domingo, 25 de fevereiro de 2018

463.- Profundidade. Desejo viver das profundezas, das raízes, da fonte pura.




Ah, como faz bem

o ar puro!

 

Como é gostoso

tomar um gole,

de água fresca.

 

Como é bom tomar banho,

na água limpa.

 

Como é gratificante,

encontrar-se com alguém,

de alma pura.

 

Levar uma vida

sem profundidade

é simplesmente fechar os olhos

diante do mistério da vida.

 

Levar uma vida em profundidade

é encarar o próprio mistério.

 

É só descendo rumo às profundezas

da nossa própria vida

que nos deparamos

com a realidade espiritual.

Eder Vasconcelos.

 

É na profundidade da terra

que encontramos o ouro.

 

É na profundidade

da pessoa

que se encontra

o seu maior tesouro,

a alma,

onde há um espaço

acessível para o Deus Criador.

 

Parece insensato

falar de superficialidade

e profundidade,

no ser humano,

uma vez que somos

uma só coisa,

uma pessoa.

 

Mais insensato ainda

é viver a vida,

descomprometidamente,

simplesmente indo e vindo,

dormindo,

comendo e bebendo,

sem usar as faculdades

da curiosidade,

do conhecer

de onde viemos,

o que estamos fazendo aqui,

para onde vamos.

 

Sabemos

que quase todas as coisas,

todos os elementos,

 contém uma parte interna

e outra externa,

uma parte de fora,

outra, de dentro.

 

E temos a tendência

ou o defeito,

de avaliar ou julgar,

na maioria das vezes,

somente a partir daquilo que vemos,

a parte externa.

 

Mas,

todos sabemos,

que dentro de nós está o coração,

que não aparece,

que trabalha constantemente,

mantendo os movimentos,

e a vida, que aparece.

 

Dentro de nós está o cérebro,

onde se processam os pensamentos,

origem das emoções e motivações.

 

Mas, se abrirmos a cabeça,

cortarmos o cérebro em pedaços,

não encontraremos

nenhum pensamento materializado.

Nem encontraremos a memória

onde estejam guardadas

nossas lembranças.

 

A experiência com a vida que vivemos,

insiste em manter-nos na superfície,

na periferia, onde não fazemos

nenhum tipo de esforço,

abandonamos o leme,

a direção da vida. 

 

Para perceber

a dimensão da profundidade

sentimos que é necessário parar,

descer do automático, desligar-se,

procurar lugares silenciosos,

fazer silencio internamente.

 

Preciso viver

na dimensão de profundidade

para ser mais eu,

para não me perder,

para não viver vazio,

sem carga, sem norte e sem sul.

 

A profundidade

 sustenta, dá sentido para a vida.

 

Se estamos na superfície,

estamos vivendo

do supérfluo.


Viver

no nível de profundidade

é que responde,

às aspirações, ideais,

perguntas não respondidas,

desejos ainda não realizados,

mistérios não decifrados.

 

Viver

no nível de profundidade

é alimentar-se

e expressar

a essência

do que somos

e de quem somos.

 

Na superfície

vive-se o eu falso, o ego.

 

Na profundidade

transparece o eu verdadeiro,

comportamento,

 exteriorizando,

a imagem e semelhança

com o Deus Pai

bondoso, misericordioso,

atencioso, carinhoso,

compreensivo, serviçal.

 

É da profundidade

que surge a pergunta,

“De onde vim”?

 

É da natureza humana,

racional, perguntar-se,

e ir atrás das respostas.

 

Dizem os psicólogos

que a razão pergunta,

e só o coração

consegue as respostas.

 

Dizem os filósofos

que a razão

vai atrás de conhecimentos,

mas só o coração

é que revela a sabedoria. 

 

“O coração tem razões

que a razão desconhece”.

Blaise Pascal.

 

Assim como o valor da vida

não está na superfície,

nem nas aparências,

mas na profundidade,

a essência das pessoas

não está no rosto,

mas no coração.

Gibran Kahlil Gibran.

