Continuação. Terceira
parte.
Interpretação de papeis: as muitas faces do ego.
Um ego que quer alguma coisa do outro,
em geral representa um tipo de papel
para satisfazer suas necessidades,
que podem ser:
ganho material;
sensação de poder;
sensação de superioridade;
sensação de ser alguém especial;
sensação de um sentimento de gratificação,
seja física ou psicológica.
Em geral,
as pessoas,
não têm nenhuma consciência
dos papéis que representam.
Elas são estes papéis.
Alguns deles são tão sutis,
enquanto outros são claros,
exceto para quem os interpreta.
Há aqueles criados
com o único objetivo
de atrair atenção de alguém.
O ego
prospera
quando angaria
a atenção dos outros,
porque ela é, acima de tudo,
uma energia psíquica.
Como não sabe
que a origem de toda a energia
está dentro da pessoa,
ela a procura externamente.
Porém,
sua busca
não é pela atenção
sem forma,
a presença,
e sim pela atenção
numa forma,
como reconhecimento,
elogio e admiração.
Certas vezes,
só o fato de ser notado
de alguma maneira
já vale como um reconhecimento
da sua existência.
(pg. 79)
Uma pessoa tímida
que tem medo da atenção dos outros
não está livre do ego.
Neste caso,
o ego é ambivalente,
pois tanto quer quanto teme
a atenção externa.
O temor
é de que a atenção
possa tomar a forma
de desaprovação,
ou crítica,
isto é, algo que diminua
a percepção do eu
em vez de aumenta-la.
Portanto,
o medo
que a pessoa tímida tem
de atenção
é maior
do que a necessidade
que tem dela.
A timidez
costuma ser acompanhada
de uma autoimagem
predominantemente negativa:
a crença de ser inadequado.
Qualquer percepção conceitual do eu
– ver a si mesmo como isso ou aquilo –
é o ego,
seja ele favorável (eu sou o maior)
ou desfavorável (não sou bom).
Por trás de toda autoimagem negativa
está o desejo de ser o maior ou melhor
do que os outros.
Oculto pelo confiante
e contínuo sentimento de superioridade do ego
encontra-se o medo inconsciente de ser inferior.
De modo inverso,
o ego tímido,
que se sente inapropriado e menor,
tem um forte desejo camuflado
de superioridade.
Tudo o que devemos saber
e observar em nós mesmos é isso:
sempre que nos sentirmos superiores
ou inferiores
a alguém,
isso é o ego em ação.
(p. 79-80).
Entenda o papel de vítima
que o ego interpreta.
Nestes casos,
a forma de atenção
que o ego busca
é a solidariedade,
a piedade,
ou o interesse dos outros
pelos ‘meus’ problemas,
por ‘mim e minha história’.
Ver-se como vítima
é um componente
de muitos padrões do ego,
como queixar-se,
sentir-se ofendido,
ultrajado, etc.
O ego
não deseja
o fim dos seus ‘problemas’
porque eles fazem parte
da sua identidade.
(pg. 81)
Todas as motivações do ego
são voltadas
para a autovalorização
e o interesse do próprio eu.
(p.90)
Se o conflito do ego
tem um propósito,
ele é indireto:
ele cria cada vez mais
sofrimento neste mundo
e o sofrimento,
embora produzido
em sua maior parte,
pelo ego,
no fim,
pode colaborar
para destruir
a ilusão do próprio ego.
(Pg. 97)
Por que o ego interpreta papéis?
Por causa de um pressuposto
não questionado,
um erro fundamental,
um pensamento inconsciente:
“Não sou o bastante”,
e “tenho que interpretar um papel
para conseguir o que é necessário
para me completar”,
e “preciso obter mais para ser mais”.
(Pg. 99)
Na forma,
(o ego pensa)
somos e seremos sempre inferiores
a algumas pessoas
e superiores a outras.
Na essência (ser)
não somos inferiores
nem superiores a ninguém.
A verdadeira autoestima
e a autentica humildade
surgem dessa compreensão.
Aos olhos do ego,
a autoestima e a humildade
são contraditórias.
(Pg. 99)
O ego,
na sua cegueira
é incapaz de ver
a dor
que inflige
a si mesmo
e aos outros.
(Pg. 99)
O ego
cria separação
e a separação causa sofrimento,
portanto, o ego é patológico.
(Pg. 101)
O ego
não sabe
que sua única oportunidade
de ficar em paz
é agora.
Ou talvez ele saiba
e tenha medo
de que nós acabemos
descobrindo isso.
Paz, acima de tudo,
é o fim do ego.
(Pg. 104)
O ego
se fortalece
no negativismo.
O ego
adora a infelicidade.
Com isso causamos sofrimento
a nós mesmos,
e aos outros
sem nem sequer saber,
que estamos fazendo isso,
ignorando que estamos criando
o inferno na Terra.
Provocarmos dor sem saber
– essa é a essência de vivermos
de modo inconsciente
– é estar sob o domínio do ego.
