junho de 2018

477.- Meditação. Meditar é despertar, acordar meu eu.




Todos nós

                                                 viemos do berço,

                                  equipados com a mente,

              a capacidade racional.

 

À medida

em que fomos crescendo

foi aumentando

o nosso potencial mental.

 

Porém, parece que

 em um determinado momento,

paramos de desenvolver nossa mente.


 Dominamos

o vocabulário brasileiro,

inglês ou espanhol,

mas ainda assim,

nossa mente é desorganizada,

confusa, insegura e infrutífera,

considerando que,

dizem os cientistas,

só sabemos usar dez por cento

da nossa capacidade mental.

 

Hoje, um dos maiores desafios

da humanidade 

é continuar a pesquisar

e desenvolver

a capacidade do cérebro,

da mente, da intuição

e da consciência. 

 

A mente

é um enorme potencial.

 

Por ser grande demais,

necessita ser estudada

em seus ramais,

ou suas ramificações.

 

Constatamos

que não somos especialistas

no uso da nossa mente,

não obstante sermos definidos

como animais racionais.

  

Basta observar

nossos pensamentos negativos,

nossos preconceitos,

nossos arrependimentos,

nossas decisões equivocadas,

nossos constantes erros,

discussões e conflitos,

dúvidas constantes,

indecisões

e visões egocêntricas. 

 

Como a mente funciona

e como organizar a mente,

devem ser objetivos

de cada ser pensante.

 

A meditação

é uma ferramenta,

é um meio de usar a mente

de forma educada,

evoluída, eficiente.

 

A meditação

afasta-nos

das rotinas da mente

e aproxima-nos

das características do coração.

 

Não somos apenas racionais.

Também sabemos chorar.

Somos também afetivos, emotivos,

mais humanos do que robôs.

 

Muitas pessoas pensam

que a meditação exige esforços.

 

 

E é exatamente o contrário.

 

É preciso apenas relaxamento.

 

Meditar

é criar o hábito

de abandonar a própria mente,

esquecer que há qualquer futuro,

permitir que este momento

seja suficiente por si só.

 

Meditar é estar presente

no momento presente.

 

É sentir,

mais do que pensar.

 

Esta é a chave

para iniciar

o processo da meditação:

estar presente no momento presente.

 

Se deixar a mente

te levar para o passado

ou para o futuro,

ela já te desviou do foco.

Não é mais meditação.

É divagação.

 

Desviar-se

do momento presente,

é criar problemas.

 

Quando você

está com um problema,

tende a se deixar envolver 

pelo problema.

 

A meditação

cria uma distância.

 

Dá uma perspectiva.

 

Ultrapassa o problema.

 

O nível de consciência muda.

 

Você não é o problema.

 

O problema

é algo criado pela mente.

 

Um problema

devidamente compreendido

é resolvido,

porque um problema surge

através de uma mente

que não compreende.

 

Você cria o problema

porque não o compreende.

 

Então, a questão

não é tanto solucionar o problema,

a questão é criar maior compreensão.

 

E se houver

mais compreensão e clareza

e o problema puder ser enfrentado

de forma imparcial,

observado,

como se não pertencesse a você,

como se pertencesse a outra pessoa,

 se você puder criar uma distância

entre o problema e você,

somente então

o problema poderá ser resolvido.

 

À medida em que entra

em processo de meditação,

você se desloca cada vez mais alto

e pode olhar de cima para seu problema,

lá embaixo, lá fora,

e constatar

que se trata,

quase sempre,

de um problema virtual,

não real.  

 

A maior parte dos problemas

são mentais,

criações da nossa mente,

do ego insatisfeito.

 

O problema não é a dívida;

é a ganância,

é desconhecer-se a si mesmo.

 

Você não precisa ser rico,

ter posses, ter coisas.

 

De nada adianta ter coisas

se você não se tem a si mesmo,

 e não está em si mesmo.

 

Quando você tem apego

a qualquer coisa,

você está fora de si,

despersonalizado,

perdido.