 

Escape da superfície,

tente cavar mais fundo,

penetrar na profundidade.

 

Avalie

todas as suas ações,

suas escolhas,

sua filosofia de vida.

 

Antes de escolher

qualquer livro,

evento, ação ou programa de TV,

mensagem do celular

ou lugar para ir,

pergunte-se

se te levará

para o nível

de realização,

de resposta

ao sentido da vida.

 

Se for algo profundo,

vai te trazer valor,

significado

e satisfação

para o teu viver.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 25/02/2018.

eneaspb@gmail.com

Publicado no Blog Heipo World

e no FACE em 25/02/2018


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

462.- Alma gêmea



Já te escrevi tanta coisa

e você não responde.

 

Já escrevi que te amei

e que te amo.

 

Saio por aí,

pelas ruas arborizadas,

sento-me debaixo de qualquer árvore

fecho os olhos

e imagino-te

aproximando

e sussurrando palavras

em meus ouvidos.

 

Acho que somos almas gêmeas,

separadas apenas por convenções,

e padrões culturais fechados,

limitados por leis da terra.

 

Não é a Terra,

lugar 

de pequenos poderosos,

capazes de impedir

espíritos imortais,

de encontrarem-se,

fundirem-se,

unificarem-se. 

 

O que nos conecta

é um fio universal,

o amor transparente,

viajante de todas as galáxias,

que desconhece fronteiras,

tempo, espaço e leis.

 

Eis que nos encontramos,

no tempo,

livres, abertos, alegres,

presentes um ao outro,

mudos e surdos,

sem corpo,

só a alma gêmea,

atraindo,

unificando-nos.

 

Não somos daqui,

deste espaço pequeno.

 

Não somos do tempo,

não temos idade.

 

Viemos de lá,

desde o início da criação,

onde a vida começou.

 

Nascemos juntos

para juntos permanecermos,

como alma gêmea.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 21/02/2018

eneaspb@gmail.com

Publicado no Blog Heipo World

e no FACE em 21/02/2018 




sábado, 17 de fevereiro de 2018

461.- Ego. Conhecer-se a si mesmo. Ego xucro, ego domado, consciência no comando (Terceira Parte)



Continuação. Terceira parte.

Interpretação de papeis: as muitas faces do ego.
Um ego que quer alguma coisa do outro,
em geral representa um tipo de papel
para satisfazer suas necessidades,
que podem ser: 
ganho material;
sensação de poder;
sensação de superioridade;
sensação de ser alguém especial;
sensação de um sentimento de gratificação,
seja física ou psicológica.


Em geral,
as pessoas, 
não têm nenhuma consciência
dos papéis que representam.


Elas são estes papéis.
Alguns deles são tão sutis,
enquanto outros são claros,
exceto para quem os interpreta.


Há aqueles criados
com o único objetivo
de atrair atenção de alguém.


O ego
prospera
quando angaria 
a atenção dos outros,
porque ela é, acima de tudo,
uma energia psíquica.


Como não sabe
que a origem de toda a energia
está dentro da pessoa,
ela a procura externamente. 


Porém,
sua busca 
não é pela atenção 
sem forma,
a presença,
e sim pela atenção 
numa forma,
como reconhecimento, 
elogio e admiração.


Certas vezes,
só o fato de ser notado
de alguma maneira
já vale como um reconhecimento
da sua existência. 
(pg. 79)


Uma pessoa tímida
que tem medo da atenção dos outros
não está livre do ego.


Neste caso,
o ego é ambivalente,
pois tanto quer quanto teme
a atenção externa.


O temor
é de que a atenção
possa tomar a forma
de desaprovação,
ou crítica,
isto é, algo que diminua
a percepção do eu
em vez de aumenta-la.


Portanto,
o medo
que a pessoa tímida tem
de atenção
é maior
do que a necessidade
que tem dela.


A timidez
costuma ser acompanhada
de uma autoimagem
predominantemente negativa:
a crença de ser inadequado.