(Pg. 104)
No instante
em que todos os recursos falham,
o ego recorre aos gritos
e até à violência física.
(Pg. 105)
Enquanto a consciência
não se manifesta
existe identificação
com os estados interiores,
e essa identificação é o ego.
Com a consciência
vem o abandono da identificação
com os pensamentos,
as emoções e as reações.
(Pg. 105)
O ego
não sabe que a mente
e as posições mentais
não têm nada a ver
com quem nós somos,
porque ele é a própria mente
não observada.
(Pg. 109)
Seu ego
exige o reconhecimento pessoal
e desperdiça energias
com o ressentimento
quando não obtém o suficiente,
que nunca é o bastante.
(Pg. 110)
A cooperação
é estranha ao ego,
a não ser quando existe
uma intenção oculta.
O ego
não sabe que,
quando incluímos as pessoas,
as coisas fluem
mais suavemente
e chegam até nós
com mais facilidade.
Se prestarmos pouco
ou nenhum auxílio aos outros,
ou colocamos obstáculos
em seu caminho,
o universo,
na forma de pessoas
ou circunstâncias,
nos proporciona pouca
ou nenhuma ajuda
porque nos separamos
do todo.
(Pg. 111)
O ego
consome
uma quantidade
de energia.
(Pg. 112)
Comentário do Eneas:
Uma enorme energia pode ser
canalizada
para outras frentes positivas,
construtivas, curativas,
quando
tomamos conhecimento
das estratégias patológicas
do ego.
O sofrimento
é uma consequência inevitável
de toda ação motivada pelo ego.
(pg. 113)
É necessário
estar sempre alerta,
uma vez que o ego
tentará sempre
assumir o controle
e se reafirmar
de qualquer maneira.
Dissolver o ego humano,
trazendo-o à luz da consciência,
esse será o principal objetivo
das pessoas esclarecidas.
(Pg. 114)
Ao longo de milhares de ano,
a mente vem intensificando
seu domínio sobre a humanidade,
que deixou de ser capaz
de reconhecer a entidade
que se apossa de nós como o ‘não-eu’.
Por causa
dessa completa identificação
com a mente,
uma falsa percepção do eu
passa a existir – o ego.
A densidade do ego
depende do grau em
que nós
– a consciência –
nos identificamos
com a mente,
com o pensamento.
Pensar
não é mais do que
um minúsculo aspecto
da totalidade da consciência.
(Pg. 116-117)
Todo ensinamento
do
místico Lao Tsé
se assemelhava ao do
rio:
siga a corrente
seja
para onde ela for.
Mas a mente
sempre quer fazer
alguma coisa
por que desse modo
o crédito vai para o
ego.
Se você simplesmente
seguir a maré,
o crédito vai para a
maré,
não para você.
(Liliam Amorim).
O ego
é uma fonte de consulta
nada confiável.
O ego
de cada um de nós
é egoísta e egocêntrico.
Acha-se
o centro do Universo.
Adoram
seu umbigo.
Sempre acham que têm razão
para sentir e manifestar raiva,
mágoa, tristeza, medo, etc.
O nosso ego
é cego e surdo,
mas não é mudo.
(Mauro Kwitko,
A Terapia da Reforma
Íntima,
Editora Besouro Box,
página 45).
A ignorância
é a causa raiz
de todo sofrimento.
O sábio da Índia Oriental,
Patanjali (Taimmi 1961)
disse que a ignorância
gera o ego,
o ego
desenvolve gostos e aversões,
e estes gostos e aversões
causam a doença física
e o medo da morte.
A descoberta da plenitude
cura a mente do ego-separação;
a cura do ego
dissolve os desequilíbrios vitais
devido a preferências emocionais,
e a ausência de preferência emocional
significa ausência
de medo da morte
no nível físico.
(Amit Goswami.
O Médico Quântico.
Ed. Cultrix, pg. 60-61)
Acredito
firmemente
na inauguração de uma nova visão de mundo
após a leitura e o
conhecimento desta nova cultura,
antiga insistência
do filósofo Sócrates:
Conhece-te a ti mesmo.
Gostaria
de aproveitar
a oportunidade
para sugerir a compra de livros
que trata do
ego
e da consciência desperta.
Existem muitos livros
que tratam do ego.
O primeiro livro que indico
é do autor
Eckhart Tolle,
“Um Novo Mundo
- O Despertar de uma nova Consciência”,
Editora Sextante.
“O Ego é seu inimigo”,
do escritor Ryan Holiday,
Editora Intrínseca.
“A Libertação do Ego”,
Richard Rohr,
Editora Vozes.
Quanto conteúdo para
avaliação.
Agora podemos começar
a dialogar.
Convide alguns
amigos.
Crie um grupo de
estudo e reflexão.
Comente comigo sobre
o texto.
Entre em contato pelo
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Eneas
Paulo Budel Bogucheski.
Atualizado
em 17/02/2018.