 

Quando algum motorista

provoca um acidente

e bate no seu carro,

você diz: ‘ele me bateu’.

Revela que você está identificado

com o seu veículo,

como se você fosse o carro.

Isso é apego.

Não é real.

É ilusão.

É estar fora de si.

 

Se você é uma pessoa desapegada,

está vazia das coisas,

mas plena de si.  

 

Você pode ser um zé-ninguém

e ainda assim,

todos os tesouros da existência

podem lhe pertencer,

porque eles não estão fora de você.

 

O problema,

este é o problema,

você desconhece

sua própria riqueza interior.

 

Perceba como a meditação

te conduz a uma visão mais completa,

mais profunda, mais real,

verdadeira.

 

A meditação relativiza,

minimiza os problemas,

ou possibilita a visão

de que não há problemas reais,

apenas mentais.

 

Os outros problemas reais,

a mente sadia, que medita,

aceita-os como parte integrante

da existência.

 

A meditação

te faz concentrar-se em você,

lida com a pessoa concreta,

e dá importância a você

não para as coisas externas.

 

Medite

para que o teu ser interior

se torne único.

 

Quando o teu ser interior

se torna único,

a divisão,

que não é da sua essência,

desaparece na periferia. 

 

A meditação

é um processo

para tornar as pessoas independentes,

e assim, mudar seu tipo

e sua qualidade de consciência.

 

Quando a pessoa cresce em consciência

também os problemas vão desaparecendo.

 

A meditação

proporciona crescimento,

evolução,

pois não está ocupada

com os problemas lá de fora,

mas sim, com o próprio ser.

 

Se a pessoa se ocupa

o tempo todo com problemas,

fica estacionada,

pois problemas existirão sempre.

 

Se a pessoa

aprende a meditar

estará envolvida

somente com o momento presente,

degustando a eternidade do momento.

 

A meditação

é um método de elevar

o nível da consciência.

 

A meditação não é da mente.

A mente é um caos.

 

A meditação

esta além da mente

e dos limites da mente.

 

Meditação

é a ciência interior do silêncio,

da paz de ser uma luz para si.

 

A meditação

revela os segredos da subjetividade.

Move para dentro,

volta para casa,

para o centro mais íntimo

do ser humano.

 

Para conhecer a si mesma

a pessoa não precisa da mente,

precisa apenas de silêncio.

 

Sem conhecer a si mesmo,

a pessoa não pode ser ela mesma.

 

Conhecer a si mesmo

é um passo para ser você mesmo,

e, a menos que a pessoa seja ela mesma,

nunca poderá se sentir à vontade.

Nunca poderá se sentir satisfeita,

nunca vai poder se sentir realizada,

nunca vai poder se sentir à vontade

na existência.

 

A menos que a pessoa se conheça,

que conheça algo sobre meditação,

sobre voltar para dentro,

olhar o seu interior,

só assim

a falta de sentido

vai desaparecer.

 

Meditar é despertar.

 

Transcender a mente

é toda a arte da meditação.

 

Meditar

significa observar a mente,

testemunhar a mente.

 

Meditação

 significa consciência

e não o pensar sobre algo

ou concentrar-se em algo

ou contemplar algo.

 

Meditação

significa simplesmente

um estado de consciência.

 

Perceber com a consciência,

que é melhor ser afetivo

do que ser lógico

inteligente 

e racionalista.

 

Ser consciente 

é agir com o coração

e é ensinamento

da mãe

Meditação.

 

Observação:

este texto foi elaborado

tendo como fonte

a meditação,

reflexões pessoais,

e alguns pensamentos

extraídos do livro

do filósofo e escritor indiano

Ragneest Chandra Mohan Jain (Osho).

1931-1990.

 

Osho.

O Livro do Ego,

Editora BestSeller.


*Leia outros textos sobre meditação neste blog. 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 27/06/2018

eneaspb@gmail.com

Publicado no Blog Heipo’s World

e no FACE em 27/06/2018