Qualquer percepção conceitual do eu
– ver a si mesmo como isso ou aquilo –
é o ego,
seja ele favorável (eu sou o maior)
ou desfavorável (não sou bom).


Por trás de toda autoimagem negativa
está o desejo de ser o maior ou melhor
do que os outros.


Oculto pelo confiante
e contínuo sentimento de superioridade do ego
encontra-se o medo inconsciente de ser inferior.


De modo inverso,
o ego tímido,
que se sente inapropriado e menor,
tem um forte desejo camuflado
de superioridade.


Tudo o que devemos saber
e observar em nós mesmos é isso:
sempre que nos sentirmos superiores 
ou inferiores
a alguém, 
isso é o ego em ação.
(p. 79-80).


Entenda o papel de vítima
que o ego interpreta.


Nestes casos,
a forma de atenção 
que o ego busca
é a solidariedade,
a piedade,
ou o interesse dos outros
pelos ‘meus’ problemas,
por ‘mim e minha história’.


Ver-se como vítima
é um componente
de muitos padrões do ego,
como queixar-se,
sentir-se ofendido,
ultrajado, etc.


O ego
não deseja
o fim dos seus ‘problemas’
porque eles fazem parte
da sua identidade.
(pg. 81)


Todas as motivações do ego
são voltadas 
para a autovalorização
e o interesse do próprio eu.
(p.90)


Se o conflito do ego
tem um propósito,
ele é indireto:
ele cria cada vez mais
sofrimento neste mundo
e o sofrimento,
embora produzido
em sua maior parte,
 pelo ego,
no fim,
pode colaborar
para destruir
a ilusão do próprio ego.
(Pg. 97)


Por que o ego interpreta papéis?
Por causa de um pressuposto
não questionado,
um erro fundamental,
um pensamento inconsciente:
“Não sou o bastante”,
e “tenho que interpretar um papel
para conseguir o que é necessário
para me completar”,
e “preciso obter mais para ser mais”.
(Pg. 99)


Na forma,
(o ego pensa)
somos e seremos sempre inferiores
a algumas pessoas
e superiores a outras.


Na essência (ser)
não somos inferiores
nem superiores a ninguém.


A verdadeira autoestima
e a autentica humildade
surgem dessa compreensão.


Aos olhos do ego,
a autoestima e a humildade
são contraditórias.
(Pg. 99)




O ego,
na sua cegueira
é incapaz de ver
a dor
que inflige
a si mesmo
e aos outros.
(Pg. 99)


O ego
cria separação
e a separação causa sofrimento,
portanto, o ego é patológico.
(Pg. 101)


O ego
não sabe
que sua única oportunidade
de ficar em paz
é agora.


Ou talvez ele saiba
e tenha medo
de que nós acabemos
descobrindo isso.


Paz, acima de tudo,
é o fim do ego.
(Pg. 104)


O ego
se fortalece
no negativismo.


O ego
adora a infelicidade.


Com isso causamos sofrimento
a nós mesmos,
e aos outros
sem nem sequer saber,
que estamos fazendo isso,
ignorando que estamos criando
o inferno na Terra.


Provocarmos dor sem saber
– essa é a essência de vivermos
de modo inconsciente
– é estar sob o domínio do ego.
(Pg. 104)




No instante
em que todos os recursos falham,
o ego recorre aos gritos
e até à violência física.
(Pg. 105)


Enquanto a consciência
não se manifesta
existe identificação
com os estados interiores,
e essa identificação é o ego.


Com a consciência
vem o abandono da identificação
com os pensamentos,
as emoções e as reações.
(Pg. 105)


O ego
não sabe que a mente
e as posições mentais
não têm nada a ver
com quem nós somos,
porque ele é a própria mente
não observada.
(Pg. 109)


Seu ego
exige o reconhecimento pessoal
e desperdiça energias
com o ressentimento
quando não obtém o suficiente,
que nunca é o bastante.
(Pg. 110)


A cooperação
é estranha ao ego,
a não ser quando existe
uma intenção oculta.


O ego
não sabe que,
quando incluímos as pessoas,
as coisas fluem
mais suavemente
e chegam até nós
com mais facilidade.


Se prestarmos pouco
ou nenhum auxílio aos outros,
ou colocamos obstáculos 
em seu caminho,
o universo,
na forma de pessoas 
ou circunstâncias,
nos proporciona pouca 
ou nenhuma ajuda
porque nos separamos 
do todo.
(Pg. 111)


O ego
consome 
uma quantidade 
de energia.
(Pg. 112)


Comentário do Eneas: 
Uma enorme energia pode ser canalizada 
para outras frentes positivas, 
construtivas, curativas, 
quando tomamos conhecimento 
das estratégias patológicas
do ego.


O sofrimento
é uma consequência inevitável
de toda ação motivada pelo ego.
(pg. 113)


É necessário 
estar sempre alerta,
uma vez que o ego
tentará sempre
assumir o controle
e se reafirmar
de qualquer maneira.


Dissolver o ego humano,
trazendo-o à luz da consciência,
esse será o principal objetivo
das pessoas esclarecidas.
(Pg. 114)


Ao longo de milhares de ano,
 a mente vem intensificando
seu domínio sobre a humanidade,
que deixou de ser capaz
de reconhecer a entidade
que se apossa de nós como o ‘não-eu’.


Por causa 
dessa completa identificação
com a mente,
uma falsa percepção do eu
passa a existir – o ego. 


A densidade do ego
 depende do grau em que nós
– a consciência –
nos identificamos
com a mente,
com o pensamento.


Pensar
não é mais do que
um minúsculo aspecto
da totalidade da consciência.
(Pg. 116-117)


Todo ensinamento 
do místico Lao Tsé
se assemelhava ao do rio:
siga a corrente 
seja para onde ela for.


Mas a mente
sempre quer fazer alguma coisa
por que desse modo
o crédito vai para o ego.


Se você simplesmente 
seguir a maré,
o crédito vai para a maré,
não para você.
(Liliam Amorim).


O ego
é uma fonte de consulta
nada confiável.


O ego
de cada um de nós
é egoísta e egocêntrico.


Acha-se 
o centro do Universo.


Adoram 
seu umbigo.


Sempre acham que têm razão
para sentir e manifestar raiva,
mágoa, tristeza, medo, etc.


O nosso ego
é cego e surdo,
mas não é mudo.
(Mauro Kwitko,
A Terapia da Reforma Íntima,
Editora Besouro Box,
 página 45).


A ignorância
é a causa raiz 
de todo sofrimento.


O sábio da Índia Oriental,
Patanjali (Taimmi 1961)
disse que a ignorância 
gera o ego,
o ego 
desenvolve gostos e aversões,
e estes gostos e aversões
causam a doença física
e o medo da morte.


A descoberta da plenitude
cura a mente do ego-separação;
a cura do ego
dissolve os desequilíbrios vitais
devido a preferências emocionais,
e a ausência de preferência emocional
significa ausência
de medo da morte
no nível físico.
(Amit Goswami.
O Médico Quântico.
Ed. Cultrix, pg. 60-61)


Acredito firmemente 
na inauguração de uma nova visão de mundo 
após a leitura e o conhecimento desta nova cultura, 
antiga insistência 
do filósofo Sócrates: 
Conhece-te a ti mesmo.


Gostaria de aproveitar 
a oportunidade 
para sugerir a compra de livros
 que trata do ego 
e da consciência desperta.



Existem muitos livros 
que tratam do ego.
O primeiro livro que indico 
é do autor Eckhart Tolle,
“Um Novo Mundo
- O Despertar de uma nova Consciência”,
Editora Sextante.

“O Ego é seu inimigo”,
do escritor Ryan Holiday,
Editora Intrínseca.

“A Libertação do Ego”,
Richard Rohr,
Editora Vozes.


Quanto conteúdo para avaliação.
  

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Eneas Paulo Budel Bogucheski.
Atualizado em 17/02/2018.